por Kennyo Ismail | mar 11, 2011 | Rito Escocês
É de conhecimento geral que a Maçonaria Americana serviu de inspiração e modelo para que Mário Behring criasse as Grandes Lojas Estaduais brasileiras e realizasse algumas adaptações nos rituais dos Graus Simbólicos do REAA praticado pelas mesmas, mas… e a Inglaterra, auto-intitulada berço da Maçonaria Especulativa? Nada nos “emprestou”?
Se o reconhecimento dos EUA estava garantido, não faria mal dar um passo adiante para um possível reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra. Talvez pensando nisso, pelo menos 04 características inglesas foram adotadas por Mário Behring:
Rosetas no Avental – como já foi registrado e comprovado, o avental original de Mestre do REAA era orlado de vermelho e com as letras “M” e “B” estampadas. Já o usado nos EUA pelos Mestres do Rito de York é orlado de Azul Royal com o “Olho que Tudo Vê” na abeta e o Esquadro e Compasso no centro do avental. O avental orlado de azul celeste com rosetas azuis é típico da Inglaterra, e de lá copiamos.
Cerimônia de Instalação – a Instalação tem seus primeiros registros na Inglaterra ainda no século XVIII, o que explica sua existência também no Rito de York. A cerimônia foi mantida após a fusão inglesa de 1813 e posteriormente “adotada” pelo REAA e por muitos outros Ritos.
Colunetas – Presentes no Ritual Emulação e em outros Rituais aprovados pela UGLE, as colunetas surgiram como uma feliz surpresa no ritual de Behring de 1929, ilustrando as Ordens Arquitetônicas nas Lojas brasileiras.
Painéis dos Graus – pintados por John Harris para a Loja Emulação de Aperfeiçoamento, da qual ele era membro, os painéis oficiais do Ritual Emulação também foram adotados pelas Grandes Lojas brasileiras e também pelo GOB, o qual retornou aos originais apenas na década de 80.
Apesar dos aparentes esforços de Mário Behring, a Grande Loja Unida da Inglaterra recusou-se inicialmente a reconhecer as Grandes Lojas brasileiras. Mas com o passar dos anos, ela já reconheceu 04 Grandes Lojas: GLESP, GLMERJ, GLMEES e GLMMS. E vem flertando com outras.
Parece que, se algumas adaptações ritualísticas não funcionaram, não há nada que um pouco de boa política não resolva.
por Kennyo Ismail | mar 9, 2011 | Simbologia
Esse importante símbolo maçônico foi ignorado (ou talvez seja desconhecido) por praticamente todos os escritores maçons brasileiros. Até mesmo a literatura internacional versa pouco sobre esse símbolo, presente desde a cultura egípcia, passando pelos romanos, usado pelos cristãos primitivos, e que posteriormente inspirou imperadores, como Napoleão.
Com exceção do ser humano, qual o outro ser vivo trabalha muito e em equipe, vive em comunidade, produz diferentes tipos de materiais, constrói casa para milhares de iguais, e tem forte hierarquia e disciplina?
A abelha trabalha duro e sem descanso, não para ela, mas para todas. Ela produz e ela constrói. Ela vive em harmonia com a natureza. A colméia é o grande emblema do resultado do trabalho da abelha, da sua capacidade de construir algo em prol de todos. A abelha é o ser construtor, assim como o maçom pretende ser. A partir disso é fácil compreender como a colméia se tornou um símbolo maçônico presente em antigos estandartes e aventais, e no grau de Mestre Maçom dos rituais mais antigos de nossa Ordem.
Não se sabe a partir de quando a Colméia passou a constar nos rituais maçônicos, mas já estava presente na Maçonaria desde, pelo menos, o início do século XVIII, como evidencia um catecismo maçônico irlandês datado de 1724:
“Uma abelha tem sido, em todas as épocas e nações, o grande hieróglifo da Maçonaria, pois supera todas as outras criaturas vivas na capacidade de criação e amplitude de sua habitação. Construir parece ser da própria essência ou natureza da abelha”.
