Estamos acompanhando o atual problema de relacionamento entre GOB-MG e GOB, problema este que se arrasta desde a época de Amintas e Eduardo Rezende. Este problema vem concomitante a outro, entre o GOB-BA (GOEB) e o GOB, que também vem sendo remoído desde junho de 2019. Ainda, tivemos o conturbado caso do GOSP, eclodido em setembro de 2018.
Além de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, que estão entre os maiores estados maçônicos em número de membros e lojas, acumula-se outros casos de conflitos e intervenções em Grandes Orientes Estaduais, como em Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, etc.
Todos esses casos têm gerado instabilidade, não apenas no seio do GOB, mas também no meio maçônico regular brasileiro, visto que, em alguns casos, as outras potências regulares locais, Grandes Lojas da CMSB e Grandes Orientes da COMAB, precisam se posicionar quanto a intervisitação, etc.
E ao observarmos a história da Maçonaria brasileira, em especial do Grande Oriente do Brasil, vemos que não se trata apenas de casos recentes e isolados. O fato é que, desde que se implementou o atual sistema de Grandes Orientes Estaduais, o GOB enfrenta esse tipo de problema.
Como exemplo, tem-se a manifestação em conjunto de seis Grandes Orientes Estaduais, em 1962, reivindicando um novo “pacto federativo”, em que se concederia soberania aos mesmos. Os desdobramentos dessa reivindicação, aliados a um processo eleitoral conturbado, levariam à cisão de 1973. E essa espécie de reclamação não ressurge periodicamente… é permanente. Só que nem sempre é alta o bastante para ser escutada.
O fato é que o GOB é uma federação, mas adotou uma característica que não é inerente a uma federação maçônica, o que, aparentemente, tem gerado mais de meio século de conflitos internos, que vivem a abalar seu pacto federativo.
Há algumas outras federações maçônicas mundo afora. Um exemplo clássico é a Grande Loja Unida da Inglaterra – GLUI. Ela possui uma série de Grandes Lojas Provinciais e Grandes Lojas Distritais, que devem obediência à GLUI. Sabe qual a diferença dessas Grandes Lojas Distritais e Provinciais para os Grandes Orientes Estaduais do GOB? Seus Grão-Mestres são nomeados, não eleitos.
Uma Grande Loja Distrital nada mais é do que um Distrito ou Delegacia Maçônica, com uma espécie de Delegado nomeado para administrá-la. E, em verdade, um Grande Oriente Estadual do GOB não deixa de ser exatamente isso, pois não emite placets e cartas constitutivas, nem pode firmar tratados com outras potências, dentre outras limitações.
Praticamente todos os conflitos entre os Grandes Orientes Estaduais e o GOB giram em torno do fato do GOB intervir em um Grão-Mestre Estadual que foi eleito pelo povo maçônico gobiano daquele Estado.
Um Grão-Mestre Estadual do GOB fez campanha, rodou a jurisdição, visitou dezenas de lojas, tornou-se uma liderança e foi eleito e empossado no cargo. Quando ocorre uma intervenção, o próprio termo, “intervenção”, acentua a gravidade do que é feito, pois é uma violação, mesmo que legal, em uma organização. A vontade daquele povo maçônico, de certa forma, é atropelada.
E é nessas horas de intervenção que aquelas dúvidas retomam “com plena força e vigor”: da razão dele ser um “Grão-Mestre” e não ter a autoridade que os Landmarks tradicionalmente adotados no Brasil concedem a um Grão-Mestre; da falta de autonomia, independência e soberania do Grande Oriente Estadual; da vontade de milhares de irmãos do povo maçônico local estar abaixo da vontade de uma única autoridade maçônica do Poder Central; etc. E então os desejos separatistas de alguns saem das sombras para sussurrar aos ouvidos daqueles mais e menos revoltosos.
Entretanto, todo esse processo conturbado de intervenção, cisão, judicialização, é fruto do modelo organizacional adotado e, simplesmente, não precisaria acontecer se fosse adotado outro modelo. Um CNPJ Filial não se desliga da Matriz. E um Grão-Mestre Estadual nomeado não faz campanha, não é necessariamente uma liderança, não quer ter seus poderes igualados aos dos outros Grão-Mestres do Estado, não aspira soberania, e não sofre uma traumática intervenção. No máximo, uma simples exoneração.
