MAÇONS QUE MUDARAM A MAÇONARIA: WILLIAM PRESTON

MAÇONS QUE MUDARAM A MAÇONARIA: WILLIAM PRESTON

William Preston (07/08/1742 a 01/04/1818) era um escocês nascido em Edimburgo. Em 1760 mudou-se para Londres e dois ou três anos depois iniciou na Maçonaria. Fascinado pela Ordem,  Preston começou a se aprofundar nos estudos maçônicos, visitando inúmeras Lojas, pesquisando antigos documentos, estatutos, manuscritos e livros, e trocando correspondências com os maiores estudiosos de maçonaria da época.
Em 1772, Preston publicou um livro com o entendimento de uma década inteira de estudos, sua verdadeira obra-prima, intitulado “Ilustrações de Maçonaria” (Ilustrações no sentido de “esclarecimentos”). Essa obra serviu de base para que Thomas Smith Webb desenvolvesse os graus simbólicos do Rito de York. Se Webb é considerado o “pai do Rito de York” então, com certeza, Preston é o avô.  
Em 1774, Preston se tornou Venerável Mestre da “Lodge of Antiquity #1” a mais antiga das quatro Lojas fundadoras da Primeira Grande Loja da Inglaterra.  Em 1777, Preston promoveu uma visita dos membros de sua Loja devidamente paramentados a uma Igreja, localizada próxima à Loja. Essa atitude não foi bem vista pela Grande Loja, que tratou de expulsá-lo. Por conta disso, a Loja número 01 da Grande Loja desligou-se da mesma, promovendo então a fundação de uma “pequena Grande Loja”. A repercussão negativa e a pressão de vários ilustres irmãos a favor de Preston fizeram com que, 10 anos depois, a Grande Loja voltasse atrás e promovesse o retorno de Preston, sem qualquer prejuízo dos títulos e honrarias que ele possuía anteriormente.
Alguns poucos dias antes de sua morte, Preston concedeu à Grande Loja uma verba para ser destinada ao desenvolvimento de leituras anuais sobre o sistema de graus simbólicos adotado pela “Lodge of Antiquity #1” e que ele havia organizado e publicado, essas leituras foram chamadas de “Leituras Prestonianas”. Seu desejo foi cumprido até 1862, quando o projeto foi paralisado. Quando revivido em 1924, foi-se retirada a obrigação do conteúdo ser relativo às obras de Preston, podendo ser qualquer tema maçônico escolhido pelo escritor indicado. As “Leituras Prestonianas” ou “Palestras Prestonianas”, como alguns preferem, permanecem populares no meio maçônico até os dias de hoje.  
SHAKESPEARE & MAÇONARIA

SHAKESPEARE & MAÇONARIA

Todos sabem que William Shakespeare é, sem sombra de dúvidas, o maior dramaturgo da história. Mas o que talvez poucos imaginem é que, entre tantos assuntos abordados por Shakespeare em suas inúmeras obras, um deles é a Maçonaria.
A Sublime Ordem pode ser encontrada de forma discreta em várias das obras de Shakespeare. Entre elas, podemos destacar as seguintes passagens:

Obra: “Coriolanus”
“Belo trabalho o vosso e o desses homens de avental, que importância dais tanto aos votos dos artífices…”
Obra: “Ricardo III”
“Podes, Ricardo, quando eu próprio o souber, porque juro que não sei ainda, mas, pelo que ouvi, ele crê em profecias e em sonhos, e do alfabeto escolhe a letra “G”.

Por conta dessas e outras tantas passagens relacionadas ao Antigo Ofício, alguns Irmãos querem crer que Shakespeare era um maçom. E há ainda alguns desejosos de que Shakespeare seja o pai da Maçonaria Especulativa. É importante ressaltar que não há qualquer prova ou mesmo o menor indício de que Shakespeare teria sido iniciado nos Augustos Mistérios da Maçonaria.
Porém, a presença da Maçonaria nas obras do Shakespeare não deixa de ser importante, pois acusa a relevância social que a Maçonaria, no auge de sua transformação Operativa-Especulativa, experimentava entre o final do Século XVI e o início do século XVII, na velha Inglaterra.

O prestígio da Maçonaria já era tal naquela época, unindo pedreiros, intelectuais, burgueses e nobres, todos como Irmãos, que talvez o próprio Shakespeare tenha se perguntado: 

“Ser ou não ser maçom? Eis a questão!” 
MAÇONARIA NO MUNDO: CHINA???

MAÇONARIA NO MUNDO: CHINA???

Bandeira da República da China (Taiwan)
Existe maçonaria na China? Mais ou menos… depende de qual China! Existe a Grande Loja da China, mas não é da gigante China Comunista, a “República Popular da China”, e sim da pequena e capitalista Taiwan, cujo nome oficial é “República da China”.

A história entre esses dois países é complexa. Por muito tempo foram um único país, depois a “pequena China” foi considerada exílio da República da China, representando a China na ONU por anos e sendo chamada de a “China livre”, em detrimento da “grande China”, que havia se tornado comunista. Mas em 1971 a “grande China” passou a ocupar o acento na ONU e Taiwan perdeu o reconhecimento. Atualmente, as opiniões em Taiwan se dividem entre declarar independência ou unificar com a China comunista.

Nesse cenário temos a Grande Loja da China, criada na China continental em 1949 e que, quando do governo comunista em 1951, se viu obrigada a se mudar para Hong-Kong e depois em 1955 para Taiwan.

