UMA LIMONADA ANTIMAÇÔNICA

UMA LIMONADA ANTIMAÇÔNICA

Muitos irmãos me procuraram pedindo minha opinião sobre alguns vídeos de um jovem que anda tentando ridicularizar a Maçonaria e, principalmente, sobre sua entrevista ao podcast Flow.

Vivemos em uma era de superficialidade, onde impera o Efeito Dunning-Kruger. Para quem não está familiarizado com o termo, refere-se a uma distorção cognitiva em que pessoas acreditam piamente que têm competência e domínio sobre um determinado assunto que pouquíssimo sabem. Um caso clássico que ilustra o Efeito Dunning-Kruger é o de um assaltante de banco que, quando identificado pelas câmeras de vigilância e detido pela polícia, foi questionado da razão de não ter usado máscara. Ele então afirmou que havia passado suco de limão no rosto por saber que é uma “tinta invisível”. De fato, suco de limão é uma “tinta invisível” se usado para escrever uma mensagem em um papel, mensagem essa que se revelará posteriormente, ao esquentar o papel, mas o pouco conhecimento do assaltante sobre essa propriedade de “tinta invisível” do suco de limão levou-o a uma conclusão totalmente errada a respeito. Sua crença totalmente equivocada levou-o a empregá-la na prática, sem qualquer dúvida de que estava certo.

As redes sociais e grupos de WhatsApp mostram muito bem a presença e normalização do Efeito Dunning-Kruger, com uma avalanche de pessoas que, após lerem meia dúzia de matérias superficiais e tendenciosas sobre um determinado tema, consideram-se especialistas sobre aquilo.

Apesar do referido jovem influencer se mostrar um sujeito inteligente e articulado, seu conhecimento limitado e distorcido sobre a Maçonaria revela a presença do Efeito Dunning-Kruger. Ele mesmo afirmou no podcast que passou a ler sobre Maçonaria há menos de cinco meses e que, frente a um incontável volume de conteúdo encontrado, fez leituras superficiais, até porque ele tem outros temas e instituições como alvos. Além disso, durante a entrevista, suas respostas sobre questões maçônicas, desprovidas de dados e fatos, muitas vezes vagas e dispersas, revelam ao bom observador que as fontes de suas informações são buscas simples no Google, navegando entre Wikipedia, material apócrifo e sites antimaçônicos de fanáticos religiosos. Um dos vários exemplos que eu poderia citar foi quando ele mencionou o termo Jabulom e tentou explicá-lo, sendo que esse é um velho argumento infundado, mas sempre presente em sites de fanáticos religiosos que atacam a Maçonaria.

Mas por que um dos podcasts mais populares do Brasil convidaria, para falar sobre Maçonaria, um jovem que não é maçom e que apenas pesquisou superficialmente sobre Maçonaria na internet nos últimos meses? Por que não convidaram um maçom experiente ou um pesquisador sério da Maçonaria? Para isso, recorro a Umberto Eco, que concluiu que o ódio é uma força agregadora, que une e aquece. E foi exatamente isso que o apresentador do podcast afirmou durante a entrevista. Em suas próprias palavras, “a Internet é movida a ódio”.

Basta olharmos as matérias de um jornal, que exploram notícias ruins e negativas em detrimento de boas e positivas; ou grupos de WhatsApp com viés ideológico, onde imperam as mensagens de ataque, ódio ou ridicularização da ideologia oposta, e quase nada sobre sua própria ideologia.

Mesmo assim, talvez você esteja se perguntando: Mas por que a Maçonaria? Entender isso é simples: porque a narrativa antimaçônica é a teoria conspiratória mais antiga do mundo ocidental, durando mais de trezentos anos, e que já enriqueceu sujeitos como Léo Taxil, que soube explorá-la.

No início do Século XVIII, reis déspotas, como Luís XV, perseguiram a Maçonaria, por sua defesa de liberdade civil e política. Já a Igreja a perseguiu por seus ideais de liberdade religiosa e de Estado Laico, que ameaçavam suas relações de poder. No século XIX, chegou a surgir o Partido Antimaçônico nos EUA, impulsionados por radicais religiosos contrários à moral baseada na razão, e não na Bíblia, que a Maçonaria ensina. E na primeira metade do século XX, a Maçonaria foi perseguida por Comunistas, que a acusavam de uma conspiração judaico-maçônico capitalista; e pelos Nazistas, que a acusavam de uma conspiração judaico-maçônico comunista! Ou seja, o autoritarismo, independente de lado, perseguiu e persegue uma instituição que defende valores como liberdade de consciência e expressão, igualdade de direitos, moralidade e humanismo. E nesses trezentos anos de ataque à Maçonaria, a sociedade foi bombardeada por crenças e narrativas antimaçônicas.

