GOB-AM decolando

GOB-AM decolando

No último sábado, dia 17, tive a alegria de retornar a Manaus e reencontrar grandes irmãos e amigos, dentre eles o querido irmão Armando de Souza Corrêa Júnior, atual Grão-Mestre Estadual do GOB-AM. Na ocasião, uma consagração à Ordem da Sagrada Sabedoria, 33º grau dos Sacerdotes Cavaleiros Templários, Ordem maçônica com sede internacional em York – UK, tive a honra de receber das mãos do Irmão Armando uma bela placa. Mas essa não é a razão desta publicação.

A razão é da minha felicidade em, ao retornar a Manaus, verificar os avanços maçônicos daquela localidade. Conheço o Irmão Armando há anos e tenho tido a sorte de esbarrar com ele em alguns corpos maçônicos e eventos. Acredito que há maçons de pensamentos e maçons de ações, mas o maçom ideal é aquele que pensa e age. Estes não são maioria, então é sempre uma sorte se deparar com um. E o Armando é um deles. Sempre fez muito por cada missão maçônica que abraçou e, por isso, fiquei muito feliz quando, há uns 18 meses atrás, recebi a notícia de sua eleição ao Grão-Mestrado do GOB-AM.

Infelizmente, por questões de saúde, não pude atender ao convite do Irmão Armando, quando, já como Grão-Mestre, no primeiro semestre deste ano me convidou a palestrar no 1º ERAC – Encontro Regional de Aprendizes e Companheiros, realizado pelo GOB-AM, lá em Manaus. Mas, ao me fazer presente em Manaus desta última vez, fiquei orgulhoso e encantado ao ver e saber do trabalho que o Irmão Armando vem desempenhando à frente de sua Obediência.

Desde um melhor atendimento aos Irmãos e Lojas da jurisdição, as ações de caridade maçônicas ou paramaçônicas com o apoio institucional do GOB-AM, o foco na instrução complementar dos irmãos, o incentivo e parceria com as ordens paramaçônicas, até uma aproximação forte e fraterna à GLOMAM – Grande Loja Maçônica do Amazonas, o Irmão Armando tem dado uma nova cara ao GOB-AM e, principalmente, dado o exemplo da boa governança maçônica e prática da fraternidade sem distinção de ritos e obediências, o que tem sido motivo de júbilo entre os irmãos de Manaus e de todo o estado.

E, enquanto nos aproximamos tão rapidamente do término deste ano, o motivo maior destas poucas palavras é para desejar que, em 2017, toda a Maçonaria brasileira possa experimentar as benesses da liderança fraterna e responsável de Grão-Mestres como dos Irmãos Armando, Aldino, Amilcar, Berbigier, Cassiano, Gilberto, Jair, Lucas, Pithan, Tataco e tantos outros que, de uma forma ou de outra, tem nos surpreendido positivamente e renovado nossas esperanças para a Maçonaria no próximo ano.

Boas festas a todos os Irmãos!

Grande Loja Nacional Francesa e sua guinada nas relações internacionais

Grande Loja Nacional Francesa e sua guinada nas relações internacionais

A Grande Loja Nacional Francesa – GLNF, há anos considerada pelo mainstream maçônico internacional como a única regular em território francês, após viver, um período nebuloso, entre 2008 e 2012, que ocasionou na perda de quase 1/3 de seus membros e do reconhecimento da maioria das Grandes Lojas do mundo, por se envolver diretamente com política (saiba mais clicando aqui), após mudança de diretoria e de legislação e a recuperação de sua regularidade, no início deste mês de dezembro também mostrou estar em sintonia com a diplomacia maçônica internacional.

Em sua assembleia geral, ocorrida no último dia 03, a GLNF retirou o reconhecimento das Grandes Lojas da Geórgia e Tennessee, por conta de suas posturas homofóbicas (saiba mais clicando aqui); reconheceu a Grande Loja Prince Hall do Texas, que contou com a recomendação da Grande Loja do Texas; e reconheceu também 12 Grandes Lojas brasileiras.

