por Kennyo Ismail | ago 24, 2011 | Simbologia
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| Espada Flamejante e Malhete. Arte: João Guilherme |
A verdade é que a espada não tinha presença tão forte e tão variados papeis no Antigo Ofício. Nos rituais mais antigos só há uma única espada na Loja: a do “Tyler”, do Cobridor. Espada Flamejante??? Nem pensar! E essa “escassez de espada” ainda pode ser vista nas Lojas americanas e inglesas, mesmo quando no grau de Mestre Maçom.
Antes de alguém cogitar a ideia de achar estranho um Mestre Maçom sem espada ou uma Loja sem Espada Flamejante, raciocinemos: o que é “maçom”? Nossa Maçonaria Especulativa originou-se do que?
Maçom é pedreiro. A Maçonaria Especulativa originou-se da Maçonaria Operativa, ou seja, das associações de artífices, sindicatos de pedreiros. Por um acaso os pedreiros usavam espada? Espada é uma ferramenta de trabalho de um pedreiro?
Se você pensar bem, uma espada entre esquadro, compasso, régua, maço, cinzel, nível, prumo, alavanca, é um objeto um tanto quanto estranho e dissonante. Isso porque quem usa espada não é pedreiro. É cavaleiro. E já está mais do que claro que Maçonaria Simbólica nada tem com Templários, mesmo Ramsay tendo desejado o contrário.
Então de onde surgiu essas espadas presentes no grau de Mestre em tantos ritos? Observa-se que a espada como acessório oficial do Mestre Maçom está presente nos Ritos de origem francesa: REAA, Moderno, Adonhiramita. Isso porque, quando a maçonaria surgiu na França, foi pelas mãos dos escoceses exilados na França, os stuartistas. As primeiras Lojas eram compostas de nobres escoceses, nobres franceses e militares franceses. Todos esses usavam espadas e parece que elas acabaram adentrando aos templos com certa facilidade. É fácil entender o raciocínio desses pioneiros na França: eles eram nobres e militares. Combinaria mais com eles serem sucessores de cavaleiros medievais do que de pedreiros! Ramsay teria sido apenas o porta-voz da vontade desses senhores.
E a espada flamejante? Ela tem tudo a ver com isso. Quem se ajoelha para ser recebido e consagrado com uma espada sobre a cabeça definitivamente não é o pedreiro, e sim o cavaleiro. E numa Loja em que todos têm uma espada, a espada da sagração, visto ter exatamente o objetivo de “sagrar”, precisa ser diferente, precisa ser sagrada, imaculada. Daí então, as Sagradas Escrituras serviram de inspiração para a adoção duma Espada Flamejante, cujo porte pelos querubins imprime uma imagem sacra e o fogo simboliza purificação. Por isso, esqueça aquela baboseira escrita por um dos grandes “sábios” da maçonaria brasileira, de que a espada flamejante é um “raio jupteriano” que fulmina o candidato se encostar em sua cabeça. Pelo menos, aconteceu comigo na minha iniciação e eu não morri!
Foi assim que as espadas tiveram ingresso na Maçonaria Simbólica, fugindo da simbologia do Antigo Ofício, mas caindo nas graças da burguesia que, até aquela época, não portava espadas e não se sentava na mesma mesa que os nobres. Característica da cavalaria inclusa nas antigas tradições maçônicas, vista por uns como aberração e justificada por outros como evolução.
por Kennyo Ismail | ago 22, 2011 | Conceitos
Existe uma turma mais conservadora na Maçonaria que acredita ser a Internet a decadência da Maçonaria. Para esses, a Internet vem promovendo uma “banalização” da tradição e ensinamentos maçônicos ao tornar acessível todo tipo de material literário maçônico que se possa imaginar.
O engraçado é que, enquanto a Internet é algo relativamente jovem, tendo mal alcançado sua maioridade, faz pelo menos três séculos que a Maçonaria tem enfrentado ataques, através principalmente de livros e bulas papais. A Internet é apenas um meio de comunicação. Não é a Internet que causa algum mal à Maçonaria, senão a ignorância, a intolerância e o fanatismo dos homens.
