por Kennyo Ismail | jun 15, 2016 | Notícias
Tenho, desde o início de 2014, destacado a importância de se realizar a formação das lideranças maçônicas, como forma de alcançar uma maior eficiência no cumprimento dos objetivos institucionais maçônicos e reduzir a evasão de membros da Loja. A preocupação com essa questão foi explicitada pelos resultados da pesquisa nacional que realizei e publiquei no livro “O LÍDER MAÇOM”, pela editora A Trolha.
Então, imagine minha alegria em escrever este post, notificando que o GOBA – Grande Oriente da Bahia, na pessoa de seu Grão-Mestre, Irmão Gilberto Lima da Silva, munido da mesma preocupação, realizou, neste último final de semana, um curso de capacitação dos Veneráveis Mestres recém-eleitos de suas Lojas e convidados da GLEB – Grande Loja do Estado da Bahia!
O evento, chamado de Areópago de Salomão, foi realizado no formato de um retiro maçônico, no Vale do Capão da Chapada Diamantina, onde tive a oportunidade de servir como Instrutor da turma, fato que muito me honrou. Foi um evento inédito, inesquecível, regado a muita fraternidade.
Espero sinceramente que essa iniciativa sirva de exemplo a outras organizações maçônicas, e que eventos similares se propaguem em nosso meio. E como as regras do evento impedem a divulgação de fotos e detalhes do evento, ilustro o post com a imagem da placa alusiva do ocorrido, lembrança que guardarei com muito carinho e orgulho.
Parabéns ao Grão-Mestre Gilberto, toda sua equipe, e todos os participantes de tão proveitoso evento!
por Kennyo Ismail | jun 8, 2016 | Notícias
Nos últimos dias 03, 04 e 05 de junho ocorreu em Brasília o I Encontro Nacional das Lojas do Rito de York, que contou com mais de 200 irmãos participantes, de 22 estados, além de uma comitiva de irmãos do Paraguai. Entre os presentes, destacou-se a participação do Irmão Cassiano Teixeira de Morais, Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Distrito Federal e anfitrião do evento; Aldino Brasil, Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica de Rondônia; Juscelino Amaral, Past Grão-Mestre da Grande Loja de Rondônia; Rubens dos Santos, Past Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Mato Grosso do Sul; e Bernardino Senna Ferreira Filho, Past Grão-Mestre da Grande Loja do Amapá. Ainda, os Altos Graus do Rito de York se fizeram presentes pelo Irmão João Guilherme da Cruz Ribeiro, Past Grand Sumo Sacerdote do Supremo Grande Capítulo de Mçaons do Real Arco do Brasil; e Kennyo Ismail, Grão-Mestre do Supremo Grande Conselho de Maçons Crípticos do Brasil.
Na tarde de sexta-feira os Veneráveis Mestres das Lojas do Rito de York e seus representantes se reuniram administrativamente numa histórica reunião, na qual se decidiu pela criação do Conselho Nacional das Lojas do Rito de York, que terá por objetivo a divulgação do Rito de York; a promoção de sua literatura; o fomento de sua cultura; e a perpetuação desse Encontro e sua qualidade. Já à noite foi realizada a Loja de Mesa Nacional, contando com seus mais de 200 participantes. Provavelmente o maior banquete ritualístico já realizado no Brasil.
O sábado pela manhã e pela tarde foi dedicado a palestras dos Irmãos João Guilherme, Kennyo Ismail, Cassiano Morais e William Carvalho, com temas sobre a história do Rito de York; sua simbologia e ritualística; a relação da Ordem DeMolay com o Rito; e uma revisão histórica da Maçonaria Brasileira até os dias atuais. No final da tarde os irmãos assistiram e riram bastante com a comédia maçônica “Um Happy-hour entre o Rito Escocês e o Rito de York”, de autoria de Kennyo Ismail e estrelada pelos Irmãos Arthur de Oliveira Martins, de Uberlândia – MG, e Társis Valentim Pinchemel, de Vitória da Conquista- BA. E a noite foi coroada com a famosa peça teatral “Jaques de Molay e o fim da Ordem dos Templários”, estrelada pelo irmão e ator global John Vaz.
