LEO TAXIL & A ANTIMAÇONARIA

LEO TAXIL & A ANTIMAÇONARIA

Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand Pagès nasceu em Marselha, França, em 1854. Aos 25 anos de idade, ele resolveu adotar o pseudônimo de Leo Taxil e aproveitar o sentimento anti-católico que predominava na Europa na época para ganhar uma grana. Começou então a produzir panfletos e histórias pornográficas contra a Igreja Católica. Foi um sucesso. Com 27 anos, Leo Taxil ingressou em uma Loja Maçônica, mas logo foi expulso, ainda como Aprendiz. A expulsão deveu-se pelo mesmo ter sido condenado em processos de plágio.

Aparentemente irritado por ter sido expulso, e necessitando produzir conteúdos diferentes que evitassem os processos judiciais, Taxil não teve dúvidas em eleger uma nova vítima para seus ataques: a Maçonaria. Em 1885 ele “converteu-se” ao catolicismo começou a publicar seu conteúdo anti-maçônico: Os Irmãos Três-Pontos, O Anti-Cristo e a Origem da Maçonaria, O Culto do Grande Arquiteto, os Assassinos Maçônicos.

Não demorou para que Taxil se tornasse o queridinho da Igreja Católica, chegando ao ponto de ser convidado para uma audiência privada com o Papa Leão XII. Um bispo da Igreja nos EUA reportou-se ao Papa, denunciando as obras de Taxil como falsas. Porém, o Papa preferiu acreditar em Taxil do que em um de seus bispos. Por ironia do destino, sua velha inimiga e perseguidora passava a idolatrá-lo. O próprio Papa declarou-se seu fã e pediu por mais livros contra a Maçonaria. Uma situação no mínimo hilária, para não se dizer absurda.

Leo Taxil aproveitou que Albert Pike havia falecido em 1891, e por isso não poderia se defender, para nomeá-lo como uma espécie de “Papa Luciferiano”, Sumo Pontífice da Maçonaria Universal, a qual ele considerava 100% satânica. Taxil chegou a ponto de escrever que Pike reunia-se com Lúcifer toda sexta-feira, às 3h da tarde.

Após fazer muito dinheiro com suas obras antimaçônicas, contando com o apoio e, muitas vezes, até o patrocínio da Igreja Católica, Leo Taxil resolveu dar o seu “tapa de luva”. Em 19 de Abril de 1897, ele alugou um auditório em Paris e convidou os maiores intelectuais franceses da época para assistirem a coletiva de imprensa que ele iria realizar. Na presença de notáveis pensadores, de líderes católicos e da imprensa, Taxil soltou a bomba: tudo que ele havia escrito sobre a Maçonaria não passava de mentiras. Sua real intenção era mostrar como a Igreja Católica, que havia elegido ele como arqui-inimigo, era patética a ponto de passar a idolatrá-lo, e como o Santo Padre, o Papa em pessoa, de infalível não tinha nada. Além disso, ele queria ganhar um bom dinheiro à custa da Igreja e de seus fanáticos. Durante a coletiva, as gargalhadas dos intelectuais disputavam com os gritos de raivas dos líderes católicos. Sua confissão, de mais de 30 páginas, foi publicada nos principais jornais europeus da época.

Apesar de mais de 100 anos depois da confissão pública de suas mentiras, suas obras antimaçônicas continuam sendo citadas como referência em novas obras fanáticas e ignorantes que atacam a Maçonaria, até mesmo por integrantes da Igreja Católica, a qual foi publicamente ridicularizada por Taxil, o responsável por uma das maiores vergonhas que um Papa já passou.

Rito x Cultura Organizacional

A Maçonaria Brasileira proporciona aos seus membros um cenário peculiar de conteúdo maçônico por conta de sua variedade de ritos. Os maçons no Brasil têm a possibilidade de acesso a ritos e rituais de origem francesa, inglesa, norte-americana, alemã, etc.

Cada rito traz consigo uma gama de características próprias, tanto no que tange a ritualística e liturgia, quanto a simbologia e ensinamentos morais. Entretanto, é importante observar que os ritos são praticados por indivíduos, que são os maçons, e que se reúnem em organizações, que são as Lojas e Obediências. Essas, por sua vez, estão inseridas em um macroambiente complexo, que é a sociedade. Com isso, as Lojas e Obediências sofrem influências internas e externas, ou seja, das particularidades de seus integrantes e da cultura e costumes da sociedade em que está inserida. O resultado disso são os valores, crenças, tendências regras e clima organizacional que forma a identidade própria dessas organizações. Em outras palavras: cultura organizacional.

Assim sendo, tem-se de um lado o Rito Schroeder e de outro a cultura organizacional da Maçonaria Alemã; há o Rito de York e há a cultura organizacional da Maçonaria Norte-americana; existe o Ritual de Emulação e existe a cultura organizacional da Maçonaria Inglesa; e assim por diante. Enfim, rito e cultura organizacional são coisas distintas, assim como as características de cada um.

