por Kennyo Ismail | abr 24, 2012 | Maçons que mudaram a Maçonaria
Prince Hall foi um escravo africano em solo norte-americano que, ao completar 21 anos de idade, recebeu de seu patrão, William Hall, sua carta de alforria. Daí em diante, Prince Hall se tornou um ativista da liberdade, tendo como uma de suas primeiras iniciativas a reunião de um grupo de homens negros livres para iniciarem na Maçonaria. Ele alcançou esse intento no dia 06 de Março de 1775, sendo iniciado com outros 14 negros numa Loja militar irlandesa. Os graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre foram concedidos em apenas um dia, e Prince Hall conseguiu uma permissão para fundar uma Loja com aqueles membros: a “African Lodge”, funcionando em Boston, Massachusetts.
No ano seguinte, estoura a Guerra de Independência dos EUA e Prince Hall, junto da maioria dos irmãos da “African Lodge”, aderem à guerra pela liberdade de seu país. Ao final da guerra, a “African Lodge” encontra-se com 33 membros. A Maçonaria norte-americana começa, em cada Estado, seus esforços para se organizar, já que as Lojas na época possuíam cartas constitutivas expedidas pelas Grandes Lojas dos Antigos, dos Modernos, da Irlanda e da Escócia. Em alguns Estados norte-americanos duas Grandes Lojas surgiram, uma seguindo o sistema dos Antigos e outra dos Modernos.
É nesse cenário que Prince Hall, crendo no princípio de igualdade preconizado pela Ordem Maçônica, tenta filiação da “African Lodge” na nova Grande Loja de Massachusetts. Porém, os maçons brancos ainda não haviam interiorizado os ensinamentos maçônicos, e recusaram-se a filiar a Loja. A Loja então solicitou a carta à Grande Loja da Inglaterra (Modernos), que, em 06 de Maio de 1787, acabou atendendo ao pedido, passando a “African Lodge” a adotar o número “459” daquela Grande Loja.
Em 1792, após receber visitas de grupos de maçons negros da Pensilvânia e de Rhode Island, a “African Lodge” concedeu a esses grupos permissão para criarem Lojas para negros em seus Estados. Nessa época, ela ainda se encontrava sob os auspícios da Grande Loja da Inglaterra (Modernos). Em 1813, quando da fusão das duas Grandes Lojas Inglesas, a “African Lodge” foi retirada da lista de Lojas da agora Grande Loja Unida da Inglaterra, a qual alegou falta do envio da anuidade.
A “African Lodge” tentou reestabelecer a filiação à GLUI até 1827, tendo todas as suas correspondências sido ignoradas ao longo dos anos. Foi quando a “African Lodge” se uniu às duas Lojas que havia colaborado para a fundação, uma da Pensilvânia e a outra de Rhode Island, e criaram sua própria Grande Loja. Em homenagem ao seu fundador, Prince Hall, que havia falecido em 04 de Dezembro de 1807, adotaram o nome de “Grande Loja Prince Hall”.
Atualmente, há 45 Grandes Lojas Prince Hall que, juntas, somam mais de 4.000 Lojas e de 250.000 membros. Isso é mais do que a GLUI, mais do que a soma da Maçonaria Regular Brasileira.
por Kennyo Ismail | abr 20, 2012 | Rito Escocês
O livro “Moral e Dogma”, de Albert Pike, é, sem dúvida alguma, o livro maçônico mais conhecido dos maçons… e dos antimaçons! Muitos são os que acusam Pike de ser um satanista e derramam sobre a Maçonaria as mais severas acusações, com base em citações dessa obra. Mas será que existe realmente conteúdos no livro dedicados a Lúcifer, Satanás, o diabo? CLIQUE AQUI e veja um estudo analítico da obra que explora e desvenda de uma vez por todas essa polêmica questão.
por Kennyo Ismail | abr 10, 2012 | Rito Escocês
Todo bom maçom já escutou ou leu que o Rito Escocês Antigo e Aceito, organizado nos EUA com seus 33 graus, teve origem no Rito de Perfeição, de origem francesa, o qual possuía 25 graus. Temos aí uma diferença de 08 graus. Mas quem nunca se perguntou quais seriam esses 08 graus?
Para desvendar esse mistério, apresentamos uma tabela comparativa entre os 25 Graus que formavam o Rito de Perfeição e os 33 Graus que formam o Rito Escocês:

Os graus que surgiram nos EUA e foram acrescentados entre os graus do Rito de Perfeição, formando o sistema do Rito Escocês, são os graus hoje numerados entre o 23 e o 27, e os graus 29, 31 e 33.
Observem também que, originalmente, o grau “Intendente dos Edifícios” precedia o grau “Preboste e Juiz”, o contrário do que se tem hoje. O mesmo ocorre entre o grau “Cavaleiro Prussiano”, que precedia o “Grande Patriarca” (atual “Mestre Ad-Vitam”), e que também foram invertidos no REAA.