No domingo pela manhã ocorreu o encerramento do Encontro, por meio da realização de uma belíssima iniciação pela Loja Maçônica “Flor de Lótus”, primaz do Rito de York no Centro-Oeste, na qual todos os oficiais realizaram suas funções e falas decoradas, como o Rito de York preconiza, contando ainda com o Mestre de Harmonia tocando ao vivo, e pela qual buscou-se uma padronização ritualística das Lojas presentes que adotam a versão do ritual da Grande Loja do Estado de New York. Para se ter uma ideia da beleza de tal iniciação, muitos foram os irmãos que não contiveram suas lágrimas ao final, sob o som de palmas incessantes: desde o Venerável Mestre que presidiu a sessão, até um dos candidatos iniciados.
Um destaque especial para a participação ativa e fundamental das cunhadas da Fraternidade Feminina da Loja “Flor de Lótus”, que esbanjaram simpatia e competência à frente do credenciamento e apoio de todo o evento. Para ver mais fotos do evento, acesse este link.
Quem não foi, perdeu. E quem foi, voltou para a casa com a certeza de que não perderá a próxima edição do Encontro.
por Kennyo Ismail | maio 5, 2016 | Notícias
No dia 21 deste mês de maio, o Supremo Conselho do REAA da Jurisdição Sul dos EUA, conhecido como Supremo Conselho “Mãe do Mundo”, realizará mais uma edição de seu evento “Comemorando o Ofício”, um show ao vivo de música e comédia, tendo como participantes artistas maçons e apoiado por celebridades, cujo objetivo é de arrecadar fundos para a restauração da Casa do Templo, o edifício histórico e sede do Supremo Conselho, e manutenção dos diversos programas e instituições sociais mantidos pelo Supremo Conselho.
Os brasileiros poderão assistir a transmissão ao vivo pelo website oficial do Supremo Conselho, que ocorrerá entre 19h do dia 21 e 01h do dia 22, horário de Brasília. Durante esse período, os interessados poderão realizar doações e destinar a quantia para a restauração e/ou para os projetos sociais.
Entre os artistas selecionados, está o Irmão brasileiro Flávio Apro, Doutor em Música pela USP com Pós-Doc pela Universidade Estadual da Califórnia, professor da Universidade Estadual de Maringá e músico profissional, que participará pela segunda vez do evento.
Prestigiemos nosso irmão Flávio Apro, o REAA, e celebremos nossa sublime ordem maçônica!
por Kennyo Ismail | abr 25, 2016 | Conceitos
Atualmente o Brasil tem enfrentado uma de suas maiores crises políticas, o que tem incitado maçons e grupos de maçons a defenderem a bandeira da atuação política da Maçonaria, muitas vezes apelando à suposta atuação política da Ordem na história do Brasil.
Muitos são os maçons, Lojas ou até mesmo Obediências maçônicas brasileiras que acreditam que, na qualidade de maçons ou da Maçonaria, podem exprimir opiniões favoráveis ou contrárias a algum político ou partido político.
Deve-se levar em consideração que, em 1938, a Grande Loja Unida da Inglaterra e as Grandes Lojas da Escócia e da Irlanda publicaram conjuntamente, “The Aims and Relations of the Craft”, que basicamente é a relação dos princípios fundamentais da Maçonaria, que garantem a regularidade dessas três Grandes Lojas e daquelas que as mesmas reconhecem ou venham a reconhecer. Esses princípios são compreendidos como universais pela comunidade maçônica regular internacional. Observe com atenção o item 6 de tais princípios:
Enquanto a Maçonaria inculca em cada um dos seus membros os deveres de lealdade e de cidadania, reserva-se ao indivíduo o direito de ter sua própria opinião em relação a assuntos políticos. Entretanto, nem em uma Loja, nem a qualquer momento em sua qualidade de maçom, lhe é permitido discutir ou fazer promover seus pontos de vista sobre questões teológicas ou políticas (GRIFO NOSSO).
Ora, tendo a Ordem Maçônica seu aspecto de universalidade no que tange a religiões e convicções políticas, que se autodeclara eterna defensora das liberdades civil, religiosa, política e intelectual, como poderia a mesma permitir um posicionamento maçônico que emita preferência política a favor ou contra quem ou o que quer que seja, sem desrespeitar o direito universal de seus membros, independente se maioria ou minoria, e, principalmente, sem desrespeitar sua própria natureza?
É por essa razão que uma das obrigações maçônicas mais antigas declara que “um maçom na sua qualidade maçônica não faz nenhum comentário sobre política, ou que possa ser interpretado como se aliasse sua Grande Loja com um determinado partido político ou facção”.