Atualmente a Grande Loja da China conta com 10 Lojas, as quais trabalham no Rito de York (americano, monitor de Webb) e os Mestres de Taiwan têm a opção de seguir os estudos no REAA, que conta com uma Grande Inspetoria composta de Loja de Perfeição, Capítulo Rosa-Cruz, Conselho Kadosh e Consistório; ou no Rito de York, que conta com 02 Capítulos de Maçons do Real Arco, Conselho Críptico e Comanderia Templária. Há ainda um Santuário de Shriners no país.
A Grande Loja da China tem tratados de reconhecimento com a Grande Loja Unida da Inglaterra, as Grandes Lojas Americanas e brasileiras, e as demais principais obediências maçônicas do mundo.

A ÁGUIA BICÉFALA NA MAÇONARIA

A ÁGUIA BICÉFALA NA MAÇONARIA

A águia bicéfala, representativa do Rito Escocês Antigo e Aceito, talvez seja o símbolo maçônico mais conhecido depois do Esquadro e Compasso e do Delta Luminoso. Mas qual seria sua real origem na Maçonaria?
Alguns autores insistem em relacionar a águia bicéfala do REAA com a águia de Galash, com Bizâncio e Constantino, com o Império Romano, talvez querendo atribuir ao Rito uma antiguidade que não possui. Outros tantos autores afirmam que a águia bicéfala é herança de Frederico, o Grande. Algo ainda mais impossível, pois Frederico nada teve com o REAA e seu escudo de armas era de uma águia negra com apenas uma única cabeça.
Para que se compreenda a adoção de tal símbolo, é necessário voltar à origem do REAA, no Rito de Perfeição, então praticado na França:
Na década de 50 do século XVIII, a maçonaria conhecida como “escocesa” estava se desenvolvendo rapidamente na França, dominando a política interna da maçonaria naquele país. Foi então que, em 1756, surgiu o Conselho dos Cavaleiros do Oriente, dirigido por maçons da classe média, com o intuito de organizar os Graus Superiores. Já os maçons da classe alta e da nobreza, não desejando ficar para trás e deixar os opositores ganharem poder, criaram o Supremo Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente. Ora, um ”Supremo Conselho“ soa mais do que um simples ”Conselho”, “Imperadores” são mais do que simples ”Cavaleiros”, e ”Oriente e Ocidente“ é o dobro do que apenas ”Oriente”! Dessa forma, esse Supremo Conselho conseguiu prevalecer, se tornando a “incubadora” do Rito de Perfeição, com seus 25 graus, os quais posteriormente serviram de base para o Rito Escocês Antigo e Aceito.
Como emblema, o Supremo Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente buscou inspiração no Império Romano que, em seu auge, governou o Oriente e o Ocidente e adotou um sistema de dois governantes simultâneos. Nessa fase do Império, adotou-se a águia bicéfala para simbolizá-lo. O Supremo Conselho encontrou na águia bicéfala o símbolo do “Oriente e Ocidente” e acrescentou uma coroa sobre as cabeças das águias para simbolizar a realeza, afinal de contas, tratava-se de um Conselho de “Imperadores”.
Quando do surgimento do Supremo Conselho do Rito Escocês em Charleston, EUA, com seu sistema de 33 Graus, aproveitou-se o emblema do Rito de Perfeição, da águia bicéfala com a coroa, acrescentando acima dessa um triângulo inscrito com o número “33”. Além disso, optaram pela típica “águia americana”, com as penas da cabeça e da cauda brancas e o restante da plumagem marrom.
Já Lagash, alquimia, passado e futuro, bem e mal, Prússia, liberdade, Bizâncio e Constantino, espírito e matéria, fênix negra, tudo isso já é por conta da viagem de cada autor, não havendo relação alguma com o motivo da águia bicéfala ter sido adotada como símbolo do Rito Escocês Antigo e Aceito.
O QUE É “QUATUOR CORONATI”?

O QUE É “QUATUOR CORONATI”?

Todo bom maçom já ouviu falar da Loja “Quatuor Coronati” de Pesquisas, a primeira e mais famosa Loja Maçônica de Pesquisas do mundo. O que poucos maçons sabem é a origem do seu nome, baseada numa lenda, uma lenda maçônica.
No século XVIII foi encontrado na Inglaterra um antigo manuscrito, provavelmente do século XII, chamado de Lenda de Arundel. Há nele um relato da história dos Quatuor Coronati, história essa também citada no conhecido “Poema Regius”, outro famoso manuscrito maçônico, datado do século XIV.
Caio Aurélio Valério Diocleciano foi um Imperador Romano entre os séculos III e IV que empreendeu a maior perseguição cristã da história romana. A lenda relata que Diocleciano encomendou aos quatro melhores artífices sob seu domínio uma estátua de Esculápio, deus da saúde, da cura, da medicina. Porém, os quatro artífices professavam secretamente a fé cristã e se recusaram a realizar o trabalho. Como punição, os quatro foram açoitados, pregaram coroas de pregos em suas cabeças, e eles foram trancados em caixões de chumbo e jogados no rio Tibre.
A história diz ainda que, alguns anos depois, os cristãos, recordando do martírio daqueles artífices, passaram a se referirem a eles como os “Quatro Coroados”, que em latim é “Quatuor Coronati”.
Quando de sua fundação, em 1884, a Loja “Quatuor Coronati” se propôs a realizar estudos e pesquisas maçônicas com base em “evidências”, e não mais em “achismos” como ocorria de forma majoritária na literatura maçônica até aquele momento. Proposta seguida à risca até os dias de hoje. Por esse motivo, ela ficou conhecida como a “autêntica escola” de pesquisas maçônicas.
Através da Loja “Quatuor Coronati” a Maçonaria Inglesa conseguiu iniciar no século XIX o que a Maçonaria Brasileira ainda não fez em pleno século XXI: combater seus mitos.