Quer ser, de fato, uma federação? A sugestão é que crie 27 CNPJs de Filial para os Grandes Orientes Estaduais e nomeie seus Grão-Mestres Estaduais. Poderão ser chamados de Delegados Regionais, se preferir. Caso contrário, outra opção é se tornar uma confederação e dar soberania a eles, perdendo assim o poder de intervenção. Mas enquanto esse modelo híbrido jabuticabesco estiver em vigor, a previsão é de que o atual pacto federativo gobiano continuará a ser ferido, prejudicando lojas e irmãos, e causando instabilidade nas relações.
A Maçonaria soma mais de trezentos anos de história tendo, durante o século XVIII, servido de palco para os debates iluministas em defesa da democracia; da igualdade de todos perante a lei; e das liberdades civil, religiosa, política e intelectual. Não por acaso, sua iniciação simbolicamente gira em torno da busca pela luz do conhecimento e da verdade.
A proposta do Iluminismo era de
emancipar o homem pelo uso da razão. Isso porque, após séculos de escuridão
científica, o mundo ocidental experimentava estados teocráticos, em que o que
era dito por sacerdotes era lei, inclusive sobre sua vida pessoal, familiar e
profissional. Em outras palavras, você não precisava pensar, mas apenas
obedecer a seu sacerdote.
Esses debates iluministas tinham
caráter sigiloso, de modo a proteger seus membros, muitos deles filósofos,
intelectuais e livres-pensadores, de perseguições em governos autoritários.
Essa tradição foi mantida pela Maçonaria até os dias de hoje. Contudo, isso infelizmente
não impediu que ela e seus membros sofressem ataques e perseguições ao longo
dos anos.
A primeira Bula Papal contra a
Maçonaria data de 1738 e apontava como única justificativa o fato de a
Maçonaria perturbar a tranquilidade daquelas monarquias absolutistas que até
então existiam. Mas, por muitos anos, esse ataque não ficou restrito ao papel.
Apenas para citar um exemplo, e de personagem conhecido em nosso país: Hipólito
da Costa, pai da imprensa brasileira, foi um dos presos pela Inquisição pelo “crime”
de ser maçom.
No Brasil, durante a segunda
metade do século XIX, a Maçonaria também sofreu ataques, período conhecido na
história como “Questão Religiosa”. Seu crime: defender a Abolição da
Escravatura e a garantia constitucional da liberdade religiosa, tendo,
inclusive, apoiado a vinda e pregações dos missionários de diferentes
denominações cristãs para o Brasil, como batistas e presbiterianos. Hoje, somos
alvo da desinformação de alguns pastores de ramificações destas.
Já no século XX, todo governo
autoritário, ciente da bandeira democrática da Maçonaria, a condenou e perseguiu.
Foi assim, por exemplo, na Rússia, com o Bolchevismo; na Espanha, com o
Franquismo; na Itália, com o Fascismo; e na Alemanha, com o Nazismo, quando milhares
de maçons foram presos e executados em campos de concentração alemães. E no
Brasil, quando Vargas deu seu golpe de estado e implementou o Estado Novo, em
1937, com o apoio dos Integralistas (versão brasileira dos fascistas e
nazistas), uma de suas primeiras ações foi fechar a Maçonaria brasileira com
uso de força policial, tendo seus imóveis vandalizados e documentos apreendidos
ou destruídos.
E, mesmo assim, a Maçonaria,
tanto no Brasil como fora, manteve seu trabalho interno, de educação moral e
ética para seus membros; e externo, por meio de suas ações, programas e
projetos sociais. Sempre atuando de modo discreto, agregando membros de
diferentes cores, religiões, origens e opiniões políticas, e apenas exigindo
dos mesmos a crença em Deus e na Imortalidade da alma, visto o ensinamento de sua
moral partir desses dois princípios dogmáticos, herança dos pensamentos de
filósofos como Rousseau, com sua ideia de religião civil; e de Kant, com seu
teísmo moral.
