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GAYS NA MAÇONARIA

The Gay Flag With A Grunge Texture . .Este é um grande tabu na Maçonaria brasileira. Um assunto tão polêmico que é evitado, a ponto de eu ter recebido algumas solicitações para não o incluir na obra DEBATENDO TABUS MAÇÔNICOS.

Sem entrar no mérito da discussão (que nem ao menos é realizada), me aterei aos fatos relacionados ao tema no meio maçônico internacional, de forma a fornecer informações aos interessados em, quem sabe, um dia debate-lo.

No caso dos Estados Unidos, recentemente duas Grandes Lojas, da Geórgia e de Tennessee, se pronunciaram oficialmente contrárias ao ingresso de homossexuais na Maçonaria. Essas posturas têm gerado manifestações de outras Grandes Lojas, como a da Califórnia, que se pronunciou publicamente sobre o assunto, como pode ser visto no seguinte trecho:

Você pode ter lido sobre os recentes acontecimentos em alguns estados dos EUA, incluindo Geórgia e Tennessee, onde Grandes Lojas Maçônicas adotaram novas regras ou tem imposto regras existentes que disciplinam os maçons por sua orientação sexual. Tais regras e ações não coincidem com os princípios da Maçonaria praticados pela Grande Loja da Califórnia e não são apoiadas pelo que entendemos como o grande objetivo da nossa fraternidade.

(…)Maçonaria instrui seus membros para defender e respeitar as leis do seu governo e não para minar essas leis (…).

Com mais de 50.000 membros em todo o estado, as lojas sob a Grande Loja da Califórnia estão abertas a homens de bom caráter e fé, independentemente da sua raça, cor, crenças religiosas, opiniões políticas, situação econômica, orientação sexual, capacidade física, cidadania ou nacionalidade (..).

Sincera e fraternalmente, M. David Perry, Grão-Mestre.

Agora, vejamos a postura oficial da Grande Loja de Utah:

(…) A Mui Respeitável Grande Loja de Maçons Livres e Aceitos de Utah recebe em suas portas e admite a seus privilégios, homens dignos de vários credos e classes. No entanto, ela insiste que todos os homens estarão sobre uma exata igualdade. Como esta Grande Loja não se preocupa com a fé de um Mason religioso, origem étnica e raça ou, também não se preocupa com a preferência sexual de um maçom. Tudo o que se pede é que um maçom de Utah observe bem seus deveres e promova o bem da Fraternidade dentro dos limites de sua Loja e da comunidade em torno dele.

Atenciosamente & Fraternalmente,

R. Wesley Ing, Grão-Mestre.

A Grande Loja do Distrito de Columbia também se pronunciou a respeito:

Em resposta às recentes questões apresentadas a esta Grande Loja sobre as qualificações e elegibilidade dos homens que pretendem aderir em nossas Lojas, oferecemos esta declaração de princípios inabalável: A admissão à participação em nossas Lojas é estendida a homens de fé com base em seu mérito pessoal e bom caráter, sem distinção de raça, credo, orientação sexual, religião específica ou nacionalidade.

(…) A diversidade da nossa sociedade, em termos de raça, credo, orientação sexual, religião específica e origem nacional é, assim, visto como um ativo, em vez de um passivo (…).

(…) Nossa dedicação à diversidade não nasceu em Washington, DC. A lei em todo o mundo maçônico e prática desde os dias de Constituições de Anderson desfavorece claramente a exclusão dos homens com base em modos de crenças, experiências e estilos de vida que gozam de proteção legal em suas sociedades (…).

E no dia 1º de março deste ano, o Supremo Conselho do REAA da Jurisdição Sul dos EUA, conhecido também como o Supremo Conselho “Mãe do Mundo”, se posicionou quanto à polêmica:

A associação ao Rito Escocês é baseada em integridade pessoal e bom caráter, sem distinção de raça, crenças religiosas, orientação sexual ou nacionalidade.

Christopher Hodapp, importante escritor maçônico, também se declarou a respeito na última Conferência de Grão-Mestres da América do Norte:

Apenas 10 anos atrás, ninguém teria sequer contemplado as complicações maçônicas do casamento gay e, de repente, jovens maçons ficam chocados quando descobrem que algumas jurisdições têm regras que discriminam membros gays. Toda a nossa sociedade mudou rapidamente, num piscar de olhos, e nós temos que lidar com isso. Porque, se estamos contando com esses novos homens para se unirem, se tornarem ativos na Maçonaria, e salvarem nossa fraternidade do esquecimento, não podemos simplesmente ignorar os problemas que eles consideram ser de importância vital como sendo trivial (…). Nós lhes dizemos, muitas vezes, ali mesmo em nossas páginas, que ensinamos tolerância. Nós não podemos voltar atrás nessa promessa.

Lembrando ainda que a Grande Loja da Geórgia, uma das duas que se posicionaram oficialmente contra, já havia se envolvido anteriormente em polêmica discriminatória, ao tratar da proibição de ingresso de maçons que não fossem brancos. O preconceito parece ainda ser um problema em alguns estados dos EUA.

Sou da opinião simples de que o que um maçom faz entre quatro paredes somente diz respeito a ele, e que imprimir opiniões pessoais em legislação maçônica não condiz com os princípios da instituição. Sendo a Maçonaria uma escola de moralidade, a partir do momento que a homossexualidade não é considerada uma imoralidade, não há que se falar em impedimento por essa razão. A crença de que assim se está protegendo a instituição esbarra no fato de que a parcela da sociedade contrária à homossexualidade é preconceituosa (a mesma parcela que geralmente é contrária à Maçonaria), e o preconceito é justamente um dos males (juntamente com o fanatismo e a ignorância) que devem ser combatidos pela Maçonaria.

Nesse sentido, creio que a pergunta que cada um deve se fazer é: Você considera a homossexualidade como algo imoral? A resposta para essa pergunta e a complexidade envolvida em sua compreensão conduzirão sua opinião sobre o tema.

O que não podemos é fechar nossos olhos para a realidade. Precisamos debate-la.

58 comentários sobre “GAYS NA MAÇONARIA

  1. Recomendo a substituição do nome homossexualismo por homossexualidade. o termo “lismo” se refere a uma doença, tendo sido a homossexualidade saído do rol das doenças, usa-se oficialmente o termo HOMOSSEXUALIDADE!

    Kennyo Ismail – Bem observado, Wilson. Já providenciei a correção no texto.

    1. Se não há discriminação, gostaria de uma resposta objetiva por qual motivo mulheres não participam, em pé de igualdade com os gays nas lojas que eram originalmente apenas para o público masculino. E pelas respostas que li não pensaram na hipótese de travestis nas reuniões…

      Kennyo Ismail – Porque as associações definem seus requisitos de entrada. Numa associação de professores só entra professores. Um médico não pode chegar exigindo “igualdade”. Da mesma forma, em um time de futebol masculino só entra homem, e daí por diante. A Maçonaria tradicional é masculina, mas isso não significa que seja machista. São conceitos distintos. Há registro de travesti na Maçonaria inglesa ainda no século XVIII.