Então agora, em pleno século XXI, vemos influencers, tiktokers e podcasters explorando esse imaginário conspiratório para, por meio do ódio, alcançarem visualizações, engajamentos e faturamento, sem qualquer compromisso com a verdade e com total indiferença às consequências dos seus atos. Basta observar que há pouquíssimos dias uma loja maçônica foi depredada no interior de Goiás e o suspeito, detido, confessou odiar a Maçonaria.

Para o jovem influencer mencionado, refém do Efeito Dunning-Kruger, seus vídeos não são antimaçônicos, mas apenas “zoação”, mesmo ao chamar os maçons de velhos gordos e cornos, ridicularizar os paramentos maçônicos e condenar trechos pincelados de supostos rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito. Trechos esses que eu, enquanto grau 33, pesquisador do rito e de seus rituais, e autor e tradutor de livros a respeito, posso garantir que não correspondem com os praticados no Brasil e no mainstream maçônico mundial.

Esse tipo de “zoação” é similar a de um judeu preconceituoso que ri dos cristãos por acreditarem que Deus era um homem que se permitiu ser torturado e executado, enquanto Deus, para ele, é o onipotente Senhor dos Exércitos. É similar a de um cristão intolerante que condena o uso de véus por mulheres muçulmanas ou faz escárnio de um despacho de religião de matriz africana presente numa esquina. É similar a de um ateu que discrimina os cristãos que creem em uma transformação ao mergulharem a cabeça em uma piscina no batismo, ou comerem um pedaço de papel imaginando ser a carne de um Deus que, para ele, não existe. É similar também a de um xenófobo que critica as vestimentas, tradições, costumes ou cultura de outros povos.

Todos esses exemplos condizem com o conceito de preconceito, que é uma opinião negativa e discriminatória sobre algo que pouco ou nada se sabe, baseado em simples estética, crença superficial ou sentimento ilógico. E é exatamente isso que o tal jovem influencer faz ao se expressar sobre a Maçonaria, enquanto declara publicamente sua total indiferença à histórica, cultura, filosofia e simbologia daquilo que critica e “zoa”.

Contudo, o ponto mais preocupante talvez não seja o preconceito escancarado nos palcos da Internet por simples desejo de likes e lucro, e sim a consequente excitação leviana a ódio e hostilidades contra a Maçonaria que essa desinformação produz. Devido ao Efeito Dunning-Kruger, talvez aquele jovem influencer não saiba que o discurso que ele copiosamente sustenta, de que os maçons irão proteger e beneficiar uns aos outros em detrimento dos não maçons, além de não ter respaldo nas legislações e nos rituais maçônicos, que desde o primeiro grau condenam tal comportamento, é um discurso desenvolvido pelos Nazistas, que se basearam nele para perseguir, saquear, prender, torturar e matar dezenas de milhares de maçons.

Assim, quando ele fala, escuto apreensivo um discurso nazista. E isso me entristece e preocupa, porque acredito que ele, por desconhecer a história, não sabe que está repetindo-a.

Por séculos a Maçonaria tem defendido a liberdade de expressão, mas essa liberdade não exime quem fala da responsabilidade sobre o que foi dito. Cabe apenas àquele jovem decidir se vencerá a barreira da superficialidade, alimentando-se de fontes válidas e aprofundando-se no estudo sobre o tema. Já nós, maçons, temos o dever de combater a ignorância e o preconceito, não com ataques ou ofensas, mas com dados, fatos, respeito e tolerância.

Hate & Hype da Maçonaria

Hate & Hype da Maçonaria

Para quem não está familiarizado, hate e hype são termos comuns na internet, com significados praticamente opostos. Hate é ódio em inglês, e na internet se apresenta por meio de comentários ácidos, críticas destrutivas, ofensas e cancelamento. Já hype significa moda, e hypar na internet é quando há um impulsionamento, gerando maior visualização e engajamento.