Há vários registros de colméias como parte integrante e de destaque de templos e rituais maçônicos na Inglaterra, Irlanda, Escócia e EUA no século XVIII. Porém, com a renovação dos rituais em boa parte do Reino Unido a partir de 1813, esse importante símbolo foi de certa forma ignorado, surgindo vez ou outra em Lojas de Pesquisa, com exceção da Maçonaria Americana, que manteve sua importância no Ritual.
Para se ter uma melhor compreensão do significado maçônico da Colméia, segue pequeno trecho adaptado do Monitor de Webb:
“A Colméia é um emblema de indústria e operosidade. Ela nos ensina a prática dessas virtudes a todos os homens. Viemos ao mundo como seres racionais e inteligentes. Como tais, devemos sempre ser trabalhadores, jamais nos entregando à preguiça quando nossos companheiros necessitarem, se estiver em nosso poder auxiliá-los. …Aquele que não buscar trazer conhecimentos e entendimento ao todo, merece ser tratado como um membro inútil da sociedade, indigno de nossa proteção como Maçons.”
Enfim, um dos símbolos maçônicos com significado e ensinamentos mais profundos, simplesmente perdido nas brumas do tempo e nas páginas das incontáveis “revisões” promovidas pelos “sábios” de outrora. Esse é o verdadeiro “símbolo perdido” da Maçonaria.
por Kennyo Ismail | mar 3, 2011 | Simbologia
A resposta é: DENTRO. Sem sombra de dúvidas.
Alguns “ritualistas de plantão” não irão gostar, mas vamos lá:
Deve-se ter em mente que o templo maçônico não é uma “réplica” ou uma “miniatura” do Templo de Salomão. O templo maçônico na verdade é “simbolicamente inspirado” no Templo de Salomão. Vejamos: Por um acaso, nossos templos possuem o altar do holocausto com fogo? Os dez castiçais? As 400 romãs? A mesa de ouro para pães? Vasos, bacias, colheres, varais e véus? Decoração com querubins, palmeiras e flores?
Já o Templo de Salomão, tinha tronos para Primeiro e Segundo Vigilantes? Esquadro e Compasso? Sol e Lua? Colunetas de Ordens de Arquitetura GREGAS? Colunas Zodiacais (REAA)? Maço e Cinzel, Nível e Prumo?
Fica evidente que o templo maçônico não é uma cópia do Templo de Salomão, recebendo apenas inspiração do mesmo. Essa inspiração está presente, por exemplo, na orientação do Templo em Oriente, Ocidente, Norte e Sul; nas Colunas J e B, no Mar de Bronze (presente em alguns Ritos).
Sendo o templo maçônico um templo simbólico, seus símbolos devem estar, antes de tudo, visíveis, para que sirvam de ensinamento àqueles que no templo estão. Ora, as colunas J e B são os símbolos fundamentais de um templo maçônico, referência para os Aprendizes e Companheiros, presentes inclusive em seus ensinamentos.
Os chamados “ritualistas” deveriam defender os rituais, e não modificá-los. Infelizmente, não é isso que acontece. Tanto os antigos rituais do Rito Escocês, como os do Rito de York, e aqueles que derivam desses, têm claramente as Colunas no lado interno do templo. Aqueles que defendem as Colunas no lado externo, ou seja, no átrio, não se baseiam nos rituais maçônicos, e sim na descrição bíblica. São como radicais religiosos, interpretando as Escrituras Sagradas ao pé da letra e exigindo o cumprimento daquela interpretação como uma verdade absoluta. Simplesmente não entenderam que o templo maçônico definitivamente NÃO é o Templo de Salomão, possuindo inclusive símbolos de outros povos e épocas posteriores, como as Ordens Arquitetônicas comentadas anteriormente. Se quiserem colocar as colunas do lado de fora do templo, deveriam colocar também o “Mar de Bronze”. Já que defendem que o nosso Altar dos Juramentos representa o Altar do Holocausto, deveriam tacar fogo nele e colocar no Átrio também. A festa estaria completa, com a Bíblia seguida à risca e o Templo sem Altar e sem Colunas. Isso poderia ser qualquer coisa, menos um templo maçônico.
por Kennyo Ismail | mar 1, 2011 | Crítica literária
Certo dia, um valoroso Irmão proferiu na Sala dos Passos Perdidos o seguinte questionamento:
“Com tantas informações divergentes de autores de nossa literatura maçônica brasileira, há algum autor ou obra que se pode confiar?”
