OBAMA NÃO É MAÇOM

OBAMA NÃO É MAÇOM

Obama NÃO é maçom, NÃO é grau 32 do REAA e NÃO é da Prince Hall.

Quando da última campanha presidencial dos EUA, os rumores de que o então candidato Barack Obama seria um Irmão Maçom correram pelas Lojas do Brasil. A história era sempre a mesma: Obama seria um maçom grau 32 do REAA, membro da Grande Loja Prince Hall de Illinois. Obama foi eleito Presidente dos Estados Unidos e os rumores se tornaram certeza para muitos maçons, orgulhosos de ter Obama como Irmão.

Mas a verdade é que isso não passou de um boato surgido num desses sites sobre “conspirações” em que fanáticos religiosos ficam acusando pessoas famosas de serem maçons, bruxos, satanistas, membros da Skull and Bones, e de estarem comprometidos com um mesmo ideal: dominar o mundo.
Há indícios de que tudo começou no site “AboveTopSecret”, em 05 de Março de 2007, quando um “anônimo” afirmou que Obama era maçom e que ele havia sentado em Loja com Obama. Dois meses depois, num fórum de discussão na Bósnia, outra afirmação anônima já declarava Obama como sendo Grau 32. O boato se alastrou depois que Obama participou de um comício na cidade de Des Moines, Estado do Iowa. O comício ocorreu no Centro de Convenções do Rito de Escocês da cidade, que é um local alugado para palestras, seminários, congressos e até casamentos. Essa era a “evidência” que faltava para os falsos rumores se espalharem. Em poucos dias, as “notícias” do site AboveTopSecret, do fórum da Bósnia, e da palestra num prédio de propriedade da Maçonaria já estavam replicados em centenas de sites anti-maçônicos e de teóricos da conspiração.
A situação se agravou quando a Grande Loja Prince Hall de Illinois declarou apoio ao mesmo durante a campanha presidencial. O apoio se devia ao fato de Obama ser o primeiro presidenciável negro e ser um candidato do Estado do Illinois, e não pelo suposto fato dele ser maçom. Mas o apoio serviu de combustível para a ignorância e o fanatismo daqueles que queriam ver Obama como membro de uma Sociedade Secreta tida por eles como comprometida com o Mal.
Depois de tanto barulho, a Grande Loja Prince Hall de Illinois se apressou em tentar esclarecer os fatos e declarou que, apesar de que seria uma honra ter Obama como membro da mesma, ele não era um. Mas tal declaração não foi o bastante para calar os teóricos da conspiração, que acusaram a Maçonaria de mentir para proteger seus planos maquiavélicos de dominar o mundo.

A verdade é que alguns maçons gostaram da ideia de ter Obama como Irmão e passaram essa estória pra frente como uma verdade. Porém, as duas Obediências Maçônicas do Estado de Illinois, onde Obama cresceu, afirmam que ele não é maçom, e não existe uma única foto do Obama de avental ou pisando num Templo Maçônico. Se fosse realmente verdade, seria como no caso de Bill Clinton: há na Internet várias fotos de Clinton usando capa DeMolay em sua adolescência, entrevistas e até em sua autobiografia o mesmo afirmou com orgulho ser um Sênior DeMolay. Obama também tem sua autobiografia, e nada de Maçonaria.

