O QUE É “QUATUOR CORONATI”?

O QUE É “QUATUOR CORONATI”?

Todo bom maçom já ouviu falar da Loja “Quatuor Coronati” de Pesquisas, a primeira e mais famosa Loja Maçônica de Pesquisas do mundo. O que poucos maçons sabem é a origem do seu nome, baseada numa lenda, uma lenda maçônica.
No século XVIII foi encontrado na Inglaterra um antigo manuscrito, provavelmente do século XII, chamado de Lenda de Arundel. Há nele um relato da história dos Quatuor Coronati, história essa também citada no conhecido “Poema Regius”, outro famoso manuscrito maçônico, datado do século XIV.
Caio Aurélio Valério Diocleciano foi um Imperador Romano entre os séculos III e IV que empreendeu a maior perseguição cristã da história romana. A lenda relata que Diocleciano encomendou aos quatro melhores artífices sob seu domínio uma estátua de Esculápio, deus da saúde, da cura, da medicina. Porém, os quatro artífices professavam secretamente a fé cristã e se recusaram a realizar o trabalho. Como punição, os quatro foram açoitados, pregaram coroas de pregos em suas cabeças, e eles foram trancados em caixões de chumbo e jogados no rio Tibre.
A história diz ainda que, alguns anos depois, os cristãos, recordando do martírio daqueles artífices, passaram a se referirem a eles como os “Quatro Coroados”, que em latim é “Quatuor Coronati”.
Quando de sua fundação, em 1884, a Loja “Quatuor Coronati” se propôs a realizar estudos e pesquisas maçônicas com base em “evidências”, e não mais em “achismos” como ocorria de forma majoritária na literatura maçônica até aquele momento. Proposta seguida à risca até os dias de hoje. Por esse motivo, ela ficou conhecida como a “autêntica escola” de pesquisas maçônicas.
Através da Loja “Quatuor Coronati” a Maçonaria Inglesa conseguiu iniciar no século XIX o que a Maçonaria Brasileira ainda não fez em pleno século XXI: combater seus mitos.

O INICIADO

De olhos fechados adentrei ao seu interior
Respondi questões sobre aquilo que creio
Entreguei-me às viagens e provas difíceis
E na confiança do meu guia segui sem receio

Meu peito sentiu o frio da lâmina
Minhas mãos a maciez da água
Meus pés o desespero da queda
E minha boca a bebida amarga

E apesar do fogo queimar minha pele
E dos obstáculos surgidos em meu caminho
Apesar da escuridão em que me encontrava
Eu sabia que Deus ali estava comigo

Com determinação segui em frente
Ajoelhado, prestei meu solene juramento
Então a desejada Luz me foi concedida
E agora essas Colunas eu também sustento

Me alimento de seus ensinamentos
E através deles me oriento
Ó justa e perfeita Maçonaria
Minha rosa-dos-ventos.


Kennyo Ismail
MAÇONARIA & ARTES PLÁSTICAS

MAÇONARIA & ARTES PLÁSTICAS

“O cavaleiro da mão no peito”, de El Greco
Esta pintura, chamada de “O cavaleiro da mão no peito”, mas também conhecida como “O juramento do cavaleiro”, é uma das mais famosas pinturas espanholas. Um dos destaques do Maneirismo, foi pintada pelo artista Domenikos Theotokopoulos, mais conhecido como “El Greco”, por volta do ano de 1584.
Visto por muitos como a melhor representação do espanhol da Idade do Ouro, esse quadro tem sido alvo da atenção dos historiadores da arte ao longo dos séculos. O interesse pela pintura não se deveu apenas pela sua relevância histórica, mas principalmente pelos mistérios que a circundam: a identidade do homem e o significado do seu gesto.
Apesar das suspeitas de que se trata de Juan de Silva ou mesmo de Miguel de Cervantes, não há como confirmar tais teorias. Por tal motivo, oficialmente é um retrato de um “nobre espanhol não identificado”. Mas o mistério que mais curiosidades, estudos, pesquisas e teorias gerou é do sinal que o homem faz: com sua mão direita sobre o peito, como em sinal de respeito ou juramento, mas com os dedos médio e anelar unidos e os demais afastados.
Apesar de teorias como a de que o retratado possuía uma deficiência que mantinha os dedos grudados, ou que o pintor retratou o gesto dessa forma exatamente para alimentar a curiosidade da sociedade, a teoria mais comum entre os historiadores é de ser um “sinal de ritual, apenas inteligível aos iniciados”.

