ESQUADRANDO O LIVRO: O MONITOR DOS FRANCO-MAÇONS

ESQUADRANDO O LIVRO: O MONITOR DOS FRANCO-MAÇONS

O Monitor dos Franco-Maçons ou Ilustrações da Maçonaria é um dos grandes clássicos da Maçonaria. Escrito por Thomas Smith Webb e publicado originalmente em 1797, esse foi o primeiro monitor maçônico publicado nos EUA. Sua primeira parte, referente aos graus simbólicos, foi baseada na obra de William Preston, que já ganhou edição brasileira, Esclarecimentos sobre Maçonaria. Assim nasceu o chamado Ritual de Webb, também conhecido como Ritual de Preston-Webb por essa razão. Em outras partes da obra, Webb apresentou sua revisão dos graus que formariam o Rito de York, que acabou se tornando o rito mais praticado no simbolismo em todo o mundo.

Webb publicou algumas edições, sendo a última a de 1818, no ano anterior à sua morte, da qual essa edição brasileira é a tradução. O irmão brasileiro ainda é presenteado com um excelente material gráfico, que inclui capa dura e papel opaco amarelado, além de uma série de comentários pertinentes do irmão e tradutor Edgard da Costa Freitas Neto, grande promessa da Maçonaria baiana para a literatura maçônica brasileira.

Leitura obrigatória a todos os estudiosos da Maçonaria, em especial aos adeptos e interessados no Rito de York, o livro pode ser adquirido pelo Mercado Livre (clique aqui).

ESQUADRANDO O LIVRO: “ESCLARECIMENTOS SOBRE MAÇONARIA”

ESQUADRANDO O LIVRO: “ESCLARECIMENTOS SOBRE MAÇONARIA”

Sou um fã confesso de William Preston, não apenas pelos seus escritos, mas principalmente por sua história maçônica, alicerçada em coragem e iniciativas. Cheguei a escrever um texto em sua homenagem, a Oração aos Prestonianos.

Então, imagine minha felicidade ao ver que sua obra-prima, Illustrations of Masonry, foi traduzida e publicada em português! Minha única preocupação era quanto a qualidade da tradução, visto alguns casos de tradução brasileira que, simplesmente, haviam desperdiçado papel.

Com o título de Esclarecimentos sobre Maçonaria, e publicado pela Arcanum Editora, a obra, que acumula 416 páginas, mostra-se bem traduzida, incluindo o respeito a terminologia maçônica (é péssimo quando se pega um livro maçônico traduzido por um profano). O material gráfico ganhou atenção condizente com a relevância da obra, o que inclui o papel, a arte da capa, a escolha das fontes e a diagramação.

Trata-se de leitura recomendada a todo irmão interessado na história do desenvolvimento da Maçonaria Especulativa como a conhecemos, em especial sobre as práticas e compreensões maçônicas anglosaxônicas. Aqueles que já leram Ahiman Rezon irão se deliciar, pois há similaridades, incluindo a carta de John Locke, bem como informações complementares.

O livro pode ser adquirido pela Amazon, Submarino e Americanas.com

ORAÇÃO AOS PRESTONIANOS

Meus Irmãos, devo lhes contar uma história. Uma história que não deveria ser contada. Uma história que, na verdade, não deveria ter acontecido. Ao ousar contar essa história, faço pelo mesmo objetivo da livre busca da verdade que motiva vocês, meus prezados Irmãos, a lerem estas palavras. Faço por acreditar na evolução da organização maçônica assim como na dos homens. Faço por não temer que palavras sejam escritas em vão.

Não, meus Irmãos. Não é uma ficção. Gostaria que fosse. Nem tampouco é um exagero. Melhor seria. Tirar-me-ei o desejo de desabafar, próprio do escritor sozinho em silêncio, observando o compromisso solene da verdade, e nada mais que a verdade.             E assim, que cada um de vocês, meus legítimos Irmãos, tão legítimos quanto aquele que nasceu do mesmo ventre que eu, possam compreender a verdadeira dimensão dos fatos que estou prestes a expor.

