Uma Loja de Pesquisas para todos os brasileiros

Uma Loja de Pesquisas para todos os brasileiros

A “Quatuor Coronati” foi a primeira Loja de Pesquisas do mundo, fundada em 1884. A intenção dos fundadores era a de fomentar o estudo e pesquisa maçônicos baseados em evidência, em detrimento das narrativas imaginativas que vigoravam a época. Inauguraram assim a chamada “escola autêntica”. No Brasil, pela deficiência literária maçônica, a “escola” achista, místico-esotérica e imaginativa ainda tem prevalecido, somente enfrentando resistência e concorrência de uma pequena, porém crescente e otimista versão brasileira da escola autêntica, nos últimos anos.

O funcionamento da Quatuor Coronati, basicamente o mesmo há aproximadamente 130 anos, centra-se em seu círculo de membros correspondentes, que submetem o resultado de seus estudos e pesquisas à Loja. Os aprovados, assim como de seus membros internos, são publicados na AQC – Ars Quatuor Coronatorum – seu anuário. Com uma anuidade equivalente a mais de R$200, a Quatuor Coronati soma milhares de membros correspondentes em todo o mundo.

A proposta de Lojas de Pesquisas como estímulo ao estudo, pesquisa, produção, repositório e divulgação de conhecimento maçônico de qualidade se espalhou pelo mundo, tendo essas Lojas um funcionamento muito similar ao da boa e velha QC. O Brasil também conta com dezenas dessas Lojas de Pesquisas. Entretanto, com raríssimas exceções, essas Lojas têm funcionado não muito diferente de qualquer outra Loja Maçônica, talvez apenas tendo mais palestras do que o normal, pelo benefício da dispensa de realizar iniciações e, consequentemente, ausência de escrutínios, instruções, etc.

A Loja de Pesquisas “Dom Bosco No.33”, fundada há 16 anos na Capital Federal e jurisdicionada à Grande Loja Maçônica do Distrito Federal – GLMDF, não fugia à regra. Isso até que, ao comemorar seus 15 anos, no ano passado, resolveu parar para refletir sobre seu passado, presente e futuro. Isso resultou em um planejamento de adequação da Loja ao que ela deveria realmente ser: uma legítima Loja de Pesquisas. E, após mudanças legislativas, criação de regulamentos, desenvolvimento de sistemas e muito trabalho, ontem, no dia 31/10/2018, foi lançado oficialmente seu website oficial, pelo qual todo maçom regular pode, GRATUITAMENTE, solicitar sua filiação como Membro Correspondente e, após aceito, submeter trabalhos para seu futuro periódico, a revista DB33.

A filiação como Membro Correspondente não é apenas para aqueles com interesse em publicar seus artigos, mas a todos os irmãos que sejam amantes da boa leitura maçônica e estejam interessados em receber as publicações da Loja de Pesquisas.

Para conhecer um pouco mais sobre esse interessante projeto e se filiar, acesse: www.lojadepesquisas.com.br

O ciclo de vida do GOB

O ciclo de vida do GOB

A ciência da administração tem alertado, há mais de meio século, sobre o ciclo de vida das organizações.  Uma organização é como um organismo vivo, que nasce, cresce alcança seu ápice, e então começa a envelhecer até que, enfim, morre. Entretanto, no caso das organizações, sua morte é como a da mitológica fênix, que pode renascer de suas próprias cinzas, começando assim um novo ciclo de vida.

O que muitas organizações buscam atualmente é “surfar” o máximo de tempo possível a onda da maturidade organizacional, ou seja, a crista de seu ápice. Já o diagnóstico de envelhecimento (decadência) é simples: ela começa a se preocupar mais com seu patrimônio do que com o mercado e clientes; perde o empreendedorismo e o pioneirismo no setor; afunda-se em burocracia e passa a ter dificuldade de “manobra”; tem excesso de confiança em si mesma em comparação aos seus pares; torna-se prepotente.

