São Paulo, a “locomotiva do Brasil”, é a maior jurisdição maçônica do Brasil, somando quase 1/5 de todos os maçons do país. Nesse contexto, conforme a alegoria da Espada de Dâmocles, grandes poderes geram grandes inseguranças e atraem grandes riscos. Talvez seja por isso que os maçons paulistas vivenciaram o surgimento de nove obediências e potências originadas do eixo regular ao longo dos séculos XIX e XX.
Compreender as motivações que levaram a seus surgimentos e as relações significativas de impacto de umas sobre as outras é importante para um melhor entendimento acerca do caminho percorrido, que resultou no cenário atual, permitindo melhores posicionamentos frente ao pressuposto de repetição histórica.
O próximo lançamento literário da nossa editora No Esquadro será a obra UM PALÁCIO MOSAICO: a Maçonaria e a Arte da Memória, do Irmão Martin Faulks, membro da Loja Quatuor Coronati e CEO da Lewis, a mais antiga editora maçônica ainda em funcionamento em todo o mundo!
A obra aborda o método usado desde a Grécia Antiga, de se construir na mente um verdadeiro palácio, que serve de armazém de memórias e pode ser facilmente visitado. Ela mostra como esse método da Arte da Memória está presente na Maçonaria desde os primeiros rituais; como pode ter colaborado para suas preservações ao longo do tempo; e como podemos utilizar o templo maçônico como um palácio para memorizar uma infinidade de conteúdo, maçônico e não maçônico.
Qual a importância desse livro? Simples: Você já reparou como o mundo atual está atrofiando nossa memória? Nós não decoramos mais números de telefone, pois estão salvos no celular, e nem decoramos o caminho para lugares, pois usamos GPS. Até as músicas estão mais simples e curtas. Antigamente, tinha sujeito que decorava um livro inteiro, sem errar uma palavra; enquanto hoje tem irmão que ocupa o mesmo cargo há anos, o cargo tem três falas, e ele ainda lê!!!
A publicação ocorrerá no próximo mês, março de 2025, mas para que os irmãos brasileiros possam conhecer um pouco mais desse grande irmão e autor, Martin Faulks, bem como saber mais sobre essa obra incrível, nós convidamos o Irmão Martin para uma entrevista no Projeto Mayhem, do Irmão Marcelo Del Debbio.
A campanha do Catarse já garantiu a publicação da obra, mas ficará aberta até o dia 15 deste mês de fevereiro. Então, se você quiser garantir seu exemplar, ainda dá tempo: https://www.catarse.me/palacio_mosaico
Para incluir legendas em português no vídeo, clique na engrenagem (Detalhes), na parte debaixo do vídeo, clique em “Legendas/CC”, selecione a opção “Traduzir automaticamente” e, em seguida, escolha “Português”:
(…) A Maçonaria não é alienígena, nem seus rituais. Parece óbvio, mas esse atributo deve ser o cerne de toda análise sobre qualquer ritual. Contudo, na Maçonaria brasileira, tem-se uma cultura positivista de “certo ou errado” sobre práticas ritualísticas, que não sobrevive a três segundos de raciocínio lógico, partindo dessa premissa.
A Maçonaria não nos foi concedida por uma civilização alienígena, mais evoluída intelectual, moral e espiritualmente do que a nossa. Logo, todo seu conteúdo foi confeccionado com base em conhecimentos terrestres previamente desenvolvidos por humanos não-maçons. Do mesmo modo, nenhum ritual maçônico veio pronto de outro planeta ou foi ditado pelo anjo Gabriel a um maçom. Logo, todos os rituais maçônicos são uma “colcha de retalhos” (termo emprestado do Irmão “Hi-kon-Passos”): todos são enxertos de conteúdos de escritores, religiões, sociedades, escolas e tradições não-maçônicas anteriores, com adequações e alterações para uso maçônico. Discutir se um retalho é melhor do que o outro é como discutir o sexo dos anjos.
Há duas constituições maçônicas que moldaram a Maçonaria, as potências e os ritos como nós conhecemos: a Constituição de Anderson, 1a. edição, de 1723, daquela que seria chamada de Grande Loja dos Modernos; e a Ahiman Rezon, pelo polêmico Laurence Dermott, daquela que ficaria conhecida como a Grande Loja dos Antigos.