  2. Meu Estimado Irmão Kennyo!

    Mais uma vez está de parabéns por abordar tal assunto de forma esclarecedora!

    A minha opinião é que a opção sexual do homem não interfere no caráter e pra mim, mais Vale um bom Irmão Gay do que um Irmão cheio de falhas no caráter.

  3. Irmão Kennyo, não há a menor dúvida que qualquer preconceito é frontalmente contrário a nossos juramentos. Ser maçom e simultaneamente homofóbico é flagrante perjúrio.

  4. É sempre belo observar a busca da verdade. Nem toda construção sólida é uma boa construção, há de se demolir as vis construções que servem apenas para manter, não a moral, não a verdade, não a beleza, mas sim preceitos embasados na não verdade para esmagar a quem não se tolera.

  5. Irmão Kennyo,

    Sugiro atualização do post dado o desenvolvimento dos acontecimentos conforme blog do Ir. Hodapp:

    http://freemasonsfordummies.blogspot.com.br/2016/03/gl-of-dc-suspends-relations-with-ga-and.html

    Mostrando a suspensão de Reconhecimento da GL da Georgia e do Tennessee pela GL de DC.

    Fraternalmente,
    Lucas Zingano – GOB/RS

  6. Parabéns Ir Kennyo. São poucos que tem a coragem de abordar temas polêmicos enquete necessitam de uma maior compreensão e análise. A maçonaria é antiga, mas não pode ser arcaica! A evolução faz parte da vida, preconceito, fanatismo e ignorância se não combatidos nos farão regredir! Grande abraço!

  7. O Sufixo Ismo não é relativo a doença, muito embora haja doenças que o possuam. Ele é aplicável a quatro categorias, a saber: Fenômeno Linguístico, Sistema Político, Religião, Doença, Esporte, Ideologia. No caso do homossexualismo é referente a ideologia, pois posicionamento em relação à preferência sexual é mais próximo de “ideologia”.

    1. Até 1990 “homossexualismo” era definido como patologia psíquica. A “doença” era descrita na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). Neste contexto o “ismo” era referente à disfunção psíquica, ou seja, doença. Depois disso a OMS reviu e retirou o fenômeno da lista de doenças. Até aqui a utilização do termo “homossexualismo” era usado para designar doença.

      Com a retirada do fenômeno do CID resolveu-se mudar a nomenclatura para deixar de para trás a conotação patológica que tinha até então. De homossexualismo passou-se a ser chamado de homossexualidade.

      Porem, agora sim, por questões ideológicas muitas pessoas não aceitaram a retirada do fenômeno da lista de doenças e continua, ainda hoje, se referindo ao fenômeno como “homossexualismo”. Ou seja, neste segundo contexto —que coaduna com sua descrição— leva um peso ideológico com um pano de fundo de uma antiga psiquiatria.

      Hoje, quando alguém se refere ao termo como “homossexualismo” ou é por engano ou para demonstrar sua posição ideológica frente ao fenômeno.

      1. Eu verifiquei o CID 8, 9 e 10:
        http://www.wolfbane.com/icd/icd8h.htm
        http://www.wolfbane.com/icd/icd9h.htm
        http://www.wolfbane.com/icd/icd10h.htm
        (Ctrl + F para abrir a barra de pesquisa)

        Quando era doença, está homosexuality (homossexualidade), não homosexualism (homossexualismo).

        Se alguém tiver acesso a livros antigos, poderiam verificar se neles estão escritos heterossexualismo e homossexualismo, ou heterossexualidade e homossexualismo, caso seja o 1º caso, fica obvio que não era para designificar doença.

        Uma opinião meio dissidente dentro da comunidade LGBT é que homossexualidade é o sentimento, a atração romântica e sexual, já homossexualismo é o que se faz a partir daí, as relações românticas e sexuais com pessoas do mesmo sexo, as atitudes.

        Acabei mudando meu vocabulário, porem, nunca vi nenhuma boa evidencia, toda essa preocupação com o “ismo” parece ser uma mentira repetida tantas vezes pelo movimento LGBT que acabou se tornando verdade, afinal, agora, graças aos próprios, quem não acha que é um transtorno mental, mas reprova as atitudes (homossexualismo) e incentiva a castidade, e quem é a favor do movimento, passou a se sentir na obrigação de dizer “dade”,
        já quem acha que é um transtorno mental, passou a fazer questão de dizer “ismo”.

        1. Túlio, muito bom questionamento. Acabei consultando minhas fontes e vi que não tenho fontes primarias pra afirmar o que eu disse.

          Tentei achar um CID anterior ao 9 e não achei, não podendo verificar qual o termo era usado na língua portuguesa.

          A diferença que você indicou — entre desejo e ato — eu desconhecia, mas vi que em países de língua americana isso parece ser mais presente.

          Também não achei nenhuma boa evidencia para as explicações que dei sobre o “ismo”.

          Apenas percebo o que você comentou no final, quem tem alguma inclinação pejorativa ou patologica, normalmente opta pelo “ismo” mesmo e, como você mesmo disse, pode acontecer exatamente pela ideia inicial.

          Obrigado pelo questionamento, me fez rever algumas questões.

  8. Onde está escrito “quatro” leia-se “seis”.

  9. Boa tarde!
    Sou contra ingresso de qualquer um ou uma . Como está escrito nas Leis maçônicas.

    Kennyo Ismail – Prezado Ir. Elcio, quais leis maçônicas? Informe-as, por favor. Isso poderá nos ajudar a debater o tema. Precisamos dessas informações. Mais informações e menos achismos. Ou seria um achismo? Você apenas acha que tem alguma lei maçônica escrita a esse respeito?

    1. Ir. Kennyo, a cônjuge do profano deve aprovar a sua admissão. Assim sendo e dada a aprovação, uma vez iniciado o neófito ela fará parte da colmeia. Qual o procedimento adotável na questão ? Quem frequentará os trabalhos, faremos duas iniciações ? Como seria a participação do ” casal ” nos eventos do dia das mães ? Em caso de imaginarmos os maçons e cavaleiros templários quem seria o monge e o seu sargento ?
      Para pensar.

      Kennyo Ismail – Ir. Eurico, em sua Loja todos os irmãos são casados? Não tem nenhum irmão solteiro, divorciado ou viúvo? E todos os irmãos, sem exceção, tem filhos? Caso negativo, você já tem as respostas para seus questionamentos dentro de sua própria Loja. Nem todos os irmãos tem esposa para compor fraternidade feminina ou coisas do gênero, e nem todos os irmãos tem esposa que é mãe de um filho seu, para comemorar o dia das mães. Para pensar.

