NEIL ARMSTRONG, MAÇOM? DeMOLAY?

NEIL ARMSTRONG, MAÇOM? DeMOLAY?

No ultimo dia 25 de Agosto, o astronauta Neil Armstrong, considerado herói nacional nos EUA por ter sido o primeiro homem a pisar na lua, faleceu aos 82 anos de idade. Muitas vezes apontado como maçom e DeMolay em vários sites, não demorou para que a notícia de sua morte corresse no meio maçônico e DeMolay com o pesar da perda de um irmão.

A Maçonaria e a Ordem DeMolay tiveram e têm em seus quadros diversos heróis, exemplos e líderes, mas, infelizmente, Neil Armstrong não era um deles. Talvez a confusão se devesse inicialmente por conta de seu pai, também chamado Neil Armstrong, que era maçom ativo na Grande Loja de Ohio.

Se Neil Armstrong fosse um Sênior DeMolay, seria lógico que seu nome constasse no Hall da Fama DeMolay, que homenageia os DeMolays famosos, ou que se soubesse o Capítulo em que foi iniciado, o que não é o caso. A instituição que Armstrong participou em sua adolescência, e fez questão de manter contato em sua vida adulta, foram os Escoteiros. Para se ter uma ideia de seu carinho e envolvimento com a instituição, Neil Armstrong chegou a mandar recado aos escoteiros durante o voo de ida para a Lua. Armstrong participou sim de Fraternidades, mas foram a “Phi Delta Theta” e a “Kappa Kappa Psi”, fraternidades estudantis, durante seu período na faculdade.

Já seu companheiro de missão, Buzz Aldrin, que também desceu do módulo de comando e pisou na Lua, era um maçom participativo: membro da Grande Loja de New Jersey, Grau 33 do Rito Escocês, Cavaleiro Templário do Rito de York e um Shriner. Ele chegou a levar uma bandeira do Supremo Conselho do Rito Escocês da Jurisdição Sul dos Estados Unidos consigo na viagem para a Lua, trazendo-a de volta e presenteando o Supremo Conselho com a mesma.

Apesar de Neil Armstrong não ter sido um maçom, a NASA sempre esteve repleta de maçons, entre astronautas e dirigentes. Nada mais justo, afinal de contas, todo maçom tem uma queda pela abóboda celeste!

Obs.: Texto em atendimento à dúvida do Ir.´. Juliano Francisco Martinho.

ESQUADRANDO O LIVRO: “O NOSSO LADO DA ESCADA”

ESQUADRANDO O LIVRO: “O NOSSO LADO DA ESCADA”

“O Nosso Lado da Escada” é a mais nova obra do Irmão João Guilherme da Cruz Ribeiro, um dos maiores intelectuais brasileiros sobre Maçonaria. João Guilherme é um dos pouquíssimos especialistas que tem conhecimento, bagagem e coragem para se aventurar a escrever sobre os dois lados da escada: Rito Escocês e Rito de York. Após presentear a Maçonaria Brasileira com sua obra “Os Fios da Meada”, que trata da complexa história do REAA e conta com apresentação do Soberano Grande Comendador, Luiz Fernando Rodrigues Torres, João Guilherme agora nos brinda com “O Nosso Lado da Escada”, primeiro livro no Brasil dedicado aos Graus Capitulares do Rito de York, também conhecidos como Real Arco.

O livro, repleto de excelentes ilustrações e escrito em uma linguagem descontraída e de fácil assimilação, apresenta a história do Real Arco norte-americano e detalhes históricos de cada um de seus quatro graus, discute sua liturgia, e conclui com um compêndio que responde as perguntas mais frequentes sobre o tema.

Trabalho que vem acabar com a ausência de livros sobre o Real Arco norte-americano em língua portuguesa, essa obra inaugura uma nova vertente na literatura maçônica brasileira, abrindo espaço para outras obras desse e dos demais segmentos do legítimo Rito de York no Brasil. Informações adicionais sobre o livro podem ser encontradas no site da Infinity Editora: www.artedaleitura.com

COERÊNCIA MAÇÔNICA ENTRE RITOS

“Eu não sei a chave para o sucesso, 
mas a chave para o fracasso é tentar agradar a todos.”
Bill Cosby

A Sublime Ordem Maçônica sempre teve como um de seus pilares a exaltação da razão e o combate à sua ausência, ou seja, a ignorância, a intolerância e o fanatismo. A coerência, um fruto da razão, é a relação lógica e não contraditória entre as ideias. Seguindo uma retórica dedutiva, seria “coerente” supor que o maçom, enquanto ser pensante, deve ser “coerente” em suas escolhas. Porém, infelizmente, não se pode esperar isso de todos. O uso da razão gera conhecimento, e o conhecimento é necessário para a busca da coerência. Entretanto, se você não usa a razão ou não detém o conhecimento determinado, não há como ser coerente.

Há aqueles que querem agradar a todos. Contudo, o oposto da razão, como se sabe, é a emoção. E agradar é, em sua natureza, uma ação emocional. Com isso, corre-se o risco de ser incoerente. Há também aqueles que não possuem o conhecimento necessário para a ação, realizando assim ações não racionais. E ações não racionais também tendem a serem incoerentes. O maçom deve tentar não cair na tentação de tais incoerências, as quais são suscetíveis na Maçonaria Brasileira, principalmente quando se trata da adoção de Ritos.

