por Kennyo Ismail | mar 19, 2012 | Conceitos
Sendo a Maçonaria um sistema baseado em alegorias e símbolos, e referenciado no papel do trabalho, é comum a utilização no meio maçônico da imagem do maçom como um profissional. Tal método didático, embrionário da pedagogia desenvolvida e popularizada por Paulo Freire, ensina o homem com elementos próprios de seu meio. Talvez o exemplo mais conhecido do uso de tal didática seja o de Jesus, que usava o joio e o trigo, o pastor e seu rebanho, e tantos outros elementos comuns do cotidiano do povo judeu daquela época para transmitir seus ensinamentos.
Na Maçonaria Operativa isso era muito evidente: os maçons operativos utilizavam de suas ferramentas de trabalho e das atividades de ofício para transmitir ensinamentos morais e espirituais aos seus membros. E hoje, sendo a Maçonaria Especulativa formada por profissionais das mais diversas áreas de atuação, podemos aplicar o mesmo método didático para melhor entender a nossa Maçonaria.
Enxergando a Maçonaria como uma profissão específica, e os maçons como seus profissionais, o que seriam as Obediências? Seriam Conselhos Profissionais (ex.: CREA, CRM, CRA, CRC) ou Sindicatos? Para realizarmos tal avaliação, precisamos compreender a essência desses dois tipos de entidades.
Os Conselhos Profissionais são órgãos cujo objetivo é orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão. Trata-se de organização imposta ao profissional e que exerce autoridade sobre o mesmo. Já os Sindicatos são associações de profissionais de um mesmo ramo de atividade que se unem em defesa da categoria e de seus interesses comuns. Os Sindicatos nascem dos próprios membros, em prol deles e de seus trabalhos.
A Maçonaria, suas Lojas e Obediências, surgiu com a “essência sindical” de união, auxílio e voluntariedade. Porém, como Max Weber bem apregoou, a burocratização das instituições verticaliza e concentra o poder em detrimento de seus membros. E foi exatamente isso que aconteceu com a Maçonaria: com o tempo, as Lojas perderam autonomia para suas Obediências, as quais migraram de simples sindicatos “de maçons, pelos maçons e para os maçons” para verdadeiros conselhos de disciplina e fiscalização com forte autoridade sobre as Lojas e seus membros. Como último resquício da essência sindical nas Obediências, provavelmente um reflexo do aspecto fraternal de nossa Ordem, tem-se o “auxílio mútuo”, hoje restrito a fundos de beneficência e auxílios-funeral. Infelizmente, em muitas Obediências nem mesmo isso mais existe.
Para testar tal teoria, pode-se analisar o comportamento organizacional das três vertentes maçônicas regulares de âmbito nacional: GOB, CMSB e COMAB. Conselhos Profissionais têm por princípio a unidade (no sentido de ser único, de existir apenas um), enquanto que Sindicatos têm por princípio a união. Isso torna os Conselhos Profissionais corporativistas em contraposição à postura convergente dos Sindicatos. E como essas três vertentes se comportam? Apesar do desejo de boa parte dos irmãos e de alguns esforços regionais pela união, temos ciência de que as cúpulas nacionais dessas três vertentes nunca sentam na mesma mesa para dialogar ações conjuntas em busca de um benefício comum. Logo, conclui-se que o corporativismo maçônico fiscalizador se sobrepõe à coletividade maçônica original das Obediências.
Caberá aos futuros líderes e dirigentes da Maçonaria brasileira devolvê-la um pouco de sua essência sindical. Quando isso acontecer, a consequência natural será o surgimento de uma espécie do que poderemos chamar de “CUT Maçônica”, que defenderá os interesses de todos os maçons e suas Lojas, sem distinção. Daí quem sabe não voltaremos a eleger um líder sindical, mas dessa vez do “sindicalismo maçônico”, como Presidente da República? Afinal de contas, a história do país tem sido favorável a maçons e sindicalistas: 09 maçons e 01 líder sindical foram Presidentes do Brasil.
por Kennyo Ismail | fev 14, 2012 | Conceitos
Para muitos maçons mal informados, a Grande Loja Unida da Inglaterra exerce função de “xerife” do mundo maçônico, sendo a legítima guardiã da regularidade maçônica, devendo ditar as regras a serem seguidas pelas demais Obediências. Para esses, se a Maçonaria fosse uma religião, a GLUI seria uma espécie de Vaticano Maçônico. É importante esclarecer que a GLUI não tem essa autoridade e que isso é totalmente contrário a todos os princípios maçônicos de autonomia, soberania e igualdade entre Obediências.