Já em pleno século XXI, vê-se que
no Brasil ainda impera um pré-iluminismo, no qual a Teologia do Medo está
presente nos debates políticos e nas mensagens compartilhadas em redes sociais;
com a confusão Igreja-Estado, da Idade Média, mais viva do que nunca, tornando
natural à população a existência de uma “bancada evangélica” no Congresso e de
um “padre” ter se candidatado a presidente; com pautas de duzentos anos atrás,
como terraplanismo e antivacina, voltando a ter espaço e fôlego; com uma
disputa eleitoral, que deveria centrar em pautas como economia, saúde,
educação, segurança pública, meio ambiente e relações exteriores, tornando-se
uma guerra-santa do bem contra o mal. E assim, se acredita nas narrativas mais
absurdas e as passa adiante como uma verdade absoluta, pela simples
incompetência de se usar a racionalidade.
E é nesse cenário, de tamanha
ignorância, intolerância e fanatismo, e com finalidade explicitamente eleitoreira,
que vejo a retomada absurda da discriminação contra maçons e a Maçonaria, com
seus mais de duzentos anos de atuação maçônica em solo brasileiro, e uma
incontável lista de serviços prestados à sociedade e ao país.
Bolsonaro não é maçom. Lula
também não. Mas Ruy Barbosa era. Assim como Frei Caneca, Luís Gama, Bento
Gonçalves, Dom Pedro I, José Bonifácio, Duque de Caxias, Carlos Gomes, Deodoro
da Fonseca, Jânio Quadros, Mário Covas e tantos outros brasileiros que moldaram
nossa história. Eles optaram por frequentar lojas maçônicas, dedicando um pouco
dos seus tempos para forjar o caráter por meio do estudo e do debate. E apenas
homens de boa vontade e voltados a causas nobres têm esse desprendimento.
Pare de acreditar nas mentiras
que aqueles que não conhecem a Maçonaria, agindo de má fé ou por pura
ignorância, contam por aí. Basta desse preconceito cego e equivocado. Faça seu
próprio Iluminismo: raciocine por conta própria. E se você for evangélico, em
suas orações noturnas, não deixe de agradecer à Maçonaria por oportunizar a
consolidação das igrejas evangélicas no Brasil. Hoje você enche a boca para
dizer que o Brasil é um país cristão… pois saiba que no século XIX, este era
um país católico e quem não era católico tinha direitos limitados, dificuldades
para fazer negócios e até mesmo para ser enterrado. E a Maçonaria mudou isso. Não
há de quê! Disponha!
O mundo está ficando menos inteligente. E isso não é uma afirmação vazia: nos últimos anos, dezenas de estudos realizados nos mais diferentes países têm mostrado que, após décadas de crescimento contínuo na inteligência média da população (o chamado Efeito Flynn), os resultados começaram a despencar.
O Efeito Flynn, ou seja, o aumento contínuo da inteligência média, era explicado pela melhoria no consumo de nutrientes, mais investimentos em educação e crescente estímulo nos ambientes sociais. E não coincidentemente, o aumento da inteligência média sempre esteve diretamente relacionado com o aumento do hábito de leitura.
Já essa reversão no Efeito Flynn, ou seja, o emburrecimento geral, seria consequência de mudanças nos hábitos, com crianças, adolescentes e adultos a cada dia com mais horas diárias frente a uma tela (televisão, celular, computador, tablet), consumindo informação audiovisual em vez de leitura.
E por que a leitura estaria relacionada com a inteligência? Quando se lê, exige-se um esforço cognitivo maior para se compreender e imaginar do que o consumo audiovisual, que praticamente não exige esforço algum. É por isso que, para alguns, ler “dá sono”, mas maratonar uma série na TV, não. Ainda, a leitura gera um aumento de vocabulário, que também está diretamente relacionado à inteligência. Nós, humanos, somos seres sociais, com uma existência baseada em relações interpessoais, partindo da família, até a sociedade em geral. E toda interação é quase em sua totalidade feita por meio das palavras. Assim, quanto mais palavras você sabe, mais coisas (e mais complexas) aprende e compreende, e melhor se comunica. Com isso, tem-se uma evolução das ideias, teorias e, consequentemente, das ciências.
