por Kennyo Ismail | jan 18, 2011 | História
O mais antigo documento comprovadamente maçônico no mundo é conhecido como “Carta de Bolonha” e data de 1248. Seu nome original é “Statuta et Ordinamenta Societatis Magistrorum Tapia et Lignamilis”. Foi redigido originalmente em latim por um escrivão público, sob ordem do Prefeito de Bolonha, Bonifaci di Cario, no dia 08 de Agosto de 1248. Em seu conteúdo fica claro que essa Maçonaria Operativa Italiana já era tradicional, antiga, contendo sólida estrutura e hierarquia, bem anterior à data de registro da Carta.
Reflitamos: Bolonha fica a pouco mais de 300Km de distância de Roma. Há alguma razão para duvidarmos de que essa antiga Associação de Construtores de Bolonha seja a evolução de uma das principais Guildas Romanas?
A Carta de Bolonha é anterior em 142 anos ao “Poema Regius” (1390), 182 anos ao “Manuscrito de Cooke” (1430), 219 anos ao “Manuscrito de Estrasburgo” reconhecido no Congresso de Ratisbona de 1459 e autorizado pelo Imperador Maximiliano em 1488, e 59 anos ao “Preambolo Veneziano dei Taiapiera” (1307). Todos esses documentos maçônicos antigos não somente comprovam a existência da Maçonaria Operativa e sua evolução histórica, mas principalmente sua evolução social, incluindo a atenção especial de reis e o interesse crescente de intelectuais e nobres.
A Carta possui anexos. Entre eles, conserva-se uma “lista de matrícula” registrada em 1272, que contém 371 nomes de Mestres Maçons (Maestri Muratori), dos quais 2 eram escrivães públicos, outros 2 eram freis e 6 eram nobres. Essa é a prova histórica mais clara de que, em pleno século XIII, a transformação da Maçonaria de Operativa em Especulativa já estava iniciada.
A existência desses e de outros documentos antigos descartam completamente as teorias de que a Maçonaria teria nascido com o fim da Ordem dos Templários ou quando da Revolução Francesa ou mesmo com o Iluminismo. Os documentos comprovam que a Maçonaria é bem anterior ao século XIII e reforçam a teoria da origem egípcia, aprendida pelos judeus quando em cativeiro no Egito, e espalhada ao mundo quando os descendentes desses estavam sob domínio e influência romana, incorporados nas Guildas.
A “Carta de Bolonha” confirma o texto das Constituições de Anderson, 1723, quando Anderson diz tê-las redigido após consultar antigos estatutos e regulamentos da Maçonaria Operativa da Itália, Escócia e Inglaterra. Revisando o texto do “Statuta et ordinamenta societatis magistrorum tapia et lignamiis”, não resta a menor dúvida de que este foi um dos estatutos e regulamentos consultados por Anderson para redigir a Constituição da nossa Maçonaria Especulativa.
O documento anexo à Carta, datado de 1257, informa ainda que foi decidida a separação entre os “Mestres do Muro” e os “Mestres da Madeira”, que até então eram uma única Corporação, mas separados desde antes nos trabalhos das correspondentes Assembléias tendo, porém, os mesmos Chefes. Esse é um fortíssimo indício de quando e como surgiu a Maçonaria Carbonária.
Fica evidente que a Carta de Bolonha é um dos documentos históricos mais importantes da nossa Sublime Instituição, e fica mais do que comprovada a presença dos “Aceitos” na Maçonaria dos “Antigos e Livres” a pelo menos 800 anos atrás.
por Kennyo Ismail | jan 14, 2011 | Simbologia
Todos já ouviram falar de alguma história relacionando um bode preto com a Maçonaria. As histórias geralmente são de que você precisa montar em um bode preto para iniciar, ou que o Deus da Maçonaria é um Bode preto.
