por Kennyo Ismail | dez 12, 2017 | Notícias
Em um de meus livros, História da Maçonaria brasileira para adultos, apresento a revisão de um estudo que fiz sobre o impacto dos diferentes lemas maçônicos nos trabalhos realizados pelas Obediências simbólicas. Em seguida, no último capítulo da obra, observo que a maçonaria brasileira tem, intrínseca e paulatinamente, se aproximado do lema maçônico original, de “Amor Fraternal, Amparo e Verdade”, por meio de suas atividades. É reflexo da “globalização maçônica” que vivemos. Esse tema também é abordado nas últimas 05 aulas do curso online de História da Maçonaria no Brasil, da Escola No Esquadro.
Pois bem, foi noticiado aqui no blog um belo exemplo de Amor Fraternal e Amparo, ocorrido nos EUA, quando, há poucos meses, um irmão maçom doou um de seus rins a um irmão necessitado. E hoje, fico feliz de divulgar um belo exemplo que o GODF – Grande Oriente do Distrito Federal, vem nos dar sobre esse belíssimo princípio maçônico do Amparo.
No último final de semana, dentre as atividades de encerramento de seu calendário maçônico, o GODF inaugurou sua Unidade Móvel Odontológica – UMO, que terá por objetivo atender, não apenas os integrantes da família maçônica, mas toda a comunidade carente nos eventos sociais realizados ou apoiados pelo GODF ou suas Lojas jurisdicionadas. O projeto do ônibus UMO, especialmente adaptado para esse fim, contou com o patrocínio dos Laboratórios Sabin, da Interlife Projetos Sociais e da Atlântida Móveis, além do apoio da Faculdade de Odontologia do ICESP e do Conselho Regional de Odontologia do DF para o evento de seu lançamento.
Essa iniciativa merece destaque porque não se trata de uma simples ação, mas de um programa permanente, que envolveu centenas de milhares de reais em investimento e envolverá atenção, dedicação, gestão e investimentos constantes. O GODF poderia distribuir cestas básicas e presentes de Natal, ou outra atividade simples, pontual, esporádica. Sim, essas ações são importantes, mas as necessidades das famílias menos favorecidas persistem nas outras 50 semanas do ano. O que o GODF fez foi assumir um compromisso permanente com a sociedade. E isso é algo que todo maçom e maçonaria deve fazer.
Que exemplos como esse continuem a surgir e nos motivar a seguir adiante em nossa jornada maçônica.
por Kennyo Ismail | dez 8, 2017 | Notícias
No dia 1º de junho deste ano, tivemos a felicidade de anunciar o lançamento da Escola No Esquadro: a plataforma de cursos online de Maçonaria no Brasil, seguindo o modelo de educação organizacional ou corporativa, e tornando o conhecimento maçônico mais acessível a todos os irmãos.
O primeiro curso lançado na plataforma foi o de Introdução à Maçonaria, em fase beta, cujo objetivo é de nivelamento de conhecimento dos conceitos básicos da Maçonaria a serem utilizados em outros cursos, de forma a possibilitar um melhor desempenho na aprendizagem. Seu conteúdo é excelente, e surpreende até mesmo os maçons mais experientes e estudiosos.
Então, nesses últimos seis meses, recebemos o feedback dos alunos e com isso aprendemos muito e pudemos corrigir e melhorar a plataforma em muitos aspectos. O resultado já pode ser visto no novo curso que acaba de ser lançado, de História da Maçonaria no Brasil, cuja qualidade audiovisual ficou nitidamente melhor.
