por Kennyo Ismail | jan 30, 2012 | Conceitos
Tenho recebido alguns questionamentos sobre minhas críticas acerca do conteúdo de boa parte da literatura maçônica brasileira, o que me leva a justificá-las de uma forma geral:
Ocorre que o grosso da Maçonaria brasileira foi construído aos moldes da Maçonaria francesa, que, além dos ritos, cedeu-nos sua literatura maçônica, principal fonte para a grande maioria dos autores brasileiros. Isso pode ser muito bem observado nos livros de Castellani, em que mais de ¾ da bibliografia é francesa.
No século XVIII e XIX, a França foi o palco principal do esoterismo no mundo. Ordens rosa-cruzes, templárias, herméticas e cabalísticas brotavam aos montes, e junto delas uma inundação de suas literaturas tomava a sociedade. E é claro que isso impactou diretamente e influenciou profundamente a Maçonaria Francesa. Além disso, o histórico desprezo velado entre franceses e ingleses, agravado pelo rompimento entre a Grande Loja Unida da Inglaterra e o Grande Oriente da França, fez com que a Maçonaria francesa, rejeitando a literatura maçônica histórica da época (de predominância anglo-saxã), começasse a criar sua própria literatura. O conteúdo literário de seitas, escolas e outras ordens, além de autores como Eliphas Levi, Agrippa, Stanislas de Guaita, Péladan e outros, que pouco ou nada tem com a Maçonaria, começaram a servir de base para literatura maçônica francesa, que não parava de crescer. O resultado dessa mistura foi a criação de infinitos mitos, os quais se propagaram no solo fértil e carente da Maçonaria brasileira.
E se isso não for o bastante para criticar a literatura maçônica francesa como fonte, vejamos a opinião de um autor… francês! O respeitável irmão Marius Lepage, em sua obra “A Ordem e as Obediências – História e Doutrina da Franco-Maçonaria”, registrou:
“Os franceses, e com eles os maçons, têm, em geral, bem poucas possibilidades de tomar conhecimento exato, mesmo superficial, da Maçonaria. (…) Na França, existem bem poucos livros sobre a história da Maçonaria aos quais se pode fazer referência sem grandes reservas. Na verdade, embora os tenhamos em grande número, não encontramos nem mesmo dez suscetíveis de nos interessar, e, nessa dezena, dois ou três apenas merecem ser estudados a fundo. (…) Os livros sobre a história da Maçonaria são abundantes, tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos. O fato é que o Reino Unido não sofreu invasão estrangeira e suas bibliotecas não foram pilhadas por um governo violentamente antimaçônico. Além disso, várias Lojas ou Associações, inteiramente consagradas a pesquisar a história da Ordem, publicam resumos extremamente interessantes de seus trabalhos.”
Marius focou no aspecto histórico pois essa é a abordagem de sua obra. Porém, essa baixa credibilidade da literatura maçônica francesa abrange todos os aspectos maçônicos, desde históricos até simbólicos, litúrgicos, filosóficos. Como o autor mesmo diz, apesar do grande número, são poucos os títulos maçônicos franceses que merecem ser estudados, enquanto que a literatura maçônica inglesa e norte-americana, ainda pouco explorada no Brasil, é bem mais confiável.
Muitas mentiras repetidas por tantas vezes em tantas obras durante tantos anos, sendo pulverizadas em cada Loja por um número interminável de trabalhos apresentados, acabaram se tornando verdades absolutas na Maçonaria brasileira. É impossível derrubar um desses mitos da noite para o dia, ou até mesmo todos eles em cem anos, mas talvez consigamos derrubar alguns deles ao longo dos anos, construindo assim uma Maçonaria mais pura, universal, verdadeira.
por Kennyo Ismail | jan 29, 2012 | Maçons ilustres
John Edgar Hoover está atualmente em evidência por conta do filme em cartaz que conta a história de sua vida, dirigido por Clint Eastwood e estrelado por Leonardo DiCaprio. Sem entrar no mérito da abordagem apresentada no filme, a qual vem sofrendo fortes críticas dos especialistas, Hoover foi diretor do FBI por quase 50 anos, tendo sido uma das personalidades mais importantes dos EUA no século XX, e era um maçom muito atuante.
