Orgulho de ser maçom

Orgulho de ser maçom

Colares pesados,

Comendas Coloridas,

Aventais dourados,

Títulos gigantescos

E termos de tratamento.

O vil não o encantava ou enganava.

Tampouco as homenagens lhe agradava.

“Eu sou isso ou aquilo” não lhe dizia nada.

“Eu sou quem sou” era no que ele pensava.

Porque trabalho voluntario requer vontade e não cargo.

Fraternidade demanda sincera amizade e não falsa autoridade.

E uma escola de moralidade deve prover aprendizagem em vez de culto a imagem.

Afinal, o poder existe para servir e não para mentir.

E antes de ser “Grão” ou “Grande”… precisa-se ser Mestre… de seus próprios defeitos.

Pois para se discutir reconhecimento faz-se necessário conhecer a si mesmo.

Então, quando o avental branco for o principal paramento;

E a iniciação for a principal cerimônia a recordar;

Ele e seus irmãos poderão sentir o ápice do orgulho de serem maçons.

Orgulho esse tão ofuscado pelo brilho das vaidades e o grito horrendo dos tristes fatos aqui ocultados.

GOB-AM decolando

GOB-AM decolando

No último sábado, dia 17, tive a alegria de retornar a Manaus e reencontrar grandes irmãos e amigos, dentre eles o querido irmão Armando de Souza Corrêa Júnior, atual Grão-Mestre Estadual do GOB-AM. Na ocasião, uma consagração à Ordem da Sagrada Sabedoria, 33º grau dos Sacerdotes Cavaleiros Templários, Ordem maçônica com sede internacional em York – UK, tive a honra de receber das mãos do Irmão Armando uma bela placa. Mas essa não é a razão desta publicação.

A razão é da minha felicidade em, ao retornar a Manaus, verificar os avanços maçônicos daquela localidade. Conheço o Irmão Armando há anos e tenho tido a sorte de esbarrar com ele em alguns corpos maçônicos e eventos. Acredito que há maçons de pensamentos e maçons de ações, mas o maçom ideal é aquele que pensa e age. Estes não são maioria, então é sempre uma sorte se deparar com um. E o Armando é um deles. Sempre fez muito por cada missão maçônica que abraçou e, por isso, fiquei muito feliz quando, há uns 18 meses atrás, recebi a notícia de sua eleição ao Grão-Mestrado do GOB-AM.

Infelizmente, por questões de saúde, não pude atender ao convite do Irmão Armando, quando, já como Grão-Mestre, no primeiro semestre deste ano me convidou a palestrar no 1º ERAC – Encontro Regional de Aprendizes e Companheiros, realizado pelo GOB-AM, lá em Manaus. Mas, ao me fazer presente em Manaus desta última vez, fiquei orgulhoso e encantado ao ver e saber do trabalho que o Irmão Armando vem desempenhando à frente de sua Obediência.

Desde um melhor atendimento aos Irmãos e Lojas da jurisdição, as ações de caridade maçônicas ou paramaçônicas com o apoio institucional do GOB-AM, o foco na instrução complementar dos irmãos, o incentivo e parceria com as ordens paramaçônicas, até uma aproximação forte e fraterna à GLOMAM – Grande Loja Maçônica do Amazonas, o Irmão Armando tem dado uma nova cara ao GOB-AM e, principalmente, dado o exemplo da boa governança maçônica e prática da fraternidade sem distinção de ritos e obediências, o que tem sido motivo de júbilo entre os irmãos de Manaus e de todo o estado.

E, enquanto nos aproximamos tão rapidamente do término deste ano, o motivo maior destas poucas palavras é para desejar que, em 2017, toda a Maçonaria brasileira possa experimentar as benesses da liderança fraterna e responsável de Grão-Mestres como dos Irmãos Armando, Aldino, Amilcar, Berbigier, Cassiano, Gilberto, Jair, Lucas, Pithan, Tataco e tantos outros que, de uma forma ou de outra, tem nos surpreendido positivamente e renovado nossas esperanças para a Maçonaria no próximo ano.