      1. Ir.’. Sem preconceitos, ainda pergunto, se o Ir.’. em questão for homossexual e resolver se ” casar” qual seria a atitude da loja ? Deixo claro que não tenho nada contra essa situação sexual. Não digo opção pois a pessoa não tem opção. Ou é ou não é e isso é determinado por uma condição genética que não cabe aqui.Ninguém tem culpa dessa condição, tem culpa na educação.
        TFA.

        Kennyo Ismail – Meu Ir.´. Eurico, não entendi a pergunta. A Loja não deveria ter a mesma atitude perante um irmão heterossexual que resolva se casar? Que atitude seria essa? O que sua Loja faz quando um membro se casa? Dá um presente? TFA.

  10. Acredito ser importante a discussão do tema em loja, no em tando, no final sempre ficará nas mãos do irmão que fará a indicação do profano (o que não garante o ingresso) e deste profano ser limpo e puro no escrutínio secreto. Por mais que a Potencia seja a favor, por exemplo, ainda fica nas mãos dos irmãos de loja esta decisão. Mas creio que deve sim ser discutido.

  11. Não há nada que proíba e desabone o ingresso de um maçom por sua orientação sexual. Seria, inadmissível, entretanto, na minha opinião, envolvimento amoroso com outro Ir.’. , sob o risco de fragilizar o conceito de fraternidade tal como a compreendemos. TFA

    1. Irmão Dimitri, em que a relação conjugal de dois irmãos afetaria a fraternidade entre eles e o restante da Maçonaria? Um avô, pai e filho maçons não compromete a fraternidade entre eles, por que um casal maçom homoafetivo comprometeria a relação fraterna? Em sociedade casal e em Loja irmãos. Simples!

      1. Sábia opinião.Não que seja acatada, mas sábia.Boa pra se pensar. TFA.

  12. Boa tarde.
    Achei ótimo este posicionamento não criando obstáculos aos gays serem maçons, porque fere os princípios de liberdade (opção sexdual), igualdade (externamente todos são iguais) e fraternidade (o que pode pensar o irmão maçom que tem um irmão carnal gay?)

  13. meus ir

    assunto realmente complicado. a ser abordado .
    nao sou homofobico mas discordo de ter gays na maconaria.

    1. Concordo com Ir.’. Gerson.

    2. A homofobia se expressa pelas atitudes e não pelas palavras. Não admitir iguais direitos as um segmento da sociedade é discriminá-lo.

  14. Assunto bastante complexo,parabenizo o Ir.’. Kennyo pela sua explanação,pregamos em nossos trabalhos, que os Maçons tem que ser tolerantes,se assim não procedermos, estaremos fazendo desaparecer o clima de IGUALDADE! e LIBERDADE!

  15. Mais uma vez excelente p, meu irmão Kennyo!

    Maçons como o irmão me dão orgulho de pertencer a ordem.

    Entretanto é uma pena que muitos irmãos ainda pensem o contrario sobre a entrada de homossexuais em nossa ordem. Ser livre é de boa reputação (e não bons costumes como foi erroneamente traduzido em nossos rituais) não tem nada a ver com a orientação sexual do irmão.

    Uma vez ocorreu um problema sério com minha esposa, quando ela ouviu de um mestre instalado, após ver um travesti de dentro do carro, exclamou “deviam matar toda essa corja”. Minha esposa ficou tão horrorizada que me pediu para que saísse da ordem. Eu expliquei para ela que essa frase ia absolutamente contra tudo que a maçonaria prega e luta: a liberdade das pessoas serem quem elas quiserem, a igualdade entre todos nós independente de etnia, sexo e religião e a fraternidade e compaixão que deve existir em todos os homens.

    TFA

  16. Não tenho uma opinião formada a respeito, por isso acho que o tema deve ser largamente debatido. Mas alguns irmão, ao que me parece, erram ao dizer apoiarem o ingresso de gays na maçonaria, sustentados em nossos princípios de liberdade e igualdade. Se a admissão em nossa ordem fosse baseado nesses princípios, qualquer um poderia ingressar na maçonaria, se entendemos que todos somos iguais e livres.

  17. Kennio, como tu mesmo disse, o assunto deve sim, ser debatido. Porém, não vou estranhar muito, se houver hoje, gays dentro de nossa sublime instituição. Penso que muitos gays são mais honrados, de caráter e moral ilibada mais que muitos homens heterossexuais, assim como, tem muitos gays que não tem caráter algum. Por isso não posso afirmar que a orientação sexual é ou não um problema na maçonaria, mas sim, uma tolerância que nós maçons devemos ter com os verdadeiros irmãos iniciados. Não permitir a iniciação de um Ir.´. pela orientação sexual é o mesmo que ter preconceitos, que combatemos diuturnamente. Porém, assim como é apartidária, a Maçonaria é acima de tudo discreta.

  18. Para cada bode uma cabra.

    Assim ditam os direitos da natureza.

    É impossivel ser maçom e homossexual.

    E existe um motivo para isso.

    O que ocorre hodiernamente é que há maçõns e maçõns uma parte ínfima da maçonaria é de fato maçõm, sequer conhecem o que é maçonaria.
    Esses dizem mentiras e nelas acreditam dizendo que é possível e até iniciam esses que jamais conhecerão a maçonaria, ainda que frequentem lojas.

  19. Caros Irmãos,

    Primeiramente, cumprimento o Irmão Kennyo (a quem não conheço pessoalmente), pelo artigo. Fiquei muito triste quando soube acerca das decisões das Grandes Lojas do Tennessee e Georgia, inclusive cheguei a discutir o caso com alguns Irmãos que vivem nos EE UU, mas pouco, muito pouco mesmo, vejo sendo abordado aqui no Brasil e em bom português. Sinto-me grato pela iniciativa, gratidão esta que também se estende aos demais Irmãos que comentaram (e outros tantos que comentarão) o artigo.

    Percebo uma diferença entre “hábito”, “gosto” e “bons costumes”, a qual gostaria de compartilhar.

    Há quem considere o hábito de fumar, um vício. Há quem considere esse hábito algo “chique”, elegante. Há quem considere um nojo. Há quem considere recreativo ou socializador – houve épocas em que era “moda”. Mas, o fato é que dar um abraço em quem fuma, não faz de mim um fumante. O hábito é dele, não meu.

    Há irmãos que gostam de ter o cabelo sempre curto, aparado a cada quinze dias. Há outros que gostam de manter longas madeixas. E aqueles que, por falta de “matéria prima”, não podem se dar ao luxo de ficar escolhendo corte e penteado (rsrs!).

    Se o ambiente pede que “aqui não se fume”, eu posso desenvolver, para o bom convívio, esse costume de “ali não fumar”, mesmo que eu mantenha meu hábito e o pratique em outro canto. Se o ambiente de uma cozinha pede que se evite esbarrar ou fazer cair cabelo na comida, então, ao invés de usar o cabelo solto, prende-se e/ou usa-se uma touca, enfim. E assim, posso conviver com os demais colegas da cozinha e com os clientes. Posso ir ali fazer o meu trabalho, que é meu, sem deixar de ser quem sou.