Para explicar essa questão histórica da crendice popular relacionando a Maçonaria com o uso ou culto de um bode, os próprios Irmãos Maçons, sem encontrarem nenhum indício que justificasse tal crença, buscaram uma explicação plausível. A lenda que surgiu para isso, e que foi eternizada pelos escritos do célebre irmão José Castellani, é bastante conveniente:
Dizem que havia um costume antigo entre os judeus que viviam na Palestina nos primeiros séculos da cristandade: os homens costumavam confessar seus pecados para um bode. O bode era um animal muito comum na região e, evidentemente, não pode passar o pecado confessado para frente. Dessa forma, os homens se sentiam mais aliviados pela confissão e seguros de que os pecados revelados nunca seriam contados a ninguém. Dizem ainda que o apóstolo Paulo, em contato com esse antigo costume, implementou a confissão na Igreja. Foi então que, mais de mil anos depois, durante a Inquisição, muitos maçons foram presos e torturados para que contassem os segredos da Maçonaria, porém, nenhum contava. Por conta disso, os clérigos responsáveis pelos inquéritos, conhecedores da origem da “confissão cristã”, diziam que os maçons eram como os bodes, que nunca contam os segredos.
Apesar da beleza dessa história, que reforça a lealdade maçônica aos juramentos prestados, não há nenhum embasamento para essa lenda. Ao contrário, existem fortes indícios ao contrário:
A “confissão auricular” era um antigo costume religioso romano. Há quem diz que foi defendida pelo Apóstolo Paulo, que considerava todos os sacerdotes da Igreja como sendo os sucessores espirituais dos Apóstolos, e interpretava que Jesus concedeu aos seus apóstolos o direito de perdoar os fiéis de seus pecados. Porém, a confissão auricular só se tornou obrigatória no IV Concílio de Latrão, por volta de 1215 d.C. Pessoas consideradas “santas” como Santo Agostinho morreram sem nunca terem se confessado.
Não há qualquer registro da Igreja Católica ou mesmo no Judaísmo que faça qualquer referência ao suposto antigo costume de se confessar a um bode. Também não se tem notícia de algum registro de inquérito da Inquisição em que os responsáveis se referem aos maçons como “bodes” por guardarem segredos. Essa lenda não possui sustentação histórica.
Por outro lado, há outro fato histórico diretamente relacionando Maçonaria e Bode que poderia justificar essa crendice popular: Baphomet.
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| Baphomet por Eliphas Levi |
Quando os Templários foram presos e torturados, uma das várias acusações sobre a Ordem do Templo e seus membros era de que eles veneravam um Deus que possuia corpo de homem e cabeça de bode, o qual chamavam de “Baphomet”. Na época, o povo relacionava o bode com o diabo, pois o bode fede e tem chifres, assim como a visão ocidental do diabo. O nome Bathomet era uma mistura clara de “bode” com “maomé”. É claro que se tratava de mais uma acusação absurda da “Santa Inquisição”, a qual nunca foi provada, mas justificou por 07 anos a tortura de vários inocentes.
Alguns séculos após o fim da Ordem dos Templários e a condenação de seus líderes à fogueira em 18 de Março de 1314, a Igreja Católica resgatou tal acusação para difamar a Maçonaria. A figura do Baphomet ressurgiu dos arquivos do Vaticano para servir de ilustração da campanha difamatória contra a Maçonaria. Desde então a imagem de um homem com cara de bode está diretamente ligada à Maçonaria na mente dos ignorantes ou mal intencionados. Já a Maçonaria, como não poderia deixar de fazer, levou e leva tais crendices pelo caráter jocoso e tem adotado o bode quase como um “mascote”.
Agora que você sabe a verdade, essa estória de cochichar na orelha do bode realmente soa meio absurda, né?
por Kennyo Ismail | jan 14, 2011 | Termos e Expressões
Não há registros de quando se começou a usar “Huzzé” nas Lojas, mas remonta à Maçonaria Operativa.
Ao contrário do que afirma um dos maiores escritores maçônicos brasileiros, Rizzardo da Camino, Huzzé não é uma palavra hebraica, e muito menos significa “Acácia”. Na verdade, “acácia” em hebraico seria “shittah”.
O termo Huzzé parece vir do árabe, e significa “Viva”, tendo sido um dos tantos termos incorporados pelos europeus como consequência da dominação e ocupação árabe na Europa, que durou quase 800 anos (711 a 1492) . É adotado em substituição ao termo latino “Vivat” e ao que foi tão utilizado na monarquia francesa “Vive”. O termo Huzzé entrou para o vocabulário inglês com o escrito “HUZZAH” e seu significado nos dicionários da língua inglesa é “aclamação medieval equivalente a Viva!”. Trata-se de uma tríplice aclamação de alegria: “Huzzé, huzzé, huzzé!” significa o mesmo que “Viva, viva, viva!”. Uma das variações derivada da tríplice aclamação Huzzé ficou popularizada como “Hip Hip Hurrah”, usado em aniversários e jogos, com o mesmo sentido original “Viva, viva, viva!”.
