por Kennyo Ismail | nov 28, 2017 | Notícias
No último sábado, dia 25 de novembro de 2017, tive a oportunidade de assistir a um debate histórico entre os dois atuais candidatos a Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil – GOB. Pelo que se sabe, pela primeira vez nesses 185 anos de existência do GOB (sim, 185. Não é erro de digitação), um debate formal ocorre entre dois candidatos concorrentes ao Grão-Mestrado Geral.
Isso somente foi possível graças à iniciativa, força de vontade, inteligência, experiência e competência do Eminente Irmão Lucas Francisco Galdeano, Grão-Mestre do GODF-GOB, e de toda sua equipe, que conseguiu a confirmação da participação das duas chapas registradas, a do Barbosa Nunes e a do Ballouk Filho, tendo desenvolvido uma dinâmica com regras claras e justas, aceita por ambas as partes, que proporcionou a oportunidade para que maçons regulares do GOB pudessem enviar suas perguntas para um ou outro candidato, ou para ser respondida por ambos, dentro de intervalos de tempo controlados, de forma a garantir a igualdade de condições.
O debate teve início com um cumprimento cordial e fraterno entre os candidatos Barbosa e Ballouk, seguido de exposição inicial de 15 minutos de cada um sobre seus projetos para o GOB, caso eleito. Essa primeira etapa, de exposição, já destacou nitidamente as diferenças entre os candidatos.
Barbosa (GO), candidato da situação, fez uma exposição mais subjetiva, focada em termos que agradam a todos, como “harmonizar”, “influência política” e “crescimento”, sem dizer como realizaria tais transformações. Sua plataforma é claramente mais centralizadora, querendo uma maior aproximação e comunicação entre Lojas e Poder Central, em detrimento dos Grandes Orientes Estaduais e Distrital.
Um trecho de uma das frases ditas por Barbosa, em sua exposição inicial, demonstra a adoção de um pensamento um tanto quanto ultrapassado sobre os objetivos da maçonaria brasileira, ao defender que o GOB volte a “influenciar os destinos da Nação”. Mas também não entrou em detalhes sobre como isso seria possível.
Ballouk (SP), candidato da oposição, adotou uma explanação mais objetiva ao propor uma reformulação do Pacto Federativo, pela qual os Grandes Orientes Estaduais e Distrital seriam fortalecidos; um melhor relacionamento com as outras duas vertentes maçônicas brasileiras, Grandes Lojas confederadas à CMSB e Grandes Orientes confederados à COMAB; o desenvolvimento de um Plano Estratégico a longo prazo para o Poder Central, com “planos de estado” e não apenas “planos de governo”, além do desenvolvimento de uma espécie de Facebook Maçônico, fornecendo assim um “Banco de Talentos”. Seu discurso foi, realmente, de oposição, ao emitir afirmações como “Nós não temos Grão-Mestres Estaduais. Nós temos Delegados” e “O Grande Oriente do Brasil é uma piada no mundo maçônico hoje”.
O alerta também acendeu durante a exposição inicial de Ballouk ao criticar a restrição do apoio do GOB à juventude apenas por meio da APJ. Ele afirmou que a Ordem DeMolay deve, também, ser institucionalmente apoiada “não importa a facção”. Talvez essa neutralidade seja reflexo de ter tido viagem de campanha paga por uma das “facções”, enquanto a outra que detém o reconhecimento internacional e a legalidade do direito de uso de nome e marca.
Já na segunda e terceira etapas, de resposta a perguntas, desconsiderando uma pergunta desperdiçada (para não dizer algo pior), que questionava sobre a revisão do ritual do Rito Brasileiro no simbolismo, que, conforme o autor da pergunta, estava com muito erro ortográfico, as respostas das demais perguntas evidenciaram as seguintes propostas destacadas:
BARBOSA:
- Plantão permanente de socorro, a nível nacional, para acidentes e outras situações relacionadas à segurança e saúde.
- Convocação de uma Suprema Congregação Extraordinária para tratar de intervisitação, estado por estado.
BALLOUK:
- Compartilhar território com Grandes Lojas e Grandes Orientes da COMAB com base em regras claras e comuns de regularidade.
