Na década de 50, os maçons brasileiros experimentavam o gosto amargo da rivalidade entre o Grande Oriente do Brasil e as Grandes Lojas, além da existência de outras potências, como o Grande Oriente do Rio Grande do Sul – GORGS e o Grande Oriente de Minas Gerais – GOMG. No caso do GORGS, esse possuía um tratado formal com o GOB e estreitas relações com o mesmo, apesar de total soberania e independência. Já o GOMG, vivia isolado, não sendo reconhecido à época nem mesmo pelo GORGS.
A pressão do povo maçônico por ver uma maçonaria brasileira unificada ou, pelo menos, unida, era forte o bastante para empurrar os Grão-Mestres nesse sentido. Isso tornou o terreno propício para a realização do Conclave Geral da Maçonaria Simbólica Brasileira.
Esse foi o primeiro evento maçônico de nível nacional com a participação das potências simbólicas “concorrentes”, e provavelmente é o evento maçônico mais importante já realizado em toda a história da Maçonaria brasileira. Entretanto, foi esquecido (ou ocultado) durante todos esses anos.
WikiLeaks surgiu da iniciativa de revelar documentos de governos sobre questões polêmicas, dando conhecimento aos cidadãos de fatos ocultados aos mesmos. Graças ao WikiLeaks, a sociedade foi capaz de tomar ciência de casos de corrupção, abusos de poder, violações de direitos e até mesmo crimes de guerra envolvendo diferentes países.
A proposta do livro MAÇONARIA BRASILEIRA: A HISTÓRIA
OCULTADA é bastante similar, podendo ser considerada a WikiLeaks da Maçonaria
Brasileira. Não é à toa que a outra opção de título para o livro era A GUERRA
FRIA DA MAÇONARIA BRASILEIRA E SEUS DOCUMENTOS SECRETOS. São mais de 80 anos de
fatos documentados, reescrevendo a história da Maçonaria como nos foi e é
contada e revelando uma verdadeira “guerra fria” entre as vertentes
maçônicas brasileiras, envolvendo ritos e outras organizações, em escala
nacional e internacional, ocultada aos olhos de seus membros.
Uma das revelações, já exposta aqui no No Esquadro, foi que após o Grande Oriente do Brasil – GOB firmar tratado com o Supremo Conselho do Grau 33 do REAA – SC33, e o mesmo ser aprovado pela SAFL, em outubro de 1926; uma constituinte foi convocada para adequar a Constituição do GOB à nova realidade do tratado; então Octavio Kelly, recém-empossado GMG Adjunto, mentiu em reunião do Conselho Geral da Ordem, em 20/06/1927, de que torcia para a constituinte aprovar as mudanças necessárias para se adequar ao tratado com o SC33, enquanto, no dia seguinte, em 21/06/1927, ele assinava decreto cancelando a constituinte. Essa mentira descarada, essa ação de um homem só, contrária à SAFL e aos melhores interesses da Maçonaria brasileira, teria sido a pá de cal no relacionamento entre GOB e SC33 e servido de mola propulsora para o surgimento das Grandes Lojas. Tudo documentado.
E falando em Octávio Kelly, outra revelação foi a concessão do título de Benemérito ao seu filho, que era profano, para que ele usufruísse do mesmo caso um dia viesse a ser iniciado.
Também foi revelada uma carta do Grão Mestre Geral do GOB, Álvaro Palmeira, em 1967, em que ele confidencia sua intenção de reconstituir o Rito Brasileiro com 33 graus, como uma opção para substituir os altos graus do REAA do GOB, considerado por ele como “espúrio, irregular e clandestino”.
E falando em Álvaro Palmeira, você sabia que no início de sua gestão como GMG do GOB, ele criou uma Ordem feminina, em 1963, com a finalidade de “admissão da mulher nos trabalhos maçônicos” no ano seguinte? Mas a SAFL conseguiu impedi-lo. Sabia também que ele havia sido suspenso duas vezes do GOB, e que chegou a ser Grão-Mestre de outra potência, antes de ser Grão Mestre Geral do GOB?
Essas são apenas pequenas revelações dentre as centenas de fatos expostos do período analisado e apresentados no livro. Mas eles não se restringem ao GOB e ao REAA. Alcançam as Grandes Lojas da CMSB, os Grandes Orientes da COMAB, outros ritos, e até mesmo potências do exterior, como a Grande Loja Unida da Inglaterra. Todos têm seus esqueletos no armário e suas sujeiras sob o tapete.
