CONVÊNIO DeMOLAY & REAL ARCO

CONVÊNIO DeMOLAY & REAL ARCO

No dia 29 de Setembro foi assinado no Rio de Janeiro um convênio entre o Supremo Grande Capítulo de Maçons do Real Arco do Brasil – SGCMRAB e o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para  República Federativa do Brasil – SCODRFB que aproxima os laços entre as duas instituições. Ambos são ligados aos seus respectivos Corpos Internacionais, sendo as únicas organizações reconhecidas pela comunidade maçônica internacional para administrar seus segmentos no Brasil. Ederson Velasquez, Grande Mestre do SCODRFB, e Paulo Roberto Curi, Grande Secretário do Real Arco, firmaram a parceria que cria um fundo de apoio financeiro no Real Arco para investimentos na Ordem DeMolay.

A relação entre o Real Arco e a Ordem DeMolay é antiga, existente desde a criação da Ordem DeMolay por Frank Sherman Land, um Maçom do Real Arco, que contou com o apoio do Real Arco Internacional para a consolidação da Ordem DeMolay. Além disso, Frank Marshall utilizou a estrutura ritualística do Rito de York como base para a criação dos Rituais da Ordem DeMolay.

O acordo determina que parte das taxas pagas ao Real Arco por Mestres Maçons envolvidos com a Ordem DeMolay seja revertida em patrocínio de projetos da Ordem DeMolay, como uma forma de incentivar esses Mestres Maçons, muitos deles Seniores DeMolays, a ingressar no Real Arco.

O fundo a ser criado será administrado por uma comissão formada por membros da Ordem DeMolay que são Maçons do Real Arco. A comissão apresentará relatórios periódicos sobre a evolução do fundo às lideranças de ambas as instituições.

Esse ato histórico torna a Família Maçônica Brasileira ainda mais unida. Parabéns ao Real Arco e à Ordem DeMolay.

Fonte: http://www.demolaybrasil.org.br 

A INFLUÊNCIA RELIGIOSA NOS RITOS MAÇÔNICOS

Sabe-se que a Maçonaria Especulativa derivou-se da Operativa, sendo considerada como um sistema de moralidade cujos ensinamentos estão contidos em símbolos e alegorias relacionados à atividade operária de construção e transmitidos por meio de dialéticas e narrativas. Esse sistema possui diferentes vertentes, conhecidas como ritos, as quais possuem um eixo comum de conteúdo básico, concentrado especialmente nos chamados “Graus Simbólicos”, e diferenciando-se em algumas práticas, conceitos e nos demais graus, quando existentes.

A Maçonaria não é uma instituição fechada cujos membros estão isolados do restante da humanidade. Pelo contrário, a Maçonaria esteve e está em constante interação com as sociedades nas quais é inserida, sendo seus membros cidadãos ativos nessas sociedades. Dessa forma, natural que seus ritos surgissem sob a influência da cultura, religiosidade e características da sociedade da qual pertence seus membros.

Nesse cenário, pode-se dividir a maioria dos ritos maçônicos praticados atualmente em dois grupos, conforme seus desenvolvimentos regionais: ritos latinos e ritos anglo-saxões. Apesar de uma estrutura original comum, anglo-saxônica, datada entre o século XVI e o XVII, o século XVIII tratou de distanciar as práticas maçônicas latinas daquelas do Reino Unido. No lado latino, tendo a França como principal berço, muitas foram as influências místico-esotéricas na Maçonaria, por conta do modismo esotérico que ocorreu naquele país durante o Século XVIII. Porém, isso não impediu que a influência religiosa do catolicismo também marcasse seus ritos. Já entre os anglo-saxões, o esoterismo e a religiosidade não encontraram tanto espaço na Maçonaria, esbarrando no senso rígido de conservação de tradições e instituições por parte de seus povos.