- Atrair a juventude para o GOB com políticas de incentivo à iniciação de Seniores DeMolays e estímulo a fundação de Lojas Universitárias.
Nessa segunda e terceira etapas, outras afirmações feitas pelos candidatos chamaram a atenção. Ballouk, que aparenta ser melhor informado, cometeu o deslize de afirmar que “filantropia não é princípio da Maçonaria”. Não deve saber que o lema maçônico original, ainda adotado na maioria dos países, incluindo nos EUA e na Inglaterra, tão citados por ele, tem na caridade um dos princípios mais básicos da Maçonaria, compondo o tripé de princípios maçônicos, entre o Amor Fraternal e a busca da Verdade.
Já Barbosa não ficou para trás em deslize, ao criticar o atual processo eleitoral do GOB, considerado por ele como antiquado e ultrapassado, afirmando que “milhares de votos foram desconsiderados na última eleição”. Opa! na última eleição foi pela qual ele foi eleito GMG Adjunto! Dizem por aí que esses milhares de votos eram a favor do Mozarildo, que teria vencido a eleição, mas não levado. Algo similar ao ocorrido com Athos Vieira de Andrade, em 1973. A diferença é que, naquela época, os Grandes Orientes Estaduais eram mais fortes e autônomos. Deve ser por isso que o poder foi tão centralizado de lá pra cá…
Enfim, nessa luta maçônica entre Barbosa e Ballouk pelo poder de administrar dezenas de milhares de maçons brasileiros e algumas dezenas de milhões de reais, a boa notícia é que qualquer um dos dois será melhor do que o que se tem atualmente. Ambos prometem reverter os estragos que a atual gestão fez nas relações com as outras vertentes maçônicas brasileiras, em especial com a COMAB, mas de maneiras diferentes. Não podemos chamar isso de avanço, mas de retorno ao ponto em que paramos, há 10 anos, quando a atual gestão do GOB assumiu. Então, o desafio do vencedor do pleito será correr para desfazer tantos outros estragos, em nível de Loja, de estado, de país e até internacional, e tentar recuperar uma década perdida na evolução do GOB enquanto mãe da maçonaria regular brasileira.
Entretanto, há pontos de atenção em ambos os candidatos, que devem ser considerados e, se possível, questionados aos mesmos. Ambos explicitaram uma vaidade favorável ao ativismo político, que não tem qualquer relação com a finalidade da Sublime Ordem Maçônica. Seja o GOB como “influenciador” (Barbosa) ou “protagonista” (Ballouk) do país, ambos se resumem naquele mesmo discurso de “elite estratégica” e “eminência parda”, que já morreu na década de 80. Atualmente, vive-se uma era de gestão participativa e democratização do conhecimento. A sociedade brasileira não deseja ser governada por uma mão invisível. E apenas maçons mal informados ou mal intencionados sucumbem perante a vaidade de querer fazer parte disso.
Outro ponto é quanto a Ordem DeMolay. A Ordem DeMolay já soma no Brasil mais membros filiados do que o que o GOB tem de maçons ativos, mas divididos em dois Supremos Conselhos. Barbosa já demonstrou desconhecimento sobre o assunto quando se intrometeu na questão entre os dois Supremos, apresentando-se como mediador de um processo muito mais complexo e já definido do que ele imaginara. Já Ballouk, além de “patrocinado” por uma das, como ele mesmo se referiu, “facções”, colocou-se encima do muro, mesmo ao declarar discretamente reconhecer a incompetência do GOB perante o DeMolay International.
Se você me perguntar quem venceu o debate, eu digo, sem titubear, que foi o Ballouk. Barbosa parece ainda não saber a diferença entre regularidade e reconhecimento, apesar de ser, certamente, um irmão bem intencionado e por isso deve contar com o respeito de todos. Já Ballouk não se mostrou um erudito sobre Maçonaria, mas, pelo menos, fez o dever de casa. No entanto, ganhar o debate nunca significou ganhar a eleição. Se Ballouk sobreviver maçonicamente nos próximos dias, o que acho difícil (vide Amintas, de Minas Gerais), a oposição nunca levou uma eleição no GOB. Já venceu… mas nunca levou. E Barbosa reconheceu isso durante o debate, ao criticar o próprio processo eleitoral pelo qual foi eleito GMG Adjunto.
