No último dia 22 de fevereiro vimos uma avalanche de mensagens de imagens comemorativas do tal Dia Internacional do Maçom, supostamente aprovado por unanimidade por uma comissão em uma Conferência de Grão-Mestres da América do Norte e posteriormente decretado pelo GOB.
A data é comemorativa ao aniversário de George Washington, primeiro Presidente dos EUA e o maçom mais proeminente daquele país. O interessante é que, até onde se verificou, nenhuma das Grandes Lojas norte-americanas que compõem a Conferência adotam e observam o suposto Dia Internacional. Algumas comemoram o aniversário de Washington, mas não mencionam a data como Dia do Maçom. Nem mesmo as Grandes Lojas do Canadá e a do Rito de York do México, que também compõem a Conferência, comemoram a data.
Entretanto, neste 22 de fevereiro de 2020 a Grande Loja Legal/Regular de Portugal comemorou o Dia Internacional do Maçom. Logo, tecnicamente, é algo internacional, visto ser observado por obediências de dois países: GOB (Brasil) e GLLRP (Portugal).
A razão de nenhuma Grande Loja que compõe a Conferência em que supostamente teria sido aprovada a data não a adotar, enquanto duas obediências visitantes da conferência adotam, é um mistério que persiste.
Ainda, fica a dúvida quanto qual comissão teria supostamente apreciado esse tipo de proposta: Planejamento, Hora e Lugar (definir data e local de outras reuniões), de Nomeação (avalia indicações para oficiais e membros de comissões), de Reconhecimento, de Renovação Maçônica. Nenhuma teria o escopo para esse tipo de proposta.
E, por último, ainda fica a dúvida de como uma obediência visitante, que não tem voz e voto na Conferência, teria supostamente apresentado uma proposta, ainda mais fora do escopo e dos objetivos da conferência.
Infelizmente, os dois visitantes da Conferência de 1994 que voltaram dando notícia do Dia Internacional do Maçom às suas jurisdições, Francisco (GOB) e Fernando (GLLRP), já não se encontram mais entre nós. E, passados mais de 25 anos, ninguém consegue confirmar com a Conferência de Grão-Mestres da América do Norte a suposta decisão. MAS, ela é, de fato, comemorada em duas jurisdições de países distintos, o que, tecnicamente, a torna Internacional (mais precisamente, Binacional).
Participo de incontáveis grupos maçônicos de WhatsApp.
Muitas vezes, deparo-me em um grupo desconhecido, tendo sido simplesmente
colocado lá, sem receber qualquer convite nem dar meu consentimento. Nestes
casos, costumo pedir desculpas e sair do grupo. Infelizmente, alguns irmãos
perdem a noção, achando que as regras básicas de educação não se aplicam
online.
Uma coisa é você atender a um convite para ir à casa de um
amigo, conhecer algumas pessoas e conversar sobre algum assunto, específico ou
não. Outra coisa bem diferente é você acordar em um lugar cheio de desconhecidos,
sem saber como foi parar lá e então saber que te levaram para lá sem seu
consentimento. Se observarmos bem, isso é o mesmo que sequestro. Mas, apesar de
algo sem noção e sem educação, ainda não é crime.
Entretanto, há algo pior. Algo ilegal, que acontece em muitos
desses grupos de maçonaria. Quase que diariamente, a lei 9.610, de 19/02/1998,
é infringida em um grupo maçônico de WhatsApp. Trata-se da lei de direitos
autorais.
Quem nunca viu o PDF de um livro relativamente recente sendo
publicado, na íntegra, em um desses grupos? A Trilogia do Templo, do irmão Zé
Rodrix, é um belo exemplo que circula por aí. Essa reprodução e distribuição sem autorização
são crimes previstos no artigo 184 do Código Penal, com pena prevista de
detenção de três meses a um ano, ou multa.