Após a fase da velhice, têm-se os primeiros sinais de morte iminente: mudanças drásticas de diretoria, perda de espaço no mercado, esfriamento das relações com os pares, rupturas, cisões, etc. E de quem é a culpa da morte? Das lideranças, seja por imperícia, negligência ou até mesmo “maus tratos”.

O GOB, como qualquer outra organização, tem seu ciclo de vida que, ao que tudo indica, dura aproximadamente 44 anos. Ao recorrer à história maçônica brasileira, sabe-se que o GOB, em seu formato atual, é resultado de uma fusão do Grande Oriente dos Beneditinos com o Grande Oriente do Lavradio, ocorrida em 1883, por pressão (ou incentivo, se preferir) do Grande Oriente Lusitano. Exatos 44 anos depois, em 1927, tem início o processo de falecimento, com o desligamento do Supremo Conselho do REAA e a consequente grande cisão que deu origem às Grandes Lojas, tendo o “óbito” sido emitido em 1929, no Congresso Mundial de Supremos Conselhos, ocorrido naquele ano em Paris.

Então, o GOB renasceu e iniciou um novo ciclo de vida, que findou exatos 44 anos depois, em 1973, após um processo eleitoral extremamente questionável, pelo qual o candidato de situação, Osmane Vieira de Resende, “ganhou no tapetão” contra o de oposição, Athos Vieira de Andrade, que era de MG e contava com o apoio de SP e de outros grandes colégios eleitorais. Nessa segunda grande cisão, nove Grandes Orientes Estaduais e o do DF se desligaram do GOB, dando origem à COMAB.

Mais uma vez o GOB conseguiu renascer, se reinventando e promovendo as mudanças que seus líderes entenderam como necessárias para o novo ciclo de vida. Até que, 44 anos depois, em 2017, a onda de suspensões e intervenções em Grandes Orientes Estaduais teve início, como em MG e no RS, principiando um novo processo de falecimento, que se arrastou até este ano de 2018, com mais suspensões, intervenções (CE e PE) e um turbulento processo eleitoral, o que culminou no já esperado óbito, ilustrado numa eleição de chapa única com baixa adesão e apoio, e na “desfederalização” (declaração de independência) de dois Grandes Orientes Estaduais: PE e SP.

Agora, cabe aos novos líderes do GOB tomar as medidas necessárias para garantir a “reciclagem”, o renascimento dessa grande fênix… Agora, imagine se, em vez de apenas renascer, uma fênix pudesse também evoluir e não repetir os mesmos erros do passado, prolongando assim seu ciclo de vida? Se ela não precisasse renascer já “velha”, burocrática, engessada e prepotente? Não seria ótimo?

DeMolay, Maçonaria e inversão de valores

DeMolay, Maçonaria e inversão de valores

Desde a cisão da Ordem DeMolay brasileira, em 2004, tem-se um senso comum no meio maçônico de que, infelizmente, a Maçonaria brasileira havia levado sua cultura de divisão e rivalidade à Ordem DeMolay. A partir de então, o grande desafio era prevenir para que os jovens DeMolays não aprendessem a odiar seus pares do “outro Supremo”, como ocorreu entre boa parcela da maçonaria brasileira. Infelizmente, perdemos essa batalha. A hostilidade típica de alguns maçons brasileiros com base em regularidade, reconhecimento, antiguidade ou rito, passou rapidamente a ser refletida entre jovens DeMolays com base em questões ou desculpas similares.

Assim, a esperança maçônica de que aqueles jovens DeMolays, que teoricamente não se apegavam a tais diferenças maçônicas e contendas do passado, iriam facilmente vencê-las quando assumissem a liderança das obediências simbólicas e de altos graus nos próximos anos, foi se esvaindo a cada menção a “pirulito” ou ofensa escrita em rede social. E tal esperança acabou por desaparecer por completo, quando da institucionalização de tais ataques no meio DeMolay, como, por exemplo, pelo envio de pirulitos entre encomendas do SCODB, oficialmente ensinando seus jovens a cultura da divisão e da rivalidade.

