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OLIMPO MAÇÔNICO – PARTE 2

Atenção: isso é uma obra de ficção, quaisquer semelhanças com pessoas e fatos da vida real terão sido mera coincidência.

Em post anterior, alertamos para o fato do Olimpo maçônico, que tantos muros têm levantado na Maçonaria brasileira, querer, sem ser convidado, derrubar a muretinha da Ordem DeMolay brasileira, com descarado objetivo eleitoral.

Pois bastou o candidato da oposição divulgar, no dia 02 de agosto, um vídeo dizendo que, caso eleito, acabará com a questão da intervisitação que, no MESMO DIA (sim, no mesmo dia), o Olimpo maçônico baixou um ato dizendo que, considerando a decisão da Conferência dos Grão-Mestres da América do Norte, de 21 de fevereiro, favorável ao reconhecimento de alguns Grandes Orientes que o Olimpo havia cercado de muro, passaria então, a partir daquela data, a permitir a intervisitação! Uhuuu!!!

Mas calma… peraí… antes de comemorar a retomada da intervisitação no Sul e MT, reflita sobre as seguintes observações:

Observação 1: Quem assinou o decreto permitindo a intervisitação foi o candidato da situação, como Grão-Mestre Geral em exercício, que ainda fez vídeo comemorando sua própria atitude. Mas o Grão-Mestre Geral de ofício aparentemente não estava fora do país, nem mesmo fora de Brasília. Ou seja: uso eleitoral da máquina…

Observação 2: Por que tal decisão não foi tomada em fevereiro, ou março, ou abril, ou maio, ou junho, ou mesmo julho??? Por que somente depois que a oposição se manifestou nesse sentido e um monte de irmão apoiou a iniciativa??? Ou seja: uso eleitoral da máquina…

Observação 3: Apenas dois dias após a retomada da intervisitação no Sul e MT, o Grão-Mestre Geral (o de ofício, que, pelo jeito, voltou super rápido de sua pseudo-viagem ao exterior…) suspendeu os direitos maçônicos do Grão-Mestre Estadual do Olimpo – MG e nomeou um Interventor para substituí-lo. Motivo? Intervisitação com Obediência Co-Irmã de Minas, ainda “murada”. Por que não deixou o Adjunto assinar esses atos e decreto??? Porque o Adjunto, como candidato, precisa dos votos dos mineiros. Ou seja: uso eleitoral da máquina…

Observação 4: O referido Grão-Mestre Estadual do Olimpo – MG e seu Past Imediato eram os coordenadores da campanha da oposição, e MG era o grande curral eleitoral da oposição, mas agora passa a ser governada por um interventor nomeado pela situação. Ou seja: uso eleitoral da máquina…

Como mineiro e maçom, lamento muito ter que presenciar essa “devassa devassa”, na qual 1/3 da Maçonaria Mineira paga o caro preço de viver em estado de sítio por questões e interesses eleitorais. Mas lamento ainda mais que os irmãos mineiros, sucessores dos heróis inconfidentes, se sujeitem à regra da censura maçônica, do CÁLICE (CALE-SE), eternizada na voz de Chico e Milton (este último, mineiro por adoção), de forma tão subserviente.

Aos irmãos que estão felizes com o retorno da intervisitação em alguns Estados, eu não agradeceria ao ditador que, após mantê-los anos presos injustamente em solitárias, sem direito a defesa, a recurso ou coisa que o valha, permite-lhes agora receber visitas no pátio da penitenciária. Esse ditador continua lhes tratando como criminosos, não os reconhecendo como homens de bem. Ele não lhes estendeu a mão, nem se desculpou pela injustiça cometida. Ele apenas cedeu um pouco frente a pressão interna e externa que estava sofrendo. E ele, com certeza, não tem intenção de lhes dar as chaves para a liberdade…

9 comentários sobre “OLIMPO MAÇÔNICO – PARTE 2

  1. Rssss… espero que surja uma terceira via, porque nem a primeira e nem a segunda vão mudar nada para melhor. Se a segunda via ganhar, só haverá troca de protagonistas, mas o enredo será o mesmo.

    1. Concordo. Penso que, enquanto perdemos precioso tempo em discussões infundadas, tantas é mais relevantes questões nos escapam, despercebidas.