Faça um exercício simples: vá até um parente ou amigo que não seja maçom e pergunte se ele já visitou algum site ou blog de maçonaria. Provavelmente você escutará um não, por não ser um assunto de interesse dele. Na Internet, assim como em qualquer outro meio, a literatura não cai no seu colo, você tem que procurar. E só procura por um tema aquele que se interessa por ele. Aqueles que leem sobre Maçonaria na Internet são, quase que em totalidade, maçons. Os curiosos são pouquíssimos, e para esses há também uma infinidade de livros nas livrarias e bibliotecas de todo o país. A culpa definitivamente não é da Internet.
Faça um outro exercício: pesquise os sites antimaçônicos na Internet. Esses sites argumentam de forma intolerante contra a maçonaria e realizam interpretações literais distorcidas e equivocadas de frases isoladas de obras maçônicas. Verifique se as fontes maçônicas usadas por esses movimentos fanáticos são sites da Internet ou se são livros. Você irá descobrir que utilizam uma densa bibliografia maçônica de autores consagrados como Pike, Mackey e Oliver. Mas nenhum site ou blog maçônico.
Mesmo assim, o preconceito dos mais conservadores para com a Maçonaria na Internet e os Irmãos que a promovem ainda é forte. E por conta disso, pode-se ver um grande contraste de conceitos dentro da instituição: Por um lado, você tem os maçons escritores de livros, cujos livros estão disponibilizados nas livrarias de qualquer Shopping do país, acessíveis a qualquer um disposto a pagar. Esses são considerados pelos conservadores como os intelectuais de maçonaria, imortalizados pelas páginas impressas. Por outro, você tem os maçons blogueiros, cujos blogs proporcionam literatura maçônica diária, gratuita e de qualidade aos irmãos. Esses últimos são considerados pelos conservadores muitas vezes como os traidores da Ordem.
Mas a verdade é que tanto o autor de livros como o blogueiro fazem a mesma coisa: escrevem. Ambos são escritores, apenas publicando em formatos diferentes. Não se deve julgá-los pelo meio de publicação e sim pelo conteúdo que produzem.
Há ainda outros pontos a serem considerados:
No caso dos livros maçônicos publicados, seus preços são relativamente altos, visto a leitura ser específica, não havendo economia de escala; há a necessidade do Irmão se deslocar até uma grande livraria ou comprar pela internet, o que gera um custo de frete e demanda tempo; são poucas as editoras que publicam o gênero, o que faz com que as obras demorem muito a serem publicadas. Em contrapartida, as editoras servem como “filtro”, em que grandes aberrações não costumam ser publicadas, além dos livros serem mais densos, proporcionando conteúdo mais completo sobre o tema abordado.
Já no caso dos blogs maçônicos, o prazo entre a produção e a publicação é praticamente inexistente, assim como o prazo para acesso ao conteúdo; os escritores não são reféns da boa vontade de editoras; o conteúdo é gratuito e a publicação e distribuição não ficam restritas geograficamente. Em contrapartida, não existe um “filtro de qualidade”, o qual deve ser feito pelo próprio leitor, e o conteúdo é, necessariamente, resumido.
Enfim, cada meio possui os seus prós e contras. O sociólogo canadense McLuhan estava certo em sua afirmação de que “o meio é a mensagem”, pois o meio impacta diretamente no formato e modo de transmissão da mensagem, e consequentemente sua absorção. Mas até McLuhan manteve o conteúdo isento de tal conceito.
O que o maçom de hoje precisa ter em mente é que esse é o mundo em que vivemos. Blogueiros são convidados para cobrirem grandes eventos, entrevistam presidentes da república e dão entrevistas para rádios, revistas e programas de TV. Um curioso não descobrirá mais ou menos sobre maçonaria com um blog do que visitando uma livraria ou biblioteca pública. Seja livro, blog, revista, site ou jornal, todos são escritores, e quase nunca se restringem a um único meio.
Por isso, valorize o escritor maçônico. Valorize aqueles Irmãos que se preocupam em compartilhar conhecimento com os demais. O meio pouco importa, desde que o conteúdo chegue aos Irmãos, faça-os refletir e colabore em seus desenvolvimentos.
por Kennyo Ismail | ago 18, 2011 | Poesias
E agora, meu Irmão?
O mestre morreu,
A palavra se perdeu,
A obra parou.
E agora, meu Irmão?
Os assassinos sumiram,
A busca não vinga
O salário atrasou.
E agora, meu Irmão?
Acharam os traíras,
Encontraram a acácia
Que o corpo ocultou.
E agora, meu Irmão?