E a Maçonaria Regular leva esse princípio e essa regra muito a sério. Tanto que, há poucos anos atrás, a Grande Loja Nacional Francesa perdeu o reconhecimento das mais importantes Grandes Lojas da Europa, da América do Norte e de outras partes do mundo, simplesmente por ter publicado uma carta aberta de apoio a um candidato. E muito precisou ser feito para que a GLNF começasse a recuperar, aos poucos, tais reconhecimentos. No entanto, por alguma razão, algumas instituições maçônicas brasileiras cometeram irregularidade idêntica na última eleição presidencial. Sorte que a repercussão de uma carta aberta da Maçonaria no Brasil tem muito menos relevância, impacto e divulgação do que em outros países.
Mas você tem total direito de pensar que, se for para a Maçonaria mudar o país, “vale o risco”. Entretanto, parafraseando Burke, “a Maçonaria que não conhece a sua história está condenada a repeti-la”. Convido-o a analisar quais foram as consequências da atuação política da Maçonaria brasileira:
Em 1816 é fundada em Pernambuco a Grande Loja Provincial de Pernambuco, tendo como seu Grão-Mestre o Irmão Antônio Carlos de Andrada e Silva. Ela era subordinada ao Grande Oriente Brasileiro, fundado em 1809, em Salvador – BA, a verdadeira Primaz do Brasil (não confundamos com o Grande Oriente do Brasil, fundado apenas em 1822, no Rio de Janeiro). Essa Obediência pernambucana, em menos de um ano depois de sua fundação, foi a principal promotora da Revolução Pernambucana. Resultado: uma lei régia de 1818 proibiu o funcionamento da Maçonaria no Brasil, fechando as portas do Grande Oriente Brasileiro, de sua Grande Loja Provincial de Pernambuco e de todas as suas Lojas. E a Maçonaria brasileira demorou quatro anos para se recuperar do tombo e se reorganizar.
Então chegamos no período entre junho e setembro de 1822, utilizado como argumento maior dos defensores de tal atuação política por parte da Ordem, quando temos o surgimento do Grande Oriente do Brasil e sua intenção de promover a independência do Brasil. Com apenas três Lojas (a anterior, de iniciativa nordestina, tinha 09 Lojas quando foi fechada), o GOB já se encontrava totalmente dividido pela questão política, tendo à época a polarização entre a turma de Lêdo e a turma de Bonifácio. Um grupo perseguia o outro pública, política e legalmente. Isso foi bom para a fraternidade? Certamente que não. Havia harmonia nas Lojas e na Obediência? Com absoluta certeza, não. E dessa vez valeu a pena? Vejamos… O GOB não colaborou com a Independência, realizando uma reunião sobre o assunto dois dias após Dom Pedro I já tê-la declarado e comemorado em São Paulo, e um dos primeiros atos do novo Imperador foi ordenar o fechamento das portas da Obediência e suas Lojas, proibindo a Maçonaria, o que fez com que a Ordem, mais uma vez, adormecesse. Dessa vez por uma década inteira.
Poderíamos prosseguir com tal análise histórica, como na Era Vargas e na Ditadura Militar, mas não se faz necessário. Fato é que, quando as organizações maçônicas brasileiras se envolveram em questões políticas, elas sucumbiram ou traíram seus próprios princípios e membros, tornando-se apoiadoras de regimes não democráticos (mesmo a Maçonaria sendo a mãe da democracia moderna) e às vezes até expulsando, ou pior, delatando, membros da Ordem que eram no mundo profano declaradamente de ideologia oposta a tais regimes outrora instalados. Resumindo, a atuação política da Maçonaria brasileira (clara irregularidade maçônica) só obteve como resultado sérios prejuízos à fraternidade, entre perseguições e injustiças a irmãos; divisões; traições; adormecimento institucional; desvirtuação e descumprimento de princípios; etc. E nós, como maçons, não podemos permitir que tal irregularidade e tamanhos prejuízos continuem a ser produzidos pela simples vaidade de alguns irmãos que querem se declarar membros de uma instituição protagonista de mudanças políticas.