Boas festas a todos os Irmãos!

Grande Loja Nacional Francesa e sua guinada nas relações internacionais

Grande Loja Nacional Francesa e sua guinada nas relações internacionais

A Grande Loja Nacional Francesa – GLNF, há anos considerada pelo mainstream maçônico internacional como a única regular em território francês, após viver, um período nebuloso, entre 2008 e 2012, que ocasionou na perda de quase 1/3 de seus membros e do reconhecimento da maioria das Grandes Lojas do mundo, por se envolver diretamente com política (saiba mais clicando aqui), após mudança de diretoria e de legislação e a recuperação de sua regularidade, no início deste mês de dezembro também mostrou estar em sintonia com a diplomacia maçônica internacional.

Em sua assembleia geral, ocorrida no último dia 03, a GLNF retirou o reconhecimento das Grandes Lojas da Geórgia e Tennessee, por conta de suas posturas homofóbicas (saiba mais clicando aqui); reconheceu a Grande Loja Prince Hall do Texas, que contou com a recomendação da Grande Loja do Texas; e reconheceu também 12 Grandes Lojas brasileiras.

Ao observarmos esses fatos (em especial o referente ao Texas), presenciados por representantes das principais Grandes Lojas do mundo que estavam presentes à assembleia da GLNF, percebemos o quanto as recentes ações de relacionamento maçônico promovidas pelas Grandes Lojas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, apesar de ainda minoritárias em solo brasileiro, são tendência mundial no meio maçônico e, principalmente, exemplos a serem seguidos.

Pitágoras, John Locke e a Maçonaria

Pitágoras, John Locke e a Maçonaria

Muitos são os que acreditam em uma ligação histórica, e não somente simbólica, entre o famoso matemático e filósofo Pitágoras e o surgimento da Maçonaria na Europa. Como argumento, indicam a estreita ligação que Pitágoras proporcionou entre a Geometria e a Filosofia, incrivelmente comum em apenas uma instituição: a Maçonaria.

Respeitáveis escritores maçons evitam realizar tal conexão entre Pitágoras e a Maçonaria, considerando a ausência de indícios favoráveis e a fragilidade de tal proposição. Entretanto, vejamos o que John Locke, um dos mais conhecidos filósofos modernos, pai do empirismo e um dos pais do liberalismo, pensava a respeito disso.

Para ler o arquivo com o manuscrito reproduzido e comentado por Locke a respeito, com comentários adicionais de Laurence Dermott e Kennyo Ismail, CLIQUE AQUI.

Comenda José Castellani

Comenda José Castellani

No último dia 24 de outubro, no Templo Nobre do Grande Oriente do Distrito Federal – GODF, a Loja “José Castellani #3883” – GODF-GOB, realizou a concessão de sua Comenda José Castellani. Na modalidade “Mérito Literário” cinco irmãos foram condecorados, sendo um in memoriam: Rizzardo da Camino. O irmão Adão José Paiani, do GORGS-COMAB, se fez presente na solenidade representando a família da Camino e agradecendo em nome da mesma. Os outros 04 irmãos condecorados foram:

  • Eurípedes Barbosa Nunes – Grão-Mestre Geral Adjunto do GOB;
  • Marcos Antônio Pereira Noronha – membro da Loja Universitária “Ordem, Luz e Amor” (GODF-GOB);
  • José Robson Gouveia – membro da Loja “Pioneiros de Brasília” (GODF-GOB); e
  • Kennyo Ismail – membro da Loja “Flor de Lótus” (GLMDF-CMSB).