A carne se desprende,
Os ossos se rompem
A vida dele acabou.
E agora, meu Irmão?
Nós que tanto lapidamos,
Que tanto forjamos,
Que tanto polimos,
Que tanto esculpimos,
E agora, meu Irmão?
Estamos sem mestre,
Estamos sem Palavra,
Estamos sem obra acabada,
Estamos sem paz no coração,
E agora, meu Irmão?
Se não há trabalho sem guia,
Se não há salário sem trabalho,
Se não há descanso sem salário
Se não há canção sem descanso?
Vamos continuar trabalhando.
E o templo será acabado,
A palavra será encontrada,
Novos mestres serão eleitos
E a memória do mestre preservada.
Mas e depois, meu Irmão?
Não podemos parar, nunca.
Para que sempre exista
trabalho, descanso,
salário e evolução.
Concluiremos o Templo de Salomão.
Kennyo Ismail
por Kennyo Ismail | ago 16, 2011 | Conceitos
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| “Corinthian Lodge #67” – Farmington, Minnesota |
É do ser humano comemorar datas importantes entre seus pares com banquetes. Com o maçom não poderia ser diferente. O costume da Loja de Mesa, muito chamado no Brasil de “banquete ritualístico”, é observado desde, pelo menos, o século XVII. Era realizado principalmente em observância aos dias dos Santos de nome João, ou seja, nos Solstícios.
Já no século XVIII, com o surgimento das primeiras Grandes Lojas, as Lojas de Mesa começaram a seguir regras rígidas, principalmente no tocante ao álcool. É claro que, para o cidadão do século XVIII e meados de XIX, isso foi um grande desestímulo.
Apesar dessa época de “lei seca”, quase reinante na Maçonaria do Século XVIII e que ainda persiste em muitos países, esse importante costume foi mantido e observado por diferentes Corpos Maçônicos. Um destaque é a Cerimônia de Endoenças do Capítulo Rosa-Cruz do Rito Escocês.
Uma Loja de Mesa, ou seja, um Banquete Ritualístico, possui ritualística própria, destacada por algumas características comuns: restrito a maçons; servido por Aprendizes; mesa em “U”; substituição dos nomes dos objetos e ações por outros; pelo menos 07 brindes, entre eles ao Presidente da República, ao Grão-Mestre ou dirigente da Potência, ao Venerável Mestre ou Presidente do Corpo que a realiza, a todos os maçons do mundo.
O maior problema das Lojas brasileiras que desejam realizar um Banquete Ritualístico é a ausência de rituais e manuais oficiais fornecidos pelas Obediências, o que faz com que os banquetes difiram muito entre as Lojas. A Loja de Mesa é um excelente modo para uma Loja comemorar alguma data especial de maneira diferente. Seja com álcool ou não, defenda essa ideia.
por Kennyo Ismail | ago 12, 2011 | York x Emulação
Este talvez seja o maior mito da Maçonaria Brasileira, considerando ter sido equivocadamente oficializado a quase um século atrás, quando o Grande Oriente do Brasil, ao firmar tratado com a Grande Loja Unida da Inglaterra, traduziu “Grand Council of Craft Masonic in Brazil” como “Grande Capítulo do Rito de York do Brasil”. A partir daí, essa desinformação vem gerando confusão entre os maçons brasileiros.
York é Rito, Emulação é Ritual. York é Americano, Emulação é Inglês. York é do século XVIII, Emulação é do século XIX. Eles não são iguais, nem mesmo “muito parecidos”.
Entretanto, até hoje muitas Obediências brasileiras adotam o Ritual de Emulação e o chamam de “Rito de York”, mesmo havendo no país Obediências que também adotam o Rito de York (americano).
Mas, apesar de ser uma questão clara de uso indevido de nome, temos visto vários Irmãos defendendo o uso do termo “Rito de York” para se referir ao Ritual de Emulação. Um dos argumentos mais utilizados é o de que uma Obediência tem direito de nomear um ritual como quiser.
Vejamos o que diz atualmente o GOB a respeito:

Na Maçonaria, escola onde se ensina a pesquisa da verdade, não há porque se apegar a um erro e continuar promovendo uma reconhecida impropriedade. A palavra “Emulação” é muito bonita e tem um belo significado. Deveria ser mais bem aproveitada, como muitos irmãos instruídos já o fazem.