De qualquer forma, o debate foi uma experiência excelente, cujo funcionamento surpreendeu pela organização e zelo, tendo alcançado seu objetivo de exposição de ideias, mas nem tanto de confronto ou, pelo menos, questionamento das mesmas. A antítese ficou levemente prejudicada em nome da harmonia, do ideal de um “encontro fraterno” entre chapas adversárias, natural em uma primeira edição. Mérito do Eminente Grão-Mestre Lucas Galdeano e toda a equipe do GODF, que realizaram algo histórico, algo que deveria ser direito de todo maçom gobiano assistir para votar. E, tendo quebrado o gelo, dado o pontapé inicial, espero que esse debate torne-se moralmente obrigatório nas próximas eleições gobianas, e que outras potências tomem por sugestão quando de suas eleições.
O vídeo do debate está disponível abaixo:
[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=Cg2ekw3hCxw[/youtube]
UPDATE: 4-12-2017
No post sobre o debate, afirmei que “há pontos de atenção em ambos os candidatos, que devem ser considerados e, se possível, questionados aos mesmos“. Então, desde sua publicação, tenho recebido manifestações de irmãos apoiadores de ambas as chapas, desejosos de esclarecer esses pontos por seus candidatos. Alguns optaram pela arte da retórica, enquanto outros preferiram fazer críticas ao candidato adversário do seu. Desconsiderei tais manifestações, na crença de que somente o orador pode esclarecer suas próprias palavras. Ninguém mais.
E então, no final da tarde de hoje, recebi uma ligação do Irmão Ballouk, que muito educada e fraternalmente dedicou um espaço de sua agenda corrida para esclarecer dois pontos de atenção apontados no post: Filantropia e DeMolay.
Ballouk explicou que, em seu entendimento, na Maçonaria a filantropia não é fim, mas meio. Sendo a moral a verdadeira finalidade maçônica, a filantropia seria um meio de se desenvolver a moral do maçom, dentre outros. E, nesse sentido, ele está certo.
Já sobre DeMolay, Ballouk esclareceu que, diferente do que alguns irmãos têm propagado, ele não teve passagem de avião para campanha adquirida pelo SCODB. A passagem teria sido emitida quando ainda era Grão-Mestre do GOSP e atendeu ao apelo de última hora de um então dirigente do SCODB que é gobiano, pois haveria uma solenidade oficial no Congresso Nacional em homenagem à Ordem DeMolay e o SCODB não tinha confirmada a participação de nenhum Grão-Mestre para atender à cerimônia. Em suas palavras, por volta de 70% dos gastos da campanha estão sendo arcados de seu próprio bolso e as doações somente são feitas por meio de uma conta bancária com destinação específica, aberta com essa única finalidade, de forma a possibilitar total transparência na prestação de contas da campanha.
Cumprindo o compromisso maçônico com a verdade, publico aqui tais esclarecimentos, agradecendo ao Irmão Ballouk pela atenção dispensada em sua ligação e toda a cordialidade no diálogo.
O blog No Esquadro estará sempre aberto a qualquer esclarecimento que quaisquer candidatos e lideranças maçônicas desejarem realizar aos nossos leitores.
por Kennyo Ismail | nov 21, 2017 | Notícias
Os altos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito – REAA são administrados por um Supremo Conselho, podendo haver apenas um Supremo Conselho do REAA reconhecido internacionalmente por país, com exceção dos Estados Unidos, que convencionou-se, desde as primeiras conferências mundiais de Supremos Conselhos, o reconhecimento de seus dois Supremos Conselhos, Jurisdição Sul e Norte, já que não competem em território/jurisdição, coexistindo e reconhecendo um ao outro. O da Jurisdição Sul é o primeiro do mundo e o maior, abrangendo 35 estados dos EUA, enquanto o da Jurisdição Norte abrange os outros 15, que ficam ao leste do Rio Mississipi e ao norte do Rio Ohio (daí sua delimitação e nomenclatura).