Se esse ritmo de queda na inteligência média continuar, acredita-se que a próxima geração de adultos ficará na média considerada “baixa inteligência” e que chamamos popularmente de “lesados”. No caso do Brasil, que tem em torno de 30% da população analfabeta funcional e enfrenta gradativa redução nos investimentos em educação, as consequências poderão ser desastrosas e permanentes. Ainda mais, considerando a quantidade de livrarias que fecham suas portas todos os anos, o aumento absurdo no preço do papel e, se não bastasse, esforços governamentais para tributar livros, que eram isentos no Brasil desde a década de 40.
As consequências da redução na inteligência média já podem ser vistas por aí. Entre elas, alguns pesquisadores apontam o crescimento do “viés de confirmação”: quando pessoas somente acreditam naquilo que está de acordo com suas crenças e opiniões, rejeitando todos os fatos e argumentos racionais contrários. Isso leva à simplificação de questões complexas, polarização de temas originalmente multifacetados, proliferação de fake-news e de teorias conspiratórias, dentre outros males.
Sem inteligência, também não há senso crítico, que é a capacidade de analisar questões racionalmente, sem aceitar de modo automático as informações ou opiniões de terceiros. E sem senso crítico, não há a tão mencionada busca da verdade; bem como o combate à ignorância, à intolerância e ao fanatismo; ambos objetivos da Maçonaria.
Um indício claro da falta de senso crítico num ambiente maçônico é a adoção e repetição de termos prontos, mesmo quando fogem da normalidade. Por exemplo: “Eu estou Venerável Mestre da Loja XYZ”. Quem fala assim, “eu estou gerente da empresa tal”? O normal é “eu sou gerente da empresa tal”. É assim que adultos falam! Como tantos irmãos podem cair no argumento infantil de que isso parece ruim? O verbo “ser”, conjugado no presente, indica apresentação em determinada posição ou condição atual (que é o caso de um VM). Já o verbo “estar”, quando empregado assim, presume permanência breve e passageira: “estou na rua e logo chegarei em casa”. Não se aplica a um cargo que se ocupa por um ano ou mais!
Outro exemplo é a condenação daqueles que dizem “ontem fui para reunião da minha loja”, pelo argumento, mais uma vez infantil, de que o termo “minha” é negativo, pois passa a ideia de que você é ou quer ser o dono da loja. Conforme o dicionário, “minha” também se refere a uma pessoa que pertence ou faz parte de algo. Ou seja, que não é dono, mas membro, como em uma Loja.
E como não mencionar o famoso e, ao mesmo tempo, falacioso termo “sou um eterno aprendiz”? Por que não mudamos então os nomes dos três graus simbólicos para Aprendiz I, Aprendiz II e Aprendiz III? Aprendiz é aquele que é novato em um ofício. Quando você tem mais de dez anos de Ordem, foi Venerável Mestre (“foi”, não “esteve”) e fala que é “um eterno aprendiz”, está apenas dizendo que é um falso modesto, que fere em seu discurso o sistema hierárquico educacional das antigas corporações de ofício, tão bem preservado na Maçonaria, apenas para parecer humilde.
E ainda há a clássica: “a Maçonaria é perfeita”. Então por que todo ano tem mudança na legislação maçônica e em algum ritual??? A Maçonaria não está em constante melhoria? Como uma instituição criada pelos homens pode ser perfeita? Se assim for, todas as instituições não são tão perfeitas quanto a Maçonaria? E para piorar, dessa nasceu aquela “mulher não entra na Maçonaria porque já é perfeita”. Tudo conversa pra boi dormir.
Agora, exerça seu viés de confirmação e faça interpretações tendenciosas para defender a manutenção do uso desses termos, tão esdrúxulos à luz do menor senso crítico. Assim, apenas reforçará ainda mais esta teoria do Efeito Flynn Reverso na Maçonaria.
Marinho gostava muito de jogar futebol. Um dia, mudou para a cidade grande por força do trabalho e logo procurou um time para jogar: “Gol Brasil”. Ele jogava tão bem que, em poucos anos, já era capitão do time!