    Acredito, assim, que a maçonaria nos ensina que, pelo aperfeiçoamento dos costumes (e não pelo “normatizar hábitos e gostos pessoais”), é possível promover o convívio entre pessoas dos mais diferentes hábitos e estilos de vida, que não sejam contrários às leis democráticas do país em que se vive e, principalmente, que não atentem contra a liberdade do outro. Os “bons costumes”, portanto, favorecem o convívio com pessoas diferentes, ao invés de promover cisões. É o que penso.

    Nos templos do REAA, vemos as colunas zodiacais ao norte e ao sul. Cada uma delas representa uma característica diferente – comparemos, por exemplo, “áries” (combativo, Marte) com “touro” (receptivo, Vênus). E aí? Devemos extirpar uma ou mais dentre as doze colunas? Ou, devemos nelas enxergar que a maçonaria escancara diante de nós o seu apelo à diversidade? E que, em sendo o templo uma representação simbólica do próprio ser humano, todas aquelas colunas, cada qual com suas características tão diferentes, também pode significar que TODAS estas características estão presentes em cada um de nós, mas que por causa da nossa história de vida, algumas destas características foram mais desenvolvidas e sobressaem-se, e outras, desenvolveram-se pouco e ficam praticamente em estado latente.

    Então, quando entendemos que cada um de nós está sujeito a diferentes tipos de afeto ao longo de nossas vidas, e que apenas reagimos à isso da nossa maneira particular, então, vemos aí a possibilidade de compaixão pelo próximo – compadeço-me do outro, porque se eu tivesse passado pelas mesmas condições genéticas, traumáticas, afetivas, se tivéssemos a mesma constituição física/psíquica, as chances de eu ser muito mais parecido com ele seriam enormes; ponho-me no lugar do outro, enxergo nele a dignidade humana. O outro é o que é, e em termos potenciais, eu também o seria. Somos iguais nas nossas potencialidades; apenas desenvolvemos aquelas que nos foi possível.

    Assim como é possível que a homossexualidade se desenvolva sob uma tendência negativa, destrutiva, o fato é que tanto homens como mulheres homoafetivos no geral preferem seguir um rumo virtuoso com quem desejou viver. Nem poderia ser diferente, já que o mesmo ocorre com a heterossexualidade, que pode assumir tendências nocivas (vemos isso todos os dias na TV e nos jornais… homens estuprando mulheres, exibicionismos escandalosos,…).

    Felizmente, tendências negativas, tanto numa como noutra forma de expressão sexual, são exceções.

    Quanto à questão moral: um gay teria coragem de dizer à própria mãe que é gay e que faz sexo com outro homem? Claro que sim! Ou seja: ele nada faz que ofenda a sua própria consciência. Não é algo que ele esconde que faz, mas, nem por isso ele sairá por aí “escandalizando pessoas”, dizendo exatamente o que faz, como faz, quantas vezes faz, exibindo-se com lascívia diante de crianças, publicando fotos em poses íntimas, etc. Mas aí, eu pergunto: escandalizar os outros é atributo gay? Pessoas hétero não se dão à “baixarias”? E assim caímos de novo na questão de tendências negativas/positivas, e já vimos que tais tendências não fazem acepção de orientação sexual.

    Agora, imaginem um maçom (pessoa que, teoricamente, prima pela discrição), sendo gay. Caramba! Será que esse aí, então, não faria questão de ser uma pessoa ainda mais discreta?! Então, em que é que a presença de gays por si só na maçonaria pode comprometê-la? Em NADA, meus irmãos! NA-DA!

    Imaginem a situação de confraternização entre famílias. Uma criança (sobrinho ou sobrinha), chega no irmão pergunta: “tio, verdade que você é gay?”. Por quê haveria este irmão de querer “doutrinar” a criança? Será tão difícil entender que este irmão é perfeitamente capaz de dizer ao sobrinho ou sobrinha algo do tipo “Sim, sou! E acho que se você tem curiosidade sobre isso, você deveria conversar com seus pais. Sabe por quê? Porque eles são tão legais comigo, que certamente só podem ser legais com você e responderão todas as suas perguntas! Conselho do tio: confie SEMPRE nos seus pais!”; e na primeira oportunidade, esse irmão comunicaria aos pais da criança “olha, seu filho ou filha veio me perguntar assim-assado, e eu pedi que conversasse com VOCÊ à esse respeito”.

    Ou seja: como qualquer outro irmão faria! Não se intrometendo na educação que os pais querem dar ao filho. “Tio, você tá namorando aquela moça?”. “Estou!”. “Ah, e como é namorar?”. “Humm, conversa com o teu pai e com tua mãe, eles certamente vão saber te responder!”. “Ah, mas, eu tenho vergonha! Eles nunca falam comigo sobre essas coisas!”. “Ok, vamos fazer o seguinte: eu falo com eles, e peço para eles falarem com você, tá bem?”.

    Ou seja: tudo do mesmo jeitinho… Não muda nada… Por quê temer? Eu não vejo nenhum casal nas nossas confraternizações “se amassando” na frente de ninguém – por quê seria diferente com o irmão gay? Aperfeiçoamento de costumes, lembram-se?

    E outra: se haverá alguma confraternização e algum dos irmãos estiver preocupado com essas questões, é só conversar antes com o tal irmão “gay”… Garanto que ele não vai ficar ofendido, se a conversa for honesta e em tom fraterno. Ele ficará feliz e fará de tudo para cumprir com o que você pedir como qualquer outro irmão faria! Ainda mais por ver que você está disposto a abrir espaço na sua casa para recebê-lo dignamente!

    Ainda sobre a questão moral, veja a situação do sujeito que escolhe uma mulher, casa-se, tem filhos(as), mas vive uma vida onde suas necessidades afetivas não são atendidas, e pior, muito provavelmente não atende às necessidades de sua esposa. Este (e não o gay assumido), está sendo imoral, porque atenta contra a sua consciência. Este não é verdadeiramente livre, não é feliz, nem faz feliz a sua cônjuge… Este é aquele que jamais diria à própria mãe que é gay… E se tem amigos que se sentem felizes por saberem que ele disfarça, dissimula, “não dá na cara que é ‘florzinha’, finge que é macho”(…), então, estes não são seus amigos: são só pessoas perversas, que projetam nele seu preconceito, e tentam moldá-lo à sua imagem e semelhança. São gente que prefere não trabalhar sua própria pedra bruta, e querem burilar a do outro, reforçando ainda mais a prisão em que o outro se encontra, ao invés de oferecerem acolhimento para que ele mesmo, pelos seus esforços, se torne livre.

    Vejo também certa confusão entre tradição e anacronismo. Vejo que a Ordem é “tradicionalmente progressista”. Ela se insere no exato contexto das sociedades e épocas, e promove transformações. Mas, diferentemente do que possam pensar, alinhar-se ao seu tempo e local não significa “incorporar uma mentalidade profana” no seio da Ordem; ao contrário, o que se faz é levar da maçonaria ao mundo profano a ideia de que os seres humanos podem sim viver em comunhão, não “por causa de”, mas “apesar de”.