Ao observarmos esses fatos (em especial o referente ao Texas), presenciados por representantes das principais Grandes Lojas do mundo que estavam presentes à assembleia da GLNF, percebemos o quanto as recentes ações de relacionamento maçônico promovidas pelas Grandes Lojas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, apesar de ainda minoritárias em solo brasileiro, são tendência mundial no meio maçônico e, principalmente, exemplos a serem seguidos.

Comenda José Castellani

Comenda José Castellani

No último dia 24 de outubro, no Templo Nobre do Grande Oriente do Distrito Federal – GODF, a Loja “José Castellani #3883” – GODF-GOB, realizou a concessão de sua Comenda José Castellani. Na modalidade “Mérito Literário” cinco irmãos foram condecorados, sendo um in memoriam: Rizzardo da Camino. O irmão Adão José Paiani, do GORGS-COMAB, se fez presente na solenidade representando a família da Camino e agradecendo em nome da mesma. Os outros 04 irmãos condecorados foram:

  • Eurípedes Barbosa Nunes – Grão-Mestre Geral Adjunto do GOB;
  • Marcos Antônio Pereira Noronha – membro da Loja Universitária “Ordem, Luz e Amor” (GODF-GOB);
  • José Robson Gouveia – membro da Loja “Pioneiros de Brasília” (GODF-GOB); e
  • Kennyo Ismail – membro da Loja “Flor de Lótus” (GLMDF-CMSB).

Ainda, a Comenda foi concedida, na modalidade de “Dedicação e Trabalho”, a três valorosos irmãos que têm colaborado para o engrandecimento daquela Loja e de seu trabalho em prol da Literatura Maçônica:

  • Liberalino Reis de Oliveira
  • Valdemar Pereira dos Santos
  • Edilson Barbosa Veloso

Tive a honra e o privilégio de receber a comenda das mãos do Eminente Irmão Lucas Francisco Galdeano, Grão-Mestre do GODF e um dos maiores promotores da cultura e educação maçônica no Brasil atualmente. Na oportunidade, foi-me concedido permissão de realizar um breve discurso, cujo trecho disponibilizo a seguir:

Respeitável irmão Mário Chaves, Venerável Mestre desta Augusta e Respeitável Loja; Eminente Irmão Lucas Galdeano, Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal; irmãos, cunhadas, senhoras e senhores aqui presentes; inicialmente agradeço pela honra concedida de fazer uso da palavra nesta solenidade de outorga da Comenda José Castellani do Mérito Literário Maçônico de 2016. Nós, escritores de livros maçônicos, temos muita sorte… Não há gênero literário melhor, pois nossos leitores, mesmo os mais críticos, são sempre muito fraternos!
Creio que o momento é oportuno para que eu faça uma confissão… algo que venho escondendo há muitos anos… eu era um “goteira”! Para quem não está familiarizado com o termo, “goteira” é aquele profano que tem curiosidade e lê livros de Maçonaria. Meu avô é maçom, tendo iniciado, em 1967, na Loja “Luz e Humanidade”, do GOB – Minas Gerais. Apesar de um homem simples, com pouca escolaridade, era, e ainda é, aos 90 anos, um leitor voraz. Então, quando eu tinha uns 14 anos de idade, fui a uma livraria comprar um livro de presente de aniversário para o meu avô. A obra escolhida fora a primeira edição do Breviário Maçônico, de Rizzardo da Camino. Eu sabia que meu avô gostava dos livros do Rizzardo, pois via alguns de seus títulos em sua prateleira, e sabia que ele ainda não tinha esse, que era um lançamento. Mas o mais importante: o breviário se encaixava no meu orçamento!
No entanto, pela ansiedade comum aos adolescentes, comprei o livro com uma semana de antecedência do aniversário de meu avô. E munido dessa ansiedade, não resisti em lê-lo. Obviamente que pouco entendi, mas toda aquela mística me fascinou. Hoje, compartilho com meu avô essa paixão pela literatura maçônica e alguns daqueles títulos do Rizzardo da Camino compõem meu acervo pessoal. Assim, não posso deixar de sorrir para a roleta do destino e da vida, ao observar que, passados exatos 20 anos de minha “leitura proibida”, o primeiro autor maçônico que li, Rizzardo da Camino, vem a ser o patrono desta turma e o maior dos homenageados nesta noite. E não podemos deixar de reconhecer que aquela obra, então recém-lançada, mesmo passado 20 anos, é leitura diária de milhares de maçons brasileiros.
José Castellani e Rizzardo da Camino são, sem sombra de dúvidas, os dois autores mais lidos e citados da Maçonaria Brasileira. Um do Grande Oriente, o outro da Grande Loja. Um positivista, o outro místico. Duas faces da mesma moeda: a literatura maçônica brasileira, a qual nos une em festa hoje à noite. Diariamente, em templos maçônicos como este, verdadeiros Templos da Razão, nós maçons nos reunimos em busca de evolução. E como pesquisador, professor e escritor, tenho compreendido e ensinado que esta evolução proporcionada pela Maçonaria se dá por meio da dialética. Tem-se uma tese, que é uma ideia inicial, a qual precisa ser constantemente inquirida e questionada, de forma a gerar uma síntese, que nada mais é do que a tese melhor compreendida, melhorada.
Imaginemos as dificuldades e as limitações que autores como José Castellani e Rizzardo da Camino enfrentaram para nos proporcionar essa gama de teses concernentes à Sublime Ordem Maçônica em suas dezenas de livros. Se hoje, essa nova geração de escritores maçons, na qual ouso me incluir, tem condições de apresentar uma literatura maçônica de qualidade, devemos dar graças ao Grande Arquiteto do Universo pela oportunidade de realizarmos as antíteses das teses herdadas desses grandes vultos. Por essa razão, é a eles que presto aqui meus maiores agradecimentos.
Boa noite a todos.

 

Palestra em Asunción – Paraguai

Palestra em Asunción – Paraguai

No último dia 15 de outubro tive o prazer de retornar a Asunción, capital do Paraguai, a convite do Grande Capítulo de Maçons do Real Arco e do Grande Conselho de Maçons Crípticos do Paraguai, para realizar uma palestra sobre o Rito de York.

Foi uma excelente oportunidade de rever bons amigos e irmãos, comer um bom churrasco e trocar experiências com os vizinhos paraguaios. A visita à construção da nova sede da legítima Grande Loja Simbólica do Paraguai deu-me uma pitada da grandiosidade que será a próxima assembleia da CMI, a ser realizada naquela cidade por tão ilustre Grande Loja anfitriã.

Agradeço toda a hospitalidade e apoio fraterno de Marcelo, Miguel, Odilon e todos os demais queridos hermanos de Asunción, em especial os da Loja “Luz y Progreso #06“, na qual tive o prazer de participar duma belíssima reunião, acompanhado de meu Venerável Mestre, duplo irmão e companheiro Germano Cesar de Oliveira Cardoso.

Aos jovens DeMolays do Paraguai, continuem acreditando e trabalhando em prol da Ordem DeMolay. Vocês são, sem dúvida, o futuro da Maçonaria e da República paraguaia.

O EMBUSTE DA FUNDAÇÃO DA GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA

O EMBUSTE DA FUNDAÇÃO DA GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA

Há anos que eu tenho dito isso em minhas palestras e me deparado com o espanto no olhar da maioria dos irmãos na plateia, seguido de um franzir de testa por boa parte desses.

Como bons papagaios de avental, repetimos sempre que possível que a Grande Loja de Londres e Westminster foi fundada em 24 de junho 1717, tendo Anthony Sayer como seu primeiro Grão-Mestre, e, portanto, a Maçonaria Especulativa existe desde 1717 e blá-blá-blá, tomando por ponto de partida, sempre, 1717, quase que como um número cabalístico.

