por Kennyo Ismail | ago 19, 2015 | Graus e Ordens Anexas
Retomando a série de Ordens e Corpos Maçônicos relacionados a Ritos, hoje é a vez do KCCH – Cavaleiro Comandante da Corte de Honra, pertencente ao Rito Escocês Antigo e Aceito.
O KCCH é uma espécie de grau 32,5 (ou 32 e 1/2, se preferir) do REAA da Jurisdição Sul dos EUA, apesar de não ser considerado oficialmente um grau, e sim uma honraria. O grau 32 é algo relativamente fácil e rápido de se alcançar nos EUA, seja na Jurisdição Sul ou Norte, em comparação ao procedimento padrão adotado no Brasil. Enquanto no Brasil demora-se geralmente alguns anos entre o grau 4 e o 32, havendo interstícios entre os principais graus, o mesmo não ocorre nos EUA, em que um Mestre pode alcançar o grau 32 em alguns meses ou, até mesmo, em um único mês. Em certas ocasiões, em um único fim de semana.
No entanto, enquanto todos os membros regulares no grau 32 do Brasil têm a oportunidade de serem investidos no grau 33, o mesmo não ocorre nas duas jurisdições americanas, em que o grau 33 é realmente honorário, restrito a poucos. Como forma de reconhecer os membros colados no grau 32 que tenham prestado relevantes serviços à Maçonaria, o Supremo Conselho da Jurisdição Sul dos EUA criou o KCCH, para o qual é elegível os membros que tenham um mínimo de 46 meses como grau 32. Na prática, esse prazo costuma ser bem mais longo.
Aqueles condecorados com o KCCH, condecoração realizada por meio de uma investidura pública, utilizam um barrete vermelho e passam a ser qualificados à eleição para o grau 33 após um período idêntico de mínimo de 46 meses. No entanto, o KCCH não garante a eleição ao grau 33, o que é alertado na própria investidura a KCCH, em que é dito mais ou menos o seguinte: “se você não receber o último grau nos anos futuros, lembre-se que você foi singularmente honrado nesta Investidura pelo Supremo Conselho”.
Além do barrete vermelho, o KCCH possui uma comenda de fita branca, cuja joia é uma cruz vermelha, tendo as extremidades de cada braço da cruz divididas em três pontas. No centro da cruz, um círculo dourado de folhas de louro. E dentro do círculo, outro círculo de fundo branco, com um trevo verde de três folhas.
A ideia da criação do KCCH foi de Albert Pike, enquanto Soberano Grande Comendador, que tinha com isso a intenção de reconhecer os irmãos mais dedicados ao REAA sem precisar “diluir” o grau 33. Isso porque, conforme a Constituição do Supremo Conselho da Jurisdição Sul dos EUA, somente ao alcançar 2.500 membros colados no grau 32 que um Oriente (Vale) ganha o direito de indicar 6 membros do KCCH para a eleição ao grau 33. E a cada 2.500 membros adicionais poderá indicar mais dois candidatos. Tudo isso dentro do cronograma do Supremo Conselho.
por Kennyo Ismail | ago 6, 2015 | Notícias
Há alguns anos, a Maçonaria foi alvo de legislação na Inglaterra que obrigava membros do judiciário e da polícia a informarem se são maçons. Essa legislação foi derrubada posteriormente por infringir as diretrizes de Direitos Civis da União Europeia.
Então, no ano passado, a Maçonaria foi injustamente envolvida num escândalo na Inglaterra, acusada de promover uma conspiração envolvendo policiais maçons na “Tragédia de Hillsborough”, que resultou em 96 mortos e mais de 700 feridos.
Agora, em Junho deste ano, legisladores ingleses encontraram uma brecha para exigir que os Vereadores do Condado de Derbyshire, uma região com aproximadamente 1 milhão de pessoas, declarem publicamente quando são maçons, numa ação claramente preconceituosa contra a Maçonaria, justificada em nome de uma certa “transparência” e “integridade” . A decisão foi mencionada como uma espécie de “apartheid” por Vereadores opostos à mesma.
O caso foi notícia na BBC News e tem gerado manifestações favoráveis e contrárias em outras partes daquele país.
por Kennyo Ismail | jun 23, 2015 | Conceitos
Outro dia estava na instalação e posse de um Venerável Mestre em Oriente de outro Estado que não o que resido. Fui surpreendido com algumas passagens da cerimônia, em especial no compromisso assumido. Uma das perguntas feitas ao empossando solicitava o compromisso de seguir estritamente a Constituição de Anderson e a Constituição daquela Obediência. Tamanho é o fascínio dos maçons brasileiros pela Grande Loja Unida da Inglaterra que, até mesmo uma Obediência que não tem atualmente o reconhecimento da mesma, estava solicitando a um Venerável Mestre que seguisse uma Constituição que supostamente é de outra Obediência.
Pode um irmão seguir duas constituições distintas? De duas Obediências distintas? Cada Obediência não é soberana? Será que não há nada em uma constituição que é incompatível com a outra? Quem escreveu essa cerimônia já leu alguma vez a Constituição de Anderson? Sabe o que ela diz? E o mais importante: sabe que a Constituição de Anderson não é mais utilizada pela Grande Loja Unida da Inglaterra há mais de 250 anos? Que não tem valor prático, apenas histórico?
