MAÇONARIA NO MUNDO: CUBA

MAÇONARIA NO MUNDO: CUBA

Sede da Grande Loja de Cuba
Muitos são os rumores e curiosidades sobre a Maçonaria Cubana, visto o sistema peculiar que a ilha caribenha se submete nos últimos 50 anos. A verdade é que, historicamente, quando países são submetidos a governos opressores, a Maçonaria costuma ser uma das primeiras instituições a sofrer conseqüências. Sim, como Mãe da Liberdade, eterna Defensora da Democracia, não pode se esperar algo diferente. Então, como a Grande Loja de Cuba sobreviveu nesses 50 anos? Como ela funciona? A Maçonaria em Cuba está morrendo?
Ao contrário do que muitos podem pensar, a Grande Loja de Cuba, com seus mais de 150 anos de história, é uma Obediência forte e em crescimento. Cuba possui uma população de um pouco mais de 11 milhões de habitantes, menor do que a cidade de São Paulo.  Já os números maçônicos são surpreendentes: mais de 29 mil maçons divididos em 316 Lojas. Para se ter uma ideia, a GLESP – Grande Loja do Estado de São Paulo, maior Obediência Estadual do Brasil, possui menos de 21 mil membros.  
A Grande Loja de Cuba possui nada menos do que 170 tratados de reconhecimento que incluem: a Grande Loja Unida da Inglaterra, as 27 Grandes Lojas Estaduais Brasileiras e o Grande Oriente do Brasil, 47 Grandes Lojas Estaduais Norte-americanas. Não apenas reconhecida, mas também sempre atuante, a Grande Loja de Cuba foi uma das fundadoras da CMI – Confederação Maçônica Interamericana, tendo sediado um de seus importantes Congressos.
No campo histórico, a Maçonaria Cubana participou ativamente de todos os momentos importantes da história da ilha, desde a Independência até a Revolução. E toda essa história fica à disposição na Biblioteca Maçônica de Cuba (pública, fundada em 1893, com mais de 45.000 livros) e no Museu Maçônico, ambos localizados na sede da Grande Loja de Cuba: um prédio de 10 andares localizado na Avenida Allende, no centro de Havana.
Outro erro que se pode cometer é achar que a Maçonaria Cubana é privada da capacidade de Caridade, visto a aparente situação precária que a mídia apresenta da sociedade cubana. Na verdade, a Grande Loja de Cuba mantém um asilo para mais de 90 famílias, contando para isso com o apoio de suas Lojas jurisdicionadas.

Na verdade, as dificuldades enfrentadas pelas Lojas cubanas são as mesmas enfrentadas pela população cubana, geralmente relacionadas a reformas e construção civil. Cuba apresenta uma produção insuficiente de materiais e equipamentos e o setor é controlado pelo Estado através do MICONS – Ministério da Construção, o que resulta em templos não tão belos e conservados como se deseja. Apesar disso, o que temos é um exemplo claro de que a Fraternidade pode superar as dificuldades e obstáculos apresentados e fazer Maçonaria de verdade. Basta força de vontade.

