por Kennyo Ismail | abr 26, 2011 | Simbologia
O triponto está presente nas abreviações contidas em diplomas, pranchas, manuais e rituais do REAA e na assinatura de todo maçom brasileiro que se preze. Mas qual é a origem desse costume e seu real significado?
Muitos se arriscam em chutar seu significado: os três graus simbólicos; o Esquadro e Compasso e o Livro da Lei; as Colunas Jônica, Dórica e Coríntia; o Venerável e seus dois Vigilantes; o triângulo superior da Árvore da Vida; as pirâmides de Quéops, Quefren e Miquerinos; o Enxofre, o Mercúrio e o Sal; Pai, Filho e Espírito Santo; ou mesmo Prótons, Elétrons e Nêutrons; etc, etc, etc. Daí, em cima do suposto significado, “deduzem” a origem: Grécia Antiga, Cabala, Egito Antigo, alquimistas, Igreja e até na Física.
Temos que concordar que o tema colabora para o quase infinito número de interpretações, muitas sem pé nem cabeça, afinal de contas, o número 03 pode ser encontrado em todas as culturas, épocas e religiões. Aliás, pode-se encontrar nessas qualquer número entre 01 e 09, basta um pouco de criatividade! Os números acima de 09 não são tão populares exatamente por dar mais trabalho encontrá-los.
Mas não é possível que continuemos a utilizar o triponto nas abreviações e até mesmo em nossas assinaturas sem saber a real origem e significado do mesmo. Então, vamos ao que interessa:
O triponto não está presente na Maçonaria Universal, e sim apenas nos Ritos de origem francesa. Sua forte presença no Brasil deve-se à supremacia do REAA no país. Conforme Ragon, em sua obra “Ortodoxia Maçônica”, o triponto começou a ser oficialmente usado nas abreviações a partir de 12/08/1774, através de determinação do Grande Oriente da França. Chapuis evidencia que o uso já era adotado por algumas Lojas francesas anteriormente, como na Loja “A Sinceridade”, de Besançon, em ata de 1764.
O costume de abreviar as palavras surgiu com os gregos e foi extensamente explorado pelos romanos através das “anotações tironianas” que, aliás, criaram a regra de duplicar a letra inicial quando da abreviação de termo no plural, regra ainda existente na abreviação maçônica. Esse sistema de abreviação do latim sobreviveu de tal forma na Europa pós-romana que, para se ter uma ideia do uso e abuso das abreviaturas na França, em 1304 o Rei Felipe IV, o Belo, publicou lei proibindo abreviações nas atas jurídicas.
Se sempre adotadas em atas e sinalizadas por traços, barras ou reticências, é claro que nas atas maçônicas as abreviações não ficariam de fora e ganhariam um sinal correspondente com a instituição: uma variação das reticências, lembrando o símbolo geométrico mais importante para a Maçonaria, o Triângulo. Não demorou para que, pelo costume da escrita e exclusividade do uso, o triponto ultrapassasse sua utilidade caligráfica e alcançasse a assinatura dos Irmãos.
Por que os maçons ingleses e americanos não utilizam o triponto? Simplesmente porque a língua inglesa não é uma língua neolatina, românica. Ocorrem abreviações, porém respeitando outras regras e sem o uso de sinais.
Com a questão esclarecida, sejamos sinceros: a verdade é bem melhor do que imaginar que estamos desenhando Quéops, Elétrons ou Enxofre quando assinamos!
por Kennyo Ismail | abr 18, 2011 | Maçonaria no mundo
A Grande Loja do Estado de Israel foi instalada em 20/10/1953, em Jerusalém. Porém, sua sede fica em Tel Aviv. A 1ª Loja na região foi a Loja Rei Salomão n°293, filiada à Grande Loja do Canadá, e teve sua primeira reunião realizada nas chamadas pedreiras do Rei Salomão no dia 07/05/1873. Cinco anos antes havia ocorrido uma reunião no mesmo local, porém sem existir uma Loja regularmente constituída. Posteriormente a isso, houve outras Lojas na região, filiadas a extinta Grande Loja Nacional da Palestina.
O atual Grão-Mestre da Grande Loja do Estado de Israel é o Irmão Nadim Mansour, cidadão de origem árabe. Sua presença como Grão-Mestre demonstra que não somente a paz, mas também a Fraternidade pode reinar entre árabes e judeus, como bem ocorre naquela Grande Loja.
A Grande Loja do Estado de Israel possui 55 Lojas Simbólicas ativas, as quais em sua maioria trabalham no Rito de York (Monitor de Webb, americano). As Lojas se reúnem nas línguas: hebraico, romeno, francês, espanhol, turco, inglês, russo, alemão e árabe.