A quase submissão das Grandes Lojas da Escócia, Irlanda, Índia e de algumas Grandes Lojas da Austrália e Canadá é até tolerável, considerando terem esses países pertencido ao Império Britânico e a GLUI ter sido a provedora de tais Grandes Lojas. Porém, a submissão presenciada por outras Obediências no restante do mundo, e até mesmo no Brasil, é inaceitável e demonstra que o “complexo de vira-lata” alcança até as fileiras maçônicas.
Para quem não está familiarizado com o termo, o complexo de vira-lata é uma expressão de autoria de Nelson Rodrigues para se referir à inferioridade e submissão que muitas vezes o brasileiro se impõe voluntariamente. E, infelizmente, essa postura foi historicamente institucionalizada na Maçonaria brasileira em relação à Inglaterra.
O desavisado que visitar a Maçonaria Regular nos chamados países desenvolvidos descobrirá que essa idolatria à GLUI não é compartilhada pelos mesmos. Muito pelo contrário: verdade é que a GLUI não faz parte da vanguarda maçônica, seguindo várias vezes a tendência impulsionada por outras Grandes Lojas, quase que pressionada pelas mesmas a sair da inércia.
Antes de elevar a GLUI ao posto de “rainha do mundo maçônico”, posto esse que os britânicos já estão familiarizados pelo modelo de Estado, reflita um pouco sobre isso: A Maçonaria está diretamente ligada ao princípio de Liberdade, considerado direito natural dos homens. E enquanto o mundo ocidental ainda experimentava o gosto amargo das monarquias absolutistas, a Maçonaria já sentia o doce sabor da democracia em suas Lojas e Grandes Lojas. Sendo precursora dos ideais libertários e democráticos, a Maçonaria participou ativamente e de forma determinante da Revolução Francesa e da libertação de praticamente todos os países do continente americano. Atualmente, até mesmo em países como Cuba, que vive uma Ditadura Castrista há mais de 50 anos, a Maçonaria mantém intacta a chama da democracia em seu interior, elegendo periodicamente seu Grão-Mestre. No entanto, eu pergunto: Qual é a única Grande Loja do mundo que traiu esse princípio de democracia, tirando do povo maçônico o direito sagrado de escolher entre os seus membros um Grão-Mestre? A Grande Loja Unida da Inglaterra.
O Príncipe Eduardo, Duque de Kent, é Grão-Mestre da GLUI desde 1967, ou seja, uma “ditadura maçônica” que dura 45 anos. Alguns podem questionar essa afirmação, dizendo que ele é constantemente “reeleito”. Porém, não devemos nos esquecer que Fidel Castro também era. Ambos, por motivos óbvios, sempre foram candidatos únicos.
Se a Maçonaria Regular Mundial acha por bem tolerar tal situação proveniente da GLUI, entendendo que é uma questão de cultura dos maçons ingleses que, assim como os cidadãos daquele país, ainda se sujeitam em dividir os homens (e os maçons) entre nobres e plebeus, e favorecer esse primeiro grupo em detrimento do segundo, isso é fraternalmente compreensível. Afinal de contas, a tolerância é um dos belos ensinamentos transmitidos pela Maçonaria. Mas que fique claro ao maçom que lê estas palavras: a Grande Loja Unida da Inglaterra não é um modelo a ser seguido, quanto mais uma autoridade a ser obedecida.
por Kennyo Ismail | jan 30, 2012 | Conceitos
Tenho recebido alguns questionamentos sobre minhas críticas acerca do conteúdo de boa parte da literatura maçônica brasileira, o que me leva a justificá-las de uma forma geral:
Ocorre que o grosso da Maçonaria brasileira foi construído aos moldes da Maçonaria francesa, que, além dos ritos, cedeu-nos sua literatura maçônica, principal fonte para a grande maioria dos autores brasileiros. Isso pode ser muito bem observado nos livros de Castellani, em que mais de ¾ da bibliografia é francesa.
