Neste último fim de semana estive no Oriente de Goiânia-GO, ministrando palestra sobre Simbologia no Curso de Formação Maçônica do Grande Oriente do Estado de Goiás (GOB-GO), coordenado pelo respeitável Irmão Max Cleberson. A palestra ocorreu no belíssimo Templo Nobre do GOEG. Pude contar com a companhia dos companheiros de estrada, Irmãos Carlos Ferreira e Germano César, além do apoio em Goiânia do venerável Irmão Silas Barbosa, aos quais presto aqui meus mais sinceros agradecimentos. Ao final das quatro horas de palestra e diálogos, fui surpreendido com um belo certificado de agradecimento firmado pelo Eminente Grão-Mestre, Irmão Luis Carlos de Castro Coelho, o que foi uma honra para mim. Agradeço a receptividade, atenção e carinho fraterno de todos os Irmãos presentes.
Em tempo, ficamos hospedados no hotel de trânsito da Grande Loja do Estado de Goiás – GLEG, um espaço muito aconchegante destinado à família maçônica, e ficamos felizes em presenciar a união da GLEG e do GOEG em prol da Maçonaria Goiana. Ao Irmão Márcio, da ARLS “União de Paranaiguara No.36”, faço o registro da lembrança feliz da palestra em sua Loja ao visitar a sede de sua Obediência na capital de Goiás.
The Masonic Society, apesar de relativamente nova, já é internacionalmente conhecida como a sociedade de pesquisas maçônicas que mais cresce no mundo, tendo membros em todos os Estados dos EUA e do Canadá e em quase 30 países.
Sua revista, “The Journal of The Masonic Society”, contou inicialmente com Christopher Hodapp como seu editor-chefe, autor de livros consagrados como “Freemasons for Dummies”, “Solomon’s Builders” e “Decifrando o Símbolo Perdido”. Atualmente, seu editor-chefe é Michael Halleran, Grão-Mestre Adjunto da Grande Loja de Kansas e autor do livro “The Betther Angels of Our Nature: Freemasonry in the American Civil War”.
Compartilho com vocês meu estudo sobre Rosacrucianismo, publicado na última edição da revista, Número 22.
Já vimos essa história anteriormente. Basta o indivíduo se tornar presidente dos EUA ou ser famoso e morrer para dizerem que é maçom. Isso provavelmente ocorre porque um presidente dos EUA não teria tempo ou daria relevância para desmentir tal afirmação. Os mortos então parecem ser os preferidos, pois fica ainda mais difícil de desmentir.
Sabemos porque isso acontece. Seria ótimo ser irmão de prêmios Nobel, presidentes, líderes mundiais e celebridades. Mas seria ótimo se fosse verdade. Nossa Ordem já é sublime o bastante pela sua história e ensinamentos. Não precisamos de garotos-propaganda.
No caso do Nelson Mandela, os websites de fanáticos religiosos e teóricos de conspiração se baseiam principalmente numa foto de Mandela vestindo uma capa preta com uma cruz branca de malta para afirmarem categoricamente que ele é maçom. E alguns maçons provavelmente gostaram muito da ideia. Tem até Grão-Mestre citando o “Irmão Mandela” em discurso.
A foto mostra Nelson Mandela com o manto da Ordem de São João, também chamada de Soberana Ordem Militar de Malta. Trata-se de Ordem honorífica, da qual a Rainha Elizabeth II é a Soberana Chefe e a concede a personalidades de destaque internacional. Cada país tem uma série dessas Ordens que são concedidas por seu governante. O Brasil tem condecorações similares como, por exemplo, a Ordem do Cruzeiro do Sul, a Ordem do Rio Branco, a Ordem Nacional do Mérito, etc. O ex-presidente Lula, enquanto presidente, recebeu da Rainha Elizabeth a Ordem de Bath, uma das tantas Ordens concedidas por aquela Chefe de Estado. Essas Ordens, logicamente, não costumam ter qualquer relação direta com a Maçonaria.
É claro que Mandela, pelos valores que defendia, poderia muito bem ser um maçom. Mas não podemos nos esquecer que apesar de que todo maçom tem que ter esses valores, nem todos com esses valores têm que ser maçons.
