por Kennyo Ismail | jul 6, 2020 | Notícias
A Escola No Esquadro, primeira plataforma de cursos online de Maçonaria no Brasil, acaba de lançar um novo curso: Introdução aos Graus Ingleses.
O curso apresenta interessantes informações sobre os diversos graus além do de mestre maçom de origem inglesa em território nacional, esclarecendo mitos, explicando paramentos e medalhas, e auxiliando na tomada de decisão de qual ordem lateral é a mais adequada a cada perfil de irmão.
O autor do curso, Irmão Felipe de Paulo, é figura conhecida nas Ordens de Aperfeiçoamento Inglesas no Brasil, tendo exercido posições de liderança em muitas delas.
O curso conta com 16 videoaulas, ebook, material de apoio e certificado.
Para saber mais, CLIQUE AQUI.
por Kennyo Ismail | maio 22, 2020 | Notícias
Livros,
contos e filmes contam histórias de amor. Não apenas do clássico amor entre um
homem e uma mulher, mas também do amor fraterno, do amor paternal e maternal,
do amor filial, ou mesmo do amor de um cão por seu dono. Alguns amores são difíceis
de classificar. Eu explico:
Havia nesta
terra um homem chamado Aprígio Furtado de Oliveira Primo, mas ninguém o conhecia
pelo nome. Todos, desde que ele era pequeno, habituaram-se a chamá-lo de
“Camarada”. E, durante seus quase cem anos de vida, a maioria das
pessoas que conviveram com ele nem ao menos sabia seu nome verdadeiro, pois
sempre o conheceram e o chamaram de Camarada.
E por que
alguém ganha, desde criança, o apelido de Camarada? Simples, porque ele sempre foi
exatamente isso, amigo de todos e sempre disposto a ajudar, até mesmo
desconhecidos.
Quando nasci,
havia uma geração entre eu e ele. Ele é meu avô, pai de minha mãe. E quando fui
batizado, ele tornou-se meu padrinho. Já na adolescência, admirando a Maçonaria
por saber que ele era maçom, ingressei na Ordem DeMolay e ele tornou-se meu
tio. E, anos depois, quando fui iniciado na Maçonaria, lá estava ele, chorando
de alegria por eu ter me tornado seu irmão.
Então como eu
poderia classificar esse amor que sinto? Amor de neto? De afilhado? De sobrinho?
De irmão? Gosto de pensar que de todos e muito mais. Pois, além de tudo isso, o
Camarada era meu amigo. Daquele amigo que é companheiro de estrada, com quem
tive a oportunidade de rodar o interior de nossas Minas Gerais tantas vezes. Daquele
amigo com quem desabafamos, pedimos conselhos, contamos segredos.
O Camarada, apesar de pouco estudado, era um leitor voraz. Lia até jornal velho. E era um verdadeiro apaixonado pela Maçonaria. Foi iniciado na Loja “Luz e Humanidade”, do GOB-MG, em Patrocínio. Ainda Aprendiz, mudou-se com a família para Unaí, cidade então muito nova e desprovida de lojas. Ele ia toda semana de jipe, em estrada de terra, para Paracatu, a cem quilômetros de distância, para frequentar as reuniões da Loja “Nova Luz Paracatuense”, também do GOB-MG. As duas lojas então trocaram correspondências e combinaram que ele receberia as instruções, apresentaria trabalhos e passaria pela sabatina em Paracatu e, quando aquela loja informasse à loja de Patrocínio que ele estava pronto, esta marcaria seu aumento de salário. E assim foi, até que o Camarada tornou-se Mestre.
Já Mestre Maçom, o Irmão Camarada reuniu-se com outros irmãos que viviam em Unaí e fundaram a primeira loja daquela cidade, “Mestres do Rio Preto”, no GOB-MG, tendo aquele grupo de irmãos escolhido o Camarada como seu primeiro Venerável Mestre. Alguns anos depois, quando Athos Vieira de Andrade, mineiro, “ganhou mas não levou” a eleição para Grão-Mestre Geral do GOB, culminando no surgimento da COMAB, muitas lojas de Minas decidiram por seguir Athos, entre elas a “Mestres do Rio Preto”, de Unaí.
Posteriormente a isso, o Irmão Camarada mudou-se para Uruana de Minas, ajudando a fundar a Loja “Nova Luz Bonfinopolitana”, GOMG-COMAB, em Bonfinópolis de Minas, a oitenta quilômetros de Uruana. Voltou assim a enfrentar semanalmente uma estrada de terra por conta de Maçonaria. Durante sua permanência em Uruana de Minas, deu assistência a um senhor, de passagem pelas proximidades. Esse senhor era um irmão, Celso Sérgio Ferreira, então Grão-Mestre da GLMMG. Dali nasceu uma grande amizade.
E quis o GADU que o Camarada retornasse a viver em Unaí depois de alguns anos. Foi então que aquele seu amigo, Celso Sérgio Ferreira, pediu para que ele auxiliasse outros irmãos que tinham por missão fundar uma nova loja em Unaí. Assim nasceu a “Acácia Unaiense”, da GLMMG. Lembro-me que, na ocasião da instalação da Loja, eu tinha apenas 10 anos e o “tio” Celso me sentou no colo e me perguntou se eu era bom em geografia. Ingênuo, respondi que sim. Então ele me fez dizer o nome de cada estado brasileiro por região geográfica. Quando chegou no Nordeste, a coisa complicou… e acabei esquecendo-me de Sergipe! O tio Celso então me disse que a próxima vez que voltasse a Unaí, me cobraria as capitais! Com receio de errar novamente, tratei de dar mais atenção e valor às aulas de geografia.
O tio Celso era, além de Grão-Mestre, Oficial Executivo da Ordem DeMolay para Minas Gerais. Por meio dele, o Irmão Camarada teve conhecimento sobre o que é a Ordem DeMolay. Ele passou anos defendendo a ideia de fundação de um Capítulo DeMolay em Unaí, encontrando enorme resistência. Esse projeto somente foi possível quando o filho de um maçom, foi estudar em Uberlândia e lá ingressou na Ordem. Assim, passou-se a ter mais maçons a favor do projeto, até que o mesmo tornou-se realidade. E lá estava o tio Celso com o meu vovô Camarada em minha iniciação na Ordem DeMolay. Meus dois padrinhos.
O pouco que sei da vida na roça, entre tirar leite, tocar berrante e gostar de uma boa moda de viola, aprendi com o Camarada. Mas seu exemplo ensinou-me muito mais, e o desejo de manter-me digno de ser seu neto, afilhado, sobrinho, irmão e amigo, manteve-me reto.
Quando fui iniciado na Maçonaria, na “Alvorada”, da GLMDF, em Brasília, ele não se contentou apenas em se fazer presente. Ele filiou-se à Loja e vinha de Unaí, de ônibus ou de carona, por 170 km, com certa frequência. Pelo menos, as estradas já não eram mais de terra. E ele ainda ajudou-nos a fundar a Loja “Bandeirantes” e a Loja “Flor de Lótus”.
Dediquei livros maçônicos que escrevi a ele, mesmo depois que ele queixou-se de que, infelizmente, não tinha mais visão, memória e raciocínio para ler. Isso porque as dedicatórias nunca foram para agradá-lo, mas para homenagear um maçom que enfrentou, por décadas, estradas de terra de madrugada, voltando para casa após incontáveis reuniões maçônicas em outros Orientes. Um maçom que nasceu no GOB, cresceu na COMAB e envelheceu na CMSB, sem nunca fazer qualquer distinção de irmão por rito ou potência. Um maçom que se dedicou à Ordem DeMolay e serviu de conselheiro e exemplo para dezenas de jovens, muitos dos quais passaram a também chamá-lo de “vovô Camarada” por compartilharem desse sentimento. E o maçom que ensinou-me a amar a Maçonaria por vê-lo, durante todos os dias da minha vida, viver a Maçonaria e seus ensinamentos 24 horas por dia.
Ele nos deixou no dia 19 de maio deste ano de 2020, aos 93 anos de idade, quando seu espírito prevaleceu sobre a matéria.
Obrigado, vovô Camarada, por tudo. Nada que eu fizer pela Ordem chegará perto do que o senhor fez por mim e por ela.
por Kennyo Ismail | maio 16, 2020 | Conceitos
Desde 2012 que
estudo e pesquiso sobre comportamento organizacional na Maçonaria. Tenho livros
e artigos publicados a respeito, além de lecionar o tema em nível de graduação
e pós-graduação. E uma das bandeiras que venho defendendo em todos esses anos é
da necessidade de se desenvolver e treinar novas lideranças para a Maçonaria.
A atual pandemia
e os reflexos do distanciamento social sobre as organizações maçônicas têm
imposto essa realidade e necessidade aos olhos de quem quiser ver. Nesse
sentido, lembro-me que, em minha adolescência, meu pai me dizia que é fácil ser
bom quando tudo está bem, mas que sabemos quem realmente é bom quando tudo está
mal.
Pesquisas
indicam que avaliações cognitivas e afetivas geram comportamentos. Isso parece
óbvio: você pensa, depois age. Mas, em alguns casos, ocorre o contrário: de
tanto agir de uma forma, mesmo encarando fatos irrefutáveis, você se obriga a
manter sua avaliação inicial, de forma a não contradizer suas ações. Por isso do
uso do termo “aos olhos de quem quiser ver”.
No meio
organizacional, adaptado à Maçonaria, algumas das avaliações e sentimentos
envolvidos são: a satisfação com a Maçonaria, o envolvimento com a Maçonaria e
o comprometimento com a Maçonaria. Este último possui três dimensões distintas:
o comprometimento afetivo, que é o vínculo emocional e com os valores da
Maçonaria; o comprometimento instrumental, que é a necessidade psicológica de
permanência; e o comprometimento normativo, que é a sensação de obrigação moral
de permanência.
Todas essas
avaliações e sentimentos são positiva e diretamente moderados pelas atividades
maçônicas e suas frequências. Assim, quanto mais frequente em atividades
maçônicas, maiores as chances de satisfação, envolvimento e comprometimento
afetivo, instrumental e normativo. Aqui, ressalta-se que há outras variáveis
impactantes nessa relação.
Estudos e
pesquisas indicam que o comprometimento afetivo está fortemente relacionado com
desempenho e não tanto com a permanência ou evasão, enquanto que o instrumental
baixo gera maior intenção de faltar e, consequentemente, se afastar.
Resumindo a
equação, a falta de reuniões e outras atividades maçônicas desencadeará em uma
redução da satisfação, do envolvimento e do comprometimento. E a consequência
disso será um maior absenteísmo e uma maior evasão quando do retorno dos
trabalhos maçônicos pós-pandemia.
E como frear
esse fenômeno? As organizações conseguem minimizar esses efeitos por meio da
Percepção de Suporte Organizacional (PSO) e da manutenção do engajamento dos
membros. A PSO é quando os membros percebem que a organização os valoriza,
apoia, e se preocupa com seu bem-estar.
Atividades que proporcionem a percepção de preocupação e cuidado para com os irmãos geram um aumento da PSO, bem como aquelas que proporcionem a manutenção de contatos e interações, mesmo que virtuais, retém o engajamento. Com isso, pode-se manter níveis esperados de satisfação, envolvimento e comprometimento, reduzindo as chances de absenteísmo e evasão.
Gestores maçônicos que proporcionam ações intelectualmente estimulantes, condições de apoio e oferta de ajuda, proporcionarão maior satisfação e envolvimento, levando à renovação do comprometimento.
É agora, “quando tudo está mal”, que veremos “quem realmente é bom”.
por Kennyo Ismail | maio 7, 2020 | Conceitos
Outro dia recebi
a última edição da Journal of the Masonic
Society, que continha, dentre outras coisas interessantes, um artigo de
Thomas Jackson. Para quem não sabe, Thomas Jackson é o que podemos chamar de
uma lenda viva da Maçonaria no mundo, tendo estado por 16 anos à frente da
Conferência Mundial de Grandes Lojas Regulares. Segue alguns trechos de seu
artigo que considero importante compartilhar:
Não há um fator sobre o qual culpar o declínio contínuo do interesse pela Maçonaria na América do Norte, mas não há dúvida de que a falta de um compromisso educacional seja um fator importante. Como podemos esperar que exista um interesse em uma organização em que tão poucos membros sabem o que somos ou nosso propósito? (…)
Não consigo me convencer de que os maçons de hoje são menos capazes do que nossos irmãos do passado, mas somos definitivamente mais ignorantes; mais ignorantes do nosso passado, mais ignorantes do nosso presente e certamente mais ignorantes do nosso propósito. Se é verdade que nossos irmãos dos dias atuais são tão capazes quanto os irmãos do passado, a falta de educação maçônica deve ser a causa raiz de um interesse em declínio, e a responsabilidade por esse fracasso está nos pés das lideranças da Maçonaria Simbólica. (…)