Como costumo dizer, “a Maçonaria que não conhece a sua história está condenada a repeti-la”. O curso de História da Maçonaria no Brasil apresenta interessantes informações sobre a atuação da Sublime Ordem maçônica em território nacional, atravessando três séculos de história, nos quais se verá, desde o período pré-independência até o despertar maçônico brasileiro nestes primeiros anos do século XXI, evidenciando como os acontecimentos no Brasil e em sua Maçonaria se inter-relacionam. Entre os temas abordados no curso, tem-se:
- Maçonaria brasileira antes de 1822
- Fatos relevantes de 1822
- O Dia do Maçom
- De 1831 a 1888
- 1889 e a Proclamação da República
- A fase socialista do GOB
- O Alerta Inglês à Maçonaria brasileira
- A Cisão de 1927
- Maçonaria na Era Vargas
- Maçonaria na Ditadura Militar
- A cisão de 1973
- Os diferentes lemas maçônicos
- Perspectivas para o Século XXI
O aluno, além das vídeo-aulas e da apostila do curso, precisa responder questões objetivas online e, quando aprovado, é gerado um certificado de conclusão. Muitos outros cursos estão sendo desenhados e desenvolvidos nas mais diferentes áreas de interesse, dentre gestão, história, filosofia e simbologia maçônica. Mas o mais importante é que essa plataforma está aberta a todos os professores qualificados e instituições maçônicas e paramaçônicas regulares interessadas em desenvolver e disponibilizar cursos aos seus membros. A Escola No Esquadro é de todos vocês.
por Kennyo Ismail | dez 6, 2017 | Notícias
A mitologia grega dava notícia de que Perseu era fruto de um assédio sexual bem sucedido entre Zeus, o pai dos deuses gregos, e uma mortal. Assim, Perseu era um semideus (mortal) que contava com a simpatia de alguns deuses, incluindo seu pai, Zeus, apesar de provavelmente Perseu não simpatizar muito com este, por ter enganado sua mãe (ou subornado, em algumas versões) para possuí-la.
Isso ilustra o fato de que alguns filhos (ou afilhados), não necessariamente seguem a cabeça dos pais, até mesmo no Olimpo Maçônico. Barbosa, nos últimos discursos proferidos em Lojas, tem demonstrado isso, ao assumir o papel do herói Perseu e tentar afastar sua imagem à de seu Zeus, que já jogou seus raios sobre Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e tem ameaçado jogar seus raios até sobre o GODF por conta do debate.
Minha última leitura, principalmente após o debate entre Barbosa (Perseu) e Ballouk (eleito pelo Zeus do Olimpo Maçônico como seu inimigo Érebo), foi a de que Érebo está mais preparado. Entretanto, cabe observar que uma das principais qualidades de um líder maçom é saber escutar. É impossível que um Grão-Mestre saiba de tudo sobre tudo, de legislação, relações exteriores, simbologia, ritualística, administração, etc. Então, bons líderes são aqueles que sabem se rodear de bons especialistas em cada área e sabem, principalmente, escutá-los. E Barbosa, o Perseu do Olimpo Maçônico, demonstrou recentemente essa virtude.
Um dos pontos de atenção levantados com o debate foi a questão DeMolay. Como dito naquele post, há dois Supremos Conselhos da Ordem DeMolay em funcionamento no Brasil. Um, cuja sigla é SCODRFB, é grande, está presente em todas as UFs, conta com o apoio da CMSB e da COMAB, e detém a regularidade do uso do nome e da marca DeMolay, além do reconhecimento internacional. O outro, SCODB, é o contrário disso. O GOB é a única vertente maçônica brasileira encima do muro quanto a questão e Ballouk, pelo menos durante o debate, optou por não tomar partido. Já Barbosa, que, como já comentado em outro post, pouco sabia sobre a questão DeMolay, parece que procurou se informar melhor sobre o assunto.
No último final de semana ocorreu o ELOD – Encontro de Líderes da Ordem DeMolay, do SCODRFB (o grande, regular e reconhecido), em Brasília. O ELOD reúne os maçons e DeMolays que atuam como dirigentes nos Grandes Conselhos Estaduais e Distrital, com os dirigentes do Supremo Conselho, para apresentação de relatórios, discussão e votação de propostas, dentre outros assuntos. E, na tarde de sábado, receberam Barbosa Nunes durante o encontro, o qual sinalizou a favor de uma mudança de posicionamento do GOB em prol do SCODRFB, caso eleito.