Ah, quão bom seria se eu pudesse desabafar. Seria o desabafo de um maçom. De um maçom que ama a fraternidade. Que sente orgulho da Maçonaria, sua história e seus feitos. De um daqueles que respira Maçonaria com o peito inflado pela boa honra. Afinal, não é preciso elencar os momentos importantes de nosso país e do mundo dos quais nossa Ordem foi a responsável ou uma importante colaboradora. Sim, somos um belo sistema de moral. Sim, somos o berço da democracia moderna. E sim, colaboramos para a independência de nossos países. Honrar essa história é tão meu dever como honrar a de minha família, de meus ancestrais. Amo a Maçonaria como um filho ama sua mãe, como um soldado ama sua pátria. E é meu dever cuidar da Mãe Maçonaria como um filho adulto deve cuidar daquela mãe senhora que tanto o ensinou.

Entretanto, se eu fizesse um desabafo, provavelmente cometeria o erro de derramar nele minhas percepções, meus valores, minhas opiniões. E isso carregaria o cenário onde os fatos estarão expostos de uma espessa bruma de mim mesmo, dificultando assim a mais clara, nítida, límpida visão dos mesmos. Assim, me aterei aos fatos, desejando que cada palavra que eu escolher sirva como um raio de sol a iluminá-los.

A história que devo contar é a história de um maçom, de um de nós. Um irmão que ingressou jovem na instituição, entre seus 21 e 22 anos de idade, e que, com o passar do tempo, optou por seguir a vocação de professor. Inteligente e estudioso, esse irmão começou a realizar extensos e profundos estudos sobre a Maçonaria, inclusive trocando correspondências com irmãos de dentro e de fora do país. Com apenas 30 anos de idade, seus textos e palestras já eram largamente comentados nas Lojas. E a organização daquele conhecimento maçônico acabou gerando um livro, que foi muito bem aceito pela comunidade maçônica.

Durante seus estudos, o Irmão pôde observar, entre outras coisas, que alguns maçons, tendo pouco conhecimento maçônico, têm total aversão àquilo que desconhecem e que, por desconhecerem, acreditam ser inovações. Outros, um pouco melhor informados, acabam por apresentar uma espécie de “ciúmes de preeminência”, ou seja, por serem mais antigos de Ordem, detentores de grau mais elevado ou algo parecido, se incomodam com o reconhecimento dado a outrem que, aos olhos deles, é inferior.

Obstinado, o referido Irmão, idealizador de uma Maçonaria jovem e dedicada ao estudo, tratou de implementar essa ideia em sua Loja. Em pouco tempo, a Loja estava repleta de jovens promissores, com uma ritualística invejável e sempre palco de interessantes palestras e debates.  Porém, essa mudança de paradigma, mesmo que em uma Loja somente, gerou grande descontentamento por parte dos maçons mais conservadores.

Contando com uma pequena coleção de opositores, o protagonista desta história não se intimidou, dando prosseguimento em seus trabalhos em prol da Sublime Ordem. Mas mal sabia ele que um dos que mais se incomodava com sua jornada maçônica era ninguém menos do que seu próprio Grão Mestre. Homem vaidoso e pouco conhecedor dos ensinamentos maçônicos, seu Grão Mestre se irritava mais a cada viagem que fazia, tomando, dia após dia, ciência da relevância e da fama que aquele jovem maçom havia construído, sem cargos ou títulos. Além disso, o Grão Mestre nutria certa mágoa com nosso protagonista, por este não ter ajudado seu grupo na última disputa política que havia enfrentado.

Conforme a inveja e a mágoa profanas foram consumindo o Grão Mestre, tornava-se crescente seu desejo de frear os avanços maçônicos de nosso protagonista. Até que, num belo dia, o Grão Mestre encontrou o que procurava. Um Irmão foi até ele para contar um pequeno ocorrido envolvendo nosso protagonista que, aos olhos daquele inconfidente, tratava-se de atitude cabível de discussão e, quem sabe, até mesmo punição.

Era exatamente o que o Grão Mestre queria e precisava. Já com tudo tramado e arquitetado em sua mente pouco maçônica, ele conseguiu distorcer o incidente de tal forma a ponto de interpretá-lo como uma infração gravíssima, perseguindo e promovendo uma campanha difamatória contra nosso Irmão e gerando constrangimentos e transtornos a ele e a toda sua Loja. Para conseguir o que almejava, a manipulação da questão pelo Grão Mestre foi tamanha, que foi como transformar meia dúzia de passos discretos em uma procissão em praça pública.

Não faltavam Irmãos de outras Lojas que procuravam nosso protagonista para consolá-lo com palavras de apoio, todos se dizendo revoltados com o abuso de autoridade e energia investida pelo Grão Mestre nesse caso em particular. Porém, o repúdio só não era maior do que o medo que tinham das represálias daquele governante com luvas de ferro.

