por Kennyo Ismail | jun 27, 2011 | Notícias
Prezados Irmãos e amigos,
Estive os últimos 15 dias nos EUA em missão maçônica, o que me impediu de publicar novos artigos no blog durante esse período. Mas a viagem também serviu para renovar os conhecimentos, tanto da Maçonaria Simbólica como do Rito de York e REAA, além das Ordens paramaçônicas.
Nos próximos dias procurarei recuperar esse tempo perdido, publicando novos textos e abrangendo novos assuntos.
Aproveito para agradecer a todos que lêem e acompanham este blog pelo apoio de sempre.
Fraternalmente,
Kennyo Ismail
por Kennyo Ismail | jun 10, 2011 | Poesias
Viúva do segredo e inimiga dos vícios
Um exército da paz sob teu comando luta sem balas
Ela não ataca ninguém, senão os desvios da alma
Sublime, busca incutir nos justos sua doce palavra.
Irmã mais velha da Liberdade, ali sempre estava ela
Defendendo a caçula com o amor de suas ideias
Respirando o ar das tristes mazelas
Mas superando os séculos com aparadas arestas.
Democracia, agradeça a ela por tudo
Pois corajosa, ela igualou reis a vassalos
E deixou com que esses escolhessem seus iguais
Sem olhar nomes e bens materiais.
Essa viúva, irmã, amiga, guerreira
Também é mãe, nos dando a Luz
Que nos tirou da ignorante cegueira
Obrigado, Maçonaria Brasileira.
Kennyo Ismail
por Kennyo Ismail | jun 7, 2011 | Conceitos
A Maçonaria tem como princípio a crença num Ser Supremo, ao qual denominamos “Grande Arquiteto do Universo”. Mas qual seria esse Deus da Maçonaria, o GADU? Afinal de contas, existem tantos deuses, com tantos diferentes nomes e tantas diferentes qualidades! Qual seria o verdadeiro?
Se a Maçonaria aceita e possui membros de qualquer religião, qual o Deus presente no Altar Maçônico? Ou se trata de um Deus específico, o Deus da Maçonaria, e todos ali estão renegando seus próprios deuses? Seria então a Maçonaria uma religião? Isso seria um prato cheio para os fanáticos de plantão!
Quando vários maçons estão presentes diante do Altar de um Templo Maçônico, onde se vê o Livro Sagrado de uma ou mais religiões, além do Esquadro e do Compasso, eles realizam uma breve oração. Ali estão católicos, protestantes, muçulmanos, espíritas, budistas, judeus, etc. Eles estão um do lado do outro, como irmãos. E ali, diante do Altar da Maçonaria, só há duas opções de entendimento ao Irmão: ou “eu estou orando para o Deus verdadeiro, e aqueles irmãos que professam outras crenças estão orando para falsos deuses”; ou “nós estamos todos orando para o mesmo Deus, o Criador do Universo, visto de forma diferente conforme as peculiaridades da religião e crença de cada um”.
É evidente que o entendimento do verdadeiro maçom é a segunda opção. Ora, se você chama o maçom que está ao seu lado de “Irmão”, isso significa que você acredita que ambos nasceram do mesmo Pai, foram feitos pelo mesmo Criador, independente da fé professada.
O GADU pode ser chamado de vários nomes e títulos, conforme culturas, épocas, povos, religiões: Deus, Pai Celestial, Mestre Maior, Senhor do Universo, Alá, Jeová, Adonai, Zeus, Senhor, El Shadday, Oxalá, Brahma, Rá, etc. Até mesmo nos sistemas politeístas, sempre houve e há um Ser Supremo, mais antigo, criador dos demais.
Da mesma forma, o GADU pode ser visto de diversas formas, também conforme as mesmas variáveis: Vingativo, Clemente, Misericordioso, Justo, Soberano, Sustentador, Providenciador, Organizador, Verdadeiro, Benevolente, etc.
Os homens deram nomes ao GADU conforme suas línguas e culturas. Eles apontaram qualidades ao GADU conforme as histórias de seus povos e a pregação de seus profetas. O único ponto comum em todas as religiões é esse: a existência de um Ser Supremo, Criador do Universo. Se as diferenças na fé sempre foram combustíveis para preconceitos, tirania, atritos e guerras, então apenas o comum pode servir para unir os homens como irmãos.
Maçonaria é isso: ciente da dualidade das forças e respeitando as diferenças, investe no que há de igual nos homens de bem em busca da felicidade da humanidade.
por Kennyo Ismail | jun 1, 2011 | York x Emulação
Pouca gente sabe, aliás, são poucos até os maçons brasileiros que sabem, mas a Maçonaria possui uma Ordem Rosa-Cruz interna, restrita a Mestres Maçons.
Isso mesmo, seu nome é Societas Rosicruciana e funciona como uma Ordem dentro de outra Ordem. É oficialmente um Corpo Maçônico de Convite, ou seja, não adianta apenas ser maçom e possuir os requisitos se você não for convidado. A Societas é administrada em nível nacional por um Grande Conselho, o qual é presidido por um “Supremo Mago”. A dos EUA (Societas Rosicruciana in Civitatibus Foederatis – SRICF) foi fundada em 21/09/1880 pela Societas da Escócia, a mais antiga do mundo, e funciona como um Corpo Anexo do Rito de York.