Obs.: Muitos irmãos defendem a teoria de que Mandela era maçom com base na afirmação do Irmão Joseph Walkes, em seu livro “The History of the M.W. Prince Hall Grand Lodge of North Carolina and Jurisdiction, 1864-2000”, que relata que o então GM W. C. Parker Jr., da MW Prince Hall GL da Carolina do Norte teria feito Mandela maçom “at sight”, na Georgia. O fato é que o GM da Prince Hall da Georgia teve a oportunidade de, por alguns minutos, entregar um presente a Mandela em seu quarto de hotel, quando Mandela estava de passagem pela Georgia, em 1990. O MW Irmão Parker Jr., então GM da PHGL da Carolina do Norte, foi convidado a acompanhá-lo no breve encontro no hotel, aproveitando a oportunidade para declará-lo maçom e informá-lo do desejo de se criar uma Loja “Nelson Mandela” na Carolina do Norte. As homenagens são, logicamente, justas, considerando a história de vida e luta de Mandela pela paz. Entretanto, três observações são feitas:
1) um GM iniciando um candidato em outro Estado, fora de sua jurisdição, mesmo que “at sight”;
2) iniciação “at sight” significa que o GM dispensa o candidato de processos preliminares e dos interstícios entre os graus, podendo galgar os três graus simbólicos sem escrutínio e em apenas um dia, mas não dispensa de passar pelas cerimônias, tendo os três graus duração por volta de 5 a 6 horas, o que é impossível ser realizado em poucos minutos num quarto de hotel. Tanto que, nas legislações maçônicas que permitem a iniciação “at sight”, geralmente há a menção de que o GM deve “abrir a Loja para esse fim”;
3) A criação de uma Loja com nome de pessoa viva.
Assim, considerando que numa Ordem Iniciática torna-se membro por meio de uma iniciação, e observando que não houve uma iniciação de fato, acredito que, infelizmente, Nelson Mandela não era maçom. Corroborando com esse pensamento, segue afirmação feita pela Maçonaria na África do Sul (fonte indicada pelo Irmão Laurindo, a quem agradecemos):
Iniciamos no ano passado uma pesquisa pioneira sobre Liderança, Identidade e Comportamento na Maçonaria Brasileira. Como se sabe, a Maçonaria já foi tema de estudos em ramos como História, Sociologia e Literatura. Porém, é a primeira vez que se tem notícia de uma pesquisa em Maçonaria com enfoque comportamental, não somente no Brasil mas em todo o mundo.
Em Novembro do ano passado, milhares de Irmãos responderam o questionário online da pesquisa. Maçons das três vertentes maçônicas, GOB, CMSB e COMAB, e das 27 Unidades Federativas brasileiras participaram.
Os resultados obtidos na pesquisa foram realmente surpreendentes. E a compreensão dos mesmos pode gerar novos impulsos no desenvolvimento de nossa Sublime Ordem.
Quem acompanha este blog sabe que não é de hoje que venho alertando sobre a carência de publicações maçônicas de qualidade no Brasil. Mesmo as mais conhecidas publicações maçônicas brasileiras estão repletas de artigos de três ou quatro páginas (quando muito), sem qualquer referencial teórico ou, quando há, são daqueles dois ou três autores de sempre. Isso não é uma crítica, visto que essas revistas cumprem muito bem suas propostas de fornecer informação maçônica de forma agradável aos leitores. Esse segmento está muito bem atendido. A carência que me refiro é de publicações que sejam verdadeiras fontes primárias, frutos de muitos estudos e pesquisas, embasados em extensa revisão literária e realizados com fundamentação teórica e metodológica.
No entanto, parece que o Grande Arquiteto do Universo atendeu as nossas preces: recentemente foram criadas no país duas revistas de cunho científico dedicadas à Maçonaria, cujo objetivo de ambas é produzir e fornecer conhecimento relevante sobre a Maçonaria, exigindo dos autores uma boa dose de rigor em seus estudos. E o melhor de tudo: proporcionando acesso livre, gratuito.
Hoje o maçom brasileiro tem a oportunidade de se deleitar com a leitura da revista Fraternitas in Praxis – FinP, mantida pela Loja Maçônica de Estudos e Pesquisas “Rio de Janeiro” – GOIRJ-COMAB; e pela revista Ciência & Maçonaria – C&M, mantida pela Loja Maçônica “Flor de Lótus” – GLMDF-CMSB. Ambas as revistas tem conselhos formados por maçons com Mestrados e Doutorados nas mais distintas áreas, contando com artigos produzidos por estudiosos e pesquisadores de todo o país. Os artigos são avaliados por critérios de relevância, qualidade e seriedade metodológica, não importando a autoria, filiação e posição maçônica. Aliás, há inclusive artigos de não maçons, que pesquisam sobre a Maçonaria por sua importância histórica e social.
Independente se você é Aprendiz, Mestre, Grau 33 ou Grande Alguma Coisa, se quiser se surpreender positivamente, leia essas revistas. Elas não ficam pra trás de nenhuma revista maçônica estrangeira e nem mesmo das revistas científicas sobre a Maçonaria existentes em outros países, como a REHMLAC e a JRFF. E você não precisa pagar nada por isso. Basta acessar: