Eles voltaram! A Constituição de Anderson & O Livro do VM

Eles voltaram! A Constituição de Anderson & O Livro do VM

A editora No Esquadro está repondo seu estoque dos livros mais pedidos pelos irmãos!

  • A Constituição de Anderson (1723) é um clássico de mais de 300 anos, que todo maçom precisa conhecer.
  • O Livro do Venerável Mestre – 2a. edição – é um verdadeiro curso preparatório para todos aqueles que pensam em assumir uma Loja.
  • A Bíblia Sagrada – Edição Maçônica – é uma importante ferramenta de estudos e o melhor presente que se pode dar a um Irmão.
  • E o nosso best-seller, Ordem sobre o Caos, ainda está disponível, mas são poucos exemplares!

Você pode adquiri-los com frete gratuito para todo o Brasil, aqui, na loja da No Esquadro, pelo link: https://noesquadro.com.br/loja/

EFEITO FLYNN REVERSO NA MAÇONARIA

EFEITO FLYNN REVERSO NA MAÇONARIA

O mundo está ficando menos inteligente. E isso não é uma afirmação vazia: nos últimos anos, dezenas de estudos realizados nos mais diferentes países têm mostrado que, após décadas de crescimento contínuo na inteligência média da população (o chamado Efeito Flynn), os resultados começaram a despencar.

O Efeito Flynn, ou seja, o aumento contínuo da inteligência média, era explicado pela melhoria no consumo de nutrientes, mais investimentos em educação e crescente estímulo nos ambientes sociais. E não coincidentemente, o aumento da inteligência média sempre esteve diretamente relacionado com o aumento do hábito de leitura.  

Já essa reversão no Efeito Flynn, ou seja, o emburrecimento geral, seria consequência de mudanças nos hábitos, com crianças, adolescentes e adultos a cada dia com mais horas diárias frente a uma tela (televisão, celular, computador, tablet), consumindo informação audiovisual em vez de leitura.

E por que a leitura estaria relacionada com a inteligência? Quando se lê, exige-se um esforço cognitivo maior para se compreender e imaginar do que o consumo audiovisual, que praticamente não exige esforço algum. É por isso que, para alguns, ler “dá sono”, mas maratonar uma série na TV, não. Ainda, a leitura gera um aumento de vocabulário, que também está diretamente relacionado à inteligência. Nós, humanos, somos seres sociais, com uma existência baseada em relações interpessoais, partindo da família, até a sociedade em geral. E toda interação é quase em sua totalidade feita por meio das palavras. Assim, quanto mais palavras você sabe, mais coisas (e mais complexas) aprende e compreende, e melhor se comunica. Com isso, tem-se uma evolução das ideias, teorias e, consequentemente, das ciências.

Se esse ritmo de queda na inteligência média continuar, acredita-se que a próxima geração de adultos ficará na média considerada “baixa inteligência” e que chamamos popularmente de “lesados”. No caso do Brasil, que tem em torno de 30% da população analfabeta funcional e enfrenta gradativa redução nos investimentos em educação, as consequências poderão ser desastrosas e permanentes.  Ainda mais, considerando a quantidade de livrarias que fecham suas portas todos os anos, o aumento absurdo no preço do papel e, se não bastasse, esforços governamentais para tributar livros, que eram isentos no Brasil desde a década de 40.

As consequências da redução na inteligência média já podem ser vistas por aí. Entre elas, alguns pesquisadores apontam o crescimento do “viés de confirmação”: quando pessoas somente acreditam naquilo que está de acordo com suas crenças e opiniões, rejeitando todos os fatos e argumentos racionais contrários. Isso leva à simplificação de questões complexas, polarização de temas originalmente multifacetados, proliferação de fake-news e de teorias conspiratórias, dentre outros males.

Sem inteligência, também não há senso crítico, que é a capacidade de analisar questões racionalmente, sem aceitar de modo automático as informações ou opiniões de terceiros. E sem senso crítico, não há a tão mencionada busca da verdade; bem como o combate à ignorância, à intolerância e ao fanatismo; ambos objetivos da Maçonaria.

Um indício claro da falta de senso crítico num ambiente maçônico é a adoção e repetição de termos prontos, mesmo quando fogem da normalidade. Por exemplo: “Eu estou Venerável Mestre da Loja XYZ”. Quem fala assim, “eu estou gerente da empresa tal”? O normal é “eu sou gerente da empresa tal”. É assim que adultos falam! Como tantos irmãos podem cair no argumento infantil de que isso parece ruim? O verbo “ser”, conjugado no presente, indica apresentação em determinada posição ou condição atual (que é o caso de um VM). Já o verbo “estar”, quando empregado assim, presume permanência breve e passageira: “estou na rua e logo chegarei em casa”. Não se aplica a um cargo que se ocupa por um ano ou mais!  

Outro exemplo é a condenação daqueles que dizem “ontem fui para reunião da minha loja”, pelo argumento, mais uma vez infantil, de que o termo “minha” é negativo, pois passa a ideia de que você é ou quer ser o dono da loja. Conforme o dicionário, “minha” também se refere a uma pessoa que pertence ou faz parte de algo. Ou seja, que não é dono, mas membro, como em uma Loja.

E como não mencionar o famoso e, ao mesmo tempo, falacioso termo “sou um eterno aprendiz”? Por que não mudamos então os nomes dos três graus simbólicos para Aprendiz I, Aprendiz II e Aprendiz III? Aprendiz é aquele que é novato em um ofício. Quando você tem mais de dez anos de Ordem, foi Venerável Mestre (“foi”, não “esteve”) e fala que é “um eterno aprendiz”, está apenas dizendo que é um falso modesto, que fere em seu discurso o sistema hierárquico educacional das antigas corporações de ofício, tão bem preservado na Maçonaria, apenas para parecer humilde.

E ainda há a clássica: “a Maçonaria é perfeita”. Então por que todo ano tem mudança na legislação maçônica e em algum ritual??? A Maçonaria não está em constante melhoria? Como uma instituição criada pelos homens pode ser perfeita? Se assim for, todas as instituições não são tão perfeitas quanto a Maçonaria? E para piorar, dessa nasceu aquela “mulher não entra na Maçonaria porque já é perfeita”. Tudo conversa pra boi dormir.  

Agora, exerça seu viés de confirmação e faça interpretações tendenciosas para defender a manutenção do uso desses termos, tão esdrúxulos à luz do menor senso crítico. Assim, apenas reforçará ainda mais esta teoria do Efeito Flynn Reverso na Maçonaria.

O LIVRO DO VENERÁVEL MESTRE

O LIVRO DO VENERÁVEL MESTRE

Lançado neste mês pela editora A Trolha, “O Livro do Venerável Mestre” tem por objetivo ajudar a desenvolver e aprimorar as habilidades e competências necessárias para administrar uma loja ou corpo maçônico, independente de rito, com uma série de dicas e ferramentas úteis à gestão maçônica, assim como um poderoso instrumento de autodesenvolvimento de liderança.

Nesta obra, Kennyo Ismail, que, além de pesquisador maçônico consagrado, é professor de Administração, tendo, ao longo dos anos, vínculo com instituições de peso, como FGV e IBMEC, líderes nacionais e com renome internacional na formação de executivos, consegue adaptar as teorias organizacionais à realidade maçônica brasileira e transmitir esse conhecimento em uma linguagem leve e de fácil assimilação em prol da formação de futuros Veneráveis Mestres e presidentes de corpos.

A apresentação da obra é feita pelo Irmão Cassiano Teixeira de Morais, Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Distrito Federal, que, quando de sua eleição ao Grão-Mestrado, foi o primeiro Sênior DeMolay eleito Grão-Mestre no Brasil, além de ter sido o mais novo Grão-Mestre do mundo à época.

“O Livro do Venerável Mestre” é leitura obrigatória para aqueles que assumem ou planejam um dia assumir a direção de uma organização maçônica e se preocupam em realizar um trabalho bem feito para se despedirem de irmãos “contentes e satisfeitos”.

Você pode encontrar o livro na loja virtual da editora A Trolha.