Sempre questionei tal informação. Sempre questionei o fato de não haver um documento com registro público da época, ou mesmo uma notícia reproduzida em um dos jornais londrinos. Sim, Londres tem jornais circulando desde 1621. Como poderiam deixar de noticiar algo como isso? A chamada Carta de Bolonha, quase 500 anos mais antiga, foi registrada em cartório… por que uma ata de fundação de 24/06/1717 não seria?

Mas a resposta dos irmãos a esse questionamento quase sempre foi mais ou menos a seguinte: “Todo mundo sabe que foi em 1717. Por que diabos você está questionando isso?”. E isso acompanhado de um nariz torcido.

Além disso, as notícias dos preparativos para a comemoração dos 300 anos da agora Grande Loja Unida da Inglaterra, por si, vinham dando ainda mais como certa essa “crença popular maçônica”. Pelo menos até agora…

Uma recente Conferência sobre História da Maçonaria, realizada pela afamada Loja de Pesquisas “Quatuor Coronati”, com o apoio do Queen’s College da Universidade de Cambridge, acaba de escrever um novo capítulo quanto a esse embuste sobre a fundação da então Grande Loja de Londres.

O famoso pesquisador maçônico, Dr. Andrew Prescott, e a professora de história e pesquisadora, Dra. Susan Mitchell Sommers, apresentaram na conferência um documento recentemente descoberto em um antigo livro de atas da “Lodge of Antiquity” (uma das fundadoras da Grande Loja de Londres e da qual William Preston foi Venerável Mestre), revelado recentemente. Trata-se da ata de fundação da Grande Loja, em 1721, tendo como seu Grão-Mestre fundador John Montagu, o 2º Duque de Montagu.

Esse documento histórico não somente impacta na crença quanto ao ano de fundação, mas desmascara as mentiras publicadas por James Anderson em sua Constituição, que davam conta da fundação em 1717 e de Antony Sayer como primeiro Grão-Mestre, e em sequência George Payne e John Desaguliers. Esses três, Sayer, Payne e Desaguliers, pelo que parece e até onde se pode comprovar documentalmente, nunca foram Grão-Mestres.

Não sei se fico feliz ou não ao dizer: “Eu avisei…”. De qualquer forma, com uma prova documental dessas, fica a dúvida se a Grande Loja Unida da Inglaterra (que, na verdade, somente foi fundada em 1813), manterá a comemoração dos 300 anos para o ano que vem, mesmo que imprecisa, ou a adiará por mais alguns anos…

Lançamento do livro AHIMAN REZON

Lançamento do livro AHIMAN REZON

CAPA AHIMANO livro Ahiman Rezon – A Constituição dos Maçons Antigos – foi escrito por Laurence Dermott, então Grande Secretário da Grande Loja dos Antigos, há exatos 260 anos. Esta é a tradução comentada por mim da 3a. e mais polêmica edição, escrita no auge do conflito entre Antigos e Modernos, que apresenta as Antigas Obrigações e evidencia o abismo entre as práticas maçônicas mais antigas e as diversas modernizações inventadas pelos chamados “Modernos”.

Publicada em agosto de 2016 pela Editora Maçônica “A Trolha” em formato de capa dura e miolo em papel amarelado, com as gravuras e formato originais, essa edição pioneira no Brasil de um clássico da Maçonaria Universal tem por objetivo proporcionar ao leitor a experiência de ler uma obra de mais de 250 anos. Meus comentários foram apresentados como notas de rodapé, seguindo a mesma formatação das notas apresentadas por Dermott e pelo filósofo John Locke.

Ahiman Rezon é como um elo perdido que permite a identificação e compreensão das distintas características ritualísticas dos Antigos e dos Modernos, que sobrevivem escancaradamente nos ritos maçônicas em prática no Brasil.

Você pode adquirir o livro na loja virtual da editora ou nas lojas virtuais e livrarias conveniadas.