J. Edgar Hoover iniciou na Maçonaria aos 25 anos de idade, na Loja Federal #01, uma das Lojas mais tradicionais da cidade de Washington. Nos graus superiores do Rito de York, foi um Maçom do Real Arco, membro do Capítulo “Lafaiette #5”, e Cavaleiro Templário, membro da Comanderia Templária “Washington #46”. Ambos os Corpos também situados em Washington, DC.
Hoover ainda alcançou o 33o grau em 1955, pelo Supremo Conselho do REAA da Jurisdição Sul dos EUA.
Sua atuação maçônica não ficou restrita ao Rito de York e Rito Escocês: Hoover foi membro efetivo do DeMolay International, além de um Nobre Shriner, membro do ALMAS Shriners, o que demonstra uma preocupação com a formação de jovens e a saúde de crianças e adolescentes.
por Kennyo Ismail | jan 29, 2012 | Conceitos
Já dizia Einstein que o tempo é relativo. Isso não se aplica apenas à ciência, mas na vida também. E sendo o tempo relativo, não é indício de experiência, pois enquanto o tempo é relativo, a experiência é absoluta.
A dependência entre o tempo e a experiência é de que o tempo não garante experiência, enquanto que para se ganhar experiência precisa-se de tempo. Isso porque a experiência depende de atividades, trabalhos, esforços, e esses gastam tempo para serem realizados. A verdade é que você pode ver os anos se passarem e não ganhar experiência alguma, ou pode agir e ganhar experiência a cada dia.
Na Maçonaria isso não é diferente. Você pode ter 40 anos de Maçonaria e não ter experiência alguma. Basta você não visitar outras Lojas, não conhecer outros Ritos, não visitar Obediências amigas, não participar dos mais diversos eventos maçônicos, não ingressar nos Altos Graus, não ler e estudar. Você terá muito tempo de Maçonaria, mas não terá experiência alguma além daquela obtida em sua própria Loja. Em contrapartida, a realização de tais atividades é diretamente proporcional à experiência maçônica, o que significa que um maçom atuante e estudioso, com o passar dos anos, poderá acumular bagagem o bastante para ser uma boa referência em seu meio e colaborar para o desenvolvimento de seus irmãos.
Em outras palavras, tempo está relacionado a sobreviver, enquanto que experiência está relacionada a viver. Se você viver a Maçonaria, você ganhará experiência, e se você apenas sobreviver na Maçonaria, apenas acumulará tempo. É uma questão de escolha e de vontade. Tempo só é sinal de experiência quando bem aproveitado. Então faça a escolha certa e aproveite o tempo, e assim você viverá experiências maravilhosas na Maçonaria.
por Kennyo Ismail | jan 28, 2012 | Poesias
Aqui é o nosso pequeno mundo
Ele vai desde o oriente ao ocidente
E do norte ao Sul, alcançando o firmamento
Onde o céu estrelado é permanente.
E apesar de algumas nuvens
Aqui nunca chove. Nem garoa, nem tempestade
Nem mesmo uma gota de goteira entra
Mas isso não impacta na abundância e prosperidade.
Aqui não há ricos e pobres,
Importantes e insignificantes,
Comunistas e capitalistas,
Ou natos e imigrantes.
Aqui todos são iguais, sem distinção
Tratando uns aos outros como irmãos
Sem levar em conta cor, idade, classe,
Partido político ou até mesmo religião.
Pois aqui respeitamos as diferenças
E focamos nos pontos de igualdade:
A crença no Grande Arquiteto do Universo
E a busca da felicidade da humanidade.
O nome desse pequeno mundo
Construído sobre a base do amor
É simplesmente Loja Maçônica
E o maçom a encontrará, seja aonde for.
Kennyo Ismail
por Kennyo Ismail | jan 25, 2012 | História
Quantas Ordens Rosa-Cruzes você conhece? Segue link para um interessante estudo sobre as origens e relações entre as diversas Ordens que seguem a Tradição Rosa-Cruz. E ao final, há um anexo com a genealogia dessas Ordens.
O estudo permite compreender cinco vertentes rosa-cruzes, influenciadas por diferentes doutrinas, além da relação entre muitos de seus fundadores.