    “Eu te amo, meu irmão, não apenas porque há coisas em ti que coincidem com as que gosto; mas, eu te amo apesar das nossas diferenças”. Quantos de nós temos sido verdadeiramente capazes de dizer isso, independente de que diferenças sejam estas?

    Sei que não é fácil desvencilhar-se de um ou mais preconceitos. Ninguém disse que seria. Mas, é um trabalho possível, e será tão mais factível, quanto mais aberto formos à experiência de termos em nossas fileiras pessoas das mais variadas.

    Por último: não estou dizendo que temos que sair por ai procurando gays para iniciar (rsrs!). Não, não se trata disso! Trata-se apenas de enxergar nos candidatos o ser humano que são. Quanto aos hábitos pessoais, crenças e preferências entre quatro paredes, são questões deles, e só deles.

    E assim, cabe a cada um de nós lapidarmos a nossa própria pedra bruta, ao invés de proibir que outros tão dignos quanto nós venham fazer, ou de exigir que estes outros o façam seguindo a nossa cartilha individual…

    Para finalizar: acredito que todos nos beneficiaremos, se passarmos a enxergar o que de comum nos une e o que de diferente nos aprimora.

    1. Caro Marcos Capelli,

      Quero começar indicando que seu argumento foi extremamente bem construído e sensato. Para além disso, a didática que você lança mão deixa-o extremamente palatável e, nem de longe, ofensivo. É claro, sensato e pontual. Parabéns.

      Mas sua postura não só me moveu pela qualidade retórica, mas pela sensibilidade. Fiquei emocionado com suas palavras e com sua postura. Reflete não somente minha visão, mas um alento de esperança. Em um post tão cheio de intolerância e palavras rudes nos comentários, o seu traz um folego de ponderação, tolerância, razoabilidade e racionalidade.

      Obrigado pelas palavras. Sua postura me lembrou um trecho de um discurso de Albert Pike o qual transcrevo para finalizar meu comentário:

      “A TOLERÂNCIA, considerando que todo homem tem o mesmo direito à sua opinião e fé, e que nós temos as nossas; a LIBERDADE, considerando que, como nenhum ser humano pode dizer com certeza, no choque e conflito de fés e credos hostis, o que é a Verdade, ou que dela esteja de posse, e que todos devem sentir que seja bem possível que outro ser humano, igualmente honesto e sincero consigo e, no entanto, tendo uma opinião contrária, possa ele mesmo dela estar de posse; e que qualquer coisa na qual se acredite firme e conscientemente, para ele, é verdade. Esses são os inimigos mortais desse fanatismo que persegue, a título de opinião, iniciando cruzadas contra tudo o que considera, em sua santidade imaginária, ser contrário à Lei de Deus.

      EDUCAÇÃO, INSTRUÇÃO e ESCLARECIMENTO são os únicos meios certos pelos quais a Intolerância e o Fanatismo podem se tornar impotentes.” (PIKE, 2015, p. 43)

      —-

      PIKE, ALBERT. “A Origem e os Ensinamentos da Maçonaria: Uma explicação clara dos princípios básicos das regras maçônicas”. São Paulo: Madras Editora, 2015. 149 p.

    2. Prezado Ir.’. Marcos!

      Meus parabéns pela excelente arguição! Infelizmente alguns irmãos se esquecem do porque nós nos reunimos em loja. No REAA, em todas as seções, tem uma fala que explica muito bem como deve ser o maçom, especialmente no que tange combater os PRECONCEITOS.

      Triste do irmão que se deixa levar pela paixão (no caso, a raiva das pessoas que são diferentes) e não entendeu ainda o que é a maçonaria de fato.

      TFA

  20. O maçom é um homem livre e de bons costumes. Desde quando sexo fecal é um bom costume? Isso já é impedimento absoluto para a existência de gays na maçonaria.

    Os maçons que defendem o homossexualismo na maçonaria deixariam seus filhos sozinhos com homossexuais?

    Defensores do homossexualismo, notoriamente os artistas, não permitem que seus filhos sejam gays. Ninguém acha estranho que o homossexualismo só é bom para os outros?

    O livro da lei, que nos guia e orienta afirma em Genesis que: “…e criou Deus o homem à sua imagem;criou-o à imagem de Deus, e criou-os varão e fêmea…”

    Tanto na teologia quanto na natureza, a realidade traduz-se na existência de homem e mulher. Não existe outra alternativa. A subjetividade do indivíduo que se crê mulher não supera a realidade.

    E a maçonaria aceitar que a subjetividade esteja acima da realidade é a capitulação da Ordem ao marxismo cultural.

  21. O Landmark 18 diz:
    Somente serão iniciados HOMENS HÍGIDOS, livres,de bons costumes. O homosexual tem um aleijão moral, é prisioneiro das suas paixões e, decididamente,tem péssimos costumes.

  22. Bom dia Irmãos.
    Respeito e respeito todas as pontuações dos valorosos irmãos. Comecei a galgar meus primeiros passos na ordem Demolay em 1997, depois iniciei na Maçonaria. Durante anos vi varias mudanças acontecerem, como por exemplo as leis, as quais foram mudadas especificamente para atender classes da sociedade que não tinha oportunidades. Como exemplo as cotas, e outros.
    Não minha simples opinião, não vejo necessidade mudar as nossas leis para que possamos favorecer uma classe ou outra, posso estar enganado, mas a lei que condena alguém, é a mesma que defende, isso só depende da interpretação e o lado interessado (argumentos).
    Meus irmão eu tenho 38 anos, tenho decência para entender e “RESPEITAR” os que são a favor e contra a entrada de Gays em nossa sublime ordem. (Eu disse respeito, não disse que acato a opinião dos irmãos). Como os nossos bons princípios para convivência social cada dia que passa estão sendo extirpados e banalizados pela pseudo liberdade, influenciadas através das mídias.
    Gostaria, que os irmãos me respondessem: Como é que eu explicaria para alguns irmãos de minha como por ex. os medalhas D Pedro, os quais têm 50, 60 anos ou mais de loja, aceitar um homossexual iniciar em nossas fileiras? Lembrando que “eu devo” RESPEITAR os anos de maçonaria e a “opinião” do VALOROSO irmão. Será que futuramente os nossos rituais seculares, terão que ser mudados, em prol do respeito ao próximo?
    Será que em um futuro, nosso LIVRO maior (bíblia),terá que sofrer modificações para aceitar as diferenças sociais? Devemos mudar os conceitos e ensinamentos milenares, em busca de uma historia atual que queremos escrever ou começarmos uma a partir de agora, para não DESRESPEITAR a memória dos que as escreveram?
    Para finalizar, meus irmão não vejo mal nenhum sentar, abraçar ou dar um ósculo em um irmão quando eu visitar outras lojas, porque RESPEITO. Mas o mesmo RESPEITO terei um dia algum irmão de minha loja, indicar um Gay, e caso venha ser rejeitado pelos irmãos mais antigos, os quais citei acima.
    Kennyo, abração.