O GOB, em que pese ter indiscutível regularidade nos graus simbólicos, infelizmente tem um histórico de se relacionar com corpos maçônicos irregulares ou não reconhecidos, como no caso do reconhecimento do Supremo Conselho do REAA de São Cristovão, em detrimento do Supremo Conselho de Jacarepaguá (único do Brasil reconhecido internacionalmente); o rompimento com o regular ECMA – Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita, e o apoio à fundação do irregular ECMAB – Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita do Brasil, o qual não foi reconhecido pela SAFL – Soberana Assembleia Federal Legislativa do GOB; o caso extraconjugal com o Supremo Conselho Filosófico do Rito Moderno do Brasil, enquanto ainda está casado com o Supremo Conselho do Rito Moderno; dentre outros. E, na questão DeMolay, sua postura não tem sido muito diferente.
Barbosa demonstrou humildade para ouvir e aprender, além de uma vontade de mudar esse status quo de relacionamentos indevidos por parte do GOB. Seria muito bom ver um posicionamento claro do Ballouk a respeito dessas questões. A boa notícia é que Ballouk também tem se mostrado disposto a declarar suas opiniões e posicionamentos sobre essas questões maçônicas, mesmo quando polêmicas.
De qualquer forma, a era de Zeus e demais habitantes do Olimpo Maçônico se aproxima do fim.
por Kennyo Ismail | dez 4, 2017 | Notícias
No post sobre o debate, afirmei que “há pontos de atenção em ambos os candidatos, que devem ser considerados e, se possível, questionados aos mesmos“. Então, desde sua publicação, tenho recebido manifestações de irmãos apoiadores de ambas as chapas, desejosos de esclarecer esses pontos por seus candidatos. Alguns optaram pela arte da retórica, enquanto outros preferiram fazer críticas ao candidato adversário do seu. Desconsiderei tais manifestações, na crença de que somente o orador pode esclarecer suas próprias palavras. Ninguém mais.
E então, no final da tarde de hoje, recebi uma ligação do Irmão Ballouk, que muito educada e fraternalmente dedicou um espaço de sua agenda corrida para esclarecer dois pontos de atenção apontados no post: Filantropia e DeMolay.
Ballouk explicou que, em seu entendimento, na Maçonaria a filantropia não é fim, mas meio. Sendo a moral a verdadeira finalidade maçônica, a filantropia seria um meio de se desenvolver a moral do maçom, dentre outros. E, nesse sentido, ele está certo.
Já sobre DeMolay, Ballouk esclareceu que, diferente do que alguns irmãos têm propagado, ele não teve passagem de avião para campanha adquirida pelo SCODB. A passagem teria sido emitida quando ainda era Grão-Mestre do GOSP e atendeu ao apelo de última hora de um então dirigente do SCODB que é gobiano, pois haveria uma solenidade oficial no Congresso Nacional em homenagem à Ordem DeMolay e o SCODB não tinha confirmada a participação de nenhum Grão-Mestre para atender à cerimônia. Em suas palavras, por volta de 70% dos gastos da campanha estão sendo arcados de seu próprio bolso e as doações somente são feitas por meio de uma conta bancária com destinação específica, aberta com essa única finalidade, de forma a possibilitar total transparência na prestação de contas da campanha.
Cumprindo o compromisso maçônico com a verdade, publico aqui tais esclarecimentos, agradecendo ao Irmão Ballouk pela atenção dispensada em sua ligação e toda a cordialidade no diálogo.
O blog No Esquadro estará sempre aberto a qualquer esclarecimento que quaisquer candidatos e lideranças maçônicas desejarem realizar aos nossos leitores.
por Kennyo Ismail | dez 4, 2017 | Conceitos
A facilidade de acesso a meios de comunicação, em especial redes sociais virtuais, num estado democrático de direito como o Brasil, dá ao cidadão total liberdade de se expressar livremente, ao mesmo tempo em que se tem a percepção de segurança, de blindagem, por se estar atrás de um PC, celular ou tablet, onde e quando seus atos não trazem consequências físicas, reais, imediatas.
