por Kennyo Ismail | fev 13, 2013 | Notícias
Prezados leitores, em busca de melhoria contínua e para uma melhor gestão e disposição do grande volume de artigos que temos disponível, o blog recentemente ganhou um novo layout.
Algumas coisas ainda precisam ser feitas, mas gostaríamos de contar desde já com suas críticas e sugestões, as quais podem ser enviadas pela ferramenta de comentários ou por e-mail: kennyoismail@noesquadro.com.br
por Kennyo Ismail | jan 25, 2013 | Notícias
Esse cartaz conta a histórica relação entre a Ordem DeMolay e o Real Arco, cujo elo inicial estava no fundador da Ordem DeMolay, Frank Sherman Land, um Maçom do Real Arco. Essa história completou um século no ano passado, o que foi comemorado no Brasil por meio de convênio firmado entre o Supremo Grande Capítulo de Maçons do Real Arco do Brasil, ligado ao General Grand Chapter International, e o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil, ligado ao DeMolay International.
Texto: Kennyo Ismail
Arte Final: João Guilherme

Se preferir, faça o download da imagem em alta resolução.
por Kennyo Ismail | jan 22, 2013 | Conceitos
Voluntário, conforme o dicionário [1], é aquele “que faz parte de uma corporação por mera vontade e sem interesse” e “que faz de boa vontade e sem constrangimento”. Essa definição, ao qualificar a ação voluntária como “sem interesse”, esbarra no debate filosófico da impossibilidade de ausência de interesse. O altruísmo, termo criado por Augusto Comte, seria esse ato de ajudar alguém sem ter qualquer interesse individual envolvido, apenas por pura bondade. Nesse sentido, muitos filósofos têm defendido que não existe ato genuinamente altruísta, totalmente desinteressado. Para ilustrar esse entendimento, se você acredita que atos de bondade, de caridade, que boas ações colaboram para sua evolução moral e/ou espiritual, então qualquer ato seu não será 100% altruísta, pois você tem um interesse pessoal, mesmo que mínimo, de evoluir com isso. Até mesmo se não esperar tal evolução, mas se você se sente bem em ajudar o próximo, sua ação não será totalmente desinteressada, pois você, em algum nível, sente prazer em ajudar, se beneficiando de alguma forma com isso. Nesse sentido, não existe ato voluntário sem interesse.
Já a ONU [2] fornece uma definição condizente com tal entendimento, ao declarar que voluntário é “o jovem, adulto ou idoso que, devido a seu interesse pessoal e seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração, a diversas formas de atividades de bem estar social ou outros campos”. Nesse caso, vê-se claramente que a ação voluntária parte de um interesse pessoal, mesmo que motivado pelo civismo.
A Maçonaria é uma oportunidade de trabalho voluntário, tendo nos maçons seus voluntários. A definição mais comum de Maçonaria em uso em todo o mundo é a de que Maçonaria é “um belo sistema de moralidade velado em alegoria e ilustrado por símbolos” [3] [4]. Essa definição é derivada de outra, de autoria de William Preston [5], que considera a Maçonaria “um sistema regular de moralidade, concebido em uma tensão de interessantes alegorias, que desdobra suas belezas ao requerente sincero e trabalhador”. Dessa forma, deve o maçom, logicamente, estar interessado em evoluir moralmente para ser voluntário em um “sistema regular de moralidade”. Tais definições também indicam que o trabalho voluntário do maçom corresponde a atividades e práticas relacionadas a “alegorias e símbolos”, ou seja, a aprendizagem e execução do ritual, que é a ferramenta de ensino que contém as diversas alegorias e símbolos maçônicos.
Mas, como todo trabalho voluntário, Maçonaria é um trabalho “sem remuneração”, cujas atividades são realizadas por livre e espontânea vontade. Não se ganha na Maçonaria, se gasta. Você investe, além de seu tempo como voluntário, recursos financeiros para manter a estrutura de sua Loja e Obediência. Por esse motivo, mais do que qualquer outro trabalho voluntário, o maçom deve estar realmente ciente do cunho moral da organização, interessado em tal aspecto, e realizar suas atividades a contento. Em outras palavras, precisa estar 100% comprometido. Assim como não existe um “mais ou menos” médico sem fronteiras, não dá pra ser “meio” maçom.