    2. Se houver uma terceira via, será só para dividir os votos da oposição… aí, a situação se mantém imperando… de todo modo: ao eleito é usual se sentir o Imperador, pois as falácias de Soberania, de Não-Religião, de Fraternidade J & P mesmo mantendo regras profanas em suas leis, de Sociedade Não-Secreta, continuará sendo o dia a dia do Olimpo… não há iluminismo, nem liberalismo, nem liberdade de ir e vir, nem liberdade de expressão, nem nada nesse “estado dentro do Estado”… só soberba e orgulho exasperado e sem por quê, como se todos fossem especiais só por terem adentrado, mesmo que não se esforcem nos estudos e na filantropia reformadora de almas egoísticas… “deuses e loucos” habitando sob a mesma abóbada que aprendizes… faltam os verdadeiros Mestres de Obras… focados…

  2. Estamos vivendo dias muito obscuros com esse Olimpo Maçônico!

  3. Bem, já não era sem tempo essa intervisitação!
    Mas para mim parece mais uma FALTA DE SOBERANIA quando um GMG em Exercício (sic?) somente autoriza essa intervisitação DEPOIS que as Grande Lojas norte-americanas reconhem e autorizam inserir no List of Lodges esses Grande Orientes da outra confederação (ou mesmo depois que um concorrente lança um vídeo com sua mensagem).
    Passa uma sensação de insegurança quando uma potência que seria primaz tanto bateu contra a REGULARIDADE dessas potências e por outro lado se sabe amplamente que aceita irmãos e Lojas inteiras, por simples filiação, reconhecendo os irmãos com todos seus graus (inclusive Mestres Instalados). Só depois que dizem abroad que são regulares e os reconhecem, o Poder Central da primaz diz simplesmente okay porque ELES inseriram (“e não vamos ser contra… esqueçam que eu disse que esses são irregulares ou mesmo que irmãos das nossas “delegacias” estaduais já compartilhavam território com eles”).
    Tanto barulho para demonstrar essa subserviência ao ecoar o que proclamam lá fora. Como diria Boris Casoy… É uma vergonha!

  4. Impressiona que alguns não consigam perceber esses ‘detalhes’.
    E ainda assim pretendemos ser os reformadores do mundo!!

  5. Num paraíso da razão instrumental, como o Olimpo Maçônico, quanto mais Ditador e Prepotente mais divinizado será pelos prisioneiros terrenos. No horizonte de uma sociedade de emancipados tais imperativos seriam rechaçados sob ricochete da razão comunicativa!

    De fato, seria uma Nova Aurora o dia em que os Irmãos tomassem essa iniciativa, atitude e inspiração epigrafados no texto, para se levantarem quanto aos ditames instrumentais de determinadas autoridades, e não o contrário!

  6. E o que dizer dos passivos habitantes do sopé do Olimpo?

  7. É lamentável, mas não podemos nos esquecer de que a Instituição é modelar, mas composta por seres humanos falíveis, imperfeitos, que ainda carregam vícios dos quais não conseguiram se desvencilhar. Seriam, nestas ocasiões, profanos de avental ! Eu, em pesquisa que realizei nos Boletins do Grande Oriente do Brasil (o Boletim foi criado pelo Visconde do Rio Branco em 1871) – duas centenas deles foram consultados, constatei que as cisões (e isto não é novidade para ninguém) todas, ocorreram em consequência do processo eleitoral. Então, em livro que estou escrevendo, criei o virus da “sindrome eleitoralis”, uma patologia cuja origem se associa à presença de uma urna, e cujos sintomas, dentre outros, é o esquecimento do salmo 133 e o surgimento de sequelas como o uso de todos os artifícios que são usados no mundo profano nos processos eleitorais (cambalachos, chicanas, etc.). É preciso chamar os irmãos ao dever, alerta-los para os afastamentos que promovem dos ideais da Ordem. Ter como inspiração exemplos como o de Gonçalves Ledo que colocou sempre o interesse da Ordem acima dos seus (por todos os méritos deveria ser o Grão-Mestre, mas abriu mão em proveito do ideal – a Independência). TFA. Paulo Maurício.

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