Mesmo grato pelas demonstrações de apreço de tantos Irmãos, nosso Irmão se entristecia a cada contato, a cada visita. Provavelmente, ele compartilhava do mesmo sentimento e opinião que dominaram Martin Luther King Jr., quando este registrou que “nossas vidas começam a acabar no dia em que nos calamos sobre as coisas que importam” e “no final, nós nos lembraremos não das palavras de nossos inimigos, mas do silêncio de nossos amigos”.

Seguindo em frente, nosso Irmão protagonista enfrentou a acusação, ladeado por fiéis irmãos de sua Loja. Encarou o processo de cabeça erguida, defendendo-se como se estivesse num processo justo, mesmo sabendo que se tratava de uma tocaia cuidadosamente preparada pelo Grão Mestre para que ele não escapasse. E, logicamente, não escapou.

Entretanto, o tempo é o senhor da razão. Em dez anos, lá estará nosso protagonista, pesquisando, escrevendo, pois o lobo pode perder seus dentes, mas nunca sua natureza. Já o Grão Mestre, ah, esse nem sequer seu nome será lembrado.

Essa é a história da vida maçônica de William Preston, nascido em 1742, iniciado em 1763, que teve seu livro, “Illustrations of Masonry”, publicado em 1772, e respondeu a um processo disciplinar maçônico em 1777. Um dos personagens mais notáveis e respeitados na história da Maçonaria em todo o mundo, cuja obra influenciou quase todos os rituais maçônicos praticados atualmente. Foi também de Preston que partiu a iniciativa das Lojas saírem das tavernas e construírem espaços próprios.

É como diz o velho adágio: “um povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la”. Dedico essa história a todos os Irmãos “prestonianos”.

O QUE É A MAÇONARIA?

O QUE É A MAÇONARIA?

O que é a Maçonaria? Essa pergunta tem sido feita por diferentes pessoas e instituições, em diferentes situações, das mais diferentes épocas e lugares. E, por sinal, as respostas também têm sido das mais diversas.

A literatura maçônica nos fornece as mais distintas definições do que é a Maçonaria, não havendo uma que possa ser considerada a versão oficial da instituição ou mesmo que descreva satisfatoriamente o que realmente é a Maçonaria, o que torna desafiadora a missão de defini-la.

A definição mais comum de Maçonaria em uso em todo o mundo é a de que Maçonaria é “um belo sistema de moralidade velado em alegoria e ilustrado por símbolos”. O que poucos parecem saber é que essa definição é derivada de outra, de autoria do sábio William Preston (1772), que considerou a Maçonaria “um sistema regular de moralidade, concebido em uma tensão de interessantes alegorias, que desdobra suas belezas ao requerente sincero e trabalhador”.

Porém, uma respeitada enciclopédia maçônica, a Coil’s Masonic Encyclopedia (1961), apresenta duas definições que colaboram para uma visão mais realista da Maçonaria. A primeira apresenta uma definição construída com uma base mais funcionalista:

A Maçonaria é uma ordem fraternal de homens ligados por juramento; decorrente da fraternidade medieval de maçons operativos, aderindo a muitas de suas antigas regras, leis, costumes e lendas, leais ao governo civil em que ela existe; que inculca as virtudes morais e sociais pela aplicação simbólica dos instrumentos de trabalho dos pedreiros e por alegorias, instruções e obrigações; cujos membros são obrigados a respeitar os princípios de amor fraternal, igualdade, ajuda mútua e assistência, sigilo e confiança; têm modos secretos de reconhecimento de para com outro, como maçons, quando viajando pelo mundo, e se encontram em Lojas, cada uma governada autocraticamente por um Mestre, assistido por Vigilantes, onde peticionários, após investigação particular em suas qualificações mentais, morais e físicas, são formalmente admitidos na Sociedade em cerimônias secretas baseadas em parte em velhas lendas da Arte Maçônica (Coil’s Masonic Encyclopedia, COIL & BROWN, 1961, p. 158).