A Societas Rosicruciana tem seus ensinamentos divididos em 09 graus, como muitas das demais instituições Rosa-Cruzes tradicionais. Os graus têm as seguintes denominações:
PRIMEIRA ORDEM: I – Zelator, II – Theoricus, III – Practicus, IV – Philosophus;
SEGUNDA ORDEM: V – Adeptus Minor, VI – Adeptus Major, VII – Exemptus Adeptus;
TERCEIRA ORDEM: VIII – Magister, IX – Magus.
O nono grau é restrito ao Supremo Mago e seus dois substitutos, mas também concedido pelo Supremo Mago a outros como uma distinção honorária.
A Rosa-Cruz Maçônica chegou recentemente ao Brasil através da SRICF (Societas dos EUA), com a criação de Colégios no Brasil, tendo o ingresso aos seus quadros restrito aos Mestres exaltados ao grau de Maçom do Real Arco e regulares perante o SGCMRAB – Supremo Grande Capítulo de Maçons do Real Arco do Brasil.
Se a Societas Rosicruciana é um mistério até para a maioria dos maçons, o que menos ainda se pode mensurar é sua influência na história das Sociedades Secretas. Para se ter uma ideia, três membros da Societas da Inglaterra, Woodman, Westcott e Mathers, fundaram em 1888 a famosa Golden Dawn, com estrutura e rituais baseados na Rosa-Cruz Maçônica.
Por meio das Societas, a Maçonaria tem dado sua parcela de contribuição para a manutenção dos ensinamentos e filosofia rosacruciana.
por Kennyo Ismail | maio 27, 2011 | Rito Escocês
Observe bem esses dois painéis e diga: qual deles é o painel de Aprendiz Maçom do REAA?
Se você for procurar em algum Ritual que tenha sido baseado no editado por Mário Behring em 1928, não se assuste. Você poderá se deparar com AMBOS os Painéis no MESMO Ritual. Isso mesmo: procure nas primeiras páginas do Ritual e você verá o 1° Painel, provavelmente com o título “Loja de Aprendiz”. Agora procure mais próximo ao final do Ritual, antes das Instruções. Lá provavelmente você verá o 2° Painel, com o título “Painel da Loja de Aprendiz”.
Então, qual é o Painel original do REAA? De onde saiu esse outro Painel?
O Painel original do REAA é o 1° Painel, onde se vê a Corda com nós, a tábua de delinear com uma cerquilha (jogo da velha) e um “X”, e as três janelas. Esses são claramente símbolos relacionados ao REAA.
Já o 2° Painel, onde se vê as três colunas e a Escada de Jacó, é original da Grande Loja Unida da Inglaterra. Trata-se do Painel de Aprendiz pintado por John Harris em 1825, o qual tem servido de base para inúmeras coleções de painéis utilizadas no âmbito daquela Grande Loja, inclusive em muitas Lojas trabalhando no Ritual de Emulação, apesar da Emulation Lodge, mãe de tal Ritual, utilizar outra versão dos painéis de John Harris, a versão de 1845.
Mas como esses Painéis do Ritual de Emulação foram parar dentro dos Rituais do REAA?
Quando da fundação das Grandes Lojas brasileiras, Mário Behring, à frente do Supremo Conselho do Grau 33 do REAA, necessitava fornecer os Rituais dos Graus Simbólicos para que as recém-criadas Grandes Lojas pudessem trabalhar. Os conhecimentos do Irmão Mário Behring não se restringiam ao REAA, tendo sido também um grande conhecedor do Rito de York, Rito Moderno e do Ritual de Emulação. Como uma forma de aproximar as Grandes Lojas brasileiras da Grande Loja Unida da Inglaterra e das Grandes Lojas Americanas, Mário Behring incluiu diversas características do Ritual de Emulação e do Rito de York aos seus rituais do REAA. Alguns dos “empréstimos” do Ritual de Emulação foram as Colunetas e o Jogo de Painéis.
O mais interessante é que o GOB sofreu essa influência e também passou a adotar os Painéis do Emulação nas Lojas do REAA, corrigindo isso depois de mais de 50 anos, com o resgate do painel antigo. Também por conta disso, alguns Grandes Orientes da COMAB também utilizam os Painéis do Emulação no REAA.
Sempre há uma discussão por parte dos Irmãos se as Grandes Lojas deveriam “corrigir” essa e outras modificações em seus Rituais. Porém, o entendimento majoritário é de que não foram enganos, erros, e sim modificações intencionais de Mário Behring, fundador das Grandes Lojas brasileiras. Tanto que a ilustração do Painel original foi mantida no Ritual. Os rituais editados em 1928 foram frutos da criação das Grandes Lojas, fazendo parte de suas histórias. Nesse ponto de vista, não há porque modificá-los.