    Kennyo Ismail – Grande Heleno! Meu Irmão, acho que o que alguns irmãos estão se esquecendo é de que a iniciação é precedida por um escrutínio! O que entendo e defendo é que uma Obediência não deve exigir mais do que o tradicional, que os candidatos sejam homens que creem em Deus, livres, maiores de idade e bem recomendados. Se ela exigir uma religião específica, uma cor de pele específica, uma orientação sexual específica, estará ferindo de morte a própria Maçonaria. Creio que deve se manter o direito tradicional da Loja ser soberana para aprovar ou reprovar candidatos. Daí então, os irmãos que você mencionou de sua Loja terão o direito a suas opiniões resguardado, assim como tantos outros que se pronunciaram aqui no blog também terão seus direitos resguardados.

  23. Se a maçonaria se molda a evolução do tempo e das leis quanto a aceitação de homens com opções sexuais distintas, porque ainda afasta a possibilidade de aceitar em seus qudros as mulheres, haja vista que historicamente foram excluídas de uma ordem que faziam parte? Não será o momento de dar a mulher o que de direito é seu? A final a lei diz que todos somos iguáis sob ela.

    1. Os Landmarks alertam sobre o “daninho espírito inovador”. Não daria certo mulheres frequentarem a Maçonaria.

      As mulheres aceitariam passivamente que seus maridos fiquem dentro de Templos com outras mulheres e depois fossem confraternizar com elas nos copos d’água?

      Seríamos obrigados, necessariamente, a incluir nossas mulheres nas Lojas e nem todas gostam da Maçonaria ou tem tempo e paciência para com ela.

      Ou, as mulheres admitidas, por mudança de leis ou costumes, teriam que incluir os seus maridos na Maçonaria e, como sabemos, nem todos estão aptos a serem maçons.

      A Maçonaria possui uma tradição, e adaptá-la a leis profanas somente traria a destruição da Ordem.

  24. Acredito que as Grandes Lojas dos EUA, assim como os Grandes Orientes da Holanda e Bélgica, estão de acordo com os “Princípios Básicos da Maçonaria”.

    As Grandes Lojas da Georgia e Tennessee (racistas e homofóbicas) não são exemplos de Maçonaria e devem perder o reconhecimento com o tempo, Tanto das Grandes Lojas Regulares como das Potências do Apelo Estrasburgo (irregulares).

    Lembremos das frases que estão escritas nas ‘câmaras da iniciação’ e paremos de hipocrisia! “Se tens apego às distinções humanas… RETIRA-TE”. Maçonaria não é para quem discrimina… Mas para quem agrega!

    Há alguns maçons pseudo espiritualizados que praticam toda ordem de discriminação antimaçônica e usam de indiretas hediondas para desferir seus golpes contra irmãos progressistas. Estes estão cobertos pelo pálio da suposta moralidade. Alguns, pasmem, são até mesmo juízes em suas vidas profanas.

    Outros, membros de algumas igrejas, possuem maior discernimento, e sabedores de sua própria mesquinhez, pedem o Quite e se vão para outras Lojas onde encontram seus iguais em hipocrisia. (obs.: Lembremos que a própria IPB e outras denominações condenam a Maçonaria e impedem seus membros de pertencerem aos quadros de uma Loja Maçônica. Logo, a hipocrisia começa por ai, quando traem suas igrejas e usam a Maçonaria meramente para a prática de política manutenção de contatos profissionais).

  25. Prezados Ir.: um tema um tanto polemico, peço desculpas a Ir.: que pessem diferente, mas o que devemos seguir sao leis, e o que bem entendo homem e homem, e mulher e mulher, sou pela familia!, onde existe marido e esposa, eu digo com toda a certeza: eu jamais iria aceitar um maçon homosexual!, nos somos HOMENS LIVRES E DE BONS COSTUMES, nao vamos misturar as coisas!

  26. Caro Kennyo Ismail, li e reli seu artigo e vejo uma incoerência, pois como esta escrito em LEVÍTICO 18 nos versículos:
    22 Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação.
    23 Nem te deitarás com animal algum, contaminando-te com ele; nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; é confusão.
    24 Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas, porque com todas elas se contaminaram as nações que eu expulso de diante de vós;
    25 e, porquanto a terra está contaminada, eu visito sobre ela a sua iniquidade, e a terra vomita os seus habitantes.
    26 Vós, pois, guardareis os meus estatutos e os meus preceitos, e nenhuma dessas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós
    27 (porque todas essas abominações cometeram os homens da terra, que nela estavam antes de vós, e a terra ficou contaminada);
    28 para que a terra não seja contaminada por vós e não vos vomite também a vós, como vomitou a nação que nela estava antes de vós.
    29 Pois qualquer que cometer alguma dessas abominações, sim, aqueles que as cometerem serão extirpados do seu povo.
    30 Portanto guardareis o meu mandamento, de modo que não caiais em nenhum desses abomináveis costumes que antes de vós foram seguidos, e para que não vos contamineis com eles. Eu sou o Senhor vosso Deus.
    Como estamos vendo não sou eu que digo isso este esta escrito no L.: da L.: a não ser que isso não valha mais nada e que esse preceito seja também de preconceito, ai teremos que o reescrever acho que os bons costumes não é o que a sociedade quer nos impor, basta que nós e cada um saber o que é o certo e o errado, pois digo meu mano não haveria luz se não houvesse trevas.
    Um T.F.A.

    Kennyo Ismail – Prezado Wiltemberg, não consegui enxergar a incoerência relatada, já que a Maçonaria não é restrita a judeus de 3 mil anos de idade. Além disso, o conceito de Maçonaria encontrado, por exemplo, na Coil, ensina que a Maçonaria incentiva os maçons a pensar, mas não diz a eles o que pensar; incentiva a busca da verdade, mas não indica qual é a verdade. Ou seja, deve-se haver tolerância aos pensamentos diferentes. Mas voltando ao Levítico, é o código moral para os judeus sob a liderança de Moisés. Prega a pena de morte; admite a escravidão; não se pode comer carne de porco ou de peixes sem escamas; é proibido raspar a barba; não se pode vestir roupas feitas com dois tipos diferentes de fios (algodão e poliéster, por exemplo); proibido tatuagens; etc. Entendo que, da mesma forma que não devemos julgar os comportamentos do passado pelos parâmetros do presente, também não devemos julgar os comportamentos do presente pelos parâmetros do passado. Mas se você quiser seguir o Levítico ao pé da letra, como realizar apedrejamentos em praça pública para os homens adúlteros e homossexuais, comprar alguns escravos, não raspar a barba e usar roupas 100% algodão, é uma escolha sua. A minha escolha é combater o fanatismo ignorante por meio do debate respeitoso das ideias.