A ORIGEM E O SIGNIFICADO DO TRIPONTO

A ORIGEM E O SIGNIFICADO DO TRIPONTO

O triponto está presente nas abreviações contidas em diplomas, pranchas, manuais e rituais do REAA e na assinatura de todo maçom brasileiro que se preze. Mas qual é a origem desse costume e seu real significado?
Muitos se arriscam em chutar seu significado: os três graus simbólicos; o Esquadro e Compasso e o Livro da Lei; as Colunas Jônica, Dórica e Coríntia; o Venerável e seus dois Vigilantes; o triângulo superior da Árvore da Vida; as pirâmides de Quéops, Quefren e Miquerinos; o Enxofre, o Mercúrio e o Sal; Pai, Filho e Espírito Santo; ou mesmo Prótons, Elétrons e Nêutrons; etc, etc, etc. Daí, em cima do suposto significado, “deduzem” a origem: Grécia Antiga, Cabala, Egito Antigo, alquimistas, Igreja e até na Física.
Temos que concordar que o tema colabora para o quase infinito número de interpretações, muitas sem pé nem cabeça, afinal de contas, o número 03 pode ser encontrado em todas as culturas, épocas e religiões. Aliás, pode-se encontrar nessas qualquer número entre 01 e 09, basta um pouco de criatividade! Os números acima de 09 não são tão populares exatamente por dar mais trabalho encontrá-los.
Mas não é possível que continuemos a utilizar o triponto nas abreviações e até mesmo em nossas assinaturas sem saber a real origem e significado do mesmo. Então, vamos ao que interessa:
O triponto não está presente na Maçonaria Universal, e sim apenas nos Ritos de origem francesa. Sua forte presença no Brasil deve-se à supremacia do REAA no país. Conforme Ragon, em sua obra “Ortodoxia Maçônica”, o triponto começou a ser oficialmente usado nas abreviações a partir de 12/08/1774, através de determinação do Grande Oriente da França. Chapuis evidencia que o uso já era adotado por algumas Lojas francesas anteriormente, como na Loja “A Sinceridade”, de Besançon, em ata de 1764.
O costume de abreviar as palavras surgiu com os gregos e foi extensamente explorado pelos romanos através das “anotações tironianas” que, aliás, criaram a regra de duplicar a letra inicial quando da abreviação de termo no plural, regra ainda existente na abreviação maçônica.  Esse sistema de abreviação do latim sobreviveu de tal forma na Europa pós-romana que, para se ter uma ideia do uso e abuso das abreviaturas na França, em 1304 o Rei Felipe IV, o Belo, publicou lei proibindo abreviações nas atas jurídicas.
Se sempre adotadas em atas e sinalizadas por traços, barras ou reticências, é claro que nas atas maçônicas as abreviações não ficariam de fora e ganhariam um sinal correspondente com a instituição: uma variação das reticências, lembrando o símbolo geométrico mais importante para a Maçonaria, o Triângulo. Não demorou para que, pelo costume da escrita e exclusividade do uso, o triponto ultrapassasse sua utilidade caligráfica e alcançasse a assinatura dos Irmãos.
Por que os maçons ingleses e americanos não utilizam o triponto? Simplesmente porque a língua inglesa não é uma língua neolatina, românica. Ocorrem abreviações, porém respeitando outras regras e sem o uso de sinais.
Com a questão esclarecida, sejamos sinceros: a verdade é bem melhor do que imaginar que estamos desenhando Quéops, Elétrons ou Enxofre quando assinamos!
MAÇONARIA NO MUNDO: ISRAEL

MAÇONARIA NO MUNDO: ISRAEL

A Grande Loja do Estado de Israel foi instalada em 20/10/1953, em Jerusalém. Porém, sua sede fica em Tel Aviv. A 1ª Loja na região foi a Loja Rei Salomão n°293, filiada à Grande Loja do Canadá, e teve sua primeira reunião realizada nas chamadas pedreiras do Rei Salomão no dia 07/05/1873. Cinco anos antes havia ocorrido uma reunião no mesmo local, porém sem existir uma Loja regularmente constituída. Posteriormente a isso, houve outras Lojas na região, filiadas a extinta Grande Loja Nacional da Palestina.
O atual Grão-Mestre da Grande Loja do Estado de Israel é o Irmão Nadim Mansour, cidadão de origem árabe. Sua presença como Grão-Mestre demonstra que não somente a paz, mas também a Fraternidade pode reinar entre árabes e judeus, como bem ocorre naquela Grande Loja.
A Grande Loja do Estado de Israel possui 55 Lojas Simbólicas ativas, as quais em sua maioria trabalham no Rito de York (Monitor de Webb, americano). As Lojas se reúnem nas línguas: hebraico, romeno, francês, espanhol, turco, inglês, russo, alemão e árabe.
A prova maior do compromisso dessa Grande Loja com os princípios de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” pode ser vista no Selo da mesma: a Cruz, a Lua Quarto-crescente e a Estrela de Davi estão juntas, simbolizando o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo; selo esse herdado da Grande Loja Nacional Palestina, existente até a guerra de 1948. Da mesma forma, a Bíblia, o Alcorão e a Torah estão no Altar das Lojas, comprovando que todos os Irmãos, independente da fé professada, estão imbuídos do objetivo de trabalhar pela felicidade da humanidade.
OBAMA NÃO É MAÇOM

OBAMA NÃO É MAÇOM

Obama NÃO é maçom, NÃO é grau 32 do REAA e NÃO é da Prince Hall.

Quando da última campanha presidencial dos EUA, os rumores de que o então candidato Barack Obama seria um Irmão Maçom correram pelas Lojas do Brasil. A história era sempre a mesma: Obama seria um maçom grau 32 do REAA, membro da Grande Loja Prince Hall de Illinois. Obama foi eleito Presidente dos Estados Unidos e os rumores se tornaram certeza para muitos maçons, orgulhosos de ter Obama como Irmão.