Gostando ou não, essa é a realidade das redes sociais, que estão presentes em nossas vidas. Mesmo se você não curte Instagram, Tik-tok e similares, deve visualizar dezenas de vídeos publicados nessas redes e compartilhados via WhatsApp. E, lógico a Maçonaria e a Antimaçonaria estão presentes nesse cenário.

Acontece que a Antimaçonaria está “hypando”, ou seja, está entrando na moda, atraindo visualizações, curtidas, compartilhamentos. E com isso, mais e mais influencers, pessoas que vivem disso, vão voltar seus olhos e abraçar esse tema.

Isso não ocorre por acaso. Cooper, em seu livro “O TRIÂNGULO VERMELHO: uma história da Antimaçonaria”, indica que a Maçonaria é a mais duradoura teoria conspiratória do mundo ocidental. Sua afirmação ganha força ao observarmos que no século XVIII a Maçonaria foi alvo de ataques de reis absolutistas, como Luís XV, e da Igreja; no século XIX surgiu até partido político antimaçônico nos EUA e impostores como Leo Taxil enriqueceram na Europa vendendo mentiras contra a Maçonaria para católicos; e na primeira metade do século XX, a Maçonaria foi acusada pela União Soviética de participar de uma conspiração judaico-maçônica capitalista, e pelo Nazismo de pertencer a uma conspiração judaico-maçônica comunista!

Então, é natural que os maçonofóbicos utilizem as redes sociais para seus ataques, enquanto os influencers, ao perceberem aquilo que Umberto Eco tanto salientou, de que o ódio agrega e aquece, “hypam” esses ataques, que exploram o secretismo da Maçonaria e todo o mistério que ele envolve para promover ideias distorcidas sobre a instituição.

E o que a Maçonaria está fazendo a respeito? Os poucos abnegados que procuram criar conteúdo maçônico nas redes sociais estão APANHANDO muito de “haters”. Antimaçons? Não. Pasmem: maçons bitolados, reacionários, incapazes de enxergar a incoerência de seus próprios atos ao acompanharem e comentarem em perfis maçônicos de redes sociais contra os perfis maçônicos em redes sociais!

O bom, e que talvez eles não saibam, é que seus hates hypam! Mas isso não muda o fato do quão desagradável é ver maçom se dando o direito de atacar publicamente, em rede social, outro maçom, por estar fazendo um trabalho positivo à Maçonaria na internet, visto que ele acredita que devemos ser mais “discretos”. Meus irmãos, estamos SOB ATAQUE! Que possamos, no mínimo, nos defender do fogo inimigo sem precisar lidar com “fogo amigo”.

Se você é contra a exposição da Maçonaria na internet, seja coerente com sua posição e não use a internet para expressá-la! Diga em loja, em prancha impressa, num telefonema… mas não destile seus preconceitos e julgamentos contra irmãos em redes sociais, para os antimaçons e até os maçons rirem da sua cara e, consequentemente, da Maçonaria.

Aprovado o Dia Mundial do Maçom

Aprovado o Dia Mundial do Maçom

Quem acompanha o blog sabe de toda a falácia envolvendo um suposto “Dia Internacional do Maçom” (22 de fevereiro), que homenagearia George Washington, o que não tem qualquer relação com a Maçonaria no mundo, exceto dos EUA; supostamente aprovado em uma conferência restrita à América do Norte; supostamente proposto por uma potência que não tem voz e voto na dita conferência; cujo teor não aparece no relatório da conferência; e havendo participantes daquela edição da conferência que já desmentiram a informação.

Eis que a partir de hoje, 20 de maio de 2026, essa questão está superada, visto que, na Conferência Mundial de Grandes Lojas Regulares, que está ocorrendo esta semana na Cidade do Cabo, África do Sul, uma proposta idealizada pelo Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Distrito Federal – GLMDF, Cassiano Teixeira de Morais, e apoiada por diversas outras Grandes Lojas e Grandes Orientes, foi, de fato, aprovada nessa Conferência, instituindo o DIA MUNDIAL DO MAÇOM: 24 de junho.

A escolha da data deve-se ao fato de que por mais de 300 anos a Maçonaria tem observado a data de 24 de junho, dia de São João Batista, concentrando nessa data eventos relevantes e históricos, o que inclui a fundação da primeira Grande Loja e de tantas outras após essa. Essa data carrega também o simbolismo do Solstício, representando a busca incessante pela Luz e pela Verdade.