MAÇONARIA BRASILEIRA EM NÚMEROS

Como todos sabem, a Maçonaria brasileira pode ser dividida em três modelos administrativos distintos: os Grandes Orientes Estaduais federados ao GOB, as Grandes Lojas confederadas à CMSB, e os Grandes Orientes Independentes confederados à COMAB. Somadas, essas Obediências correspondem ao que podemos chamar de Maçonaria Regular Brasileira. (Lembre-se que os conceitos “regular” e “reconhecida” são distintos. Prova disso é que nenhuma dessas Obediências possui o reconhecimento de todas as Obediências Regulares do mundo).
Com a chegada do “List of Lodges 2011“, publicação anual das Lojas das Obediências Regulares do mundo que possuem reconhecimento de Grandes Lojas Americanas, tem-se o número mais atualizado do tamanho da Maçonaria Brasileira:
O GOB possui 75.987 membros ativos, filiados a 2.526 Lojas. Permite múltiplas filiações.
As Grandes Lojas possuem 106.112 membros ativos, filiados a 2.623 Lojas. Permitem única ou dupla filiação.
Os 17 Grandes Orientes Independentes confederados à COMAB ainda não constam no “List of Lodges“, mas possuem aproximadamente 28.942 membros.
Somando todos, temos um total de mais de 211.000 maçons no Brasil, distribuidos em aproximadamente 6.000 Lojas. Para se ter uma ideia da dimensão disso, a Maçonaria Brasileira é duas vezes maior do que a soma de todo o restante da Maçonaria Latinoamericana. Somos quase três vezes maiores do que a Maçonaria Canadense. No Continente Americano só perdemos para os EUA, a maior Maçonaria do mundo, com aproximadamente 1.378.000 maçons (List of Lodge 2011), isso sem contar as Grandes Lojas Prince Hall, o que eleva esse número para quase 2 milhões de Irmãos Americanos. No mundo, estamos em 3° lugar, próximos da Inglaterra, com seus quase 238 mil membros divididos em 7.945 Lojas.
Apesar dos números impressionantes, é fato que a Maçonaria Brasileira não fala em uníssono. Mas talvez um dia conseguiremos seguir o exemplo dado pela Maçonaria Alemã que, com suas diferentes Obediências, cada uma com sua estrutura e funcionamento, criou um organismo representativo que fala em nome de todos os maçons alemães. Aí então o gigante que somos poderá despertar perante o mundo maçônico, e colaborar ainda mais com a construção de uma humanidade mais feliz e igualitária.

A CORDA NO PESCOÇO

A CORDA NO PESCOÇO

Se você acha que já viu de tudo escrito por aí, cuidado. Você pode aprender a triste lição de que nunca se deve subestimar a capacidade do ser humano de “viajar”.
Certo autor cometeu o disparate de escrever que o candidato durante a iniciação é um feto que está nascendo da mãe Maçonaria, e que a corda em seu pescoço simboliza o cordão umbilical, que será em breve tirado, como num recém-nascido. Mesmo que façamos um esforço para acreditar na teoria improvável de que nossos antecessores, Maçons Operativos, adotavam essa simbologia, seria mais óbvio então amarrar a corda na altura do umbigo, e não no pescoço.
Outro autor, não satisfeito, declarou que a corda no pescoço do candidato é representativa do símbolo milenar da serpente que morde sua própria cauda. Esse símbolo, chamado de Ouroboros ou Uróboros, representa a eternidade e costuma ser relacionado com a Alquimia. Enfim, nenhuma relação com o pescoço e o ato da Iniciação.
Há ainda aqueles que afirmam que a corda no pescoço simboliza o estado de escravidão que o candidato se encontra, escravo das paixões, dos vícios e da ignorância. Então não seria melhor amarrar suas mãos, algemá-lo? Seria uma representação um tanto mais adequada.
Por fim, há os que consideram a corda no pescoço uma armadilha simbólica, para ser usada no caso do candidato tentar fugir ou trair a confiança nele depositada durante a Iniciação. Nesse caso, qual seria a utilidade da ponta da espada que logo pressiona o peito do candidato?
 Por que complicar o que é simples? Há dois entendimentos respeitáveis sobre a corda no pescoço: A “Ars Quatuor Coronatum”, publicação da conceituada “Quatuor Coronati Lodge n°2076”, registrou no seu 1° Volume que a corda no pescoço é símbolo de controle, obediência e direção. Já o famoso Albert Pike foi ainda mais simplista: não é nada mais do que um dispositivo de controle do corpo do candidato.
Corroborando com tais compreensões, pode-se observar que a mesma corda é empregada nos candidatos também quando do ingresso em outros graus, inclusive em graus de diferentes ritos. Mesmo que amarrada de forma e em lugar diferente, sempre é simbolicamente usada para guiar. Apesar desse objetivo primário, nos graus mais “modernos”, a corda acabou ganhando também conotação de elo, união, fraternidade. Se no primeiro grau a corda é posta no pescoço, nada mais é do que sinal de que o candidato ainda não é possuidor da confiança total dos presentes, por isso recebendo um direcionamento menos fraterno e amigável.    

É muito fácil comprovar o significado da corda no pescoço: basta pegar uma corda com nó corrediço e colocar no pescoço de alguém. Então pergunte à pessoa como ela se sente, quais os pensamentos e sentimentos que vêm à mente. Haverá duas sensações: a pessoa poderá relacionar a situação ao enforcamento ou se sentir como um animal laçado, como um cachorro na coleira. Um conselho: no caso da pessoa dizer que se sente no útero da mãe ou como um alquimista com um colar de serpente, ligue para um psiquiatra.