Não podemos mais escolher por viver da glória do nosso passado. Não podemos mais ter nossa sobrevivência dependente das alegações de quão grandes éramos e apontarmos com orgulho a grandeza de nossos irmãos passados. Agora devemos decidir o que queremos ser. Se desejamos ser uma organização que será lembrada na história como uma que contribuiu para a grandeza da América, mas que desapareceu digna de poucas notas, basta continuarmos o caminho que estamos trilhando hoje. Se desejamos continuar a herança que nos foi concedida por nossos irmãos anteriores, devemos tomar a decisão de que nossos membros atuais merecem essa herança e desenvolver programas pelos quais os educamos. (…)
Atualmente, há jovens demonstrando interesse e buscando muito mais do que estamos oferecendo. Eles estão em busca de algo que a sociedade não está fornecendo-lhes. Eles estão procurando por uma organização de qualidade muito acima da mediocridade da sociedade atual. Eles estão procurando conhecimento e um sistema que os forneça isso. Eles sabem mais sobre a Maçonaria antes de solicitarem ingresso em uma Loja do que qualquer um de seus antecessores. O que sabem, no entanto, é o que eles aprenderam sobre a Maçonaria do passado. Agora cabe a nós fornecer a eles aquilo que eles procuram. Cada um deles e cada um de nós deseja ser afiliado a uma organização de qualidade e é isso que a Maçonaria deve ser. (…)
Provavelmente, expressei muito claramente minha opinião sobre o tema da educação maçônica. Este mundo realmente precisa de uma organização alicerçada sobre uma base dos propósitos filosóficos da Maçonaria. Se somos merecedores de nossa herança, devemos empreender um programa de educação de nós mesmos e de nossos membros. O legado de nossos irmãos passados merece esse respeito, e o respeito dado à Maçonaria será proporcional às exigências educacionais da Maçonaria (JACKSON, Thomas. Masonic Education: Looking to the Future. The Journal of The Masonic Society, Issue 40, Spring 2020).
Agora, se
trocarmos América do Norte por Brasil nessas palavras, você estranharia? Quão
distante esse cenário está de nossa realidade? Nossos irmãos não sabem o que realmente
é a Maçonaria e qual o seu propósito? Vivemos da glória do passado? Nossas
reuniões estão rasas e frustrantes demais para a nova geração?
O que o feeling de Thomas Jackson diagnosticou nos Estados Unidos é o mesmo que a pesquisa feita a pedido da CMI, em 2018, diagnosticou no Brasil: Há uma deficiência na educação maçônica brasileira, que tem gerado uma série de problemas para nossas organizações maçônicas e, se não bastasse, também tem gerado a significante evasão maçônica entre os mais jovens, cujo nível de exigência e expectativas por conhecimento não tem sido alcançado. E, sem os jovens, o futuro de nossa Maçonaria estará comprometido.
Como muito
bem observado no artigo citado, somente por meio do desenvolvimento de
programas sólidos de Educação Maçônica em larga escala poderemos solucionar
esses problemas. E os pilares da Educação são: Pesquisa, Ensino e Extensão. Ou
seja, precisamos pesquisar mais, produzir mais conteúdo (primário e
secundário), ensinar mais, e criar ferramentas de aplicação desses
ensinamentos.
Algumas
iniciativas vêm surgindo nos últimos anos no Brasil, como Ciência &
Maçonaria, Escola No Esquadro, UniAcácia, Biblioteca Digital da CMSB e a
UniCMSB; e têm dado suas contribuições em prol da Educação Maçônica no Brasil,
graças a irmãos cientes de tal responsabilidade e que estão fazendo sua parte. E você, está fazendo a sua?
por Kennyo Ismail | mar 11, 2020 | Notícias
Atendendo a inúmeros pedidos, a obra recém lançada ORDEM SOBRE O CAOS, de Kennyo Ismail, agora está disponível também em ebook.
O livro é um tratado sobre história, funcionamento e ensinamentos dos 33 graus do REAA, alicerçado nas principais obras nacionais e internacionais escritas sobre o tema nos últimos 200 anos.
É dado luz sobre a incrível história do REAA, seu desenvolvimento até chegar ao Brasil, como é seu funcionamento no país e no mundo, e então decodifica grau por grau, do 1 ao 33, cada lenda, principais símbolos, filosofia, teologia e princípios éticos e morais contidos, revelando as ligações ocultas entre eles e os objetivos a serem inculcados em cada grupo de graus.
Você pode adquirir o e-book CLICANDO AQUI.