Nada de errado com tal definição, que deixa clara a origem e o funcionamento da Maçonaria Especulativa. Porém, tal definição não alcança as questões que geralmente motivam tal pergunta, ou seja, quais os objetivos e finalidade da Maçonaria e o que ela defende (ou talvez ataca). Essa segunda definição, retirada da mesma enciclopédia, apresenta essa visão mais filosófica da instituição:

Maçonaria, em seu sentido mais amplo e abrangente, é um sistema de moralidade e ética social, e uma filosofia de vida, de caráter simples e fundamental, incorporando um humanitarismo amplo e, embora tratando a vida como uma experiência prática, subordina o material ao espiritual; é moral, mas não farisaica; exige sanidade em vez de santidade; é tolerante, mas não indiferente; busca a verdade, mas não define a verdade; incentiva seus adeptos a pensar, mas não diz a eles o que pensar; que despreza a ignorância, mas não reprova o ignorante; que promove a educação, mas não propõe nenhum currículo; ela abraça a liberdade política e de dignidade do homem, mas não tem plataforma ou propaganda; acredita na nobreza e utilidade da vida; é modesta e não militante; que é moderada, universal, e liberal quanto a permitir que cada indivíduo forme e expresse sua própria opinião, mesmo sobre o que a Maçonaria é, ou deveria ser, e convida-o a melhorá-la, se puder (Coil’s Masonic Encyclopedia, COIL & BROWN, 1961, p. 159).

Essa última definição expõe claramente os atributos que alicerçam a Sublime Ordem Maçônica, ao apresentar a Maçonaria como um sistema de moralidade e de ética social, tolerante, que busca a verdade, incentiva a reflexão e defende a liberdade. Entretanto, o mais importante está registrado no final de tal conceito, ao declarar que a Maçonaria, enquanto organização, não é imutável, estando aberta ao desenvolvimento. Agora, cabe a cada um de nós, maçons, darmos a nossa contribuição.

MAÇONS que MUDARAM a MAÇONARIA: LAURENCE DERMOTT

MAÇONS que MUDARAM a MAÇONARIA: LAURENCE DERMOTT

Lendário Grande Secretário da Grande Loja dos Antigos da Inglaterra de 1752 a 1771, Dermott nasceu na Irlanda, em 1720, e morreu em Londres, em 1791. Ele iniciou na Maçonaria em 1740 e se tornou Mestre Instalado em 1746, em Dublin. Em 1748, morando em Londres, Dermott filiou-se numa Loja jurisdicionada àquela que em pouco tempo ele iria apelidar de “Grande Loja dos Modernos”. Ele se uniu a vários outros maçons ingleses e principalmente irlandeses vivendo na Inglaterra que, descontentes com as mudanças e modernizações que estavam ocorrendo no âmbito da Grande Loja da Inglaterra, resolveram criar uma nova Grande Loja que pudesse preservar os antigos costumes e tradições maçônicas. Em 1751 nascia a Grande Loja dos Antigos, tendo Dermott como seu Grande Secretário.

Laurence Dermott foi Grande Secretário por quase 20 anos, deixando o cargo em 1771 para assumir como Grão-Mestre Adjunto. Permaneceu no cargo até 1777, quando William Dickey assumiu, mas retornou à posição de Grão-Mestre Adjunto em 1783, até 1787. Ele serviu a Grande Loja dos Antigos até 1789, enquanto sua saúde permitiu.

Uma vida dedicada à Maçonaria dos Antigos e a severas críticas aos Modernos, sua obra, Ahiman Rezon, o Livro de Constituições da Grande Loja dos Antigos, foi rapidamente copiada pela Grande Loja da Irlanda que, até então, se baseava na Constituição de Anderson. Dermott era conhecido por ser extremamente rígido, disciplinado, um administrador habilidoso, e um escritor sarcástico quando se tratava dos Modernos.

Um interessante aspecto a se observar sobre Dermott é quanto ao respeitado William Preston. Preston se tornou maçom pelos Antigos, sob a tutela de Dermott, optando depois pelos Modernos, mais precisamente pela Lodge of Antiquity, para qual foi convidado a ser Venerável Mestre, e que era filiada aos Modernos. Dermott, mesmo sendo tão ativo em seus ataques contra os Modernos, nunca atacou Preston. Alguns anos depois, Preston foi expulso da Grande Loja dos Modernos, e por 10 anos fez coro com os Antigos contra os Modernos. Seu respeito entre os maçons era tamanho e seu discurso tão bem formulado que a Grande Loja dos Modernos acabou cedendo às pressões e “desexpulsando” Preston, acompanhado de um pedido de desculpas.

Os fatos levam a crer que havia um grande respeito entre Preston e Dermott que, apesar de militarem em lados opostos administrativamente e de criticarem veementemente seus opositores, nunca se atacaram. E ambos acabaram formando, sem saberem, a base sobre a qual foi construída a Maçonaria Norte-Americana.