“Jeremias”, de Aleijadinho



Como mineiro e maçom, é com orgulho que afirmo que essa teoria de que o gesto do cavaleiro é um sinal ritualístico, mais precisamente um sinal maçônico, pode ser reforçada por outro artista, também mineiro e também maçom: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Estudos e pesquisas sobre a vida e a obra de Aleijadinho já mostraram que nosso artista incluiu, de forma discreta, sinais maçônicos em muitas de suas obras, entre elas as esculturas dos profetas, concluídas em 1805 e localizadas em Congonhas. Uma dessas esculturas, a de Jeremias, apresenta a mão direita com os dedos médio e anelar unidos e os demais afastados, assim como na pintura de El Greco.
Há indícios de que esse gesto, formando um “M” com os dedos, era um sinal comum na Maçonaria “latina” (Itália, Espanha, França, Portugal e as originadas dessas), usado para identificação em lugares públicos, já que outros sinais eram restritos ao uso em locais “livres dos olhos profanos”. Com o tempo, teria entrado em desuso, assim como outros sinais similares.
Talvez nunca descubram quem é o cavaleiro retratado naquela pintura, mas uma coisa parece ser certa: ele tinha orgulho de ser maçom e queria que os outros maçons soubessem disso.
ESQUADRANDO A PUBLICAÇÃO “MAÇONARIA de A a Z”

ESQUADRANDO A PUBLICAÇÃO “MAÇONARIA de A a Z”

Recentemente o portal “Terra”, em sua área sobre esoterismo, publicou um infográfico intitulado “Maçonaria de A a Z”, de autoria de Monica Buonfiglio. Apesar da iniciativa louvável, algumas informações contidas no material estão erradas:
A – a acácia não representa a inocência, e sim a imortalidade da alma.
B – a coluna Boaz nem sempre é na esquerda. Depende do rito. Já no caso do “bode”, esse costume do povo cochichar os pecados ao bode nunca existiu. Era o Sumo Sacerdote de Israel que, uma vez por ano, confessava os pecados do povo a um bode, o qual era enviado ao deserto para morrer, enquanto outro bode era sacrificado no templo. Entretanto, isso nada tem com a relação Bode & Maçonaria.
C – a Coluna do Templo de Salomão não se chamava Joab, e sim Jaquim. A corda do teto não tem 12 nós, e sim 81. Também não está presente em todos os ritos.
E – a estátua da liberdade não representa a deusa Sophia, e sim Marianne.
G – os três primeiros graus não são “obrigatórios”. Isso não existe. O mais adequado seria dizer que eles são “comuns” a todos os ritos.
H – o Hino não é sempre tocado na abertura dos trabalhos. E não é em todos os Ritos e Obediências que a bandeira fica na entrada do templo, pelo contrário.
J – Jabulon não é nome de Deus na Maçonaria que, de forma geral, O chama de “Grande Arquiteto do Universo”.
L – O recebimento dos dois pares de luvas não está presente em todos os ritos.
M – malhete e maço são coisas completamente diferentes.
O – Os ossos e crânio não estão presentes na iniciação em todos os ritos.
P – o termo “Pedreiros Livres” não era porque eram homens livres de pensamento. O termo era usado porque eram profissionais com liberdade para viajarem e desempenharem suas funções.
R – Ser casado não é um requisito para ingressar na Maçonaria. Nem todas as Lojas têm reuniões semanais, algumas são quinzenais ou até mensais.  Na lista dos ritos, esqueceram do Rito Brasileiro e do Ritual de Emulação, também praticados no Brasil. Além disso, a Maçonaria Universal não se restringe apenas a esses, pois há dezenas de outros ritos e rituais que, apesar de não serem praticados pela Maçonaria Regular Brasileira, são praticados em outros países.
U – a letra U não é sagrada pros maçons. Se tivesse que destacar uma letra, com certeza seria a “G”.
X – não é em todos os ritos que os templos têm pavimento mosaico.
Y – o rito de York foi fundado nos EUA em 1797, e não em 1799.
Z – nem todos os templos têm as colunas zodiacais.
O VISITANTE & O RITUAL

