Quem acompanha este blog sabe que não é de hoje que venho alertando sobre a carência de publicações maçônicas de qualidade no Brasil. Mesmo as mais conhecidas publicações maçônicas brasileiras estão repletas de artigos de três ou quatro páginas (quando muito), sem qualquer referencial teórico ou, quando há, são daqueles dois ou três autores de sempre. Isso não é uma crítica, visto que essas revistas cumprem muito bem suas propostas de fornecer informação maçônica de forma agradável aos leitores. Esse segmento está muito bem atendido. A carência que me refiro é de publicações que sejam verdadeiras fontes primárias, frutos de muitos estudos e pesquisas, embasados em extensa revisão literária e realizados com fundamentação teórica e metodológica.
No entanto, parece que o Grande Arquiteto do Universo atendeu as nossas preces: recentemente foram criadas no país duas revistas de cunho científico dedicadas à Maçonaria, cujo objetivo de ambas é produzir e fornecer conhecimento relevante sobre a Maçonaria, exigindo dos autores uma boa dose de rigor em seus estudos. E o melhor de tudo: proporcionando acesso livre, gratuito.
Hoje o maçom brasileiro tem a oportunidade de se deleitar com a leitura da revista Fraternitas in Praxis – FinP, mantida pela Loja Maçônica de Estudos e Pesquisas “Rio de Janeiro” – GOIRJ-COMAB; e pela revista Ciência & Maçonaria – C&M, mantida pela Loja Maçônica “Flor de Lótus” – GLMDF-CMSB. Ambas as revistas tem conselhos formados por maçons com Mestrados e Doutorados nas mais distintas áreas, contando com artigos produzidos por estudiosos e pesquisadores de todo o país. Os artigos são avaliados por critérios de relevância, qualidade e seriedade metodológica, não importando a autoria, filiação e posição maçônica. Aliás, há inclusive artigos de não maçons, que pesquisam sobre a Maçonaria por sua importância histórica e social.
Independente se você é Aprendiz, Mestre, Grau 33 ou Grande Alguma Coisa, se quiser se surpreender positivamente, leia essas revistas. Elas não ficam pra trás de nenhuma revista maçônica estrangeira e nem mesmo das revistas científicas sobre a Maçonaria existentes em outros países, como a REHMLAC e a JRFF. E você não precisa pagar nada por isso. Basta acessar:
A Maçonaria possui diferentes tipos de calendários, usados nos mais diversos ritos e épocas, cada um com sua própria lógica e significados. Porém, isso tem gerado certas confusões históricas, principalmente no Brasil, com sua pluralidade de Ritos e carência de registros legais disponíveis, de bibliotecas maçônicas e, principalmente, de literatura maçônica de qualidade.
Nesse cenário caótico, muitas vezes as Obediências Maçônicas, Lojas e demais corpos maçônicos brasileiros encontram dificuldades e não encontram consenso na adoção dos calendários utilizados em seus certificados.
Pensando nisso, este artigo tem por objetivo disponibilizar uma relação dos tipos de calendários maçônicos existentes e seus mecanismos de funcionamento, de forma a esclarecer de uma vez por todas esse tema, disponibilizando aos interessados, sejam estudiosos de Maçonaria ou secretários com a missão de confeccionar diplomas, acesso a informação organizada e confiável.
Fundada em 1928, a Philalethes Society é a mais antiga sociedade independente de pesquisas maçônicas do mundo. Seu Círculo de Correspondência conta com milhares de maçons ao redor do planeta, sendo exigido filiação a uma Obediência Maçônica reconhecida pela Conferência de Grão-Mestres dos EUA.
Sua revista, a “Philalethes Revista de Pesquisa e Artigos Maçônicos”, é publicada periodicamente desde 1946, com foco em artigos sobre simbolismo, ritualística, história, arte e filosofia maçônicas, bem como resenhas de livros e poemas.
É com felicidade que informo que em seu número atual, Vol. 65, N.4, foi publicado um artigo de minha autoria: “At Labor in the Temple of Our Lives“.
Compreender a Maçonaria não é matéria simples, mas com certeza é algo interessante. Como bem registrou o historiador britânico John Morris Roberts, certamente há algo de relevante em uma instituição cujos Grão-Mestres ingleses têm sido sempre nobres, incluindo sete príncipes herdeiros do trono, enquanto que em outras regiões e momentos a Maçonaria foi perseguida pelos nazistas, condenada por Bulas Papais e denunciada pelo Comintern, o comitê comunista internacional.
Mas para compreender a razão dessa instituição estar, durante séculos, atraindo os mais distintos homens, deve-se, primeiramente, compreender o que ela realmente é. No entanto, há diversas e distintas definições da Maçonaria, não havendo uma que seja oficial da instituição ou mesmo que descreva satisfatoriamente o que realmente a Maçonaria é.
A definição mais comum de Maçonaria em uso em todo o mundo é a de que Maçonaria é “um belo sistema de moralidade velado em alegoria e ilustrado por símbolos”. Essa definição é derivada de outra, de autoria de William Preston, que considera a Maçonaria “um sistema regular de moralidade, concebido em uma tensão de interessantes alegorias, que desdobra suas belezas ao requerente sincero e trabalhador”. Porém, o que essas definições não explicitam é: Quais seus princípios fundamentais? Seus propósitos? Sua razão de existir?