No século XVIII e XIX, a França foi o palco principal do esoterismo no mundo. Ordens rosa-cruzes, templárias, herméticas e cabalísticas brotavam aos montes, e junto delas uma inundação de suas literaturas tomava a sociedade. E é claro que isso impactou diretamente e influenciou profundamente a Maçonaria Francesa. Além disso, o histórico desprezo velado entre franceses e ingleses, agravado pelo rompimento entre a Grande Loja Unida da Inglaterra e o Grande Oriente da França, fez com que a Maçonaria francesa, rejeitando a literatura maçônica histórica da época (de predominância anglo-saxã), começasse a criar sua própria literatura. O conteúdo literário de seitas, escolas e outras ordens, além de autores como Eliphas Levi, Agrippa, Stanislas de Guaita, Péladan e outros, que pouco ou nada tem com a Maçonaria, começaram a servir de base para literatura maçônica francesa, que não parava de crescer. O resultado dessa mistura foi a criação de infinitos mitos, os quais se propagaram no solo fértil e carente da Maçonaria brasileira.
E se isso não for o bastante para criticar a literatura maçônica francesa como fonte, vejamos a opinião de um autor… francês! O respeitável irmão Marius Lepage, em sua obra “A Ordem e as Obediências – História e Doutrina da Franco-Maçonaria”, registrou:
“Os franceses, e com eles os maçons, têm, em geral, bem poucas possibilidades de tomar conhecimento exato, mesmo superficial, da Maçonaria. (…) Na França, existem bem poucos livros sobre a história da Maçonaria aos quais se pode fazer referência sem grandes reservas. Na verdade, embora os tenhamos em grande número, não encontramos nem mesmo dez suscetíveis de nos interessar, e, nessa dezena, dois ou três apenas merecem ser estudados a fundo. (…) Os livros sobre a história da Maçonaria são abundantes, tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos. O fato é que o Reino Unido não sofreu invasão estrangeira e suas bibliotecas não foram pilhadas por um governo violentamente antimaçônico. Além disso, várias Lojas ou Associações, inteiramente consagradas a pesquisar a história da Ordem, publicam resumos extremamente interessantes de seus trabalhos.”
Marius focou no aspecto histórico pois essa é a abordagem de sua obra. Porém, essa baixa credibilidade da literatura maçônica francesa abrange todos os aspectos maçônicos, desde históricos até simbólicos, litúrgicos, filosóficos. Como o autor mesmo diz, apesar do grande número, são poucos os títulos maçônicos franceses que merecem ser estudados, enquanto que a literatura maçônica inglesa e norte-americana, ainda pouco explorada no Brasil, é bem mais confiável.
Muitas mentiras repetidas por tantas vezes em tantas obras durante tantos anos, sendo pulverizadas em cada Loja por um número interminável de trabalhos apresentados, acabaram se tornando verdades absolutas na Maçonaria brasileira. É impossível derrubar um desses mitos da noite para o dia, ou até mesmo todos eles em cem anos, mas talvez consigamos derrubar alguns deles ao longo dos anos, construindo assim uma Maçonaria mais pura, universal, verdadeira.
por Kennyo Ismail | jan 29, 2012 | Conceitos
Já dizia Einstein que o tempo é relativo. Isso não se aplica apenas à ciência, mas na vida também. E sendo o tempo relativo, não é indício de experiência, pois enquanto o tempo é relativo, a experiência é absoluta.
A dependência entre o tempo e a experiência é de que o tempo não garante experiência, enquanto que para se ganhar experiência precisa-se de tempo. Isso porque a experiência depende de atividades, trabalhos, esforços, e esses gastam tempo para serem realizados. A verdade é que você pode ver os anos se passarem e não ganhar experiência alguma, ou pode agir e ganhar experiência a cada dia.