Há ainda a teoria de Jack Weatherford de que Huzzé derivou-se da palavra mongol “Hurree”, que significa “Aleluia”. Já de acordo com Jean Paul Rox, a origem é turca. Os turcos usavam nas guerras, quando atacavam seus adversários: “Ur Ah!”.
A tríplice aclamação de Viva era oficialmente utilizada quando da coroação de um novo Rei, tanto na França quanto na Inglaterra.
Ao que tudo indica, o escrito “Huzzé” nos rituais de língua portuguesa surgiu para garantir a correta pronúncia do termo. Em Loja do REAA, a tríplice aclamação é usada como forma de render graças ao GADU, e por isso é realizada logo após a abertura e o fechamento do Livro da Lei. A tríplice aclamação também ocorre no Rito Moderno, no Adoniramita e no Brasileiro, como herança da influência do REAA nos mesmos. Porém, a tríplice aclamação nesses ritos varia para “Liberdade, Igualdade, Fraternidade!” no Rito Moderno, “Vivat, Vivat, Vivat!” no Adoniramita e “Glória, Glória, Glória!” no Rito Brasileiro.
Se “Huzzé” fosse realmente uma palavra hebraica que significasse “Acácia”, faria algum sentido aclamá-la, ainda mais nos graus de Aprendiz e Comapanheiro? Não faria sentido algum.
por Kennyo Ismail | jan 13, 2011 | Maçonaria no mundo

Há na Alemanha 05 diferentes Grandes Lojas Regulares. Até aí tudo bem, algo normal se comparado com muitos outros países. A diferença é que essas 05 Grandes Lojas da Alemanha formaram juntas um corpo maçônico diferente. Elas são independentes, soberanas, possuem seus Ritos, paramentos, legislação e líderes distintos. Porém, as 05 formam juntas o que podemos chamar de “Maçonaria Unida da Alemanha”: Todas as 05 Grandes Lojas abriram mão oficialmente de sua soberania em assuntos de relações exteriores e de relações públicas, concedendo essa autonomia à essa instituição nacional. Esse Corpo Maçônico, chamado de “Grandes Lojas Unidas da Alemanha” é composto por um Senado e uma Diretoria que possui Grão-Mestre, Adjunto, Grande Secretário e Grande Tesoureiro. As Lojas elegem os membros do Senado, geralmente indicados pelo Grão-Mestre de cada Grande Loja participante. O Senado indica o Grão-Mestre e seu Adjunto, e a Assembléia dos Veneráveis aprova ou reprova a indicação do Senado. O Grão-Mestre nomeia o Grande Secretário e o Grande Tesoureiro.
As 05 Grandes Lojas que compõem as Grandes Lojas Unidas da Alemanhã são:
– Grande Loja de Maçons Livres e Aceitos da Alemanha Velha (260 Lojas)
– Grande Loja Landesloge de Maçons da Alemanha (120 Lojas)
– Grande Loja Mãe Nacional (40 Lojas)
– Grande Loja Canadense e Americana (30 Lojas)
– Grande Loja dos Maçons Ingleses na Alemanha (20 Lojas)
Juntas, possuem o aproximadamente a 470 Lojas e 14.000 Irmãos Maçons.
A Convenção que elege o Senado e o Grão-Mestre e seu Adjunto ocorre a cada 03 anos.
As 11 cadeiras do Senado são proporcionais ao tamanho de cada Grande Loja participante:
– GLMLAAV – 05 senadores
– GLLMA – 03 senadores
– GLMN – 01 senador
– GLCA – 01 senador
– GLMIA – 01 senador.
O Senado é presidido pelo Grão-Mestre, que não tem direito a voto.
As Lojas de Pesquisa são filiadas diretamente à Grandes Lojas Unidas da Alemanha, e ela possui tratados de reconhecimento com nada menos do que 172 Grandes Lojas no mundo.
Agora o ponto mais interessante: nos eventos das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, os 05 Grão-Mestres têm o costume de usarem aventais de Aprendiz Maçom para simbolizar que, apesar de Grão-Mestres, eles são eternos Aprendizes.
por Kennyo Ismail | jan 12, 2011 | York x Emulação
Emulação é Rito de York? Não.