O PARADOXO DA TOLERÂNCIA NA MAÇONARIA

O PARADOXO DA TOLERÂNCIA NA MAÇONARIA

A facilidade de acesso a meios de comunicação, em especial redes sociais virtuais, num estado democrático de direito como o Brasil, dá ao cidadão total liberdade de se expressar livremente, ao mesmo tempo em que se tem a percepção de segurança, de blindagem, por se estar atrás de um PC, celular ou tablet, onde e quando seus atos não trazem consequências físicas, reais, imediatas.

O reflexo disso, num cenário em que deve-se considerar diversos fatores, como a persistente crise política e econômica; os casos de corrupção e toda sua exploração midiática; o crescimento da classe média por meio da ascensão de uma nova classe C, com acesso a informação, mas sem escolaridade; tem sido uma maré alta e persistente de intolerância e ódio, escancarada a cada momento que se acessa redes sociais e lê-se as notícias atuais.

Intolerância ideológica, política, social, racial, religiosa, sexual, dentre outras, tomam conta de pessoas menos esclarecidas, que promovem o ódio, desejando a morte daqueles considerados como diferentes e, em muitos casos, inferiores; e torna-se uma praga, uma epidemia, contaminando aqueles mais sugestionáveis. Esse público intolerante quer mudanças drásticas no país, muitas vezes alimentando um nacionalismo extremista, mas, sem interesse de se esforçar para fazer sua parte, prefere seguir a antiga cartilha de escolher um messias que “salve a pátria”, como os alemães fizeram com Hitler.

O filósofo Karl Popper, um liberal, defendia que a parcela tolerante da sociedade não pode ter tolerância ilimitada com os intolerantes, por risco de condenar a tolerância à morte. Outro filósofo e liberal assumido, John Rawls, corroborava ele, ao defender que é dever da sociedade tolerante preservar seus membros e instituições de toda e qualquer investida de intolerância, externa ou mesmo interna.

A célebre manifestação de Martin Luther King era exatamente sobre isso, sobre sua preocupação, não com os gritos dos maus (intolerantes), mas com o silêncio dos bons (tolerantes). Similarmente, na doutrina espírita, em um de seus livros mais célebres, há uma passagem que diz que “os maus são intrigantes e audaciosos, e os bons são tímidos. Quando os bons quiserem, predominarão”. Passagens similares podem ser encontradas em outras culturas, doutrinas e religiões.

Na Maçonaria, ensina-se a tolerância, mas também prega-se o combate à tirania, à ignorância e ao fanatismo, que são causas e consequências da intolerância. Entretanto, em vez de combater, muitos irmãos têm “entrado na onda” e feito coro em discursos de ódio. Cabe à Maçonaria (ou seja, nós, maçons), não promover “o silêncio dos bons”, mas instruir esses irmãos, aconselhá-los e, quando necessário, repreendê-los. Ainda, se a intolerância persistir, afastá-los, de modo a preservar os bons maçons (tolerantes e, geralmente, silenciosos) e, principalmente, a sublime instituição maçônica e seus princípios morais, que devem se manter imaculados. Pois, se um maçom discorda do princípio maçônico da tolerância, desejando que a única tolerância seja aquela dos demais perante à intolerância dele, se ele se sujeita aos vícios da ignorância e do fanatismo, ou é favorável à tirania, seu lugar não é entre nossas colunas.

Mas um outro mal, mais frequentemente observado no meio maçônico e de forma periódica, está diretamente relacionado a esse paradoxo da tolerância e, de certa forma, comprova a teorização de Popper sobre o mesmo. Em uma Loja há, sem sombra de dúvidas, homens bons e, portanto, tolerantes. Mas, vez ou outra, corre-se o risco de que um ou outro membro da Loja tenha um caráter mais ambicioso, vaidoso, mesquinho. Nesse caso, esse irmão desejará ser Venerável Mestre antes de chegada a sua hora para tal, em detrimento da vontade da maioria, de outros irmãos mais bem preparados, e dos melhores interesses da Loja. Ele é, geralmente, intolerante à ideia de vencer suas paixões e sujeitar sua vontade e insistirá, de diferentes formas, para que sua vontade seja saciada. E, por diversas vezes, vemos os bons irmãos, em nome da tolerância, silenciosos, sujeitando uma vontade coletiva e altruísta em benefício de uma individual e egoísta, permitindo que aquele irmão intolerante, por ambição e vaidade, alcance seu intuito de se tornar Venerável Mestre. E, em alguns desses casos, o resultado posterior é o adormecimento de muitos bons membros e, até mesmo, o abater colunas de Lojas.