Porém, não é difícil presenciar maçons, autoridades maçônicas e ritualistas de plantão confundindo tais conceitos, creditando características de cultura organizacional da Maçonaria de determinado país ao Rito nele originado. E qual é o impacto disso na Maçonaria? Ora, rito é universal, fixo, imutável, enquanto que cultura é regional, variável, em constante mutação. Ao considerar uma característica cultural como característica do rito, você está impondo-a e tornando-a indiscutível, um tabu.

Essas confusões alcançam diferentes fatores maçônicos. Segue dois exemplos claros dessa confusão:

“O Rito Tal adota gravata de tal cor”… “o Ritual tal utiliza calças diferentes…”. Os ritos tratam de acessórios ritualísticos, como cobertura (chapéu, cartola, fez, capuz, véu), aventais, faixas, luvas, colares. Mas regras de vestimenta, como o uso ou não de terno, cor e tipo de gravata, o uso ou não de balandrau, não têm origem nos ritos e sim nas organizações.

“No Rito X, a quantidade de votos contrários para a reprovação no escrutínio é diferente do Rito Y” … “No Rito 123 existe linha sucessória…”. Regras de seleção de candidatos e de processo eleitoral não são dos ritos, mas sim das organizações.

Não se está aqui insinuando de alguma forma que adotar características próprias da cultura organizacional das Obediências de origem dos ritos seja algo indevido. Muito pelo contrário, muitas vezes é uma questão de identidade cultural, cuja exploração pode colaborar para a consolidação do rito em solo brasileiro. Mas que fique claro que se trata de convenções organizacionais, e não obrigações que o rito nos impõe. Afinal de contas, creditar a um rito conteúdo e características que não são próprias do mesmo não deixa de ser uma forma de adulterá-lo.

MAÇONS ILUSTRES: HARRY TRUMAN

MAÇONS ILUSTRES: HARRY TRUMAN

Nascido em 1884, em Kansas City, Missouri, foi iniciado na Maçonaria em 9 de fevereiro de 1909, na Loja Belton #450, cidade de Belton, também no Missouri. Em 1911, Truman serviu como primeiro Venerável Mestre da recém-fundada Loja Grandview #618. Em 1940, o irmão Truman foi eleito Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Missouri, e serviu até 01 de outubro de 1941. Maçom participativo junto à Ordem DeMolay, Rito de York, Rito Escocês e Shriners, Truman ainda se tornou um 33 ° grau do Supremo Conselho do REAA Jurisdição Sul dos EUA e Grande Mestre Honorário do Supremo Conselho Internacional da Ordem DeMolay. Em 1945 assumiu como Presidente dos Estados Unidos, cargo que ocupou até 1953.

Quando em evento político no Estado de Indiana, um paramédico da marinha que havia servido com Truman disse a ele que naquela noite iria ser elevado (termo correto nos EUA) ao grau de Mestre Maçom, na Loja Beech Grove #694, nas redondezas de Indianápolis. Após o término do evento, Truman abriu mão de falar com a imprensa e pegou um carro para ir à Loja. Homens do Serviço Secreto foram com ele, como é exigido.

Ao chegar na Loja, o Serviço Secreto tentou insistir em participar da reunião, para garantir a segurança de Truman. O Presidente Truman explicou a eles que em poucos lugares ele poderia estar tão seguro quanto em uma Loja, rodeado de Irmãos. Os agentes do Serviço Secreto tiveram que aceitar, mas não sem antes revistarem todos os maçons presentes e vasculharem a Sala da Loja (Templo) antes do início da reunião.

Ao dar início à reunião, Truman solicitou ao Venerável Mestre que fosse recebido como Past Grão-Mestre da Grande Loja do Missouri, e não como Presidente dos Estados Unidos.

Frase creditada ao Presidente Harry Truman:

“Nós representamos uma fraternidade que acredita na justiça e na verdade e na ação honrosa na sua comunidade … homens que se esforçam para serem cidadãos melhores … para fazerem um grande país ainda maior. Esta é a única instituição no mundo onde podemos encontrar no nível todos os tipos de pessoas que querem viver corretamente.”

MAÇONARIA NO MUNDO: TURQUIA

MAÇONARIA NO MUNDO: TURQUIA

Durante o século XIX e primeira década do século XX, a Maçonaria na Turquia se resumia em Lojas funcionando sob a autoridade das Grandes Lojas da Inglaterra, Irlanda e Escócia e do Grande Oriente de França. Houveram também esforços isolados de Lojas italianas e gregas naquele país, mas com pouca expressividade.