E o que é ser um maçom, esse voluntário da Maçonaria? É estudar o ritual, não apenas executando-o da melhor forma possível, mas principalmente o compreendendo. É participar ativamente das reuniões, contribuindo com suas ideias e opiniões. É se oferecer para ajudar nas diversas atividades em grupo, ou mesmo para realizar algumas atividades individuais dentro de suas competências, como ministrar uma palestra, criar um website, pintar uma parede ou trocar uma simples lâmpada. É ter ciência de que, sendo um trabalho voluntário, você não depende dele para sua sobrevivência e sustento de sua família, devendo, portanto, ir para a Maçonaria e permanecer nela somente se estiver realmente interessado. E cada vez que comparecer, faça valer à pena, porque apenas assistir e criticar não pode ser considerado trabalho voluntário… é necessário colaborar.
NOTAS:
[1] PRIBERAM. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Acesso em: 22 de janeiro de 2013. Disponível em: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=voluntário
[2] UNIC. United Nations Information Centre Rio de Janeiro. Acesso em: 22 de janeiro de 2013. Disponível em: http://unic.un.org/imucms/rio-de-janeiro/64/158/voluntariado.aspx
[3] GUNN, J.: Death by Publicity: U. S. Freemasonry and the Public Drama of Secrecy. Rhetoric & Public Affairs, Vol. 11, No. 2, pp. 243-277, 2008.
[4] ZELDIS, Leon. Illustrated by Symbols (New York, NY: Philalethes, The Journal of Masonic Research & Letters, Vol. 64, No. 02, 2011), p. 72-73.
[5] PRESTON, William. Illustrations of Masonry. New York: Masonic Publishing and Manufacturing Co., 1867.
por Kennyo Ismail | jan 8, 2013 | Conceitos
Muito se diz sobre a Maçonaria como defensora dos princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade e, consequentemente, das práticas de Democracia e Meritocracia. Porém, como essas práticas ocorrem DENTRO da Maçonaria?
Para descobrir, CLIQUE AQUI.
por Kennyo Ismail | dez 24, 2012 | História
Muito se diz sobre a relação da Maçonaria com o Iluminismo. Mas até onde realmente foi essa relação? Teria o Iluminismo influenciado a Maçonaria, ou a Maçonaria influenciado o Iluminismo? Seria mesmo a Maçonaria precursora da democracia?
Kramnick[i] resumiu bem a intenção do movimento iluminista ao declarar que sua ideia central era a de que a razão, e não a fé ou a tradição, que deveria constituir o principal guia para a conduta humana. E onde a Maçonaria entra nisso? Estudos de importantes historiadores têm relacionado a Maçonaria com o Iluminismo e creditado à instituição o princípio da igualdade entre os homens, embrionário do movimento democrático[ii] [iii] [iv], creditando-a também o papel de protagonista de revoluções, como a Revolução Francesa[v]. Um dos principais pensadores do iluminismo, o filósofo alemão Immanuel Kant[vi], compreendeu essa vocação das Lojas Maçônicas como uma vocação natural, de homens de bem se unindo e se comunicando com seus semelhantes sobre questões que afetam a humanidade como um todo. Habermas[vii], famoso filósofo alemão da escola crítica, coaduna com tal pensamento, ao registrar sua leitura do período iluminista:
A promulgação secreta do iluminismo, típica das Lojas, mas também amplamente praticada por outras associações e Tisclzgesellschaften, tinha um caráter dialético. Razão pela qual o uso público da faculdade racional a ser realizado na comunicação racional de um público composto por seres humanos cultos, em si precisava ser protegido de se tornar público porque era uma ameaça para todas e qualquer relações de dominação. Enquanto a publicidade tinha a sua sede nas chancelarias secretas do príncipe, a razão não podia revelar-se diretamente. Sua esfera de publicidade ainda tinha que confiar no sigilo; seu público, até mesmo como um público, permaneceu interno. A luz da razão, assim velada de autoproteção, foi revelada em etapas. Isso lembra a famosa declaração de Lessing sobre a Maçonaria, que na época era um fenômeno europeu mais amplo: ela era tão antiga quanto a sociedade burguesa – “se de fato a sociedade burguesa não é apenas a prole de Maçonaria” (The Structural Transformation of the Public Sphere, Habermas, 1989, p. 35).
Em reforço à teoria da Maçonaria como berço do Iluminismo e uma instituição emancipadora do indivíduo por meio da razão, tem-se o fato de que a Maçonaria, anteriormente ao movimento iluminista, já praticava uma forma de governança democrática por séculos, na qual o voto já era bem do indivíduo e não por propriedade ou localidade[viii] [ix].