Emulação é um dos Rituais adotados por Lojas da Grande Loja Unida da Inglaterra. É o mais popular deles. Existem outros adotados na GLUI:
Stability, Unanimity, Oxford, Sussex, Logic, Perfect, Standard, Taylor’s, Revised, Bristol, etc.
O GOB, para estreitar ainda mais os laços de fraternidade com a GLUI, escolheu entre esses o Emulação para adotar em seu âmbito, pelo fato de ser o mais utilizado na Inglaterra, geralmente usado nas Lojas dos Distritos da GLUI em outros países. O problema foi que, quando da tradução do Ritual no GOB, erroneamente utilizaram o termo “Rito de York” na capa, pois os responsáveis pela tradução pensavam que o ritual da Inglaterra era o mesmo utilizado nos EUA e chamado de York. Afinal de contas, York fica na Inglaterra, os EUA foram colônia da Inglaterra, e ambos falam inglês, né?
Infelizmente esse erro originou a confusão que vemos até hoje nas Lojas que adotam o Emulação, com a expressão “Rito de York” estampada nos seus Estandartes e Brasões, e onde os Irmãos acham que estão praticando o Rito de York sem nunca terem tido o menor contato com o verdadeiro Rito de York: Americano.
Você tem certeza absoluta disso? Sim.
Os Irmãos que tiverem alguma dúvida quanto a isso podem pesquisar no site da GLUI e tentar encontrar alguma referência sobre Rito de York. Não terá, pois a GLUI não adota oficialmente nenhum rito, e suas Lojas podem utilizar qualquer Ritual desde que siga os costumes do Antigo Ofício, sendo que a maioria adota esses 11 que foram citados.
Em contrapartida, os Irmãos podem visitar o site http://www.yorkrite.org/, que é o site oficial do Rito de York, e verificar que se trata do Rito Americano. No site há links para todas as Grandes Lojas dos EUA, que adotam o Rito de York em suas Lojas Simbólicas, as “Blue Lodges” (conhecido como Monitor de Webb), e links para todos os Grandes Capítulos de Maçons do Real Arco, Grandes Conselhos Crípticos e Grandes Comandarias Templárias, que administram os Corpos dos Graus Superiores do Rito de York.
Para os Irmãos que desejam conhecer uma verdadeira Blue Lodge, que trabalha no Rito de York, algumas Grandes Lojas e Grandes Orientes Independentes possuem Lojas trabalhando com base nos Rituais da Grande Loja de New York e da Grande Loja de Nevada. Já o GOB não possui ainda Lojas trabalhando no Rito de York.
Há diferenças entre o Rito de Yok (EUA) e o Ritual de Emulação (Inglaterra)? Sim.
Apesar dos templos serem parecidos e o modo de circulação em Loja também, os rituais são bastante diferentes. Exemplos básicos: no Rito de York o Venerável Mestre utiliza uma cartola. No Emulação o Venerável não utiliza cartola ou chapéu. No Rito de York existe Marechal, enquanto que no Emulação existe Diretor de Cerimônias. Esses são apenas 02 exemplos de muitas diferenças existentes.
A origem de ambos não é a mesma? Não.
O Rito de York tem como “pai” o Irmão Thomas Smith Webb e como data base o ano de 1797, quando o Rito foi aprovado e adotado pelos EUA. Sua base são os antigos costumes da Grande Loja dos Antigos e da Grande Loja da Irlanda, que eram muito parecidos.
Já o Ritual de Emulação foi criado na “Loja Emulação”, sendo uma versão dos Rituais surgidos após a fusão das duas Grandes Lojas Inglesas que ocorreu em 1813, e que sofreram forte influência dos costumes herdados da Grande Loja dos Modernos.
Qual é o mais praticado? O York.
O Rito de York é praticado por mais de 2 MILHÕES de maçons em quase 50 MIL Lojas Simbólicas. Isso representa quase 60% dos maçons do mundo. Já o Ritual de Emulação é praticado por aproximadamente 200 MIL maçons reunidos em quase 7 MIL Lojas Simbólicas, o que representa um pouco mais de 5% da maçonaria mundial.
Detalhe: o Emulação é menor do que o REAA, tanto em número de Lojas como em número de praticantes.