Por sorte, existem algumas obras que merecem nossa atenção.
Quando se trata de Rito Escocês, um dos problemas que se vê no Brasil é que os principais autores simplesmente não eram membros do Supremo Conselho regular do Rito Escocês no Brasil: o “Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil”, sediado em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Por esse simples motivo, as portas dos Supremos Conselhos regulares de todo mundo, incluindo seus materiais litúrgico, ritualístico e arquivos, estiveram sempre fechadas para esses autores. Portadores de vasta literatura, porém pobres de conteúdo “direto da fonte”, suas fontes eram parciais ou mesmo apócrifas. Assim reinou nessas obras, apesar de algumas verdades, a divulgação de muitos “achismos”.

Fugindo dessa regra, temos o livro “Os Fios da Meada”, do Irmão João Guilherme C. Ribeiro. Alguns anos atrás o Irmão João Guilherme aceitou um interessante desafio do regular Supremo Conselho do REAA: desenhar os painéis dos 33 graus. O Irmão João, não somente extremamente inteligente como também um excelente profissional, aprofundou-se de sobremaneira em sua pesquisa para a execução da missão da forma mais Justa e Perfeita. Portador de uma visão holística da Maçonaria, visto ter sido iniciado no Rito Escocês, introduzido o Ritual de Emulação no âmbito da GLMERJ e ser o tradutor dos Rituais do Rito de York para o português, o Irmão João Guilherme conseguiu reunir vasto material e dados verídicos que, não bastasse ser o necessário para a conclusão dos 33 painéis, serviu de combustível para a elaboração desse livro tão objetivo e esclarecedor.
“Os Fios da Meada” é uma obra repleta de ilustrações e citações, promovendo através dessas uma viagem histórica do Rito até os dias atuais em solo brasileiro. A obra conta ainda com prefácio de ninguém menos que o Soberano Grande Comendador, Irmão Luiz Fernando Rodrigues Torres, o que dá à obra seu devido valor como literatura confiável e pronta para ficar na história do Rito Escocês no Brasil.
O livro pode ser adquirido no site “Arte da Leitura“, assim como “O Livro dos Dias”, uma espécie de agenda maçônica com os registros dos principais fatos históricos da maçonaria mundial, e o Almanaque “Engenho & Arte”, contendo interessantíssimas matérias maçônicas para o deleite dos Irmãos.
por Kennyo Ismail | mar 1, 2011 | Rito Escocês
Tenho recebido alguns questionamentos de Irmãos quanto a afirmação de que o avental do REAA usado no Brasil antes de 1927 era realmente VERMELHO, respeitando assim o “antigo costume” e a decisão do Congresso de Lausanne.
Para não restar dúvidas, apresento imagem de obra de Assis Carvalho, “Ritos & Rituais”, que replica o ritual do “Grande Oriente Brazileiro” datado de 1834 (antes mesmo do Congresso de Lausanne), tipografia e impressão da lendária “Seignot-Plancher”.
O nome do ritual era “Guia dos Maçons Escossezes ou Reguladores dos Tres Gráos Symbolicos”.
Legenda: “Gráo 3º – Fita azul orlada de escarlate a tiracollo da esquerda para a direita, suspensa em baixo a joia, que é um esquadro e um compasso de ouro entrelaçados: a joia póde ser cravejada de pedras. Avental branco de pelle forrado e orlado de escarlate, com uma algibeira abaixo da abêta, sobre a qual estão bordadas as letras M.´. B.´.“
Apenas para reforçar, conforme o dicionário, “Escarlate” é: cor vermelha muito viva.
É importante esclarecer que esta não é uma afirmação que alguma obediência utiliza o avental “errado”. Seria um juízo de valor considerar que a mudança para o avental azul foi certa ou errada, justificada ou não, e o objetivo definitivamente não é esse. A intenção aqui é o resgate histórico, é a compreensão dos fatos, a elucidação dos temas.