A prova maior do compromisso dessa Grande Loja com os princípios de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” pode ser vista no Selo da mesma: a Cruz, a Lua Quarto-crescente e a Estrela de Davi estão juntas, simbolizando o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo; selo esse herdado da Grande Loja Nacional Palestina, existente até a guerra de 1948. Da mesma forma, a Bíblia, o Alcorão e a Torah estão no Altar das Lojas, comprovando que todos os Irmãos, independente da fé professada, estão imbuídos do objetivo de trabalhar pela felicidade da humanidade.
por Kennyo Ismail | abr 15, 2011 | Notícias
Obama NÃO é maçom, NÃO é grau 32 do REAA e NÃO é da Prince Hall.
Quando da última campanha presidencial dos EUA, os rumores de que o então candidato Barack Obama seria um Irmão Maçom correram pelas Lojas do Brasil. A história era sempre a mesma: Obama seria um maçom grau 32 do REAA, membro da Grande Loja Prince Hall de Illinois. Obama foi eleito Presidente dos Estados Unidos e os rumores se tornaram certeza para muitos maçons, orgulhosos de ter Obama como Irmão.
Mas a verdade é que isso não passou de um boato surgido num desses sites sobre “conspirações” em que fanáticos religiosos ficam acusando pessoas famosas de serem maçons, bruxos, satanistas, membros da Skull and Bones, e de estarem comprometidos com um mesmo ideal: dominar o mundo.
Há indícios de que tudo começou no site “AboveTopSecret”, em 05 de Março de 2007, quando um “anônimo” afirmou que Obama era maçom e que ele havia sentado em Loja com Obama. Dois meses depois, num fórum de discussão na Bósnia, outra afirmação anônima já declarava Obama como sendo Grau 32. O boato se alastrou depois que Obama participou de um comício na cidade de Des Moines, Estado do Iowa. O comício ocorreu no Centro de Convenções do Rito de Escocês da cidade, que é um local alugado para palestras, seminários, congressos e até casamentos. Essa era a “evidência” que faltava para os falsos rumores se espalharem. Em poucos dias, as “notícias” do site AboveTopSecret, do fórum da Bósnia, e da palestra num prédio de propriedade da Maçonaria já estavam replicados em centenas de sites anti-maçônicos e de teóricos da conspiração.
A situação se agravou quando a Grande Loja Prince Hall de Illinois declarou apoio ao mesmo durante a campanha presidencial. O apoio se devia ao fato de Obama ser o primeiro presidenciável negro e ser um candidato do Estado do Illinois, e não pelo suposto fato dele ser maçom. Mas o apoio serviu de combustível para a ignorância e o fanatismo daqueles que queriam ver Obama como membro de uma Sociedade Secreta tida por eles como comprometida com o Mal.
Depois de tanto barulho, a Grande Loja Prince Hall de Illinois se apressou em tentar esclarecer os fatos e declarou que, apesar de que seria uma honra ter Obama como membro da mesma, ele não era um. Mas tal declaração não foi o bastante para calar os teóricos da conspiração, que acusaram a Maçonaria de mentir para proteger seus planos maquiavélicos de dominar o mundo.
A verdade é que alguns maçons gostaram da ideia de ter Obama como Irmão e passaram essa estória pra frente como uma verdade. Porém, as duas Obediências Maçônicas do Estado de Illinois, onde Obama cresceu, afirmam que ele não é maçom, e não existe uma única foto do Obama de avental ou pisando num Templo Maçônico. Se fosse realmente verdade, seria como no caso de Bill Clinton: há na Internet várias fotos de Clinton usando capa DeMolay em sua adolescência, entrevistas e até em sua autobiografia o mesmo afirmou com orgulho ser um Sênior DeMolay. Obama também tem sua autobiografia, e nada de Maçonaria.
por Kennyo Ismail | abr 13, 2011 | Conceitos
Como todos sabem, a Maçonaria brasileira pode ser dividida em três modelos administrativos distintos: os Grandes Orientes Estaduais federados ao GOB, as Grandes Lojas confederadas à CMSB, e os Grandes Orientes Independentes confederados à COMAB. Somadas, essas Obediências correspondem ao que podemos chamar de Maçonaria Regular Brasileira. (Lembre-se que os conceitos “regular” e “reconhecida” são distintos. Prova disso é que nenhuma dessas Obediências possui o reconhecimento de todas as Obediências Regulares do mundo).
Com a chegada do “List of Lodges 2011“, publicação anual das Lojas das Obediências Regulares do mundo que possuem reconhecimento de Grandes Lojas Americanas, tem-se o número mais atualizado do tamanho da Maçonaria Brasileira:
O GOB possui 75.987 membros ativos, filiados a 2.526 Lojas. Permite múltiplas filiações.