Só tinha um problema: a maioria dos jogadores, com o consentimento da comissão técnica, usava anabolizante… Marinho e outros jogadores eram totalmente contra essa prática, em especial depois que foram jogar em um campeonato internacional, que ocorria de cinco em cinco anos, e souberam que, a partir da próxima edição do campeonato, haveria exame antidoping, e o time cujos jogadores fizessem uso de substâncias proibidas seria banido para sempre da competição.
Ao retornar daquele campeonato internacional, Marinho começou um trabalho de conscientização dos outros jogadores e de diálogo com a comissão técnica, mas em vão. A prática irregular estava arraigada no time. Os anos se passavam, a nova edição da competição se aproximava, e as seringas de anabolizantes permaneciam nos vestiários.
Então, Marinho e seus colegas que não se dopavam tiveram que fazer a escolha mais difícil de suas vidas futebolísticas: eles abandonaram o time e criaram um novo time na cidade: a “Grande Liga”. Eles amavam futebol, mas queriam jogar dentro das regras, de forma regular. Para isso, abriram mão de um time já estruturado, com sede própria e patrocinador, para começar um time do zero. Ainda assim, era melhor do que ficar sem jogar bola, ou se prejudicarem pelos erros dos outros.
Assim, a cidade passou a ter dois times rivais. O de Marinho, a “Grande Liga”, que jogava campeonatos internacionais regulamentados, com exame antidoping; e o time mais antigo, o “Gol Brasil”, que focava em campeonatos nacionais e os poucos internacionais que ainda não exigiam exames antidoping.
Mas os jogadores do “Gol Brasil” não perdoavam Marinho e aqueles que o acompanharam, inventando e disseminando todo tipo de mentiras sobre a turma da “Grande Liga”. Diziam que Marinho abriu outro time porque não seria mais capitão, e que havia roubado bolas e chuteiras da sede do “Gol Brasil”. E ainda defendiam que o uso de anabolizantes era algo totalmente aceitável no meio, servindo apenas de desculpas para que Marinho tivesse seu próprio time. Tratava-se do bom e velho “Argumentum ad Hominem“: falácia de tentar desacreditar o autor, sugerindo desvios de caráter e segundas intenções, como forma de desviar a atenção dos reais problemas e anular a validade da ação oposta.
Então muitos anos se passaram. Marinho e os jogadores da época da cisão no futebol da cidade se foram. Os poucos campeonatos internacionais que não tinham exames antidoping, passaram a adotá-los, levando o time “Gol Brasil” a também abolir o uso de anabolizantes. Ambos os times, agora formados por jogadores e comissão técnica que não viveram aquele período do racha, passam a jogar dentro das mesmas regras e a participar dos mesmos campeonatos, levando à maior convivência e amizade entre a maioria de seus membros.
CONTUDO, vez ou outra, alguém pergunta porque há dois times na cidade. E alguns poucos membros da comissão técnica do “Gol Brasil”, como um tal de Pedro Juca, em vez de terem a humildade de assumir a verdade, de que o time fazia uso de anabolizantes no passado, o que levou ao rompimento com um grupo de jogadores que formaram o novo time, mas que esse erro foi corrigido muitos anos atrás e hoje os dois times têm ótimo relacionamento; preferem desenterrar as velhas difamações contra o falecido Marinho, numa tentativa frustrada de colocar em dúvida a legitimidade do time amigo que, para eles, ainda é rival.
Ainda falta espírito desportivo em algumas “lideranças” do futebol…
Em uma pesquisa realizada em 2018 para a CMI, com mais de 12 mil maçons brasileiros de todos os Estados e DF, e das três vertentes maçônicas brasileiros, diagnosticou-se um problema sério, porém discreto na Maçonaria brasileira: o conflito de gerações.
Em um gráfico que mais parecia os sutiãs da Madona, via-se nitidamente as duas gerações: a dominante, de mais de 2/3 dos maçons brasileiros, de mais de 50 anos de idade, com concentração se aproximado dos 60 anos, majoritariamente educados pelo sistema tradicional de ensino, tendo parcela considerável com baixa escolaridade ou escolaridade tardia, e sem hábito de leitura; e a dos novos entrantes, de menos de 1/3 do povo maçônico, ingressos nos últimos anos, com menos de 50 anos, sendo a maioria com menos de 40 anos de idade, educados nos sistemas surgidos a partir das reformas educacionais iniciadas na década de 70, e melhor acesso acadêmico e literário.
