por Kennyo Ismail | jun 27, 2011 | Crítica literária

O tão comentado livro “O Símbolo Perdido” de Dan Brown tem seu enredo construido sobre a Sublime Ordem Maçônica, com olhar especial sobre o Rito Escocês. O ápice da trama ocorre no Templo do Supremo Conselho do Grau 33 do REAA da Jurisdição Sul dos EUA, localizado em Washington-DC.
Se a leitura é interessante aos não-iniciados na Maçonaria, se torna ainda mais interessante aos maçons. Dan Brown não mediu esforços em suas pesquisas, e suas explanações bem construídas conseguem levar a mente daqueles que são adeptos do Rito Escocês para dentro das reuniões e ritualísticas ali mencionadas quase que como numa realidade virtual.
Porém, é natural que alguns erros sejam cometidos, talvez até mesmo com a intenção de que a ficção se tornasse ainda mais interessante. Essas são algumas das informações erradas sobre a Maçonaria que estão presentes no livro:
- O livro deixa a entender que existe apenas um Supremo Conselho do REAA para todos os EUA, com sede em Washington,DC. Na verdade, há dois Supremos Conselhos do REAA regulares nos EUA, conhecidos como “da Jurisdição Sul” e “da Jurisdição Norte”. Os EUA são o único país onde essa exceção é permitida. Parte da trama ocorre no Supremo Conselho “Jurisdição Sul”, que é o primeiro e o maior do mundo em número de membros.
- O dirigente do Supremo Conselho do REAA é o “Soberano Grande Comendador”. No livro consta como “Supremo Venerável Mestre”.
- Ao contrário do que consta no livro, o Grau 32 não é concedido em Loja Maçônica. Apenas os Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre são concedidos em Loja. Os demais graus do REAA são concedidos em Loja de Perfeição, Capítulo Rosa-Cruz, Conselho Kadosh e Consistório. No caso do Grau 32, o mesmo é concedido num Consistório.
- O emblema do Rito Escocês é a águia bicéfala, enquanto que em certa parte do livro consta como a Fênix.
- O anel do Grau 33 tradicionalmente é composto pela união de 3 aros da mesma largura, tendo sobre eles um triângulo com a inscrição interna “33”. O livro descreve o anel como tendo uma “fênix bicéfala” segurando uma faixa com os dizeres “Ordo ab Chao”
De qualquer forma, “O Símbolo Perdido” é lazer garantido a todo bom maçom em busca de prazer na leitura. Prepare-se para se identificar com o conteúdo e se envolver com a estória, além da vontade de estar entre Colunas a cada capítulo concluído.
por Kennyo Ismail | jun 27, 2011 | Notícias
Prezados Irmãos e amigos,
Estive os últimos 15 dias nos EUA em missão maçônica, o que me impediu de publicar novos artigos no blog durante esse período. Mas a viagem também serviu para renovar os conhecimentos, tanto da Maçonaria Simbólica como do Rito de York e REAA, além das Ordens paramaçônicas.
Nos próximos dias procurarei recuperar esse tempo perdido, publicando novos textos e abrangendo novos assuntos.
Aproveito para agradecer a todos que lêem e acompanham este blog pelo apoio de sempre.
Fraternalmente,
Kennyo Ismail
por Kennyo Ismail | jun 10, 2011 | Poesias
Viúva do segredo e inimiga dos vícios
Um exército da paz sob teu comando luta sem balas
Ela não ataca ninguém, senão os desvios da alma
Sublime, busca incutir nos justos sua doce palavra.
Irmã mais velha da Liberdade, ali sempre estava ela
Defendendo a caçula com o amor de suas ideias
Respirando o ar das tristes mazelas
Mas superando os séculos com aparadas arestas.
Democracia, agradeça a ela por tudo
Pois corajosa, ela igualou reis a vassalos
E deixou com que esses escolhessem seus iguais
Sem olhar nomes e bens materiais.
Essa viúva, irmã, amiga, guerreira
Também é mãe, nos dando a Luz
Que nos tirou da ignorante cegueira
Obrigado, Maçonaria Brasileira.
Kennyo Ismail
por Kennyo Ismail | jun 7, 2011 | Conceitos
A Maçonaria tem como princípio a crença num Ser Supremo, ao qual denominamos “Grande Arquiteto do Universo”. Mas qual seria esse Deus da Maçonaria, o GADU? Afinal de contas, existem tantos deuses, com tantos diferentes nomes e tantas diferentes qualidades! Qual seria o verdadeiro?
Se a Maçonaria aceita e possui membros de qualquer religião, qual o Deus presente no Altar Maçônico? Ou se trata de um Deus específico, o Deus da Maçonaria, e todos ali estão renegando seus próprios deuses? Seria então a Maçonaria uma religião? Isso seria um prato cheio para os fanáticos de plantão!