Enquanto o Supremo Conselho da Jurisdição Sul tanto se orgulha do mais célebre membro e dirigente em sua história, Albert Pike; o da Jurisdição Norte se orgulha exatamente do contrário: de seus graus terem sido preservados, não tendo sofrido as modificações implementadas por Pike e aquelas consequentes dessas. E, apesar de eternamente condenado a ser menor que o “irmão mais velho”, o Supremo Conselho do Norte também se orgulha de ter em sua jurisdição importantes estados maçônicos, como New York, Pensilvânia, Indiana, Illinois e Massachusetts.
Recentemente, um novo Soberano Grande Comendador (presidente), o Irmão David Glattly, assumiu a gestão do Supremo Conselho da Jurisdição Norte e tem implementado uma série de inovações que têm agradado seus membros. Desde um novo website, oferecendo uma série de recursos e uma área de acesso restrito a membros, informatizando muitos processos e permitindo facilidade no acesso a informações; até um novo programa educacional maçônico: a Academia dos Altos Graus.
Composto por três níveis, o programa online, restrito aos membros investidos no grau 32, foca na aprendizagem do conteúdo dos graus 04 ao 32 do REAA, versão da Jurisdição Norte.
No primeiro nível, o conteúdo simbólico e filosófico desses 29 graus é aprofundado e o aluno precisa alcançar média ao responder uma série de questões de múltipla escolha. Pode-se repetir o teste até passar, mas as questões são randomizadas, ou seja, não serão as mesmas.
No segundo nível, com orientação de membros de um conselho consultivo, o aluno deverá escolher 09 graus dentre o 4º e o 32º para se aprofundar e escrever ensaios teóricos sobre cada um dos escolhidos.
Então, no terceiro e último nível, o aluno desenvolve, com o apoio de um orientador, um artigo acadêmico, com não menos do que 2.500 palavras, sobre tema de sua escolha, desde que relacionado com o REAA. Os trabalhos aprovados serão publicados em um anuário do Supremo Conselho (algo similar ao Heredom, do Supremo Conselho da Jurisdição Sul) ou na revista do Supremo, a “Nothern Light” (similar à “Pumbline”, também da Jurisdição Sul).
Os alunos recebem um certificado ao final de cada nível e, ao serem aprovados em todos os níveis, é concedido aos mesmos uma comenda da Academia dos Altos Graus. O programa conta ainda com leituras complementares e recomendadas. Enfim, como um típico curso de extensão ou curso de educação corporativa.
Por que estou contando isso? Porque esse tipo de programa é uma realidade há décadas na Maçonaria de países como Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, e até mesmo Cuba e Costa Rica. E, apesar de tardiamente, a maçonaria brasileira tem se despertado para a educação maçônica. Eventos como o recente Congresso Internacional de Ciência & Maçonaria e publicações acadêmicas como a Revista Ciência & Maçonaria tem surgido; assim como cursos de pós-graduação, como o de História da Maçonaria da UnyLeya e o de Maçonologia da Uninter, ou os de educação corporativa como os da Escola No Esquadro; e, aos poucos, uma nova literatura maçônica brasileira, forjada com mais referências e rigor, vai se desenvolvendo.
Entretanto, nesse período de transformação, é comum que alguns membros brasileiros se assustem com tais inovações, rechaçando-as, acusando-as de estarem desfigurando a Maçonaria. É mister observar que a evolução na educação maçônica em nada modifica a Ordem Maçônica em si, seus ritos, rituais, graus e práticas. Pelo contrário, proporcionar novas e mais eficientes formas de se estudar a Maçonaria em todos os seus diferentes aspectos (história, filosofia, linguística, etc.) é a melhor forma de garantir que suas formas, além de preservadas, sejam compreendidas, enquanto que a ignorância e a prática vazia são os alicerces das modificações sofridas e a sofrer.