Estudos indicam que essa ameaça maçônica ao absolutismo foi motivadora de respostas como o decreto de Luis XV, em 1737, proibindo conselheiros reais e administradores públicos de pertencer a Lojas Maçônicas, assim como o início da perseguição da Maçonaria pela Igreja Católica, pelo decreto do Papa Clemente XII, em 1740, proibindo os católicos do ingresso à Maçonaria e ordenando ao clero o seu combate[x].
Já Bullock[xi] evidencia em sua obra que, seguindo essa vocação que impulsionou o iluminismo, de emancipadora do homem pela razão, a Maçonaria realizou movimentos semelhantes nas colônias do Continente Americano, colaborando para a independência dos Estados Unidos e dos países latino-americanos. No caso da Revolução Americana de 1776, Morel e Souza[xii] afirmam que “é inegável a militância maçônica de líderes como Benjamin Franklin, George Washington e La Fayette”. Essa militância maçônica inegável pode ser constatada pela declaração de independência americana na qual, conforme Gomes[xiii], “dos 56 homens que assinaram a declaração de independência, cinquenta eram maçons”.
Morel e Souza[xiv] também indicam a presença maçônica na independência da América Espanhola, relacionando alguns libertadores da América como maçons:
Neste caso, ressalta-se a atuação do precursor dos movimentos de independência, Francisco Antônio Gabriel de Miranda y Rodrigues. Este, após ser iniciado na maçonaria dos Estados Unidos, fundou em Londres a Logia Gran Reunión Americana, destinada a preparar militantes para lutar pela independência da América espanhola. Esta Loja foi um foco de expansão do ideal de independência, tendo preparado lideranças como Bernardo O’Higins, Simón Bolívar, Antônio Narino e José de San Martin (O Poder da Maçonaria, MOREL & SOUZA, 2008, p. 44).
Com base em tais passagens, pode-se propor que a Maçonaria realmente colaborou com o desenvolvimento do iluminismo e, munida do mais profundo princípio de igualdade entre os homens, emprestou seu conceito e experiência de democracia à sociedade contemporânea então recentemente instalada. E, por sinal, instalada graças à liderança libertadora de seus membros.
NOTAS:
[i] KRAMNICK, I. The Portable Enlightenment Reader. Harmondsworth: Penguin, 1995.
[ii] WEISBERGER, R. W. Speculative Freemasonry and the Enlightenment. A Study of the Craft in London, Paris, Prague, and Vienna. New York: Columbia University Press, 1993.
[iii] JACOB, M. C. The Radical Enlightenment: Pantheists, Freemasons and Republicans. Cornerstone Book Publishers, Lafayette, Louisiana. 2006.
[iv] ELLIOTT, P. & DANIELS, S. The “school of true, useful and universal science”? Freemasonry, natural philosophy and scientific culture in eighteenthcentury England. The British Journal for the History of Science, 39, 2006, pp 207-229.
[v] SCHMIDT, J. What is Enlightenment? Eighteenth-Century Answers and Twentieth-Century Questions. Berkeley, CA: University of California Press, 1996, pp. 1-44.
[vi] KANT, I. The Metaphysical Elements of Justice; Part I of the Metaphysics of Morals. 2nd ed. Tradução: John Ladd. Indianapolis: Bobbs-Merrill, 1999.
[vii] HABERMAS, J. The Structural Transformation of the Public Sphere: An Inquiry into a Category of Bourgeois Society. Cambridge, MA: MIT Press, 1989.
[viii] JACOB, M. C. Living the Enlightenment: Freemasonry and Politics in Eighteenth-Century Europe. New York: Oxford University Press, 1991.
[ix] MOREL, Marco & SOUZA, Françoise Jean de Oliveira. O poder da maçonaria: a história de uma sociedade secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
[x] MEHIGAN, T. & De BURGH, H. “Aufklärung”, freemasonry, the public sphere and the question of Enlightenment. Journal of European Studies 38(1): 2008,p. 5–25.
[xi] BULLOCK, S. C. Revolutionary Brotherhood: Freemasonry and the Transformation of the American Social Order, 1730–1840, Chapel Hill, 1996.
[xii] MOREL, Marco & SOUZA, Françoise Jean de Oliveira. O poder da maçonaria: a história de uma sociedade secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
[xiii] GOMES, Laurentino. 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.
[xiv] MOREL, Marco & SOUZA, Françoise Jean de Oliveira. O poder da maçonaria: a história de uma sociedade secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.