Após anos de buscas, coletas e organização de documentos, muitos deles inéditos, e um trabalho de pesquisa e escrita ainda mais intensificado durante a pandemia, Kennyo Ismail apresenta sua nova obra, “MAÇONARIA BRASILEIRA: a história ocultada”, que abre e revela o conteúdo da caixa-preta de oito décadas da Maçonaria brasileira, abrangendo, desde o período anterior ao surgimento das Grandes Lojas, até o período posterior ao surgimento da COMAB.
Foram milhares de documentos analisados que reescrevem, com base em fatos documentados, muitas das histórias que nos têm sido contadas pelos meios oficiais e obras literárias publicadas até então. Ainda, eles revelam uma verdadeira e longa guerra travada nacional e internacionalmente nos bastidores da Maçonaria brasileira, ocultada dos olhos da base.
Serão revelados detalhes não apenas da origem, desenvolvimento e funcionamento dos bastidores dessa guerra envolvendo as três vertentes maçônicas simbólicas brasileiras (GOB, CMSB e COMAB), mas também envolvendo os Supremos Conselhos do REAA, os Ritos Adonhiramita, Brasileiro e Moderno, a Confederação Maçônica Interamericana, a Conferência dos Grão Mestres dos Maçons na América do Norte, a Grande Loja Unida da Inglaterra, e como tudo isso direta e indiretamente se relacionou a esses conflitos e seus blocos, ao longo de mais de 80 anos, sem que os maçons da base soubessem.
Além dos bastidores das relações interpotenciais brasileiras, alguns documentos revelaram outros fatos curiosos, ocultados ao longo dos anos. Como exemplo, você sabia:
Que uma potência maçônica brasileira ofereceu o Grão-Mestrado a um profano?
Que uma potência maçônica brasileira já teve problemas com prostituição e consumo de drogas em suas dependências?
Que uma potência maçônica brasileira já sofreu “Intervenção Militar”, com um general se auto-declarando Grão Mestre?
Que, na Ditadura Militar, um irmão foi preso e torturado por um Delegado de Polícia, também maçom, não por ideologia política, mas por sua vertente maçônica?
Que uma potência maçônica brasileira já teve um Grão Mestre ateu?
Esses são apenas cinco dentre os mais de cem fatos apresentados e comprovados, sendo que alguns descortinam verdades desconcertantes.
E por que conhecer a verdade sobre nossa história é tão importante? Porque esse período de união que estamos vivendo atualmente entre as três vertentes maçônicas brasileiras já foi experimentado outras vezes no passado, e sempre durou pouco. Para que essa união seja próspera e duradoura, é necessário retirar os esqueletos e o que mais estiver oculto no armário ou debaixo do tapete. Isso porque “a Maçonaria que não conhece a sua história está condenada a repeti-la”.Se o desejo de perpetuar esse período de união da Maçonaria brasileira é realmente genuíno, faz-se necessário entranhar-se no âmago dos conflitos, suas reais razões e motivações. Sem conhecermos e, principalmente, reconhecermos os erros desse passado não tão distante, não demorará para que eles se repitam.
Kennyo Ismail é pesquisador, professor, palestrante e escritor. Foi o tradutor e comentarista do clássico Ahiman Rezon (2016), e o revisor técnico da edição brasileira do best-seller Maçonaria para Leigos (2015). É autor de obras como Desmistificando a Maçonaria (2012), O Líder Maçom (2014), Debatendo Tabus Maçônicos (2016), História da Maçonaria Brasileira para Adultos (2017), Um Clone para Deus (2017), O Livro do Venerável Mestre (2018), e Ordem sobre o Caos (2020).
E, em todos esses anos envolvido com a produção e publicação de literatura maçônica, trabalhando com diferentes editoras, Kennyo percebeu que, para propostas literárias especiais como essa, não poderia se restringir a limitações de tipo de papel, capa, formato, dimensões, diagramação e distribuição que uma editora convencional muitas vezes impõe. Por essa razão, ele criou a Editora No Esquadro, pela qual publicou seu último livro “Ordem sobre o Caos” e publicará este, “Maçonaria Brasileira: a história ocultada”.
A capa do livro foi desenvolvida pelo talentoso ilustrador Felipe Bandeira, da Lápis Designer. O livro será publicado em capa dura e miolo em papel pólen, que proporciona maior conforto na leitura e manuseio. E em cada exemplar, um código que dá acesso a uma nuvem em que se poderá visualizar todos os documentos comprobatórios.