Ambas foram traduzidas, editadas e publicadas com o máximo de similaridade das publicações originais, com capa dura e miolo amarelado, mantendo as mesmas figuras e diagramação semelhante das primeiras edições, para que você possa conhecer e comparar esses dois maiores marcos legislativos de toda a história da Maçonaria, como se estivesse em pleno século XVIII.
E o melhor de tudo: você pode adquiri-las juntas com desconto! Acesse https://noesquadro.com.br/loja/ e saiba mais a respeito.
Outro dia estava palestrando em uma loja e, como de costume, o assunto “evasão maçônica” veio à tona. E, também como de costume, alguns irmãos demonstraram apego à cultura maçônica brasileira de que “a Maçonaria é perfeita” e “quem saiu nem deveria ter entrado”, o que costumo chamar de arrogância institucional: enquanto uma potência não tiver a humildade de querer entender como ela pode melhorar para reduzir a insatisfação dos maçons, por maior que ela seja, ela não será “grande”, no melhor sentido da palavra.
Contudo, um dos irmãos presentes quis saber na prática, com exemplos, mesmo que fictícios, porque um irmão ficaria insatisfeito com a Maçonaria. Eis aqui um raciocínio hipotético, que não atinge apenas a satisfação de maçons, mas a Maçonaria perante a sociedade:
Se um líder da Maçonaria compra, com o dinheiro da potência, um carro importado de 250 mil reais para busca-lo e leva-lo em casa, a uma distância que daria para ele ir a pé; e outro gasta 15 mil em um único jantar de uma viagem; e, em ambos os casos, ninguém faz nada… qual a moral que a Maçonaria tem para reclamar da má aplicação do dinheiro público?
Se uma liderança maçônica não consegue ir em um evento maçônico familiar sem ficar bêbado e inconveniente, e ninguém reclama… qual a moral que a Maçonaria tem para reclamar da postura de qualquer político, ou até mesmo de seus próprios membros?
Se um dirigente na Maçonaria difama e boicota um palestrante junto às lojas de sua jurisdição, simplesmente porque não gosta do que ele fala… qual a moral que a Maçonaria tem para defender a liberdade de expressão e de imprensa?
Se um poderoso maçom pede para outro ameaçar e silenciar um escritor maçônico que escreveu algo que ele não concorda… qual a moral que a Maçonaria tem para reclamar de abuso de poder por parte de qualquer autoridade do judiciário, do executivo ou do legislativo? Se um grupo de situação consegue fazer um malabarismo técnico para impugnar uma candidatura de oposição, e ninguém toma qualquer providência… que moral qualquer irmão têm para, se de direita, reclamar que o Bolsonaro está inelegível ou, se de esquerda, reclamar que o Lula foi preso às vésperas de uma eleição?
A Maçonaria é um “sistema de moralidade”. Como todo sistema aberto e instalado em um ambiente externo, seu objetivo é que o “profano” entre no sistema, o qual, funcionando, o transforma em um “maçom”, ou seja, um ser moral, para que este transforme o ambiente externo, de modo a colaborar com o bem-estar e a felicidade da sociedade. Mas se esse sistema educacional de moralidade não estiver funcionando corretamente, a ignorância, a intolerância, o fanatismo, a tirania e os vícios, aprendidos anteriormente no ambiente externo, terão mais força dentro do sistema do que suas próprias engrenagens.
Por sorte, essas são apenas hipóteses para fins de racionalidade, que não ocorrem nas instituições maçônicas brasileiras! Mas todas são possíveis, se não investirmos em educação maçônica, se não escolhermos os dirigentes corretos e, principalmente, se formos omissos aos seus erros. A relativização do errado em um sistema de moralidade é apenas a consequência, tendo como causa o abandono de suas engrenagens educativas.
A relativização dos erros de lideranças e a normalização de abusos e absurdos pelo povo maçônico afetaria sua moral para se manifestar no mundo “profano”. Seria, no mínimo, incoerência. Entretanto, talvez o maior impacto desse comportamento coletivo hipotético seria a saída de novos entrantes, que ainda não estariam anestesiados a tais erros e sairiam por concluírem que o que a Maçonaria ensina é distinto do que os maçons estão praticando.