O reflexo disso, num cenário em que deve-se considerar diversos fatores, como a persistente crise política e econômica; os casos de corrupção e toda sua exploração midiática; o crescimento da classe média por meio da ascensão de uma nova classe C, com acesso a informação, mas sem escolaridade; tem sido uma maré alta e persistente de intolerância e ódio, escancarada a cada momento que se acessa redes sociais e lê-se as notícias atuais.
Intolerância ideológica, política, social, racial, religiosa, sexual, dentre outras, tomam conta de pessoas menos esclarecidas, que promovem o ódio, desejando a morte daqueles considerados como diferentes e, em muitos casos, inferiores; e torna-se uma praga, uma epidemia, contaminando aqueles mais sugestionáveis. Esse público intolerante quer mudanças drásticas no país, muitas vezes alimentando um nacionalismo extremista, mas, sem interesse de se esforçar para fazer sua parte, prefere seguir a antiga cartilha de escolher um messias que “salve a pátria”, como os alemães fizeram com Hitler.
O filósofo Karl Popper, um liberal, defendia que a parcela tolerante da sociedade não pode ter tolerância ilimitada com os intolerantes, por risco de condenar a tolerância à morte. Outro filósofo e liberal assumido, John Rawls, corroborava ele, ao defender que é dever da sociedade tolerante preservar seus membros e instituições de toda e qualquer investida de intolerância, externa ou mesmo interna.
A célebre manifestação de Martin Luther King era exatamente sobre isso, sobre sua preocupação, não com os gritos dos maus (intolerantes), mas com o silêncio dos bons (tolerantes). Similarmente, na doutrina espírita, em um de seus livros mais célebres, há uma passagem que diz que “os maus são intrigantes e audaciosos, e os bons são tímidos. Quando os bons quiserem, predominarão”. Passagens similares podem ser encontradas em outras culturas, doutrinas e religiões.
Na Maçonaria, ensina-se a tolerância, mas também prega-se o combate à tirania, à ignorância e ao fanatismo, que são causas e consequências da intolerância. Entretanto, em vez de combater, muitos irmãos têm “entrado na onda” e feito coro em discursos de ódio. Cabe à Maçonaria (ou seja, nós, maçons), não promover “o silêncio dos bons”, mas instruir esses irmãos, aconselhá-los e, quando necessário, repreendê-los. Ainda, se a intolerância persistir, afastá-los, de modo a preservar os bons maçons (tolerantes e, geralmente, silenciosos) e, principalmente, a sublime instituição maçônica e seus princípios morais, que devem se manter imaculados. Pois, se um maçom discorda do princípio maçônico da tolerância, desejando que a única tolerância seja aquela dos demais perante à intolerância dele, se ele se sujeita aos vícios da ignorância e do fanatismo, ou é favorável à tirania, seu lugar não é entre nossas colunas.
Mas um outro mal, mais frequentemente observado no meio maçônico e de forma periódica, está diretamente relacionado a esse paradoxo da tolerância e, de certa forma, comprova a teorização de Popper sobre o mesmo. Em uma Loja há, sem sombra de dúvidas, homens bons e, portanto, tolerantes. Mas, vez ou outra, corre-se o risco de que um ou outro membro da Loja tenha um caráter mais ambicioso, vaidoso, mesquinho. Nesse caso, esse irmão desejará ser Venerável Mestre antes de chegada a sua hora para tal, em detrimento da vontade da maioria, de outros irmãos mais bem preparados, e dos melhores interesses da Loja. Ele é, geralmente, intolerante à ideia de vencer suas paixões e sujeitar sua vontade e insistirá, de diferentes formas, para que sua vontade seja saciada. E, por diversas vezes, vemos os bons irmãos, em nome da tolerância, silenciosos, sujeitando uma vontade coletiva e altruísta em benefício de uma individual e egoísta, permitindo que aquele irmão intolerante, por ambição e vaidade, alcance seu intuito de se tornar Venerável Mestre. E, em alguns desses casos, o resultado posterior é o adormecimento de muitos bons membros e, até mesmo, o abater colunas de Lojas.
A intolerância, enfim, matando a tolerância. O individual sobrepujando o coletivo. E a maçonaria morrendo aos poucos. Por essa razão: tolerância zero à intolerância dentro e fora da Maçonaria.