A intolerância, enfim, matando a tolerância. O individual sobrepujando o coletivo. E a maçonaria morrendo aos poucos. Por essa razão: tolerância zero à intolerância dentro e fora da Maçonaria.

POR QUE “GRÃO-MESTRE” E “VENERÁVEL MESTRE”?

POR QUE “GRÃO-MESTRE” E “VENERÁVEL MESTRE”?

Para entendermos melhor esses termos, precisamos voltar um pouco na história de nossa Sublime Ordem Maçônica:

Ordens geralmente adotam o termo “Grão-Mestre”, sejam elas religiosas ou de cavalaria. E a partir da Sublime Ordem Maçônica, muitas Ordens fraternais também o fizeram. No caso da Maçonaria, há uma explicação histórica bastante óbvia e racional. Nos primórdios da Maçonaria Especulativa não existia oficialmente o grau de “Mestre Maçom”. Antes disso, as Lojas possuíam apenas Aprendizes e Companheiros, e os Companheiros elegiam entre si aquele que serviria como “Mestre da Loja”. Então, se cada “Loja” era governada pelo seu “Mestre”, nada mais natural do que chamar aquele que governa a “Grande Loja” de “Grande Mestre”. O termo “grão” é apenas uma forma antiga e reduzida da palavra “grande” na língua portuguesa, mais utilizada em títulos.
Com o surgimento oficial do Grau de Mestre Maçom, na década de 30 do século XVIII, as Lojas ficaram repletas de “Mestres”. Então, para distinguir o Mestre da Loja dos demais Mestres, adotou-se um termo distintivo, um termo de tratamento: Venerável (Worshipful). Termos de tratamento eram muito comuns na Inglaterra na época, e até hoje, distinguindo assim o nível de nobreza: Majestade, Alteza, Graça, Mui Honorável e Honorável são exemplos de termos que distinguem monarcas, príncipes, duques, marqueses, viscondes e barões.
Não foi difícil para que, em poucos anos, o termo de tratamento “Venerável” passasse a integrar permanentemente o título do cargo, “Venerável Mestre”, na maioria dos ritos e rituais que foram surgindo.
MWGM – UGLE

E é claro que, se o Mestre da Loja ganhou um título distintivo, não poderia ser diferente para o Grão-Mestre. Enquanto o “Mestre da Loja” passou a ser chamado de “Venerável Mestre” (Worshipful Master), o “Grão-Mestre da Grande Loja”, passou a ser tratado como “Mui Venerável Grão-Mestre” (Most Worshipful Grand Master). E esse ainda permanece como o termo de tratamento adotado pela Grande Loja Unida da Inglaterra para o Grão-Mestre, conforme seu Livro de Constituições (Book of Constitutions – Craft Rules).

Tais termos também alcançaram as instituições e, assim como a Loja passou a ser tratada como “Venerável Loja” ou “Respeitável Loja” (Worshipful Lodge), a Grande Loja também passou a ser tratada como “Mui Venerável Grande Loja” ou “Mui Respeitável Grande Loja” (Most Worshipful Grand Lodge). Veja que “Venerável” e “Respeitável” são apenas diferentes traduções para a palavra inglesa “Worshipful”, apesar que o termo “Venerável” seria a tradução mais correta.
O respeito a tais termos de tratamento pode ser bem observado na Maçonaria dos EUA e de vários outros países. Já os vários outros termos que foram surgindo para se referir às autoridades maçônicas, em especial as brasileiras, são frutos da indiscutível soberania de cada Obediência. Inovações, invenções, más traduções ou aberrações que, com o tempo, se tornaram tradições.