A diferença sociocultural dessas duas gerações está intimamente ligada com a história mais recente do nosso país, desde o chamado “milagre econômico” da década de 70; a adoção de novos métodos pedagógicos no ensino fundamental, como Construtivista, Freiriano, Montessoriano, Piagetiano, na década de 80; até a maior flexibilização nas normas do Ensino Superior, gerando o boom de faculdades particulares, na década de 90.
Assim, tem-se uma geração de novos entrantes mais pragmática, crítica e questionadora, tanto sobre o que ouve quanto sobre o que lê, subordinada a uma geração dominante mais tradicionalista. E os resultados da pesquisa indicaram que essa geração dominante não vê com bons olhos a nova geração, acreditando que ingressam na Maçonaria apenas em busca de networking e benefícios, e que estão querendo inovar a Maçonaria e expô-la na internet e redes sociais.
Acontece que, enquanto há maioria de membros na geração dominante, que envelhece a cada dia, a nova geração concentra praticamente toda a evasão maçônica, o que dificulta a renovação dos quadros, que poderia garantir a manutenção das organizações maçônicas a longo prazo. E como agravante, há a institucionalização dessa opressão silenciosa. Como exemplo, há potências que criam regras que vetam os novos entrantes do direito a voz, apesar desses pagarem as mesmas taxas que qualquer outro membro.
Nesse contexto está a Ordem DeMolay, existente no país há mais de 40 anos, durante os quais foi copiosamente chamada pelas lideranças maçônicas de “o futuro da Maçonaria”. De fato, esse futuro está se tornando o presente, pois já se teve e tem alguns Grão-Mestres de Grandes Lojas oriundos da Ordem DeMolay: Cassiano na GLMDF, Alexandre na GLMET, Tadeu na GLMERGS, Hook na GLMERN. E há ainda outras boas promessas para a próxima safra.
Com um número cada vez mais crescente de DeMolays na Maçonaria, não é raro escutar depoimentos de que o DeMolay Sênior que é Maçom tem responsabilidade redobrada, pois qualquer comportamento questionável seu respinga maçonicamente também na Ordem DeMolay.
Para ilustrar, compartilho o que escutei no último sábado de uma liderança maçônica. O irmão contou de um maçom que é DeMolay Sênior e, ao escutar algo que não gostou em uma Câmara do Meio, retirou o avental da cintura e saiu da reunião. Com base nisso, sugeriu que talvez os DeMolays não possuem o perfil que se espera na Maçonaria.
Então, contei de um velho maçom que, enquanto presidia a sessão, irritou-se com um irmão sentado à coluna do sul e arremessou o malhete em sua direção. Esse velho maçom não era um DeMolay Sênior, mas um oficial das Forças Armadas. Por um acaso, caberia sugerir que talvez os militares não possuem o perfil que se espera na Maçonaria?
Há imbecis de todas as idades e em todas as áreas de atuação. O maior erro que podemos cometer é generalizar.
Por outro lado, há um comportamento comum entre alguns DeMolays Seniores que ingressam na Maçonaria, e que não colabora para a redução desse conflito: a PERCEPÇÃO DE TEMPO. A média de idade dos que ingressam na Ordem DeMolay é por volta dos 15 e 16 anos. Isso dá apenas cinco a seis “anos de vida” ao DeMolay Ativo, que se torna um Sênior aos 21 anos, não podendo mais ocupar cargos juvenis na organização. Então, aqueles jovens com perfis de liderança correm contra o tempo para alcançar os postos que almejam na organização.
Quando esses jovens, com seus vinte e poucos anos, ingressam na Maçonaria, eles provavelmente terão uns cinquenta “anos de vida” na instituição. São dez vezes mais do que a média de tempo ativo na Ordem DeMolay. Em outras palavras, o tempo na Maçonaria corre diferente do tempo na Ordem DeMolay. Contudo, são muitos os jovens que não conseguem virar essa chave, desejando manter na Maçonaria o mesmo ritmo de evolução nos cargos que foi vivenciado na Ordem DeMolay. E isso apenas gera ainda mais conflitos e alimenta ainda mais as generalizações.