Quando vários maçons estão presentes diante do Altar de um Templo Maçônico, onde se vê o Livro Sagrado de uma ou mais religiões, além do Esquadro e do Compasso, eles realizam uma breve oração. Ali estão católicos, protestantes, muçulmanos, espíritas, budistas, judeus, etc. Eles estão um do lado do outro, como irmãos. E ali, diante do Altar da Maçonaria, só há duas opções de entendimento ao Irmão: ou “eu estou orando para o Deus verdadeiro, e aqueles irmãos que professam outras crenças estão orando para falsos deuses”; ou “nós estamos todos orando para o mesmo Deus, o Criador do Universo, visto de forma diferente conforme as peculiaridades da religião e crença de cada um”.
É evidente que o entendimento do verdadeiro maçom é a segunda opção. Ora, se você chama o maçom que está ao seu lado de “Irmão”, isso significa que você acredita que ambos nasceram do mesmo Pai, foram feitos pelo mesmo Criador, independente da fé professada.
O GADU pode ser chamado de vários nomes e títulos, conforme culturas, épocas, povos, religiões: Deus, Pai Celestial, Mestre Maior, Senhor do Universo, Alá, Jeová, Adonai, Zeus, Senhor, El Shadday, Oxalá, Brahma, Rá, etc. Até mesmo nos sistemas politeístas, sempre houve e há um Ser Supremo, mais antigo, criador dos demais.
Da mesma forma, o GADU pode ser visto de diversas formas, também conforme as mesmas variáveis: Vingativo, Clemente, Misericordioso, Justo, Soberano, Sustentador, Providenciador, Organizador, Verdadeiro, Benevolente, etc.
Os homens deram nomes ao GADU conforme suas línguas e culturas. Eles apontaram qualidades ao GADU conforme as histórias de seus povos e a pregação de seus profetas. O único ponto comum em todas as religiões é esse: a existência de um Ser Supremo, Criador do Universo. Se as diferenças na fé sempre foram combustíveis para preconceitos, tirania, atritos e guerras, então apenas o comum pode servir para unir os homens como irmãos.
Maçonaria é isso: ciente da dualidade das forças e respeitando as diferenças, investe no que há de igual nos homens de bem em busca da felicidade da humanidade.
por Kennyo Ismail | jun 1, 2011 | York x Emulação
Pouca gente sabe, aliás, são poucos até os maçons brasileiros que sabem, mas a Maçonaria possui uma Ordem Rosa-Cruz interna, restrita a Mestres Maçons.
Isso mesmo, seu nome é Societas Rosicruciana e funciona como uma Ordem dentro de outra Ordem. É oficialmente um Corpo Maçônico de Convite, ou seja, não adianta apenas ser maçom e possuir os requisitos se você não for convidado. A Societas é administrada em nível nacional por um Grande Conselho, o qual é presidido por um “Supremo Mago”. A dos EUA (Societas Rosicruciana in Civitatibus Foederatis – SRICF) foi fundada em 21/09/1880 pela Societas da Escócia, a mais antiga do mundo, e funciona como um Corpo Anexo do Rito de York.
A Societas Rosicruciana tem seus ensinamentos divididos em 09 graus, como muitas das demais instituições Rosa-Cruzes tradicionais. Os graus têm as seguintes denominações:
PRIMEIRA ORDEM: I – Zelator, II – Theoricus, III – Practicus, IV – Philosophus;
SEGUNDA ORDEM: V – Adeptus Minor, VI – Adeptus Major, VII – Exemptus Adeptus;
TERCEIRA ORDEM: VIII – Magister, IX – Magus.
O nono grau é restrito ao Supremo Mago e seus dois substitutos, mas também concedido pelo Supremo Mago a outros como uma distinção honorária.
A Rosa-Cruz Maçônica chegou recentemente ao Brasil através da SRICF (Societas dos EUA), com a criação de Colégios no Brasil, tendo o ingresso aos seus quadros restrito aos Mestres exaltados ao grau de Maçom do Real Arco e regulares perante o SGCMRAB – Supremo Grande Capítulo de Maçons do Real Arco do Brasil.
Se a Societas Rosicruciana é um mistério até para a maioria dos maçons, o que menos ainda se pode mensurar é sua influência na história das Sociedades Secretas. Para se ter uma ideia, três membros da Societas da Inglaterra, Woodman, Westcott e Mathers, fundaram em 1888 a famosa Golden Dawn, com estrutura e rituais baseados na Rosa-Cruz Maçônica.
Por meio das Societas, a Maçonaria tem dado sua parcela de contribuição para a manutenção dos ensinamentos e filosofia rosacruciana.