ENTENDENDO O NOME INEFÁVEL

ENTENDENDO O NOME INEFÁVEL

Sejamos sinceros: tem muito Mestre por aí que não tem a mínima noção do que é o Nome Inefável, sua origem e simbologia. Já outros fazem o favor de inventar lendas e teorias místicas que vão além da imaginação dos simples mortais. Entre elas, podemos citar a lenda de que, se você pronunciar o Nome corretamente, terá poderes ilimitados (Superman?). Tratemos aqui apenas do que é real:
O que é Inefável? A palavra inefável descreve algo que não pode ser pronunciado, ou seja, impronunciável, indizível. Seria algo tão sagrado que sua pronúncia seria indevida, restrita apenas aos escolhidos, e dita apenas nos momentos apropriados. Assim, o Nome Inefável seria o nome de um Deus eterno, único, onipresente e invisível. Afinal de contas, se só há Ele, então Ele não precisa ser nomeado, e se Ele está presente em todos os lugares, então Ele não precisa ser chamado. Com essa crença, os judeus posicionaram seu Deus acima dos deuses de outros povos, pois Ele não estava vinculado a animais ou aos astros e não possuía concorrentes.
Mas para transmitir as histórias e ensinamentos de sua crença, os judeus precisavam se referir a Ele de alguma forma. Para isso, adotaram “títulos” como Elohim (a Autoridade), El Shaddai (Todo Poderoso), Adonai (Senhor), Elyon (Altíssimo), Ehyeh-AsherEhyeh (Eu sou o que sou), e outros. Esses títulos foram devidamente traduzidos nas bíblias tradicionais e são amplamente usados pelas igrejas e seus sacerdotes ao mencionarem o GADU.
Como em todos os povos das mais remotas eras tinham nos sacerdotes os guardiões de algum tipo de segredo ou mistério, com os judeus não poderia ser diferente. Assim, ficou o Sumo Sacerdote, líder religioso do povo judeu, responsável por guardar a pronúncia do verdadeiro nome do GADU e pronunciá-lo apenas quando em cerimônia específica no Templo de Jerusalém. O nome teria sido informado inicialmente a Moisés por Deus através da Sarça Ardente. Dessa forma, o nome servia como uma espécie de senha, um segredo que era transmitido pelo Sumo Sacerdote a seu sucessor e aos Reis coroados por ele, sempre de forma ritualística, dentro do Templo.
Na verdade, todo bom judeu sabia como se escrevia o nome verdadeiro de Deus, mas apenas o Sumo Sacerdote e o Rei sabiam pronunciá-lo. Você deve estar se perguntando: Como isso é possível? Explicando de uma forma bem simplista: O hebraico é uma língua que só se escreve com consoantes. Assim, o leitor judeu precisa conhecer a pronúncia da palavra para pronunciar as vogais corretas. Para quem achar isso um pouco estranho, saiba que produzimos exemplos claros disso todos os dias: vc = você; tbm = também; blz = beleza.
O nome de Deus seria escrito com 04 letras hebraicas correspondentes às letras JHVH de nosso alfabeto (tetragramaton), mas como as pessoas nunca haviam escutado a palavra, não sabiam como pronunciá-la. Poderia ser mais de 100 combinações: Jahavah, Jahaveh, Jahavih, Jahavoh, Jahavuh, Jahevah, Jaheveh, Jahevih, Jahevoh, Jahevuh, Jahivah, Jahiveh, Jahivih, Jahivoh, Jahivuh, Jahovah, Jahoveh, Jahovih, Jahovoh, Jahovuh, Jahuvah, Jahuveh, Jahuvih, Jahuvoh, Jahuvuh, Jehavah, Jehaveh, Jehavih, Jehavoh, Jehavuh, Jehevah, Jeheveh, Jehevih, Jehevoh, Jehevuh, Jehivah, Jehiveh, Jehivih, Jehivoh, Jehivuh, Jehovah, Jehoveh, Jehovih, Jehovoh, Jehovuh, Jehuvah, Jehuveh, Jehuvih, Jehuvoh, Jehuvuh, Jihavah, Jihaveh, Jihavih, Jihavoh, Jihavuh, Jihevah, Jiheveh, Jihevih, Jihevoh, Jihevuh, Jihivah, Jihiveh, Jihivih, Jihivoh, Jihivuh, Jihovah, Jihoveh, Jihovih, Jihovoh, Jihovuh, Jihuvah, Jihuveh, Jihuvih, Jihuvoh, Jihuvuh, Johavah, Johaveh, Johavih, Johavoh, Johavuh, Johevah, Joheveh, Johevih, Johevoh, Johevuh, Johivah, Johiveh, Johivih, Johivoh, Johivuh, Johovah, Johoveh, Johovih, Johovoh, Johovuh, Johuvah, Johuveh, Johuvih, Johuvoh, Johuvuh, Juhavah, Juhaveh, Juhavih, Juhavoh, Juhavuh, Juhevah, Juheveh, Juhevih, Juhevoh, Juhevuh, juhivah, Juhiveh, Juhivoh, Juhivuh, Juhovah, Juhoveh, Juhovih, Juhovoh, Juhovuh, Juhuvah, Juhuveh, Juhuvih, Juhuvoh, Juhuvuh. Isso sem considerar a hipótese das consoantes estarem misturadas, o que aumenta as possibilidades de combinação para mais de mil.
De qualquer forma, seja pela morte daqueles que a sabiam ou pela destruição do Templo, único lugar onde o nome poderia ser pronunciado, a palavra se perdeu. Uma versão que surgiu com o tempo foi a utilização das vogais de Ehyeh-AsherEhyeh (Eu sou o que sou) com o Tetragramaton, o que gerou a versão Jihaveh (Javé, em português). Mas também convencionou-se adotar os sons de Adonai, título mais comum para denominar Deus, em combinação com o Tetragramaton, o que gera o nome Jihovah (Jeová, em português), que se consolidou como a “versão correta” do nome do GADU, apesar de não existir quaisquer outros indícios para tanto. Por esse motivo, o nome continua sendo “inefável” para os judeus ortodoxos e muitas outras vertentes religiosas e esotéricas.