Todas essas generalizações, de que DeMolay é isso e “bode velho” é aquilo, são reflexos desse conflito de gerações, e é exatamente o que precisamos combater por meio da educação de TODOS. A Tolerância é um dos principais pilares da Maçonaria Simbólica e talvez seja exatamente o que tem faltado em muitos irmãos. Como escola de moralidade que somos, temos a obrigação de ensinar essa importante lição. Nosso futuro depende disso.
Desde 2012 que
estudo e pesquiso sobre comportamento organizacional na Maçonaria. Tenho livros
e artigos publicados a respeito, além de lecionar o tema em nível de graduação
e pós-graduação. E uma das bandeiras que venho defendendo em todos esses anos é
da necessidade de se desenvolver e treinar novas lideranças para a Maçonaria.
A atual pandemia
e os reflexos do distanciamento social sobre as organizações maçônicas têm
imposto essa realidade e necessidade aos olhos de quem quiser ver. Nesse
sentido, lembro-me que, em minha adolescência, meu pai me dizia que é fácil ser
bom quando tudo está bem, mas que sabemos quem realmente é bom quando tudo está
mal.
Pesquisas
indicam que avaliações cognitivas e afetivas geram comportamentos. Isso parece
óbvio: você pensa, depois age. Mas, em alguns casos, ocorre o contrário: de
tanto agir de uma forma, mesmo encarando fatos irrefutáveis, você se obriga a
manter sua avaliação inicial, de forma a não contradizer suas ações. Por isso do
uso do termo “aos olhos de quem quiser ver”.
No meio
organizacional, adaptado à Maçonaria, algumas das avaliações e sentimentos
envolvidos são: a satisfação com a Maçonaria, o envolvimento com a Maçonaria e
o comprometimento com a Maçonaria. Este último possui três dimensões distintas:
o comprometimento afetivo, que é o vínculo emocional e com os valores da
Maçonaria; o comprometimento instrumental, que é a necessidade psicológica de
permanência; e o comprometimento normativo, que é a sensação de obrigação moral
de permanência.
Todas essas
avaliações e sentimentos são positiva e diretamente moderados pelas atividades
maçônicas e suas frequências. Assim, quanto mais frequente em atividades
maçônicas, maiores as chances de satisfação, envolvimento e comprometimento
afetivo, instrumental e normativo. Aqui, ressalta-se que há outras variáveis
impactantes nessa relação.
Estudos e
pesquisas indicam que o comprometimento afetivo está fortemente relacionado com
desempenho e não tanto com a permanência ou evasão, enquanto que o instrumental
baixo gera maior intenção de faltar e, consequentemente, se afastar.
Resumindo a
equação, a falta de reuniões e outras atividades maçônicas desencadeará em uma
redução da satisfação, do envolvimento e do comprometimento. E a consequência
disso será um maior absenteísmo e uma maior evasão quando do retorno dos
trabalhos maçônicos pós-pandemia.
E como frear
esse fenômeno? As organizações conseguem minimizar esses efeitos por meio da
Percepção de Suporte Organizacional (PSO) e da manutenção do engajamento dos
membros. A PSO é quando os membros percebem que a organização os valoriza,
apoia, e se preocupa com seu bem-estar.
Atividades que proporcionem a percepção de preocupação e cuidado para com os irmãos geram um aumento da PSO, bem como aquelas que proporcionem a manutenção de contatos e interações, mesmo que virtuais, retém o engajamento. Com isso, pode-se manter níveis esperados de satisfação, envolvimento e comprometimento, reduzindo as chances de absenteísmo e evasão.
Gestores maçônicos que proporcionam ações intelectualmente estimulantes, condições de apoio e oferta de ajuda, proporcionarão maior satisfação e envolvimento, levando à renovação do comprometimento.
É agora, “quando tudo está mal”, que veremos “quem realmente é bom”.