O VISITANTE & O RITUAL

Apesar de ser um tema um pouco polêmico, e por isso é certo que alguns Irmãos discordarão do aqui exposto, sua abordagem é importante para a promoção da reflexão e do debate entre os Irmãos.

Existem três forças que, apesar de distintas, estão relacionadas: a regra legal, que é imposta; a regra social, que é respeitada; e a educação, maçonicamente chamada de “bons costumes”, que leva o cidadão a respeitar a regra social e a obedecer a regra legal.
No Japão há uma antiga tradição de tirar os sapatos para entrar em casa. Se você está no Japão e visita a casa de um japonês, é claro que você tira os sapatos. Não é por você não ser japonês que desrespeitaria tal regra social. Da mesma maneira, um japonês, ao visitar o Ocidente, não sai tirando os sapatos em todo lugar que entra, pois respeita as convenções sociais daqui.
Já na Inglaterra, as mãos do trânsito são invertidas: os carros trafegam pelo lado esquerdo da via, com o lado direito do carro voltado para o centro. Quando você vai para a Inglaterra, é evidente que você não teima e dirige como se estivesse no Brasil. Assim como um inglês no Brasil não dirige na contramão. Ele segue nossas regras legais.
Existem também instituições cujos regimentos exigem do homem o uso de terno e gravata. Poderia um pescador que nunca usou uma gravata exigir sua entrada de bermuda e chinelo? E um índio que ingressa nas Forças Armadas, está dispensado do uso de uniforme por conta de sua cultura?
Seja numa casa no Japão, numa rua de Londres, num Fórum de uma cidade, num quartel no meio da selva ou em qualquer outro lugar do mundo, as pessoas de bem respeitam as regras sociais e se sujeitam às regras legais do local onde estão. Na Maçonaria, fraternidade de cidadãos exemplares, todos homens livres e de bons costumes, isso não deve ser diferente.
Porém, muitas vezes assistimos simbologias e ritualísticas serem quebradas por visitantes crentes que devem seguir as regras de suas Lojas, e não da Loja que estão visitando. Uns não respeitam o modo de circulação do rito adotado pela Loja visitada, talvez com receio de estarem ferindo o que aprenderam em suas próprias Lojas. Outros, Mestres Maçons, insistem em utilizar todos os paramentos e acessórios maçônicos de um Mestre ao visitarem uma Loja no grau de Aprendiz de outros ritos, porque assim é feito no seu rito. Esses últimos ignoram o fato de que na maioria dos ritos o uso do Chapéu numa Loja de Aprendiz é restrito ao Venerável Mestre, sendo representativo de sua autoridade e governo da Loja, simbolismo esse muito bem reforçado nas Instalações. Quando, nesses casos, visitantes utilizam chapéu, estão anulando a representatividade da autoridade do Venerável Mestre anfitrião e, de certa forma, ferindo o simbolismo do rito visitado.
As regras, simbolismo e ritualística de seu rito alcançam somente as reuniões dele. Ao visitar Lojas de outros ritos, respeite as regras sociais e siga as regras legais do mesmo. Não importa se na sua Loja o certo é assim ou assado. Os “bons costumes”, que todo maçom deve observar, ditam que, na casa dos outros, você tem que dançar conforme a música. Como muito bem ensina o ditado: “Quando em Roma, faça como os romanos”.