Para nós, Mestres Maçons, independente de qual seja a pronúncia correta, o que realmente importa são os profundos ensinamentos que esse símbolo ilustra. E uma dessas lições é de que, apesar do GADU ser chamado de tantos diferentes nomes e visto de tantas diferentes formas, conforme a cultura, costumes e crenças de cada povo e cada ser, Ele é o mesmo, único, oculto aos nossos olhos, mas presente em nossas vidas.

CIRCULAÇÃO EM LOJA

CIRCULAÇÃO EM LOJA

A Maçonaria possui modelos de circulação que variam conforme o Rito praticado. Há a circulação em esquadria, que respeita a linha entre o Trono da Sabedoria e o Altar e se orienta pelo Pavimento Mosaico recuado; a circulação em sentido anti-horário, chamada de sinistrocêntrica (rara); a circulação em sentido horário no Ocidente e anti-horário no Oriente (mais rara ainda); e a circulação apenas em sentido horário, conhecida como dextrocêntrica, adotada no REAA (muito popular no Brasil).
É claro que cada tipo de circulação maçônica tem seu motivo de existir e sua explicação. Mas, considerando a supremacia do REAA no Brasil e a quantidade de material controverso publicado sobre o assunto, foquemos em sua circulação:
Em primeiro lugar, não percamos tempo com nomenclaturas. Sejamos sinceros, circumambulação e circunvolução são apenas nomes frescos para o que conhecemos por circulação. A intenção dos autores deveria ser de facilitar a compreensão, e não de complicar. Afinal de contas, quando um policial quer que um cidadão se movimente, ele diz “circulando, circulando!” e não “circumambulando, circumambulando!” ou “circunvoluindo, circunvoluindo!”
A verdade é que girar em sentido horário em volta de um Altar não é coisa recente. Enquanto os egípcios valorizaram o lado esquerdo como o lado espiritual, os gregos antigos tinham o lado esquerdo como o “desfavorável” e o direito como o “favorável”, visto que, em regra, o braço direito favorece mais o dono do que o esquerdo. Daí surgiu a referência popular de que “fulano é meu braço direito”. Por esse entendimento, a circulação em torno dos altares gregos era sempre realizada de forma que o lado direito ficasse próximo ao altar.  
Já os romanos, adotando o mesmo procedimento, vieram a chamar essa circulação de “dextrovorsum” e relacioná-la ao aparente movimento que o Sol faz diariamente em torno da Terra. Esse aparente movimento do Sol se deve ao fato da Terra girar no sentido anti-horário em torno de seu eixo (Rotação), o que gera a percepção para seus habitantes de que é o Sol que está se movendo no sentido horário.

Vários outros povos em diferentes épocas, tendo sempre o aparente movimento do Sol como referência, também adotavam a circulação em sentido horário, tendo altares, fogueiras, totens ou sacrifícios como eixo. Uma prática de certa forma universal. Interpretando o Templo Maçônico como um microcosmo da Terra, é fácil compreender sua adoção no REAA e em vários outros Ritos.