Na Maçonaria isso não é diferente. Você pode ter 40 anos de Maçonaria e não ter experiência alguma. Basta você não visitar outras Lojas, não conhecer outros Ritos, não visitar Obediências amigas, não participar dos mais diversos eventos maçônicos, não ingressar nos Altos Graus, não ler e estudar. Você terá muito tempo de Maçonaria, mas não terá experiência alguma além daquela obtida em sua própria Loja. Em contrapartida, a realização de tais atividades é diretamente proporcional à experiência maçônica, o que significa que um maçom atuante e estudioso, com o passar dos anos, poderá acumular bagagem o bastante para ser uma boa referência em seu meio e colaborar para o desenvolvimento de seus irmãos.
Em outras palavras, tempo está relacionado a sobreviver, enquanto que experiência está relacionada a viver. Se você viver a Maçonaria, você ganhará experiência, e se você apenas sobreviver na Maçonaria, apenas acumulará tempo. É uma questão de escolha e de vontade. Tempo só é sinal de experiência quando bem aproveitado. Então faça a escolha certa e aproveite o tempo, e assim você viverá experiências maravilhosas na Maçonaria.
por Kennyo Ismail | jan 24, 2012 | Conceitos
Existe no meio maçônico uma crença, popularizada por alguns escritores maçons, de que “maçom não lê”. Seria isso verdade? Por que dessa imagem negativa, de baixo índice de leitores e baixo volume de leitura?
Ora, os maçons não são analfabetos, pois exige-se intelecto bastante para absorver e compreender os ensinamentos maçônicos. O que os editais de candidatos à Iniciação também evidenciam é que a média de maçons com nível superior é bem superior que a média da sociedade em geral.
Então, o que justificaria tal imagem interna?
Vejamos uma explicação racional: conforme o IBGE (2009), apenas 28% dos municípios brasileiros possuem livrarias. Uma boa parcela dessas livrarias é segmentada, ou seja, de livros religiosos, ou jurídicos, ou didáticos, etc. Isso significa que menos de ¼ das livrarias do país atendem vários segmentos, podendo os títulos maçônicos alcançar suas estantes. É claro que essas cidades com livrarias são as maiores, mais populosas, distantes das pequenas cidades do interior. Assim sendo, como única alternativa, sobra ao maçom do interior a compra pela Internet, correto?
Ainda nesse raciocínio, o IBGE (2010) indica que apenas 27% dos domicílios brasileiros possuem acesso à Internet. Tais domicílios também estão concentrados nas grandes cidades. Resultado: as pequenas cidades, carentes de livrarias, também são de Internet, enquanto que 2/3 das Lojas Maçônicas brasileiras estão situadas nas pequenas cidades!
Além disso, deve-se observar o mercado editorial brasileiro: conforme a Câmara Brasileira do Livro e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, o Brasil possui mais de 700 Editoras. Dessas, dá para contar nas mãos aquelas que publicam livros relacionados à Maçonaria e os disponibilizam nas livrarias, sejam reais ou virtuais. Entre elas, destacam-se (por terem mais de dois títulos maçônicos publicados): Madras, Landmark, Pensamento, Universo dos Livros. E essas quatro editoras precisam brigar com as centenas de outras para garantir que os títulos maçônicos cheguem às estantes das livrarias. Afinal de contas, são dezenas de milhares de títulos publicados todos os anos… Por que priorizar um livro maçônico em detrimento de tantos outros livros, se, de mais de 200 mil maçons brasileiros, talvez apenas 70 mil vivem em cidades com livrarias? É um nicho muito pequeno, se comparado às centenas de milhares que são públicos-alvo de romances, livros religiosos, autoajuda e best-sellers.
Enfim, não é que os maçons leem pouco… é que eles não têm o que ler! Os livros simplesmente não chegam a grande parte deles. Cabe então às editoras com títulos maçônicos procurarem soluções inovadoras para alcançarem seu público. Mais vendas levariam a tiragens maiores, o que proporcionaria uma redução dos custos que refletiria em livros mais baratos para os maçons, o que colaboraria para ainda mais vendas. E mais maçons lendo mais livros significa mais luz na Maçonaria.
por Kennyo Ismail | jan 15, 2012 | Conceitos
Nos séculos XVIII e XIX a Maçonaria esteve engajada nas grandes transformações políticas do mundo ocidental, lutando pela liberdade e democracia, principalmente no Continente Americano. Mas já no século XX, com o colonialismo erradicado no Novo Mundo, qual bandeira defender? Qual contribuição dar à humanidade? Talvez era a hora de investir na transformação da sociedade, com vistas ao terceiro milênio. Hora de investir na juventude.