O Rito Adonhiramita é um importante rito na história da Maçonaria Brasileira. Porém, é o único Rito Adonhiramita num país que adota uma série de ritos Hiramitas. Ou você compreende que o princípio Adonhiramita é o correto ou que o Hiramita é o correto. Considerar os dois corretos é impossível. No Brasil, houve nos últimos anos uma tentativa de “hiramizar” o Rito Adonhiramita, interpretando que o nome Adonhiram era a junção do prefixo “Adon” com o nome “Hiram”, o que significaria “Sr. Hiram”, entendendo assim se tratar da mesma pessoa.

Importante registrar que esse não era o entendimento inicial dos maçons adonhiramitas, que compreendiam que Adonhiram e Hiram eram personagens distintos, mas defendiam a teoria de que Adonhiram era o responsável pela construção do Templo. Mackey declarou que isso se deveu pelos ritualistas franceses criadores do rito não serem versados no conteúdo bíblico, tendo confundido o papel dos personagens.[1] Esse problema do desenvolvimento dos ritos latinos já foi abordado nesta obra, e concordamos com Mackey nesse ponto. Mackey ainda aponta os escritos de Guillemain de St. Victor (1786, p. 77-78 apud MACKEY, 1914, p.20), um dos principais nomes do Rito Adonhiramita, que declarou:

Todos nós concordamos que o grau de Mestre é baseado no arquiteto do Templo. Agora, as Escrituras dizem, de forma muito clara, no 14º versículo do 5º capítulo do 3º Livro de Reis, que a pessoa foi Adonhiram. Josephus e todos os escritores sagrados dizem a mesma coisa, e, sem dúvida, distinguem ele de Hiram de Tiro, o artífice dos metais. De modo que é Adonhiram então quem somos obrigados a honrar.

Sobre a tentativa de “hiramizar” Adonhiram, temos que considerar que nomes próprios são nomes próprios. Não entendo por correto utilizar um acrônimo de um nome sagrado de Deus para dizer que “Adonhiram” é “Adon + Hiram”, que significaria “Lorde Hiram”. É como pegar “Donald” e dizer que é “Don + Ald”, que significaria “Dom Ald” ou “Lorde Ald”. Adonhiram é um nome próprio. Moisés não é “Monsenhor Isés”. Isaac não é “Ilustre Saac”. Abraão não é “Abade Raão”. Salomão não é “Santo Lomão”. E Adonhiram não é “Lorde Hiram”.

Ainda sobre o Rito Adonhiramita, o qual tem origem francesa, sabe-se que, tendo por um dos principais motivos as duras críticas das quais o rito era alvo, o Rito Francês ou Moderno surgiu na França para substituí-lo, e isso foi devidamente feito. Em outras palavras, o Rito Moderno foi considerado pelos franceses como uma evolução, em detrimento do Rito Adonhiramita, o qual foi descontinuado na época. Nada impede de uma Obediência discordar dos franceses e adotar o Rito Adonhiramita. Porém, um maçom praticar o Rito Adonhiramita, extremamente místico, e praticar ao mesmo tempo o Rito Moderno, o qual veio substituí-lo, com a proposta oposta, de desmistificar, é incoerente. Uma incoerência histórica e filosófica.

O próprio Rito Moderno também tem seus conflitos. Em 1817, quando passou pela reforma doutrinária no Grande Oriente da França, o qual suprimiu a obrigação da crença num Ser Supremo, a reação da Grande Loja Unida da Inglaterra foi rápida e drástica, declarando a irregularidade daquela Obediência, rompimento que dura até os dias de hoje. Considerar a decisão do Grande Oriente da França como justa é considerar a decisão da Grande Loja Unida da Inglaterra como injusta, ou o contrário. Tendo o Rito Moderno como símbolo da maçonaria francesa adogmática e o Ritual de Emulação como símbolo da maçonaria inglesa teísta, é evidente que seus princípios são conflitantes. Praticar ambos também o é.

Outra clara incoerência é adotar o Rito Escocês Retificado – RER e adotar o Rito Escocês Antigo e Aceito – REAA. O RER foi uma iniciativa de Jean Baptiste de Willermoz com o propósito de “retificar” a Maçonaria chamada “Escocesa”, na época o Rito da Estrita Observância e, em especial, o Rito de Heredom, cujos 25 graus serviram de base para o REAA. Willermoz foi explicitamente contra os graus “de vingança” presentes no Rito de Heredom, os quais permaneceram no REAA.

Ainda, podemos recordar aos Irmãos que o Rito Schröder, criado por Ludwig Friedrich Schröder, rejeita todo tipo de esoterismo e Altos Graus na Maçonaria. Um irmão que opta por ser adepto desse rito não deveria ingressar em qualquer Alto Grau de rito algum da Maçonaria.