A Maçonaria era o elo que ligava os 05 fundadores do famoso partido político “União e Progresso” na Turquia. Apesar de não ser necessária filiação maçônica para se tornar um membro do Partido, todos os seus dirigentes era maçons, assim como os oficiais do exército que esse partido formou na Trácia para derrubar a monarquia turca. Interessante observar que, na história turca, o período de 1908 a 1918 é comumente chamado de “Estado Maçônico”, pelas relações exteriores da Turquia ter sido predominantemente realizada por intermédio das Obediências Maçônicas.

O Supremo Conselho do REAA da Turquia, até então adormecido, foi reativado em Março de 1909, emitindo Cartas Constitutivas para a criação de 04 Lojas turcas. Lojas ligadas às Obediências da Itália, França, Espanha e Egito se uniram a essas 04 Lojas turcas e fundaram, em Julho de 1909, a Grande Loja da Turquia, a qual foi consagrada pelo Supremo Conselho. Esse fato merece um adendo:

Alguns poucos maçons no Brasil ainda teimam em querer condenar a “regularidade de origem” das Grandes Lojas Estaduais brasileiras pelo fato das primeiras Cartas Constitutivas terem sido concedidas pelo Supremo Conselho do Grau 33o, que não é um Corpo da Maçonaria Simbólica, em 1927. Mas outras Grandes Lojas espalhadas pelo mundo também tiveram suas origens em um Supremo Conselho, como foi o caso da Grande Loja da Turquia.

Voltando ao assunto, nesses mais de 100 anos de existência, a Grande Loja da Turquia teve e tem em seus quadros os mais importantes políticos e líderes de diferentes setores daquele país, tendo participado ativamente da democratização e colaborado imensamente nas relações internacionais da Turquia. Atualmente, a Grande Loja da Turquia conta com mais de 200 Lojas e de 30 mil membros, possui uma Loja de Pesquisas com um periódico trimestral e publica uma revista de notícias bimestral.

Uma peculiaridade da Grande Loja da Turquia é a adoção do Ritual Turco, exclusivo da Grande Loja da Turquia e obrigatório em todas as suas jurisdicionadas, inclusive aquelas que trabalham em outras línguas. É um ritual baseado no Ritual Standard da Escócia, e nos Ritos Moderno e Schroeder. O Ritual Turco exige a presença em Loja do Alcorão, e do Antigo e Velho Testamentos. O traje solicitado é terno escuro e gravata preta, e há um interstício de no mínimo 01 ano entre um grau e outro, além da exigência de apresentação de trabalho para a concessão do grau. Enfim, algumas similaridades com as práticas maçônicas brasileiras.

UMA STRIPPER NA MAÇONARIA???

Um vídeo tem se multiplicado na internet com imagens onde se vê uma mulher dançando em Loja Maçônica. Uma das versões que foi publicada com título em inglês é “Freemason “Ritual” Leaked Footage“, e há uma com o título em português: “Ritual Maçom c/ Sacerdotizas Stripers”.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=6Yby4eTBEH0[/youtube]

As imagens têm colaborado para alimentar o fervor de fanáticos que postam comentários nos vídeos, acusando a Maçonaria de rituais satânicos de cunho sexual, e chamando a dançarina de “escrava sexual sacrificial” dos maçons, ou mesmo de “sacerdotisa” de rituais sexuais.

Porém, qualquer ser humano que utilizar um pouco de sua racionalidade ao assistir o vídeo, verá o quão absurda são essas interpretações.:

Os senhores que aparecem no vídeo não estão de avental, acessório cujo uso é obrigatório nos trabalhos em Loja Maçônica. Logo, não se trata de uma reunião ritualística, de uma cerimônia propriamente maçônica. Talvez uma reunião administrativa, pública, um seminário ou algo do gênero.

Veja também que os homens presentes não estão demonstrando qualquer prazer ou entusiasmo durante a apresentação, assistindo-a de forma respeitosa. Isso porque não se trata de uma stripper, como o título de alguns vídeos sugere, pois a mulher em momento algum tira a roupa. Trata-se de chair-dance, que, assim como pole-dance, é considerado e reconhecido como um exercício físico, um tipo de ginástica, não sexual e sim sensual. Para se ter uma ideia, há inclusive uma tentativa de transformar o pole-dance em modalidade olímpica.

Além disso, observe que nos primeiros segundos do vídeo aparece a imagem de outras mulheres, com outro tipo de vestimenta, realizando outro tipo de dança.

Logo, creio que o que se vê é uma apresentação de chair-dance em um evento aberto onde inclusive outros estilos de dança foram apresentados em uma Loja Maçônica. Algo que foi, de forma mal intencionada, totalmente retirado do seu contexto original, e divulgado como se os maçons fossem monstros satanistas que possuem escravas sexuais para sacrifícios.

Essas pessoas que divulgam esse vídeo e fazem tais comentários absurdos parecem não se importar com o fato de que acusam os homens e mulheres que aparecem no vídeo das piores coisas possíveis, esquecendo-se dos princípios de amor ao próximo, lei maior da fé que dizem professar.