Que a maçonaria brasileira possa se motivar ainda mais nesse sentido, com mais esse exemplo vindo de nossos irmãos do Norte (e nesse caso, da Jurisdição Norte da América do Norte). #ficaadica
por Kennyo Ismail | out 25, 2017 | Notícias
Você está vendo esses dois homens na foto? Essa foto foi tirada quando estavam em pré-operatório num hospital de Washington DC, alguns dias atrás. O barbudo, Richard, estava doando um rim para o careca, Christopher, que tem problema renal em estado terminal, já realizando três hemodiálises por semana. Eles não são parentes. Eles não são amigos de infância. Eles nem sequer se conheciam há poucos meses atrás. Christopher não está pagando pelo rim de Richard, que colocou sua saúde em risco, mesmo tendo duas filhas pequenas, para salvar a vida de um desconhecido. Sabe por que? Porque eles são irmãos. Sim. São irmãos maçons.
Há poucos meses, circulou em um blog maçônico norte-americano a notícia de que um irmão de Washington, de apenas 26 anos de idade, maçom dedicado à sua Loja, a “Colonial #1821”, da Grande Loja do Distrito de Columbia, estava na fila por um transplante de rim. Um irmão de 32 anos de idade, pai de família, que não conhecia Chris e nunca tinha ido a Washington, leu a notícia e fez contato, se voluntariando a fazer os exames de compatibilidade. Era Richard, Segundo Diácono da Loja “Golden Spike #6”, da Grande Loja de Utah. Após a confirmação dos exames, no último dia 09 de outubro as cirurgias ocorreram com sucesso.
Quando questionado sobre a razão de estar doando um rim para um desconhecido, Richard disse que, ao ler a notícia, de um irmão tão jovem necessitando de ajuda e solidariedade, apenas cumpriu com seu juramento. Assim, a tríade do lema maçônico original foi ilustrada, de forma sublime, na ação desse irmão, pois o amparo dado foi um verdadeiro ato de amor fraternal.
E você aí com preguiça até de ir pra reunião, né? A quantidade de graus que você tem é equivalente à quantidade de juramentos que você prestou. Mas se cumprir com maestria apenas o do grau de Aprendiz, já estará fazendo a diferença e colaborando para uma sociedade melhor. Não deixe que nossas cerimônias sejam apenas fórmulas vazias. Leve-as em sua mente e coração, usando-as para esquadrar suas ações.
Obrigado, irmão Richard. Você, com certeza, salvou bem mais do que a vida de um irmão. Seu nobre ato nos recorda da importância de nossa Fraternidade, pois para socorrer um necessitado não precisa ser maçom… mas para ser maçom precisa-se socorrer os necessitados. Em outras palavras, o que para os outros é uma opção, para o maçom é uma obrigação.
por Kennyo Ismail | out 16, 2017 | Crítica literária
Primeiro volume de uma trilogia, “Um Clone para Deus: O Caos sobre a Ordem” é um thriller de ficção e aventura que tem como cenário inicial a comemoração do centenário da Ordem DeMolay, fraternidade juvenil patrocinada pela Maçonaria e que completará seus 100 anos em 2019. Em seu enredo, temas como clonagem, DeMolay, Maçonaria, Templários e crime organizado se cruzam em meio a invasões, sequestros, lutas e perseguições, num ritmo de tirar o fôlego.
Numa narrativa repleta de humor, suspense, tensão e adrenalina, o autor consegue levar o leitor a interessantes locais turísticos espalhados pelo mundo, enquanto dá pequenas aulas de história, linguística e filosofia, ocultas em diálogos interessantíssimos entre personagens muito bem caracterizados e com os quais chega a ser impossível não se conectar.
Leitura recomendada não apenas aos amantes de teorias da conspiração ou das ordens DeMolay e Maçônica, mas a todos os interessados numa excelente obra de ficção!
Segue uma breve sinopse, pela qual se pode ter uma ideia do que encontrar no livro:
A notícia do roubo do Sudário de Turim para fins de clonagem chama a atenção de todo o mundo, em especial da Maçonaria, acusada publicamente de ser responsável pelo crime. O fato desencadeia manifestações em vários países, com a formação de grupos a favor e contra a clonagem de Jesus.
Uma equipe formada por um professor brasileiro, um lobista americano, um hacker filipino e um mochileiro italiano é criada com a missão de descobrir os verdadeiros responsáveis e entregá-los às autoridades policiais, limpando assim o nome da Maçonaria.
