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DESVENDANDO O “TRIPLO TAU”

O “Triplo Tau” é tido como um importante símbolo maçônico pois, em muitos rituais e Obediências, ornamenta o principal avental da Loja, o do Venerável Mestre, além de compor o emblema do Real Arco. Assim, o “Triplo Tau” está presente de forma destacada tanto na Maçonaria Simbólica quanto nos Altos Graus do Rito de York e do Sistema Inglês Moderno.

Sendo símbolo tão presente e de tanto destaque na Maçonaria, natural que milhares de interpretações oficiais e extra-oficiais surgem para a alegria dos pseudo-sábios de plantão. Talvez esse seja o maior problema enfrentado internamente na Maçonaria: a constante tentativa de complicar o simples, de dar significados extras e não-maçônicos à simbologia maçônica.
Em muitos livros e artigos maçônicos publicados, o “Triplo Tau” é tido como símbolo baseado numa letra grega utilizada antigamente por hindus e judeus como símbolo da eternidade, do que é sagrado, dos “escolhidos”, e que, combinado em três, simboliza o nome de Deus, etc, etc, etc. Enfim, descrever todos os significados atribuídos a esse símbolo é um desafio que um único texto seria incapaz de encarar.
Para compreender de forma correta esse símbolo, precisa-se estudá-lo em cada contexto:
O “Triplo Tau” do avental dos Mestres Instalados
Eu sinto muito informar, mas os três Taus vistos no avental dos Mestres Instalados de muitos Rituais e Obediências não são “Taus”.
A simbologia da Maçonaria Simbólica é baseada na Maçonaria Operativa, e o avental do Venerável Mestre não é diferente. Os três principais Oficiais duma Loja possuem ferramentas como símbolo: Segundo Vigilante: Prumo; Primeiro Vigilante: Nível; Venerável Mestre: Esquadro. O que parece um Tau, na verdade é um tipo de esquadro, chamado em inglês de “T-square”, que em português significa “equadro-T”, mas é mais conhecido por “régua-T”. Como se sabe, o Mestre da Loja é muitas vezes ilustrado como aquele desenhando na Prancheta da Loja. O esquadro-T, ou régua-T, além de possibilitar o desenho de ângulos retos, é extremamente necessário para se desenhar retas paralelas.
Com a onda esotérica que tanto influenciou a Maçonaria durante os séculos XVIII e XIX, deram a vários símbolos significados místicos, não-maçônicos, e o esquadro-T foi uma dessas vítimas. Se fossem Taus, obviamente seriam posicionados com as partes de duas extremidades voltadas para cima, e não para baixo como são.
O “Triplo Tau” do Real Arco
Também sinto em informar que o “Triplo Tau” do Real Arco americano e inglês originalmente também não é um Triplo Tau.
O símbolo do Real Arco aparenta ser três Taus unidos pelas bases, e com o tempo essa se tornou inclusive a descrição oficial do símbolo. Mas na verdade, o símbolo original é um “T” sobre um “H”, sendo a sigla de “Templum Hierosolymae”, nome em latim do que conhecemos como Templo de Salomão. Por sorte, o primeiro regulamento do Real Arco, datado de 12 de Junho de 1765, aponta a sigla TH como emblema do Real Arco e decifra seu significado, e em 1766 surgiu a instrução para posicionar o T sobre o H em todo seu uso. Além disso, o famoso maçom Thomas Dunckerley, grande defensor e promotor do Real Arco, deixou essa informação em evidência em correspondência oficial datada de 27 de Janeiro de 1792.
Com o tempo e sob a mesma influência esotérica mencionada anteriormente, não foi difícil a união do T com o H num único símbolo e o surgimento de sua denominação como “Triplo Tau”, o que acabou sendo oficializado com o passar dos anos.
Conclusão
Não existe “Triplo Tau” na Maçonaria. Existe “esquadro-T” na Maçonaria Simbólica, e “T sobre H” no Real Arco. O resto é invenção sem base teórica, verdadeiros desrespeitos à Maçonaria e sua história. A simbologia maçônica já é interessante e significativa o bastante, não necessitando de tais enxertos.

7 comentários sobre “DESVENDANDO O “TRIPLO TAU”

  1. Não sou maçom, mas concordo com o que vocÊ diz em sua conclusão o respeito é umas das bases fundamentais para que se haja ordem no planeta e ficar inventado nomes para seus simbolos e histórias somente com o objetivo de se dar uma resposta sobre o que não se sabe é além de disrrespeito falta do que fazer. Muito bom seus artigos.

  2. Perfeitamente de acordo! Tanto que vou elaborar um texto com base neste (indicando o local de publicação deste e dando o devido crédito à sua autoria, é claro…) que publicarei no blogue A Partir Pedra no próximo dia 29 de junho.

    TAF.

    Rui Bandeira

  3. Amados IIr. Sou o Venerável Mestre da A.R.L.S. Cavaleiros da Fraternidade Branca N° 182 – GLEB, e também Ir. Companheiro do Sagrado Arco Real de Jerusalém-GOB. Só tenho a parabenizar o Irmão pelo artigo que enriquece o nosso intelecto quanto ao conhecimento da simbologia Maçônica. O Ritual de Emulação ainda ė pouco praticado no Brasil e todo conhecimento a cerca dele merece nossa devida atenção, incentivo e zelo.

  4. Excelente texto. Além de elucidativo, ajuda aos neófitos a se desligarem de alguns mitos.
    TFA.’.

  5. Grato, ótima explanação.

  6. Boa noite irms.’. e amigos muito bom a instrução referente o TAU, parabens, para o ir.’. que eleborou esta peça educativa, um TFA. jrcontecpy8abo@hotmail.com José Rodrigues da Silva do GOB.

  7. Olá IIr.’. e demais amigos que se interessam por nossa arte! tenho apenas a agradecer pela excelente explanação e desmistificação do mesmo! Nossa ord.’. já possui diversas alegorias para nos abrilhantar e saber sobre cada uma delas creio que seja uma excelência que todo maçom deva ter por alvo em sua busca! Um TFA e um muito obrigado por ter explanado um assunto interessante de forma tão coerente!

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