As Grandes Lojas possuem 106.112 membros ativos, filiados a 2.623 Lojas. Permitem única ou dupla filiação.
Os 17 Grandes Orientes Independentes confederados à COMAB ainda não constam no “List of Lodges“, mas possuem aproximadamente 28.942 membros.
Somando todos, temos um total de mais de 211.000 maçons no Brasil, distribuidos em aproximadamente 6.000 Lojas. Para se ter uma ideia da dimensão disso, a Maçonaria Brasileira é duas vezes maior do que a soma de todo o restante da Maçonaria Latinoamericana. Somos quase três vezes maiores do que a Maçonaria Canadense. No Continente Americano só perdemos para os EUA, a maior Maçonaria do mundo, com aproximadamente 1.378.000 maçons (List of Lodge 2011), isso sem contar as Grandes Lojas Prince Hall, o que eleva esse número para quase 2 milhões de Irmãos Americanos. No mundo, estamos em 3° lugar, próximos da Inglaterra, com seus quase 238 mil membros divididos em 7.945 Lojas.
Apesar dos números impressionantes, é fato que a Maçonaria Brasileira não fala em uníssono. Mas talvez um dia conseguiremos seguir o exemplo dado pela Maçonaria Alemã que, com suas diferentes Obediências, cada uma com sua estrutura e funcionamento, criou um organismo representativo que fala em nome de todos os maçons alemães. Aí então o gigante que somos poderá despertar perante o mundo maçônico, e colaborar ainda mais com a construção de uma humanidade mais feliz e igualitária.
por Kennyo Ismail | abr 11, 2011 | Simbologia
Se você acha que já viu de tudo escrito por aí, cuidado. Você pode aprender a triste lição de que nunca se deve subestimar a capacidade do ser humano de “viajar”.
Certo autor cometeu o disparate de escrever que o candidato durante a iniciação é um feto que está nascendo da mãe Maçonaria, e que a corda em seu pescoço simboliza o cordão umbilical, que será em breve tirado, como num recém-nascido. Mesmo que façamos um esforço para acreditar na teoria improvável de que nossos antecessores, Maçons Operativos, adotavam essa simbologia, seria mais óbvio então amarrar a corda na altura do umbigo, e não no pescoço.
Outro autor, não satisfeito, declarou que a corda no pescoço do candidato é representativa do símbolo milenar da serpente que morde sua própria cauda. Esse símbolo, chamado de Ouroboros ou Uróboros, representa a eternidade e costuma ser relacionado com a Alquimia. Enfim, nenhuma relação com o pescoço e o ato da Iniciação.
Há ainda aqueles que afirmam que a corda no pescoço simboliza o estado de escravidão que o candidato se encontra, escravo das paixões, dos vícios e da ignorância. Então não seria melhor amarrar suas mãos, algemá-lo? Seria uma representação um tanto mais adequada.
Por fim, há os que consideram a corda no pescoço uma armadilha simbólica, para ser usada no caso do candidato tentar fugir ou trair a confiança nele depositada durante a Iniciação. Nesse caso, qual seria a utilidade da ponta da espada que logo pressiona o peito do candidato?
Por que complicar o que é simples? Há dois entendimentos respeitáveis sobre a corda no pescoço: A “Ars Quatuor Coronatum”, publicação da conceituada “Quatuor Coronati Lodge n°2076”, registrou no seu 1° Volume que a corda no pescoço é símbolo de controle, obediência e direção. Já o famoso Albert Pike foi ainda mais simplista: não é nada mais do que um dispositivo de controle do corpo do candidato.
Corroborando com tais compreensões, pode-se observar que a mesma corda é empregada nos candidatos também quando do ingresso em outros graus, inclusive em graus de diferentes ritos. Mesmo que amarrada de forma e em lugar diferente, sempre é simbolicamente usada para guiar. Apesar desse objetivo primário, nos graus mais “modernos”, a corda acabou ganhando também conotação de elo, união, fraternidade. Se no primeiro grau a corda é posta no pescoço, nada mais é do que sinal de que o candidato ainda não é possuidor da confiança total dos presentes, por isso recebendo um direcionamento menos fraterno e amigável.
É muito fácil comprovar o significado da corda no pescoço: basta pegar uma corda com nó corrediço e colocar no pescoço de alguém. Então pergunte à pessoa como ela se sente, quais os pensamentos e sentimentos que vêm à mente. Haverá duas sensações: a pessoa poderá relacionar a situação ao enforcamento ou se sentir como um animal laçado, como um cachorro na coleira. Um conselho: no caso da pessoa dizer que se sente no útero da mãe ou como um alquimista com um colar de serpente, ligue para um psiquiatra.