Mas a verdade é que isso não passou de um boato surgido num desses sites sobre “conspirações” em que fanáticos religiosos ficam acusando pessoas famosas de serem maçons, bruxos, satanistas, membros da Skull and Bones, e de estarem comprometidos com um mesmo ideal: dominar o mundo.
Há indícios de que tudo começou no site “AboveTopSecret”, em 05 de Março de 2007, quando um “anônimo” afirmou que Obama era maçom e que ele havia sentado em Loja com Obama. Dois meses depois, num fórum de discussão na Bósnia, outra afirmação anônima já declarava Obama como sendo Grau 32. O boato se alastrou depois que Obama participou de um comício na cidade de Des Moines, Estado do Iowa. O comício ocorreu no Centro de Convenções do Rito de Escocês da cidade, que é um local alugado para palestras, seminários, congressos e até casamentos. Essa era a “evidência” que faltava para os falsos rumores se espalharem. Em poucos dias, as “notícias” do site AboveTopSecret, do fórum da Bósnia, e da palestra num prédio de propriedade da Maçonaria já estavam replicados em centenas de sites anti-maçônicos e de teóricos da conspiração.
A situação se agravou quando a Grande Loja Prince Hall de Illinois declarou apoio ao mesmo durante a campanha presidencial. O apoio se devia ao fato de Obama ser o primeiro presidenciável negro e ser um candidato do Estado do Illinois, e não pelo suposto fato dele ser maçom. Mas o apoio serviu de combustível para a ignorância e o fanatismo daqueles que queriam ver Obama como membro de uma Sociedade Secreta tida por eles como comprometida com o Mal.
Depois de tanto barulho, a Grande Loja Prince Hall de Illinois se apressou em tentar esclarecer os fatos e declarou que, apesar de que seria uma honra ter Obama como membro da mesma, ele não era um. Mas tal declaração não foi o bastante para calar os teóricos da conspiração, que acusaram a Maçonaria de mentir para proteger seus planos maquiavélicos de dominar o mundo.

A verdade é que alguns maçons gostaram da ideia de ter Obama como Irmão e passaram essa estória pra frente como uma verdade. Porém, as duas Obediências Maçônicas do Estado de Illinois, onde Obama cresceu, afirmam que ele não é maçom, e não existe uma única foto do Obama de avental ou pisando num Templo Maçônico. Se fosse realmente verdade, seria como no caso de Bill Clinton: há na Internet várias fotos de Clinton usando capa DeMolay em sua adolescência, entrevistas e até em sua autobiografia o mesmo afirmou com orgulho ser um Sênior DeMolay. Obama também tem sua autobiografia, e nada de Maçonaria.

MAÇONARIA BRASILEIRA EM NÚMEROS

Como todos sabem, a Maçonaria brasileira pode ser dividida em três modelos administrativos distintos: os Grandes Orientes Estaduais federados ao GOB, as Grandes Lojas confederadas à CMSB, e os Grandes Orientes Independentes confederados à COMAB. Somadas, essas Obediências correspondem ao que podemos chamar de Maçonaria Regular Brasileira. (Lembre-se que os conceitos “regular” e “reconhecida” são distintos. Prova disso é que nenhuma dessas Obediências possui o reconhecimento de todas as Obediências Regulares do mundo).
Com a chegada do “List of Lodges 2011“, publicação anual das Lojas das Obediências Regulares do mundo que possuem reconhecimento de Grandes Lojas Americanas, tem-se o número mais atualizado do tamanho da Maçonaria Brasileira:
O GOB possui 75.987 membros ativos, filiados a 2.526 Lojas. Permite múltiplas filiações.
As Grandes Lojas possuem 106.112 membros ativos, filiados a 2.623 Lojas. Permitem única ou dupla filiação.
Os 17 Grandes Orientes Independentes confederados à COMAB ainda não constam no “List of Lodges“, mas possuem aproximadamente 28.942 membros.
Somando todos, temos um total de mais de 211.000 maçons no Brasil, distribuidos em aproximadamente 6.000 Lojas. Para se ter uma ideia da dimensão disso, a Maçonaria Brasileira é duas vezes maior do que a soma de todo o restante da Maçonaria Latinoamericana. Somos quase três vezes maiores do que a Maçonaria Canadense. No Continente Americano só perdemos para os EUA, a maior Maçonaria do mundo, com aproximadamente 1.378.000 maçons (List of Lodge 2011), isso sem contar as Grandes Lojas Prince Hall, o que eleva esse número para quase 2 milhões de Irmãos Americanos. No mundo, estamos em 3° lugar, próximos da Inglaterra, com seus quase 238 mil membros divididos em 7.945 Lojas.
Apesar dos números impressionantes, é fato que a Maçonaria Brasileira não fala em uníssono. Mas talvez um dia conseguiremos seguir o exemplo dado pela Maçonaria Alemã que, com suas diferentes Obediências, cada uma com sua estrutura e funcionamento, criou um organismo representativo que fala em nome de todos os maçons alemães. Aí então o gigante que somos poderá despertar perante o mundo maçônico, e colaborar ainda mais com a construção de uma humanidade mais feliz e igualitária.