  27. Primeiramente parabéns pelo artigo e pelo site que são recheados de ótimo conteúdo e reflexões. Lendo seu artigo me passou pela cabeça a seguinte questão, sabemos que as Constituições de Anderson assim como a maioria das normas, regras e obrigações maçônicas são derivadas das chamadas Antigas Obrigações (Old Charges). Tive a oportunidade de ler cuidadosamente a maioria desses manuscritos e lembro-me que em muitos deles está descrito por exemplo que nenhum maçom da alvenaria poderia se relacionar ou desejar a esposa de um irmão, filha, neta, ou qualquer parente do mesmo do sexo feminino, sob pena de ser expulso da ordem. Atualmente em muitos dos nossos rituais de diversos ritos e em seus respectivos juramentos podemos encontrar ainda de alguma forma essa obrigação. Imaginemos que em uma loja existam dois irmãos homosexuais sendo que somente um é casado. Minha pergunta é a seguinte, como ficaria neste caso se um desses irmãos homossexuais se apaixonasse pelo namorado do outro irmão? Creio que neste caso estas antigas obrigações e atuais juramentos perderiam completamente seu sentido e motivo de existir, pois ele só falam do sexo feminino? Certo? Abraços TFA

    Kennyo Ismail – Prezado Irmão Carlos, em primeiro lugar deve-se observar que as Old Charges têm valor histórico, mas não tem valor legal na Maçonaria. O que tem valor legal são as constituições, estatutos e regulamentos de cada Obediência. É nesses que deve-se tipificar um ato ou comportamento como infração. Nos casos em que a regra não é clara ou até mesmo é omissa, havendo, portanto, uma lacuna, pode-se julgar por analogia. Seria o caso no exemplo por você fornecido. Lembrando ainda que as leis são criadas conforme a necessidade da sociedade, e nunca o contrário. TFA.

    1. Ir. Kennyo, obrigado pela resposta. Sou da mesma opinião do irmão. Até porque muitas das coisas que estão nas “Old Charges” não conseguiríamos aplicar como lei ou obrigação maçônica hoje em dia, como por exemplo, a regra de que os aprendizes pedreiros deveriam prestar total obediência ao mestre da alvenaria. Praticamente os mestres das antigas alvenarias tinham posse dos aprendizes (assim como um sinhôzinho tinha posse dos seus escravos) até que os mesmos se elevassem a mestre o que poderia levar anos. Outra era a obrigação de jurar obediência ao Rei, a Igreja (inclusive a obrigação de ser cristão) também não faz mais sentido. Infelizmente, e não sei como e nem porque, muito destas questões históricas, como você bem disse, acabaram se arrastando ao longo dos séculos e chegaram até nós nos dias atuais, muitas vezes enraizadas com dogmas e ideias impregnadas de crendices e claro, muita invencionice. Mas acredito que isso um dia pode mudar, penso em uma maçonaria muito mais universal e menos dogmática. Mais uma vez parabéns por colocar em pauta esses assuntos que não como “tabus” mas precisam ser superados e continue com seu trabalho de pesquisa de investigação da verdade que é sensacional! TFA

  28. Boa tarde, Irmãos.
    Primeiramente gostaria de congratular o Ir Kennyo pela proposta do debate.
    Quanto a pergunta suscitada no texto, não considero a homossexualidade imoral.
    Muito me espanta que argumentos contrario a homossexuais baseam-se no livro da lei, na imensa maioria das lojas a bíblia, pois não somos uma seita.
    Quanto a iniciação de homossexuais,se somos em torno de 211.000 maçons no Brasil é possivel pensar que não exista homossexuais na maçonaria?
    Imaginemos um profano,profissional bem sucedido, casado com outro homem,com filhos adotados (por terem sido abandonados por casais heterossexuais) monogâmico, de vida reta e reputação ilibada, seria recusado?Por que?

  29. Acredito que caráter não tem a ver com sexualidade.
    Assim como existe diversidade na natureza, existe na Maçonaria, com diversas lojas e ritos, sempre tem uma(um) que combina mais com o irmão “X” e outra(o) com o irmão “Y”. Assim sendo, apoio a regularização de Lojas só para mulheres e as Lojas mistas. Cada um ficaria onde se sente melhor. Teríamos a intervisitaçao para combater nossos preconceitos e praticar a tolerância com o diferente.

  30. Caros amigos desde a juventude nutria o desejo de entrar no seio da maçonaria , frustrada tentativa quando fui convidado a entrevista no condomínio maçônico Albert Mackey pois sendo aprovado na lista de perguntas da entrevista o Senhor Daniel secretário da loja e pastor da Igreja Batista falou você passou com louvor em todas as perguntas, aí veio a última pergunta: você gosta de mulher né, eu disse não sou gay,ai ele disse então vou ter que te reprovar pra ser aprendiz Maçon, eu falei pq, ele disse nós maçons temos certos comprimentos que deixaria uma pessoa como você constrangido não admitimos gays em nosso convívio eu falei que eu saiba a maçonaria prega a igualdade e a fraternidade ele não sabia o que responder só me deu um cartão é disse que quando eu mudasse de ideia e resolvesse gostar de mulher que eu poderia procura-lo novamente aí sim seria admitido na loja agora me fala eu de boa educação de boa família com uma cultura privilegiada tendo um conceito formado de fraternidade e ajuda mútua a qualquer pessoa fui rejeitado por não gostar de vagina me desculpe o palavreado mais muita foi minha indignação.

    Kennyo Ismail – Prezado Giuseppe, considerando que se autodeclara “de boa educação” e “com uma cultura privilegiada”, sugiro, em primeiro lugar, que utilize de pontuação em seus escritos. Foi difícil entender o que escreveu. Em segundo, apelando a sua inteligência, seria correto julgar os outros 11 apóstolos pelo erro de Judas Iscariotes? Creio que não. Da mesma forma, a Maçonaria não tem culpa pelos erros isolados de seus membros.

  31. Preclaros irmãos,
    O assunto ‘parece’ atualidade, mas não é. Entendo a maçonaria como uma extensão de meu lar. NÓS escolhemos nossos irmãos. Jamais levaria meus filhos para um lugar onde um afeminado possa estar em COMUNHÃO comigo. Imagine o que pensariam nossos filhos e filhas ao saber que quando vamos a uma reunião maçônica, vamos nos encontrar em convivio comum com homosexuais, drogados, beberrões e outras opções mais? Aprendi que MAÇONARIA é sagrada. Eu não levo meus filhos a um restaurante LGBT. Meu mundo é outro…meu EXEMPLO deve ser o do que agrada ao G.A.D.U.
    O tema é muito delicado…merece REFLEXÃO…. eu jamais indicaria um gay para minha loja… e no dia que perceber que essa convivência é NORMAL…saio.
    Me desculpe os irmãos que por acaso tenha essa opção sexual… mas, MAÇONARIA não é um clube LGBT. Somos de BONS CONSTUMES.