A partir daí, eles iniciam uma busca frenética, uma corrida contra o tempo, com passagens por Kansas City, Turim, Edimburgo, Paris e Lisboa, e envolvendo invasões, sequestros, lutas e perseguições.
Um fim inesperado, que pode mudar o mundo ocidental como o conhecemos, ocorre numa favela do Rio de Janeiro.
Você encontra o livro, impresso e digital, na loja virtual da Livraria Cultura (clique aqui) e em várias outras livrarias físicas e virtuais. Em Portugal, recomendo a aquisição do livro via loja virtual da Chiado Editora (clique aqui). Você também pode adquirir o e-book, versão para kindle, na Amazon (clicando aqui).
por Kennyo Ismail | out 2, 2017 | Conceitos
Desde 2011 venho dando o exemplo da maçonaria alemã para sugerir que é possível a maçonaria brasileira trabalhar unida sem abrir mão da personalidade de cada vertente, suas peculiaridades, cultura e autonomia próprias. O artigo em que apresento o caso alemão pode ser lido AQUI.
A partir de então, vez ou outra vejo algum irmão defendendo essa bandeira. Vi um com planos mirabolantes, definindo complexas estruturas de comissões e até mesmo metas com prazos já estipulados, num projeto de mais de uma centena de páginas, mais engessado do que o que já temos hoje. Outro se deu ao trabalho de fazer organograma e fluxograma de como se alcançar o que viria a ser o futuro da maçonaria unida brasileira. Receitas de bolo prontas para os Grão-Mestres seguirem à risca e se tornarem Masters-Chefs em união maçônica. Será?
Desde a década de 60, com a consolidação da Teoria Contingencial, sabemos que receita de bolo não funciona em organizações, pois “tudo é relativo”. O que funciona em uma organização não necessariamente funcionará ou alcançará o mesmo resultado em outras. E quando se fala de interação entre organizações, apenas com elementos internos de cada organismo interagindo entre si com um objetivo comum, num profundo intercâmbio de dados, informações e experiências, pode-se, com um alto comprometimento e flexibilidade de todas as partes envolvidas, alcançar algum resultado positivo, se o ambiente externo, em toda sua complexidade, assim permitir. Não existe receita de bolo infalível, ainda mais elaborada por um agente externo.
No entanto, recentemente tive conhecimento de uma proposta factível, plausível, apresentada pelo Grão-Mestre do GODF – Grande Oriente do Distrito Federal, federado ao GOB, Eminente Irmão Lucas Francisco Galdeano. E digo plausível exatamente porque não é uma receita de bolo, somente propondo um pontapé inicial, ou seja, “o que” e “quem”, mas não caindo na vaidade de cometer o erro comum de querer ditar o “como”, “quando”, “onde”, etc. Isso não cabe a uma única pessoa, pois estamos falando do envolvimento de umas 50 organizações, com realidades totalmente diversas, mesmo dentro de uma mesma vertente, e com questões locais que não podem ser desconsideradas.
E achei muito justo a proposição de que esse pontapé parta do GOB – Grande Oriente do Brasil. Além de ser a mais antiga das obediências regulares ainda em funcionamento no Brasil, foi do GOB que partiu a celeuma da proibição de intervisitação, que ainda persiste na maioria dos estados. Assim, cabe ao GOB escutar o clamor de sua base e trabalhar nesse sentido. As Grandes Lojas e os Grandes Orientes da COMAB estão mais unidos do que nunca, na maioria dos estados. É a hora do GOB “chegar junto” nacionalmente, já que, em nível estadual, os Grandes Orientes Estaduais do GOB estão de mãos atadas, tendo os Grão-Mestres Estaduais perdido muito da autonomia e autoridade que tiveram até uns 10 anos atrás (período “a.M.J.”).
Parabéns ao Grão-Mestre Lucas Galdeano pela sabedoria e coragem apresentadas nessa proposta, Reunião da Maçonaria, e que, para minha surpresa, fora desenvolvida desde a década de 90! Espero que o exemplo e a ideia sirvam aos atuais candidatos ao Grão-Mestrado Geral do GOB, Ballouk e Barbosa. Os maçons brasileiros esperam por isso. Derrubem o muro! Construam pontes!