Não sou contrário à literatura maçônica que segue uma vertente mais “espiritual”. Sou avesso à literatura maçônica sem pé nem cabeça, aquela escrita sem qualquer embasamento, sem referências, sendo apenas um reflexo da imaginação de seus autores.
Todo mundo tem direito a viajar na maionese de vez em quando, a acreditar que a corda de 81 nós é um filtro de egrégora, que filtra energias negativas e exala positivas, dentre outras coisas. Há aqueles que ainda acreditam que a terra é plana. Outros creem que o presidente da república é um extraterrestre disfarçado de humano. O problema é quando os frutos do consumo excessivo de incensos estragados tornam-se “material didático”, literatura sugerida e recomendada, fonte principal de peças de arquitetura das Lojas. É a partir daí que o nosso “belo sistema de moralidade” passa a ser confundido com uma “ordem magística” e nos distanciamos do resto do mundo e, principalmente, de nosso objetivo institucional.
Nesse cenário, tendo em um extremo o positivismo, um objetivismo quase que empirista; e no outro o subjetivismo extremado, aquele solipsismo cego; muitos consideram missão difícil a manutenção de um “caminho do meio”, aquele em que se busca experimentar o melhor dos dois mundos. Esse não foi o caso de nosso Irmão Pablo Guedes.
Em sua obra, “Da fórmula dos deuses mortos”, Pablo consegue trilhar esse caminho ideal, mostrando ser possível aquilo que muito defendemos, de que, independentemente de sua tendência epistemológica, deve-se produzir com qualidade e seriedade, pois o ofício da escrita está sempre acompanhado da grande responsabilidade de se respeitar os leitores.
O livro, que segue o objetivo de destrinchar o grau de Mestre Maçom sob a ótica esotérica de um Rito Solar, cumpre com o mesmo estruturando-se em ricas e recomendadas referências bibliográficas e seguindo relativo rigor metódico, ao evitar a realização de afirmações única e exclusivamente pessoais e íntimas.
Fisicamente produzido em material de ótima qualidade, a obra conta com belíssimas ilustrações coloridas em seu miolo, desenhadas por João Guilherme, que sem dúvida alguma é o maior ilustrador maçônico do país.
Para aqueles que gostam de mitologia, se interessam pelo esotérico, mas não abrem mão de boas referências e ricas citações, recomendo a leitura.
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No último dia 04 de maio, a Grande Loja do Estado de New York rompeu relações com a Grande Loja da Escócia. A razão? A histórica prática (a primeira que se tem notícia foi em 1725) de se regularizar membros expulsos de uma Obediência reconhecida.
A Grande Loja de NY, assim como a Grande Loja da Escócia, possui Lojas no Líbano. Há alguns anos, três membros de uma Loja libanesa da GL de NY foram expulsos após o devido processo disciplinar. Não demorou para que eles fossem regularizados em uma Loja da Grande Loja da Escócia e, aparentemente, estão sendo promovidos com postos de Grandes Oficiais da Grande Loja Distrital desta no Líbano.
A suspensão das relações durará até que a Grande Loja da Escócia tome medidas satisfatórias quanto a questão.
No último sábado, dia 17, tive a alegria de retornar a Manaus e reencontrar grandes irmãos e amigos, dentre eles o querido irmão Armando de Souza Corrêa Júnior, atual Grão-Mestre Estadual do GOB-AM. Na ocasião, uma consagração à Ordem da Sagrada Sabedoria, 33º grau dos Sacerdotes Cavaleiros Templários, Ordem maçônica com sede internacional em York – UK, tive a honra de receber das mãos do Irmão Armando uma bela placa. Mas essa não é a razão desta publicação.
A razão é da minha felicidade em, ao retornar a Manaus, verificar os avanços maçônicos daquela localidade. Conheço o Irmão Armando há anos e tenho tido a sorte de esbarrar com ele em alguns corpos maçônicos e eventos. Acredito que há maçons de pensamentos e maçons de ações, mas o maçom ideal é aquele que pensa e age. Estes não são maioria, então é sempre uma sorte se deparar com um. E o Armando é um deles. Sempre fez muito por cada missão maçônica que abraçou e, por isso, fiquei muito feliz quando, há uns 18 meses atrás, recebi a notícia de sua eleição ao Grão-Mestrado do GOB-AM.
Infelizmente, por questões de saúde, não pude atender ao convite do Irmão Armando, quando, já como Grão-Mestre, no primeiro semestre deste ano me convidou a palestrar no 1º ERAC – Encontro Regional de Aprendizes e Companheiros, realizado pelo GOB-AM, lá em Manaus. Mas, ao me fazer presente em Manaus desta última vez, fiquei orgulhoso e encantado ao ver e saber do trabalho que o Irmão Armando vem desempenhando à frente de sua Obediência.
Desde um melhor atendimento aos Irmãos e Lojas da jurisdição, as ações de caridade maçônicas ou paramaçônicas com o apoio institucional do GOB-AM, o foco na instrução complementar dos irmãos, o incentivo e parceria com as ordens paramaçônicas, até uma aproximação forte e fraterna à GLOMAM – Grande Loja Maçônica do Amazonas, o Irmão Armando tem dado uma nova cara ao GOB-AM e, principalmente, dado o exemplo da boa governança maçônica e prática da fraternidade sem distinção de ritos e obediências, o que tem sido motivo de júbilo entre os irmãos de Manaus e de todo o estado.
E, enquanto nos aproximamos tão rapidamente do término deste ano, o motivo maior destas poucas palavras é para desejar que, em 2017, toda a Maçonaria brasileira possa experimentar as benesses da liderança fraterna e responsável de Grão-Mestres como dos Irmãos Armando, Aldino, Amilcar, Berbigier, Cassiano, Gilberto, Jair, Lucas, Pithan, Tataco e tantos outros que, de uma forma ou de outra, tem nos surpreendido positivamente e renovado nossas esperanças para a Maçonaria no próximo ano.
A Grande Loja Nacional Francesa – GLNF, há anos considerada pelo mainstream maçônico internacional como a única regular em território francês, após viver, um período nebuloso, entre 2008 e 2012, que ocasionou na perda de quase 1/3 de seus membros e do reconhecimento da maioria das Grandes Lojas do mundo, por se envolver diretamente com política (saiba mais clicando aqui), após mudança de diretoria e de legislação e a recuperação de sua regularidade, no início deste mês de dezembro também mostrou estar em sintonia com a diplomacia maçônica internacional.
Em sua assembleia geral, ocorrida no último dia 03, a GLNF retirou o reconhecimento das Grandes Lojas da Geórgia e Tennessee, por conta de suas posturas homofóbicas (saiba mais clicando aqui); reconheceu a Grande Loja Prince Hall do Texas, que contou com a recomendação da Grande Loja do Texas; e reconheceu também 12 Grandes Lojas brasileiras.
Ao observarmos esses fatos (em especial o referente ao Texas), presenciados por representantes das principais Grandes Lojas do mundo que estavam presentes à assembleia da GLNF, percebemos o quanto as recentes ações de relacionamento maçônico promovidas pelas Grandes Lojas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, apesar de ainda minoritárias em solo brasileiro, são tendência mundial no meio maçônico e, principalmente, exemplos a serem seguidos.