Afinal de contas, Maçonaria é uma bela escola de moralidade, baseada em alegorias e símbolos. Não é partido político nem tem objetivo ou finalidade questões políticas. Seu objetivo de promover a felicidade da humanidade é pelo amor, pelo auto aperfeiçoamento, pela tolerância pelo respeito às opiniões de cada um, ou seja, princípios e valores morais que ela ensina. Não é por meio da derrubada, permanência ou mudança de políticos, partidos ou regimes de governo. Se um maçom deseja isso (e tem total direito de desejar), que corra atrás, mas bem longe da Maçonaria, sem uso do esquadro e do compasso para tal.
Se uma Loja ou Obediência comete a irregularidade maçônica de apoiar A, como ficam os maçons, mesmo quando minoria, que apoiam B, C ou D? Ou mesmo, que optam pelo voto nulo ou em branco? Desde quando deixamos de nos colocar no lugar do próximo, de dar o benefício da dúvida, para nos tornarmos os detentores da verdade absoluta? Desde quando a seara política se tornou um campo preto e branco, de lado 100% certo e outro 100% errado?
O maçom, na qualidade de cidadão, tem total direito e até dever cívico de atuar politicamente. Enquanto maçom, não. Se exigimos o terno ou balandrau preto dentro de Loja, e temos uma justificativa de neutralidade e universalidade para isso, não podemos concordar com uma camisa amarela ou vermelha estampando o esquadro e o compasso. Nosso primeiro dever enquanto maçom é preservar a Maçonaria. E não é isso que temos visto por aí. Não precisamos estar condenados a repetir os mesmos erros do passado. Sejamos melhores que nossos antecessores, ou essa escola de moralidade não estará cumprindo seu dever de aperfeiçoamento moral a que se tem prestado há séculos.
por Kennyo Ismail | abr 21, 2016 | História
Todos sabem que o anel do grau 33 deve ser de ouro. No entanto, esse objeto de desejo de tantos maçons não é cobiçado pelo valor de seu metal, e sim pela dignidade que ele representa. Se no Brasil, um maçom deve dedicar algo em torno de 6 a 10 anos para alcançar o 33º grau (a não ser que ganhe acesso ao restrito Elevador de Jacó), tempo esse que serviu de inspiração para o termo “faculdade de Maçonaria”, nos EUA muitos são os que falecem no 32º grau ou, no máximo, no 32,5º, o KCCH.
Porém, um maçom dos EUA resolveu quebrar essa “regra de ouro”. Ninguém menos do que Frank Sherman Land, o fundador da Ordem DeMolay, quando investido no grau 33, em 1925, adotando um anel de prata, em vez de ouro. Essa iniciativa lhe trouxe muita dor de cabeça na época, que foi diminuindo com o tempo e sua projeção como um dos mais importantes maçons de todos os tempos.
A polêmica do anel de prata já havia desaparecido quando, em 1945, seu grande amigo, conterrâneo e Presidente, Harry Truman, também foi investido no grau 33. Muitos foram os que relataram ter visto o Presidente Truman, em algumas ocasiões, ostentando também um anel de prata do grau 33. Alguns acreditaram que ele estava utilizando o próprio anel de Frank Sherman Land. Mas quem ousaria criticar de alguma forma o Presidente dos Estados Unidos?
A amizade de Frank Sherman Land e Harry Truman era conhecida por todos. Land era tido como o melhor amigo de Truman, que elogiava publicamente Land sempre que possível e se pronunciava também publicamente em favor da Ordem DeMolay, iniciativa de seu amigo. Há inclusive a célebre frase que Truman teria dito a respeito de Land: “Frank gosta de mim, apesar dos meus defeitos, e gosto dele porque ele não tem nenhum”. Assim, a ideia de que Truman usara o anel de Land não era totalmente absurda.
O anel de Frank S. Land é mantido em exposição, junto de outros pertences maçônicos, desde seu falecimento, e o uso do mesmo anel, ou de um similar, por Truman, caiu no esquecimento como uma lenda. Isso até dezembro do ano passado, quando o anel de Truman foi descoberto. Um anel de prata, idêntico ao de Land, e cujas inscrições internas comprovam que havia sido um presente de Land para Truman.
E agora, em abril deste ano, pela primeira vez os dois lendários anéis de prata do grau 33, de dois dos mais famosos maçons do mundo, serão expostos em conjunto, na 2016 Truman Lecture, conduzida por Clifton Truman, escritor e pesquisador maçônico, neto do Presidente Truman.