E para completar o projeto, foi desenvolvido o Box de Luxo, composto por uma caixa artesanalmente personalizada contendo um exemplar do livro autografado. A caixa é feita em MDF cru com dobradiças, tendo pintado na tampa, no canto superior esquerdo, o mesmo timbre de “confidencial” que há na arte da capa; e personalizada com o nome ou apelido do doador (máximo de 8 letras) pintado de preto no canto inferio direito. As cores e a temática da caixa são inspiradas na capa do livro, transmitindo a ideia de documentos confidenciais, sigilosos, secretos. Um verdadeiro trabalho artesanal, sendo cada peça personalizada e, por isso, com poucas unidades disponíveis.
Por meio dessa campanha, Kennyo Ismail espera contar com seu apoio para levantar o investimento necessário e transformar esse projeto em realidade. Os custos com desenvolvimento, revisões, diagramação, ilustrações e artesanato já foram suportados por ele. Assim, 100% do valor arrecadado será destinado às despesas com produção gráfica, embalagens e postagens.
A Escola No Esquadro é a primeira plataforma de cursos online de Maçonaria no Brasil, tendo por objetivo tornar o conhecimento maçônico mais acessível, em todos os sentidos, “em busca de mais luz na Maçonaria” aos irmãos das três vertentes regulares brasileiras: GOB, Grandes Lojas da CMSB e Grandes Orientes da COMAB. O desenvolvimento inicial deste projeto somente foi possível graças ao apoio de 05 Lojas Maçônicas: José Rocha Neto #133 (GLMERJ), União Fraternal de Salvador #11 (GOBA), Tiradentes #65 (GLMEES), Flor de Lótus #38 (GLMDF), e Fraternidade Sumareense #3734 (GOSP-GOB).
Seguindo um modelo inovador de educação organizacional, mais eficiente no desenvolvimento dos participantes do que os modelos tradicionais de educação, os cursos de curta duração oferecidos pela Escola No Esquadro permitem que o irmão se desenvolva naquelas áreas de conhecimento que tenha maior deficiência ou interesse.
Após seu lançamento, em junho de 2017, dois cursos foram concluídos e disponibilizados: Introdução à Maçonaria e História da Maçonaria no Brasil. Desde então, mais de uma centena de irmãos concluíram os mesmos. Em janeiro de 2018, a Secretaria Executiva da CMI – Confederação Maçônica Interamericana, convidou a Escola No Esquadro para conduzir uma pesquisa nacional sobre a Maçonaria, cujos resultados foram apresentados em abril deste ano, em sua Grande Assembleia Geral, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. E em fevereiro deste ano a COMAB, reunida em sua Assembleia Geral, em Goiânia – GO aprovou a recomendação dos cursos da Escola No Esquadro para seus membros.
Outros cursos estão sendo atualmente trabalhados e muitos outros precisam ainda ser desenvolvidos em prol da educação maçônica, mas os desafios são grandes e para vencê-los precisamos de ajuda. Por essa razão, procuramos por Lojas Maçônicas que tenham a mesma visão pioneira e educacional que aquelas 05 primeiras que apoiaram a criação desta escola, de forma a viabilizar o lançamento de novos cursos.
Aqueles interessados em intermediar nosso contato com sua Loja, entre em contato conosco por e-mail: escola@noesquadro.com.br
Foi com alegria que recebi um exemplar da obra MAÇONARIA TUPINIQUIM – breve relato da história da maçonaria no Brasil: 1789-1889, de autoria do irmão Cloves Gregorio, que mantém um ótimo blog homônimo ao livro. Esse, publicado pela Editora Yod, recebeu o cuidado de costume que essa editora tem dado às obras por ela publicadas, tanto na revisão, quanto na edição e material gráfico de qualidade.
O resultado da dedicação desse inteligente irmão é o justo subtítulo dado à obra, de um “breve relato”, que, em suas 100 páginas, muito bem resume, baseado por mais de 40 referências, um recorte de 100 anos da rica e complexa história da maçonaria brasileira. Assim, o irmão Cloves começa com o pé direito (ou o esquerdo, para quem o preferir) e passa a reforçar as fileiras da nova literatura maçônica brasileira, menos achista e mais comprometida com o rigor em sua produção, de forma a oferecer maior qualidade de informação e conhecimento ao povo maçônico.
Espero que o Irmão Cloves Gregorio não pare por aqui e logo nos brinde com novas publicações.