[youtube]https://youtu.be/wQfYLZl2s7Y[/youtube]

O que talvez nunca se esperaria é que essa hostilidade ultrapassasse as fronteiras da própria Ordem DeMolay e alcançasse sua patrocinadora exclusiva: a Maçonaria. O que se vê nesse vídeo é o representante maior do SCODB, Diogo Pigozzi Bazzanella, um maçom do GOB-SC, atacando a Maçonaria Brasileira e chamando suas lideranças de covardes, enquanto é ladeado e apoiado por seu Adjunto, Guilherme Santos, um maçom do GOMG.

Essa conduta de incitar o ódio de jovens DeMolays contra instituições maçônicas regulares e suas lideranças, além do pior exemplo que um Sênior DeMolay e maçom pode dar àquelas centenas de jovens ali presentes, é totalmente antimaçônica e também não condiz com as virtudes ensinadas na Ordem DeMolay.

Não se deve escarrar no prato que come. Essa não pode ser a lição a ser ensinada aos nossos jovens. A Ordem DeMolay deveria unir a Maçonaria brasileira, não dividi-la ainda mais e atacá-la de forma tão vil. Esse discurso ofensivo de ódio é o que a Maçonaria e, consequentemente, a Ordem DeMolay sempre combateram e devem continuar a combater, principalmente internamente.

“O GOB PARA OS MAÇONS” de agora para frente

“O GOB PARA OS MAÇONS” de agora para frente

Tem circulado por grupos maçônicos em redes sociais o resultado da eleição para Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil – GOB. O candidato Múcio Bonifácio, apesar de ter perdido em SP, maior colégio eleitoral do país, e quase empatado em MG, o segundo maior, acabou por vencer o pleito, com 66% dos votos válidos, contra… ninguém. Ele era candidato único. Sua posse ocorrerá neste sábado, dia 15.

Os votos brancos e nulos somaram incríveis 34% dos eleitores, o que é bem mais do que o primeiro colocado nas pesquisas para Presidente da República acumula atualmente. Para se ter uma ideia, na última eleição do GOB, em 2013, os votos brancos e nulos não chegaram a 2%.

A quantidade de eleitores que participou desta eleição é relativamente próxima à média apresentada na eleição anterior: um pouco menos de 1/3 dos membros regulares declarados pelo GOB compareceram à votação. No mundo civilizado, qualquer associação que se preze, por maior que seja, prevê que seja constituído quorum com maioria absoluta dos associados regulares ou de seu colegiado para uma eleição. Para decisões importantes, exige-se quorum até maior, de, pelo menos, 2/3. É, de certa forma, compreensível uma flexibilização de tais regras no Brasil, por questões socioculturais e dificuldades de deslocamento, mas aceitar um quorum menor do que 1/3 é, como os advogados brasileiros gostam de qualificar, “ferir de morte” a democracia.

De toda forma, a partir desse dado, surgem algumas hipóteses: trata-se da comprovação de um desinteresse generalizado do maçom gobiano para com o processo democrático do GOB, seja por descrença no sistema ou nas opções oferecidas; ou o GOB divulga um quantitativo fictício de mais de 80 mil membros, quando na verdade seria algo em torno de 50 mil; ou o sistema eleitoral é passível de fraude e deveria ser externamente observado e auditado; ou o atual sistema eleitoral não atende ao princípio democrático e à instituição, devendo ser totalmente revisto e modificado. Ainda, pode ser a combinação de algumas ou de todas essas hipóteses.

Fato é que o Irmão Múcio governará o GOB enquanto seu Grão-Mestre Geral durante os próximos 05 anos, tendo muitos desafios emergenciais pela frente.  Dentre eles, os erros cometidos pelo GMG Ricardo de Carvalho que, apesar de sua passagem meteórica no Grão-Mestrado Geral, deixa grandes estragos, como seus inesquecíveis “equívocos” em Aracajú e o modo como conduziu a intervenção no GOSP. Soma-se então aos problemas que o GMG anterior já havia deixado como espólio, como a fragilizada relação com a CMI, as incontáveis suspensões e as várias intervenções, incluindo a mal sucedida em Pernambuco. E, enquanto trata desses desafios, deverá conquistar a opinião favorável de seu povo maçônico. São muitos pratos para girar e assim se legitimar pelo trabalho, pois pela urna não foi possível.