Focando no aspecto religioso, características muito nítidas permaneceram em alguns ritos latinos, evidenciando a influência religiosa, predominantemente católica, sobre os mesmos. Tomando o Rito Escocês Antigo e Aceito como exemplo, filho do francês Rito de Perfeição, pode-se observar algumas dessas heranças:

  • A “Sala da Loja”, como é conhecido tradicionalmente o local de reuniões das Lojas, teve seu status modificado para “Templo”;
  • Não somente adotou-se o status de “Templo”, como também a necessidade de uma cerimônia específica para “sagrá-lo”, característica típica das igrejas católicas;
  • A planta do Templo, geralmente retangular, ganhou um formato arredondado na parede do Oriente, comum em várias igrejas. Algumas Obediências abandonaram essa característica nas plantas de seus rituais do REAA pelos custos de construção;
  • O Oriente tornou-se mais elevado que o Ocidente e ganhou uma “balaustrada”, uma grade separando o Oriente do Ocidente, como em igrejas católicas seculares;
  • A bolsa de coleta de dinheiro da Igreja passou a circular entre os membros da Loja, com fins de solidariedade.

Essas e outras características indicam a forte influência que o catolicismo teve sobre os ritualistas franceses quando do desenvolvimento de seus primeiros ritos, características essas sobreviventes em muitas versões atuais do REAA. Conhecer a origem dos diferentes elementos que compõem os ritos maçônicos é de suma importância para a compreensão do que é realmente próprio da Maçonaria e o que foi incorporado no desenvolvimento de cada rito, herança sociocultural daqueles que os consolidaram.

INDEPENDÊNCIA OU MORTE

INDEPENDÊNCIA OU MORTE

Sete de Setembro de 1822, data em que Dom Pedro I, às margens do Rio Ipiranga, deu o famoso Grito de “Independência ou Morte”, livrando simbolicamente o Brasil das amarras portuguesas. Tal episódio é alvo de inúmeros questionamentos sobre veracidade, forma e motivações por parte dos historiadores.

Entre os maçons, a corrente predominante defende que tal episódio ocorreu em consequência direta daquela tão discutida reunião maçônica de 20 de Agosto de 1822, presidida por Gonçalves Ledo, em que a Independência do Brasil teria sido antecipadamente proclamada pelos influentes líderes políticos e sociais que ali se reuniam.

Fato interessante acerca do Grito de Independência, comumente presente na literatura (maçônica e até não maçônica) sobre o tema, é quanto ao significado da divisa “Independência ou Morte”. Há aqueles que atribuem a ela um significado maçônico ou, no mínimo, esotérico, ligando-a principalmente à Sociedade Secreta conhecida como “Apostolado”.

O nome do Apostolado na verdade era “Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz”, uma sociedade secreta baseada na Maçonaria, porém, de caráter cristão, fundada por José Bonifácio com o intuito de fazer frente às iniciativas maçônicas do grupo de Gonçalves Ledo, que pareciam mais fortes a cada dia. O Apostolado defendia a bandeira política de uma monarquia constitucionalista e José Bonifácio alcançou seu objetivo de ingressar Dom Pedro I na mesma.

Muitos são os autores que atribuem o termo do Grito de Independência ao Apostolado, considerando a possibilidade de Dom Pedro I ter se lembrado do conteúdo de uma palestra (instrução) da Nobre Ordem quando efetuou o grito. Não faltam livros publicados que defendem tal teoria. Porém, há apenas um pequeno detalhe que parece ter sido desconsiderado por esses proponentes. O historiador Alexandre Mansur Barata, em sua obra “Maçonaria, Sociabilidade Ilustrada & Independência do Brasil”, publicado pela Editora UFJF, em 2006, registra que uma das palestras do Apostolado só foi nomeada como “Independência ou Morte” em fevereiro de 1823, ou seja, quase 06 meses depois do Grito de Independência. Isso sugere que, mais fácil do que uma palestra do Apostolado ter influenciado no Grito, seria o Grito ter influenciado na escolha do título de uma palestra do Apostolado.

Importante ressaltar que o autor realiza tal registro em sua obra com base em documentos originais do Apostolado, presentes no Arquivo do Museu Imperial e no Instituto Histórico Geográfico Brasileiro. Como eu costumo dizer, quando se trata da relação entre história e maçonaria, entre nós maçons e os historiadores, fique com os historiadores.