Numa escola de moralidade como a Maçonaria, em que todos
deveriam estar comprometidos a seguir as leis de nossas cidades, estados e
país, esse tipo de transgressão é inadmissível, sendo passível de condenação,
não apenas profana, mas maçônica.
Quando você comete esse crime, você está sendo responsável pela
subestimação do trabalho intelectual, muitas vezes de um irmão; pelo
desestímulo da produção intelectual, especialmente literária; pela negação da
reedição de uma obra; pela baixíssima remuneração autoral; pelos altos preços
dos livros no Brasil; pelo crescente desemprego no setor editorial; etc.
Outro dia vi compartilhado um dos três livros da trilogia de
Zé Rodrix em um dos grupos que faço parte. Para meu espanto, havia sido
compartilhado por um… escritor. Isso mesmo: um escritor, com meia dúzia de
livros maçônicos publicados. Então perguntei se ele poderia fornecer também os
arquivos das obras dele, para que eu pudesse compartilhar nos grupos que faço
parte. Não demorou muito para que a “ficha caísse”. Ele acabou apagando o
arquivo no grupo e pedindo desculpas. Mas foi lamentável presenciar esse nível
de egocentrismo, de desrespeito ao próximo (um irmão) e o resultado de seu
trabalho.
Respeitar a lei é um dever de todo cidadão, especialmente do maçom.
Ele era uma lenda viva nos Lakers e considerado um GADU do basquete, mas infelizmente não era maçom. Já o colega aposentado, Shaquille O’Neal, é maçom, membro da Grande Loja Prince Hall de Massachusetts.
É aquela velha história: sempre que um famoso falece, ele é transformado em maçom. Foi o mesmo com Mandela, por exemplo. Geralmente isso ocorre por duas vias: ou fanáticos religiosos aproveitam para transformá-lo em maçom, illuminati, satanista, apontando uma morte trágica ou dolorosa como punição divina; ou membros ansiosos para dizer aos outros que são irmãos de famosos precipitam-se em afirmar isso. Em ambos os casos, há o proveito, intencional ou não, do fato de que mortos não desmentem boatos.
No meio maçônico, circulou até o nome da Loja na qual Kobe supostamente teria sido iniciado e seria um membro: Winchester, de Indiana. Essa Loja realmente existe, tem o número distintivo 56 na Grande Loja de Indiana e está situada na cidade de Winchester, daquele estado. Essa cidade tem menos de cinco mil habitantes e Kobe nunca morou nela, nem mesmo em Indiana.
Acontece que essa loja criou um website, em 2016, daqueles bem feios, que não tinham nem domínio próprio. E, entre as dezenas de páginas do site, há aquela fatídica página de “maçons famosos”, que uma página sempre copia de outra sem verificar as informações, com mais de uma centena de nomes. E, entre tantos, muitos verdadeiros como George Washington e Benjamin Franklin, há alguns não maçons listados, como Albert Einstein, Karl Marx, Stalin e… Kobe Bryant.
Provavelmente, um irmão brasileiro que não domina a língua inglesa acessou esse website, viu no cabeçalho “Winchester F & A Masonic Lodge No. 56” e o nome de Kobe na lista, bastando para afirmar que ele era membro dessa loja, apesar de nenhum dos nomes da lista ser da Loja, e alguns nem serem maçons.
E antes que alguém comente que viu um comentário de Shaquille chamando Kobe de “irmão”, saiba que é muito comum nos EUA chamar os amigos mais próximos de irmão, assim como os colegas que serviram contigo nas forças armadas e os membros de um grupo ou comunidade a que pertença. O termo “irmão” não é exclusivo da Maçonaria.
É brasileira! São milhares de arquivos, desde as obras maçônicas mais clássicas até os artigos acadêmicos mais atuais relacionados à Maçonaria, disponíveis gratuitamente para leitura. Há obras em português, espanhol, inglês, francês e alemão, divididas por tema:
ACADÊMICOS: edições completas dos principais periódicos científicos do mundo dedicados à Maçonaria; além de TCCs sobre a Maçonaria, desde monografias de graduação até teses de doutorado.