Importante frisar que os nomes dos graus do REAA costumam sofrer muitas variações de um Supremo Conselho para outro.
por Kennyo Ismail | mar 28, 2012 | Notícias
Prezados leitores,
Vocês devem ter observado algumas pequenas mudanças de ferramentas e layout do nosso “No Esquadro”. Com mais de 150 textos publicados e centenas de milhares de visitas, temos presenciado um crescimento estrondoso no número de visitantes diários, que tanto aqui como em outros países tem acompanhado de perto este blog. E para responder a esse crescimento e fazer por merecer a atenção, o carinho e a participação de cada um de vocês, seja pela leitura, os comentários inteligentes e incentivadores, e os e-mails enviados, estamos promovendo algumas melhorias para facilitar a sua navegação e tornar o “No Esquadro” visualmente mais interessante. E estamos fazendo isso com o devido cuidado para que a identidade, a cara do “No Esquadro”, continue a mesma.
Espero que gostem e obrigado pelo apoio de sempre.
Kennyo Ismail
por Kennyo Ismail | mar 19, 2012 | Conceitos
Sendo a Maçonaria um sistema baseado em alegorias e símbolos, e referenciado no papel do trabalho, é comum a utilização no meio maçônico da imagem do maçom como um profissional. Tal método didático, embrionário da pedagogia desenvolvida e popularizada por Paulo Freire, ensina o homem com elementos próprios de seu meio. Talvez o exemplo mais conhecido do uso de tal didática seja o de Jesus, que usava o joio e o trigo, o pastor e seu rebanho, e tantos outros elementos comuns do cotidiano do povo judeu daquela época para transmitir seus ensinamentos.
Na Maçonaria Operativa isso era muito evidente: os maçons operativos utilizavam de suas ferramentas de trabalho e das atividades de ofício para transmitir ensinamentos morais e espirituais aos seus membros. E hoje, sendo a Maçonaria Especulativa formada por profissionais das mais diversas áreas de atuação, podemos aplicar o mesmo método didático para melhor entender a nossa Maçonaria.
Enxergando a Maçonaria como uma profissão específica, e os maçons como seus profissionais, o que seriam as Obediências? Seriam Conselhos Profissionais (ex.: CREA, CRM, CRA, CRC) ou Sindicatos? Para realizarmos tal avaliação, precisamos compreender a essência desses dois tipos de entidades.
Os Conselhos Profissionais são órgãos cujo objetivo é orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão. Trata-se de organização imposta ao profissional e que exerce autoridade sobre o mesmo. Já os Sindicatos são associações de profissionais de um mesmo ramo de atividade que se unem em defesa da categoria e de seus interesses comuns. Os Sindicatos nascem dos próprios membros, em prol deles e de seus trabalhos.
A Maçonaria, suas Lojas e Obediências, surgiu com a “essência sindical” de união, auxílio e voluntariedade. Porém, como Max Weber bem apregoou, a burocratização das instituições verticaliza e concentra o poder em detrimento de seus membros. E foi exatamente isso que aconteceu com a Maçonaria: com o tempo, as Lojas perderam autonomia para suas Obediências, as quais migraram de simples sindicatos “de maçons, pelos maçons e para os maçons” para verdadeiros conselhos de disciplina e fiscalização com forte autoridade sobre as Lojas e seus membros. Como último resquício da essência sindical nas Obediências, provavelmente um reflexo do aspecto fraternal de nossa Ordem, tem-se o “auxílio mútuo”, hoje restrito a fundos de beneficência e auxílios-funeral. Infelizmente, em muitas Obediências nem mesmo isso mais existe.
Para testar tal teoria, pode-se analisar o comportamento organizacional das três vertentes maçônicas regulares de âmbito nacional: GOB, CMSB e COMAB. Conselhos Profissionais têm por princípio a unidade (no sentido de ser único, de existir apenas um), enquanto que Sindicatos têm por princípio a união. Isso torna os Conselhos Profissionais corporativistas em contraposição à postura convergente dos Sindicatos. E como essas três vertentes se comportam? Apesar do desejo de boa parte dos irmãos e de alguns esforços regionais pela união, temos ciência de que as cúpulas nacionais dessas três vertentes nunca sentam na mesma mesa para dialogar ações conjuntas em busca de um benefício comum. Logo, conclui-se que o corporativismo maçônico fiscalizador se sobrepõe à coletividade maçônica original das Obediências.
Caberá aos futuros líderes e dirigentes da Maçonaria brasileira devolvê-la um pouco de sua essência sindical. Quando isso acontecer, a consequência natural será o surgimento de uma espécie do que poderemos chamar de “CUT Maçônica”, que defenderá os interesses de todos os maçons e suas Lojas, sem distinção. Daí quem sabe não voltaremos a eleger um líder sindical, mas dessa vez do “sindicalismo maçônico”, como Presidente da República? Afinal de contas, a história do país tem sido favorável a maçons e sindicalistas: 09 maçons e 01 líder sindical foram Presidentes do Brasil.