A data estabelecerá um ponto comum de união para maçons de diferentes potências regulares ao redor do mundo, reforçando o conceito de Fraternidade Universal. Ainda, o Dia Mundial do Maçom proporcionará um momento de reflexão sobre os compromissos assumidos, renovando o orgulho de pertencer a uma instituição com tricentenária história de contribuição à humanidade. A oficialização da data também gerará mais oportunidades para que a Maçonaria dialogue abertamente com a sociedade, apresentando seus valores éticos, filosóficos e suas ações filantrópicas, combatendo desinformações, em uma capilaridade de mais de uma centena de países em que a Maçonaria Regular está inserida.

Agora sim, temos um DIA MUNDIAL DO MAÇOM!

UMA PONTE PARA A LUZ!

UMA PONTE PARA A LUZ!

Atendendo a inúmeros pedidos, estamos lançando UMA PONTE PARA A LUZ, a tradução da obra A BRIDGE TO LIGHT, de Rex R. Hutchens, que tem servido desde a década de 80 como um guia recomendado pelo Supremo Conselho “Mãe do Mundo” para os graus do Rito Escocês Antigo e Aceito e como um manual extremamente didático das filosofias maçônicas contidas na obra “Morals and Dogma”, de Albert Pike, considerado por muitos como uma obra densa, erudita, complexa e de difícil compreensão.

UMA PONTE PARA A LUZ é a obra mais popular do Rito Escocês na atualidade, escrita por Rex Hutchens, um de seus filósofos e escritores mais eloquentes. Esta tradução é da última edição da obra, editada e atualizada pelo Grande Arquivista e Grande Historiador do Supremo Conselho “Mãe do Mundo”, Irmão Arturo de Hoyos, e contou com a autorização daquele Supremo Conselho, cabendo ao Irmão Kennyo Ismail a missão de traduzi-la.

Nas palavras do próprio Irmão De Hoyos: “Poucos livros maçônicos tiveram esse sucesso tão merecido quanto Uma Ponte para a Luz, do Dr. Rex R. Hutchens. Para muitos leitores, maçons e não maçons, este texto serviu como uma introdução fundamental aos escritos de Albert Pike, cujo livro mais conhecido, Moral e Dogma, é considerado uma leitura essencial, porém “difícil”. Mas Uma Ponte para a Luz é muito mais do que isso. É um guia conciso da filosofia do Rito Escocês. Ao longo de seu texto, o ilustre Hutchens oferece uma apresentação coerente dos rituais da maior e mais bem-sucedida organização maçônica do mundo.”

A versão brasileira manteve as imagens e diagramação originais em seu miolo, oferecendo aos nossos leitores uma obra fidedigna à edição norte-americana. O livro tem capa dura, com a arte da capa original sendo reestilizada pelo principal capista da editora No Esquadro, Irmão Felipe Bandeira. O livro conta com 384 páginas. As imagens estampadas em suas páginas são coloridas, o que encarece a produção, mas torna a obra ainda mais interessante.

Depois de Moral e Dogma e As Grandes Constituições de 1762 e 1786, nossa editora No Esquadro traz mais esta importante obra, de modo a completar a biblioteca dos clássicos do Rito Escocês Antigo e Aceito em língua portuguesa!

Para garantir seu exemplar, acesse: https://www.catarse.me/uma_ponte_para_a_luz

Ciência & Maçonaria: tarda, mas não falha!

Ciência & Maçonaria: tarda, mas não falha!

A nova edição da revista Ciência & Maçonaria, o primeiro periódico acadêmico-científico dedicado à Maçonaria enquanto objeto de estudo em toda a América do Sul, e o único do gênero qualificado pelo Qualis Capes, já está disponível!

Publicada há mais de uma década, a revista C&M – Ciência & Maçonaria oferece artigos de pesquisadores, em sua maioria Mestres e Doutores, em caráter multidisciplinar, com acesso livre e gratuito.

E o melhor de tudo: ela acaba de alcançar a marca de 1 MILHÃO DE VISUALIZAÇÕES desde sua fundação.

Acesse https://www.cienciaemaconaria.com.br/index.php/cem/index e saiba mais.