BOLETINS e JORNAIS ANTIGOS: centenas de números distintos de boletins e jornais maçônicos brasileiros do século XIX e dos primeiros anos do século XX.
DICIONÁRIOS e ENCICLOPÉDIAS: dicionários e enciclopédias maçônicas publicados em português e inglês.
GESTÃO MAÇÔNICA: planejamentos estratégicos e materiais de apoio para gestores maçônicos de várias Grandes Lojas do mundo.
HISTÓRIA DA MAÇONARIA: obras sobre a história da Maçonaria no mundo e em diversos países, incluindo o Brasil.
LEGISLAÇÕES: desde as constituições mais antigas até as atuais de diversas Grandes Lojas.
MAÇONARIA e RELIGIÃO: artigos e livros de religiosos, maçons ou não, interpretando a Maçonaria, rasa ou profundamente, à luz de suas convicções religiosas.
OBRAS CLÁSSICAS: grandes clássicos da maçonaria mundial, que moldaram e mudaram os rumos da Maçonaria, como Maçonaria Dissecada, TDK, Ahiman Rezon, Moral & Dogma, dentre muitos outros de autores como Webb, Preston e Mackey.
PUBLICAÇÕES CMSB: comunicações oficiais da CMSB publicadas ao longo dos anos.
RITOS e RITUAIS: obras nacionais e estrangeiras, dos ritos tradicionalmente adotados pelas Grandes Lojas brasileiras, o REAA, o Rito de York e o de Schroeder, além de obras relativas a outros ritos e rituais.
SIMBOLOGIA e FILOSOFIA: obras com estudos sobre esse “belo sistema de moralidade, velado em alegorias e ilustrado por símbolos”.
TEMAS MAÇÔNICOS GERAIS: miscelânea de obras antigas e atuais, de diferentes países, dedicadas aos mais diversos temas maçônicos.
O acesso é livre: https://cmsb.org.br/biblioteca/ Isso porque a CMSB, mantenedora da biblioteca, que contou com o apoio do No Esquadro neste projeto, optou por garantir o acesso livre para que não apenas os membros das Grandes Lojas confederadas possam ter acesso, mas todos os irmãos, pesquisadores e estudiosos.
Muitos dos documentos disponíveis eram inacessíveis até então. Agora, estão classificados e reunidos em uma única plataforma, o que proporciona comodidade e facilidade aos interessados. Assim, a CMSB promove o acesso à informação e a democratização do conhecimento maçônicos, permitindo uma evolução mais eficiente do ensino e pesquisa da Maçonaria brasileira.
Em setembro, divulgamos a campanha de financiamento coletivo para a publicação do livro de lançamento da editora No Esquadro: ORDEM SOBRE O CAOS. Com o sucesso da campanha, conseguimos garantir a publicação e, após o envio prioritário dos exemplares aos apoiadores, a obra está agora disponível aos demais irmãos interessados.
O livro é um tratado sobre história, funcionamento e ensinamentos dos 33 graus do REAA – Rito Escocês Antigo e Aceito – alicerçado nas principais obras nacionais e internacionais escritas sobre o tema nos últimos 200 anos.
Prefaciada pelo Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33, Irmão Jorge Lins, a obra descreve a incrível história do REAA, seu desenvolvimento até chegar ao Brasil, como é seu funcionamento no país e no mundo, e então decodifica grau por grau, do 1 ao 33, cada lenda, principais símbolos, filosofia, teologia e princípios éticos e morais contidos, revelando as ligações ocultas entre eles e os objetivos a serem inculcados em cada grupo de graus.
Com 300 páginas, feito em capa dura e com miolo em pólen soft, o livro ainda conta com um pôster preenchível, sendo uma releitura nacional do lado esquerdo da escada da famosa ilustração de Everett Henry, chamada “A Estrutura da Maçonaria” e originalmente publicada na revista Life, em 1956.