    1. Prezados irmaos sou contra mulheres e homossexuais na ordem.

      Kennyo Ismail – Irmão Joel, essa informação colaborou muito com o tema, aprofundando e muito o nível do debate. Obrigado. Somente peço que, na próxima oportunidade, justifique sua opinião. Creio que será ainda mais produtiva.

  32. Caros irmãos, feliz e abençoado 2017 a todos. A homossexualidade nasce com o indivíduo; não se trata de opção. Interessa à Maçonaria o homem e o que ele traz dento de si, no que refere a sua Índole, bom caráter e disposição de contribuir para a construção de um mundo melhor, sob todos os aspectos, entre outros, tolerância e compreensão com os que lhe são diferentes. Sou heterossexual, respeito os que me são diferentes e não deixaria de amar um irmão por ele ser homossexual. Que eu saiba, não tenho em minha família algum parente homossexual. Penso, repito, não deixaria de amar alguém por ser homossexual. Votaria a favor na aceitação de um homem homossexual em nossa Sublime Ordem.

  33. Excelente Prancha de Arquitetura!

  34. Discordo que a sociedade tenha mudado como citado no artigo, não devemos confundir “a sociedade” com “lobbies” que forçam aceitações de condutas que conseguiram penetrar até nas esferas da “ciência” que por sua vez não oferece nenhuma explicação conclusiva. Se por um lado o homossexualismo pode ser visto como conduta, o que inclusive gera a aceitação como membro em Igrejas, desde que a conduta seja reprimida, isto é, identifique que a conduta não coaduna com a doutrina, por outro parece que a aceitação discutida aqui é aceitar não a pessoa mas a própria conduta da pessoa homossexual como moral e de bons costumes e neste caso meu voto é negativo!

  35. A orientação sexual, Mulher na maçonaria, são casos polêmicos , que devem ser discutidos em todos os ritos e potências. Porém devemos seguir o que dizem as leis maçônicas.

  36. Parabéns pela abordagem do assunto meus irs

  37. Parabéns pelo post Ir.’. Kennyo. O tema é de fato complexo. Como mera pedra bruta, fui iniciado em loja há pouco tempo. Mas pelo pouco que já aprendi, penso que tolerância é primordial em nossa ordem. Como pai de dois filhos fiquei pensando: Qual garantia tenho de que um deles, ou os dois, não terão uma opção sexual diferente da minha?… Isso me faria abandoná-los? Ou os tornaria piores, promíscuos?…
    Mais uma vez parabéns meu irmão. Gostaria muito de conhecê-lo pessoalmente um dia. TFA.

  38. Meu Caro Ir.’. Kennyo, boa noite.

    Inicialmente gostaria de parabenizá-lo pela abordagem do tema em seu site. Infelizmente não vemos este tema sendo discutido pelas lideranças eleitas; e nas fileiras ainda há muita relutância em tratar do assunto.

    Após a leitura de seus argumentos e dos comentários dos IIr.’., acredito que, para sanarmos as dúvidas, devemos recorrer à legislação.

    A Constituição do Grande Oriente do Brasil prevê:

    Art. 2º São postulados universais da Instituição Maçônica:

    VI – A EXCLUSIVA INICIAÇÃO DE HOMENS; [GRIFO NOSSO]

    DOS MAÇONS

    Art. 27 A admissão de candidato na Ordem maçônica, disciplinada no Regulamento Geral da Federação, será decidida por deliberação de uma Loja regular, mediante votação.

    § 1º Para ser admitido, o candidato deverá satisfazer os seguintes requisitos:
    I – SER DO SEXO MASCULINO e maior de dezoito anos, ser hígido* e ter aptidão para a prática dos atos de ritualística maçônica; [GRIFO NOSSO]

    *Hígido: 1. Relativo a saúde; salutar. 2 Em perfeita condição de saúde (Fonte: http://michaelis.uol.com.br/busca?id=5B1O7);

    Já o Regulamento Geral da Federação, prevê:

    Art. 1º A admissão depende da comprovação dos seguintes requisitos:
    I – ser maior de dezoito anos e do SEXO MASCULINO; [GRIFO NOSSO]

    Os LandMarks de Mackey:

    18º – Os candidatos a iniciação devem ser isentos de defeitos físicos ou mutilações, livres de nascimento e maiores. Uma mulher, um aleijado ou um escravo não podem ingressar na Fraternidade.

    Ora, vejamos, então, que não existe na legislação maçônica qualquer menção ou referência a orientação sexual de seus membros.

    Esse ponto é fundamental para emitirmos juízos de valor. Cumprindo-se os requisitos normativos para a iniciação do candidato, qualquer outra análise é subjetiva e uma opinião.

    Me deixa triste ler que irmãos fundamentam seu posicionamento com hipóteses de “o que fazer no dia das mães”; “como lidar com um irmão que namore outro irmão” etc.

    É fechar os olhos para as características individuais e achar que a homossexualidade, em si, faz do indivíduo um transgressor. Esse esteriótipo deve ser combatido por nós, obreiros da Arte Real.

    Todos que são livres, de bons costumes e podem ser assim garantidos por um Ir.’., devem ter oportunidade de trabalhar em nossa sublime Ordem.

    Deixo assim meu posicionamento, fundamentado na Legislação e Princípios da Maçonaria, de que não há impedimento para o ingresso ou permanência de um homossexual na Ordem.

    Sigamos nossos trabalhos com menos despotismo, ignorância e preconceitos.

    T.’.F.’.A.’.

    Carlos Eduardo R Ramos
    M.’.I.’. – GOB

  39. Irmãos .’. G.’.A.’.U.’. Vos deem boa sorte em todos os dias de vossas vidas .
    Sendo dono de minhas ações , mais nunca do meu instinto ,encontrei nesse vida meu amor em uma pessoa do mesmo sexo . Sei que isso pode até parecer agressivo aos olhos de alguns irmãos , mais eu trago comigo isso com muita leveza , meu amor tem o gênero feminino bem instalado em si e eu o gênero masculino bastante aflorado. E esse equilíbrio de gêneros nos dá a oportunidade de vivermos em harmonia assim como os irmãos e as cunhadas . Ele me aceitou maçom , espero que a Ordem entenda .

  40. Prezados
    ainda bem que existem pessoas como Sr. Kennyo, e pessoas que comandam a Grande Loja da Califórnia e seu posicionamento. Não sou maçon e admiro profundamente os ensinamentos de Buda, o conhecimento que a Ciência convencional nos traz, sigo a Umbanda mas acima de tudo o ensinamento de Amor de Jesus Cristo e claro : não existe religião maior que a verdade. Como alguém que se propõe a investir no próprio conhecimento e ascensão pode ser tão estreito de visão neste universo a ponto de ser contra a intimidade de outro ser humano se tal alma “optou” pela homossexualidade/bissexualidade neste intervalo evolutivo? Não importa se o homem é gay ou não, o que importa é seu caráter, sua determinação, sua escolha, sua educação, sua soberana vontade de algum dia atingir iluminação.

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