Ainda, a Comenda foi concedida, na modalidade de “Dedicação e Trabalho”, a três valorosos irmãos que têm colaborado para o engrandecimento daquela Loja e de seu trabalho em prol da Literatura Maçônica:

  • Liberalino Reis de Oliveira
  • Valdemar Pereira dos Santos
  • Edilson Barbosa Veloso

Tive a honra e o privilégio de receber a comenda das mãos do Eminente Irmão Lucas Francisco Galdeano, Grão-Mestre do GODF e um dos maiores promotores da cultura e educação maçônica no Brasil atualmente. Na oportunidade, foi-me concedido permissão de realizar um breve discurso, cujo trecho disponibilizo a seguir:

Respeitável irmão Mário Chaves, Venerável Mestre desta Augusta e Respeitável Loja; Eminente Irmão Lucas Galdeano, Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal; irmãos, cunhadas, senhoras e senhores aqui presentes; inicialmente agradeço pela honra concedida de fazer uso da palavra nesta solenidade de outorga da Comenda José Castellani do Mérito Literário Maçônico de 2016. Nós, escritores de livros maçônicos, temos muita sorte… Não há gênero literário melhor, pois nossos leitores, mesmo os mais críticos, são sempre muito fraternos!
Creio que o momento é oportuno para que eu faça uma confissão… algo que venho escondendo há muitos anos… eu era um “goteira”! Para quem não está familiarizado com o termo, “goteira” é aquele profano que tem curiosidade e lê livros de Maçonaria. Meu avô é maçom, tendo iniciado, em 1967, na Loja “Luz e Humanidade”, do GOB – Minas Gerais. Apesar de um homem simples, com pouca escolaridade, era, e ainda é, aos 90 anos, um leitor voraz. Então, quando eu tinha uns 14 anos de idade, fui a uma livraria comprar um livro de presente de aniversário para o meu avô. A obra escolhida fora a primeira edição do Breviário Maçônico, de Rizzardo da Camino. Eu sabia que meu avô gostava dos livros do Rizzardo, pois via alguns de seus títulos em sua prateleira, e sabia que ele ainda não tinha esse, que era um lançamento. Mas o mais importante: o breviário se encaixava no meu orçamento!
No entanto, pela ansiedade comum aos adolescentes, comprei o livro com uma semana de antecedência do aniversário de meu avô. E munido dessa ansiedade, não resisti em lê-lo. Obviamente que pouco entendi, mas toda aquela mística me fascinou. Hoje, compartilho com meu avô essa paixão pela literatura maçônica e alguns daqueles títulos do Rizzardo da Camino compõem meu acervo pessoal. Assim, não posso deixar de sorrir para a roleta do destino e da vida, ao observar que, passados exatos 20 anos de minha “leitura proibida”, o primeiro autor maçônico que li, Rizzardo da Camino, vem a ser o patrono desta turma e o maior dos homenageados nesta noite. E não podemos deixar de reconhecer que aquela obra, então recém-lançada, mesmo passado 20 anos, é leitura diária de milhares de maçons brasileiros.
José Castellani e Rizzardo da Camino são, sem sombra de dúvidas, os dois autores mais lidos e citados da Maçonaria Brasileira. Um do Grande Oriente, o outro da Grande Loja. Um positivista, o outro místico. Duas faces da mesma moeda: a literatura maçônica brasileira, a qual nos une em festa hoje à noite. Diariamente, em templos maçônicos como este, verdadeiros Templos da Razão, nós maçons nos reunimos em busca de evolução. E como pesquisador, professor e escritor, tenho compreendido e ensinado que esta evolução proporcionada pela Maçonaria se dá por meio da dialética. Tem-se uma tese, que é uma ideia inicial, a qual precisa ser constantemente inquirida e questionada, de forma a gerar uma síntese, que nada mais é do que a tese melhor compreendida, melhorada.
Imaginemos as dificuldades e as limitações que autores como José Castellani e Rizzardo da Camino enfrentaram para nos proporcionar essa gama de teses concernentes à Sublime Ordem Maçônica em suas dezenas de livros. Se hoje, essa nova geração de escritores maçons, na qual ouso me incluir, tem condições de apresentar uma literatura maçônica de qualidade, devemos dar graças ao Grande Arquiteto do Universo pela oportunidade de realizarmos as antíteses das teses herdadas desses grandes vultos. Por essa razão, é a eles que presto aqui meus maiores agradecimentos.
Boa noite a todos.