Assim, uma mesma Obediência abrigar Adonhiramita com Moderno, Moderno com Emulação, RER com REAA, ou Schröder com outros ritos pode ser justificado como resultado de decisões condescendentes de seus dirigentes ao longo da história, fruto daquele desejo de agradar a todos, e revestido pelo conceito de “Colégio de Ritos”. Por outro lado, os maçons, esses sim não podem ignorar completamente as histórias e filosofia própria de cada rito, praticando-os de forma ignóbil e superficial, desconsiderando seus princípios e suas histórias em nome de uma visão pseudo-holística, praticando simultaneamente ritos e rituais originalmente conflitantes.

Nenhuma desculpa histórica local ou fraterna justifica incoerências lógicas. Também não se está discutindo aqui o poder e querer, a legalidade ou a regularidade. Apenas deve-se levar em consideração que, sendo a Maçonaria uma organização baseada na Razão, não é isso que muitas vezes seus adeptos têm refletido. Cada maçom, sendo homem livre e dotado de razão, tem a capacidade de ser coerente em suas escolhas e atos, em vez de querer agradar a todos ou mesmo seu próprio ego.

É como praticar diversas religiões, em especial as que se contradizem mutuamente, como as de uma única vida terrena com as reencarnatórias, ou o judaísmo com o cristianismo, por exemplo. Você pode ser adepto de uma e conviver fraternalmente com os adeptos de outras, e até mesmo visitar cerimônias religiosas dessas, respeitando-as. No entanto, ser adepto de duas ou mais contraditórias é logicamente impossível. Na Maçonaria também.

Por fim, antes que alguém diga que tudo é Maçonaria, tudo é lindo, e são apenas caminhos diferentes que levam ao mesmo lugar, devemos mostrar também a imensa incoerência de tal justificativa: se assim for, sejam coerentes com tal pensamento e aceitem todas as centenas de Ritos e Obediências que existem por aí como regulares, pois “é tudo Maçonaria”. Caso contrário, usem a peneira de suas consciências corretamente, sem relativismo, inclusive nos Ritos.



[1] MACKEY, A. G. Adonhiramite Masonry. In: An Encyclopedia of Freemasonry and tis Kindred Sciences. New York e Londres: The Masonic History Company, 1914, p. 19.

MAÇONS que MUDARAM a MAÇONARIA: LAURENCE DERMOTT

MAÇONS que MUDARAM a MAÇONARIA: LAURENCE DERMOTT

Lendário Grande Secretário da Grande Loja dos Antigos da Inglaterra de 1752 a 1771, Dermott nasceu na Irlanda, em 1720, e morreu em Londres, em 1791. Ele iniciou na Maçonaria em 1740 e se tornou Mestre Instalado em 1746, em Dublin. Em 1748, morando em Londres, Dermott filiou-se numa Loja jurisdicionada àquela que em pouco tempo ele iria apelidar de “Grande Loja dos Modernos”. Ele se uniu a vários outros maçons ingleses e principalmente irlandeses vivendo na Inglaterra que, descontentes com as mudanças e modernizações que estavam ocorrendo no âmbito da Grande Loja da Inglaterra, resolveram criar uma nova Grande Loja que pudesse preservar os antigos costumes e tradições maçônicas. Em 1751 nascia a Grande Loja dos Antigos, tendo Dermott como seu Grande Secretário.

Laurence Dermott foi Grande Secretário por quase 20 anos, deixando o cargo em 1771 para assumir como Grão-Mestre Adjunto. Permaneceu no cargo até 1777, quando William Dickey assumiu, mas retornou à posição de Grão-Mestre Adjunto em 1783, até 1787. Ele serviu a Grande Loja dos Antigos até 1789, enquanto sua saúde permitiu.

Uma vida dedicada à Maçonaria dos Antigos e a severas críticas aos Modernos, sua obra, Ahiman Rezon, o Livro de Constituições da Grande Loja dos Antigos, foi rapidamente copiada pela Grande Loja da Irlanda que, até então, se baseava na Constituição de Anderson. Dermott era conhecido por ser extremamente rígido, disciplinado, um administrador habilidoso, e um escritor sarcástico quando se tratava dos Modernos.

Um interessante aspecto a se observar sobre Dermott é quanto ao respeitado William Preston. Preston se tornou maçom pelos Antigos, sob a tutela de Dermott, optando depois pelos Modernos, mais precisamente pela Lodge of Antiquity, para qual foi convidado a ser Venerável Mestre, e que era filiada aos Modernos. Dermott, mesmo sendo tão ativo em seus ataques contra os Modernos, nunca atacou Preston. Alguns anos depois, Preston foi expulso da Grande Loja dos Modernos, e por 10 anos fez coro com os Antigos contra os Modernos. Seu respeito entre os maçons era tamanho e seu discurso tão bem formulado que a Grande Loja dos Modernos acabou cedendo às pressões e “desexpulsando” Preston, acompanhado de um pedido de desculpas.

Os fatos levam a crer que havia um grande respeito entre Preston e Dermott que, apesar de militarem em lados opostos administrativamente e de criticarem veementemente seus opositores, nunca se atacaram. E ambos acabaram formando, sem saberem, a base sobre a qual foi construída a Maçonaria Norte-Americana.