O investimento na juventude, através da criação e desenvolvimento das Ordens Paramaçônicas Juvenis Internacionais, foi, sem dúvida alguma, a maior obra maçônica no século XX. Trata-se dos únicos projetos sociais de caráter internacional e permanente realizados pela Maçonaria Regular Universal: Ordem DeMolay, Ordem das Filhas de Jó, e Ordem do Arco-Íris para Meninas.
A iniciativa partiu da Maçonaria norte-americana que, através de Frank Sherman Land, deu o primeiro passo no investimento na juventude, com a fundação da Ordem DeMolay, no Missouri. No ano seguinte, surgiu em Nebraska a Ordem das Filhas de Jó, e 02 anos depois a Ordem do Arco-Íris para Meninas, em Oklahoma. Em poucos anos, essas 03 instituições fraternas juvenis espalharam-se pelo mundo, sendo abraçadas por Obediências e Corpos Maçônicos pela América, Caribe, Europa, Ásia e Oceania.
A Ordem DeMolay foi criada com o intuito de ser uma Escola de Liderança. Frank Land dizia que “um DeMolay nunca pode falhar como homem, como cidadão e como líder”. Voltada a jovens do sexo masculino e sem exigência de parentesco maçônico, a Ordem se tornou extremamente popular. Só nos EUA, mais de um milhão de jovens foram iniciados em poucas décadas, formando jovens que se tornaram posteriormente as maiores autoridades civis, militares e religiosas do país, incluindo um presidente da república. A Maçonaria norte-americana também encontrou na Ordem DeMolay o seu próprio futuro: atualmente, as maiores autoridades maçônicas, incluindo muitos Grão-Mestres são Sênior DeMolays. Os núcleos locais da Ordem DeMolay são chamados de “Capítulos”.
A Ordem das Filhas de Jó foi um projeto idealizado por uma senhora chamada Ethel Mick, o qual foi logo abraçado pela Ordem da Estrela do Oriente (voltado para mulheres adultas com parentesco maçônico) e pela Grande Loja de Nebraska. Fundada em 1920, a Ordem das Filhas de Jó é voltada para jovens mulheres entre 10 e 20 anos de idade, e exige parentesco maçônico. Seu objetivo é colaborar na formação moral e espiritual das participantes, através de ensinamentos baseados no Livro de Jó. Os núcleos locais das Filhas de Jó são chamados de “Bethéis”.
Já a Ordem do Arco-Íris para Meninas foi criada em 1922, em Oklahoma, por iniciativa de um maçom, Mark Sexson, em parceria com a Ordem da Estrela do Oriente. Baseada na Ordem DeMolay, a Ordem do Arco-Íris para Meninas tem o objetivo de formar lideranças femininas, e não é exigido parentesco maçônico. Os ensinamentos básicos também são baseados em Sete Virtudes, que diferem um pouco das Virtudes Cardeais de um DeMolay. Os núcleos locais das garotas do Arco-Íris são chamados de “Assembléias”.
Essas três Ordens Paramaçônicas Juvenis Internacionais foram criadas nos EUA, no início do século XX, e compartilham da mesma base ritualística, tendo como referencia o Monitor de Webb, que já havia servido de base para a Estrela do Oriente. Por esse motivo, alguns cargos e suas posições na sala são comuns entre as Ordens, assim como o tipo de circulação nas cerimônias.
Se você é um Maçom e sua Loja ainda não patrocina um Capítulo, Bethel ou Assembléia, pense com carinho na possibilidade de levar o assunto à apreciação dos Irmãos. Sua Loja estará assim participando do maior e mais importante projeto maçônico do mundo. Prédios podem ruir. Hospitais podem falir. Ritos podem sumir. Até mesmo a independência de um país ontem é maculada pela sua dependência financeira e econômica hoje. Mas o investimento em almas, corações e mentes jovens é algo intocável e imortal, que ultrapassa todas as fronteiras. É a garantia de um melhor amanhã.