Uma simples leitura da Constituição de Anderson deixa qualquer maçom sério envergonhado. Seu primeiro capítulo é dedicado a apresentar uma genealogia maçônica, indicando Adão como o primeiro maçom, com vários pontos fantasiosos, passando por Augusto César, tido como um Grão-Mestre, até chegar aos reis ingleses. Então diz que a Rainha Elizabeth desestimulou a Maçonaria por ser mulher e, portanto, não podia ser maçom. Mas então o Rei James VI, sendo maçom, reanimou a Maçonaria. E então a Maçonaria tem sido governada pelos reis e príncipes ingleses desde então. E essa história é então repetida de forma resumida na “Música do Mestre”.[1] Fica evidente que não foi à toa que Desaguliers escolheu James Anderson para escrevê-la: Anderson era conhecido por fazer bicos, criando genealogias míticas, para não dizer falsas, para famílias inglesas que desejavam um upgrade em seus históricos. Sua constituição maçônica é considerada “uma mistura de compilação e fantasia, invenção e manipulação, clareza e ambiguidade e de fato de erro”.[2]
Ainda, há alguns pontos da Constituição de Anderson que, dentre outros, podemos apontar como conflitantes com os regulamentos maçônicos brasileiros atuais, de modo geral:
- A exigência de que o candidato “descenda de pais honestos”;
- O Grão-Mestre escolhe e nomeia seu Grão-Mestre Adjunto;
- Nenhuma Loja jamais iniciará “qualquer homem abaixo de vinte e cinco anos de idade”;
- Nenhum homem pode ser iniciado “sem o consentimento unânime de todos os membros” da Loja.
Nesse sentido, como pode um maçom seguir a Constituição de Anderson e seguir a Constituição de sua Obediência sem desrespeitar uma ou outra? Acaba que, por elementos contraditórios, o compromisso assumido torna-se vazio, sem valor. Fruto duma desinformada veneração à GLUI, até mesmo por aqueles que não têm sido reconhecidos por ela.
[1] ANDERSON, James. As Constituições dos Franco-Maçons. Brasília: Editora do Grande Oriente do Brasil, 1997.
[2] STEVENSON, David. James Anderson: Man and Mason. Heredom. Volume 10, 2002, p. 93-138.
por Kennyo Ismail | jun 8, 2015 | Notícias
Neste último sábado, dia 06/06, estive no Oriente de Concórdia – SC, para ministrar palestra no I Seminário Maçônico Concordiense, realizado pela ARLS Elos da Fraternidade – GLSC e apoiado pelas Lojas Inconfidência de Concórdia – GLSC e Colunas da Concórdia – GOSC.
O Seminário, que também contou com o apoio da Grande Loja de Santa Catarina, teve como tema “Maçonaria – da Filosofia à Prática”. Enquanto fiquei responsável pela “Filosofia”, com a palestra “Construindo o Templo Interior”, o Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja, Mui Respeitável Irmão João Eduardo Noal Berbigier, ficou responsável pela “Prática, com a palestra “Ações Maçônicas em prol de uma sociedade mais justa e perfeita”. Registro que foi uma grande honra para mim dividir o tempo com o Sereníssimo Grão Mestre, tão dedicado à nobre causa da Sublime Ordem Maçônica.
Num segundo momento do Seminário foi realizado um painel sobre “O futuro da Maçonaria na visão das Potências Regulares”, conduzido por representantes da GLSC, GOSC e GOB-SC.
Agradeço o convite do Venerável Irmão Mauro Jordan e do Respeitável Irmão Cláudio Bellaver, além da hospitalidade do Irmão Arnaldo Mores e de todos os Irmãos de Concórdia e que estiveram presentes no evento.
por Kennyo Ismail | maio 26, 2015 | Notícias
Os últimos quatro dias foram dedicados à Maçonaria de Norte a Sul do Brasil, literalmente.
No último sábado, dia 23/5, tive a honra de estar presente no “Yorkshop” dos graus simbólicos do Rito de York de Santa Catarina, promovido pela Loja Monteiro Lobato, na cidade de Itajaí. O evento, que contou com representantes de 12 Lojas do Rito de York de SC e RS, teve início às 09h da manhã e término às 19h, abrangendo a padronização ritualística dos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, além da cerimônia de instalação no Rito. Na ocasião, ministrei palestra sobre a história do Rito de York e suas principais características e pude constatar que o Rito de York tem crescido de forma admirável no Brasil, de forma rápida e responsável, garantindo excelente nível de padronização.
No domingo, participamos de confraternização promovida pela Loja anfitriã, contando com a presença de nossas cunhadas, sobrinhos e sobrinhas. Agradeço imensamente os Irmãos Alexandre Rizzi, Toni Haag, Flávio Dellazzana e todos os demais irmãos pela hospitalidade fraterna.
Já na segunda-feira cedo, após algumas horas de descanso em Brasília, me vi novamente no Aeroporto, dessa vez rumo a Manaus. Durante a tarde tive uma proveitosa conversa com o poderoso Irmão Armando Corrêa Júnior, Grão-Mestre Eleito do GOB-AM. Foi muito bom escutar seus projetos para aquela Obediência que, com absoluta certeza, estará em ótimas e competentes mãos durante essa próxima gestão. E de noite pude, enquanto District Recorder, atender a reunião do Tabernáculo Manaós de Sacerdotes Cavaleiros Templários, constatando o maravilhoso trabalho que os Irmãos de Manaus estão realizando e alinhando as relações com o nosso Distrito 55. Fica aqui um agradecimento especial ao respeitável Irmão Paulo José da Costa Santos por todo suporte prestado.
Hoje, já de volta a Brasília, escrevo este pequeno texto com um sorriso no rosto ao constatar, desta Capital Federal, que, nesse país continental, nossa Maçonaria é una, formada por irmãos que, do Sul ao Norte do país, possuem o mesmo brilho no olhar, garra, determinação e dedicação à nossa Sublime Ordem Maçônica. E sinto muito orgulho de poder fazer parte disso.