A boa notícia é que o histórico do Irmão Múcio dá indícios de que ele tem conhecimento para vencer esses desafios. Se lhe sobrar energia e força de vontade, as coisas hão de melhorar.

 

SCODB realizará seu CNOD 2018

SCODB realizará seu CNOD 2018

No dia 08 de setembro ocorrerá mais uma edição do Congresso Nacional da Ordem DeMolay – CNOD, mas dessa vez do SCODB, na querida cidade de Ribeirão Preto – SP, aproveitando a ocorrência do Congresso Estadual do Grande Capítulo de SP, no dia anterior, o que garantirá bom volume de participantes. Espera-se que seja um evento interessante, após o rompimento das negociações de unificação, publicamente noticiado pelo SCODRFB em seu último CNOD, em Aracajú, na presença dos dirigentes das três vertentes maçônicas brasileiras: GOB, CMSB e COMAB, que haviam elegido o CNOD do SCODRFB (o maior evento DeMolay já ocorrido no Brasil, com mais de 1.300 participantes) para também realizar a primeira reunião da maçonaria regular brasileira em toda a sua história.

O cenário atual é preocupante para os dirigentes do SCODB. Além da frustração com o processo de unificação, que livraria a instituição do processo judicial e da consequente multa de centenas de milhares de reais, o SCODB tem presenciado a união da CMSB e da COMAB em prol do SCODRFB, perdendo recentemente seu principal e maior apoio no seio da COMAB, o Grande Oriente de Minas Gerais – GOMG, de onde veio boa parte das lideranças nacionais do SCODB (como os PGMNs Álvaro Azevedo, Wilson Júnior e Luiz Eduardo de Almeida) e também as lojas patrocinadoras de quase 1/3 de seus capítulos ativos. A decisão do GOMG, contestada por um de seus membros e atual Grande Mestre Nacional Adjunto do SCODB, o jornalista e escritor Guilherme Santos, foi julgada recentemente por seu tribunal maçônico que, por unanimidade, decidiu em desfavor do SCODB. Ainda, não é descartada a possibilidade disso se desdobrar em um futuro processo disciplinar.

Não bastasse isso, há também a delicada situação do Grande Oriente de São Paulo – GOSP, cujo Grão-Mestre se manifestou recentemente no sentido de se “desfederalizar” do Grande Oriente do Brasil – GOB, tendo convocado uma assembleia geral para deliberação de tal pleito, a ocorrer no dia 15 de setembro, uma semana após o CNOD do SCODB. O GOB é a única obediência maçônica regular brasileira que ainda não se manifestou oficialmente contrária ao SCODB, apesar de suas lojas patrocinarem mais capítulos do SCODRFB do que desse. Em lojas do GOSP, encontram-se patrocinados mais de 1/3 dos Capítulos ativos do SCODB e, caso o GOSP fique em uma situação de não reconhecimento e sofra vetos de intervisitação por parte das demais obediências, o SCODB terá que decidir entre: abraçar o GOSP e perder o pouco apoio do GOB que lhe resta em alguns estados; ou migrar seus capítulos paulistas para novas lojas patrocinadoras, da GLESP e do GOP-SP, que não concordarão com a permanência desses Capítulos no SCODB.

Assim, à sombra do rompimento do processo de unificação, da perda de apoio do GOMG, da incógnita sobre o futuro do GOSP, da iminência de uma decisão judicial, sem qualquer apoio de lideranças maçônicas relevantes, com a regularidade maçônica de importantes dirigentes ameaçada, e com inúmeros passivos a honrar, os inscritos deste CNOD do SCODB podem, sem saber, estarem participando de sua última edição…